Agroleite aproxima pesquisa e produção na Capital Nacional do Leite
No espaço da UEPG, Agipi/Ageuni apresenta tecnologias e fortalece o diálogo com produtores e empresas em Castro
O leite começa na propriedade rural. O produtor cuida do rebanho e organiza a alimentação. Faz a ordenha e refrigera a produção. Do pequeno produtor às grandes fazendas, o trabalho depende de uma rede. Cooperativas oferecem assistência técnica, organizam a comercialização e conectam o campo à indústria. O leite dá origem a queijos, iogurtes e outros alimentos que chegam à mesa dos brasileiros e também podem ser exportados. Nesse caminho, a cadeia leiteira movimenta transporte, comércio, serviços e pesquisa.
Essa rede ganha visibilidade no Agroleite. Promovido pela Cooperativa Castrolanda, o evento é reconhecido como a maior vitrine da tecnologia da cadeia do leite da América Latina. Em agosto de 2026, reuniu produtores, empresas, pesquisadores e estudantes em Castro, nos Campos Gerais.
Os dados da Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2025, do IBGE, mostram a força da atividade. Castro manteve a liderança nacional entre os municípios, com 532,8 milhões de litros de leite, alta de 10% sobre 2024. Carambeí ficou em segundo lugar, com 306,8 milhões. O protagonismo de Castro vem de longa data: em 2006, o município já ocupava o primeiro lugar no país, com 134 milhões de litros.

Dr. Carlos Ubiratan da Costa Schier, chefe da Incubadora de Projetos Tecnológicos da Agipi.
No espaço da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a Agência de Inovação e Propriedade Intelectual (Agipi) apresentou pesquisas da instituição e tecnologias de empresas incubadas. Na universidade, a Agipi atua de forma integrada com a Agência de Desenvolvimento Regional Sustentável (Ageuni), articulando iniciativas de inovação às demandas de empresas e da comunidade.
“O espaço da Agipi permite apresentar tecnologias, ouvir demandas e construir parcerias que podem transformar a pesquisa em soluções para a região”, afirma o professor Dr. Carlos Ubiratan da Costa Schier, chefe da Incubadora de Projetos Tecnológicos da Agipi.
Tecnologias em exposição
Entre os expositores estava Antonio Carlos de Francisco, da Muush, startup incubada na Agipi. A empresa apresentou um biotecido à base de micélio, semelhante ao couro e com potencial de aplicação na moda, além de outros produtos desenvolvidos pela empresa. Um dos contatos abriu uma conversa sobre possível fornecimento do material.

Antonio Carlos de Francisco, da Muush, startup incubada na Agipi.
Segundo Antonio, a tecnologia ainda é pouco conhecida, e o evento ajudou a divulgar o trabalho desenvolvido na Agipi. “Esta é uma forma interessante de comunicar à sociedade onde a relação universidade, empresa e comunidade acontece”, afirma.
O Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da UEPG mantém parceria com a Ageuni. À frente do laboratório, o professor Orcial Ceolin Bortolotto apresentou no Agroleite trabalhos sobre o controle da lagarta-do-cartucho e da cigarrinha-do-milho. As pesquisas se conectam à cadeia leiteira pelo uso do milho na produção de silagem para alimentar o rebanho.
No manejo da lagarta-do-cartucho, os estudos buscam alternativas biológicas, com foco em bioinsumos, para uma produção sustentável, segura e rentável. Já as pesquisas sobre a cigarrinha procuram reduzir os danos da praga, que, segundo Orcial, representa um desafio especialmente nos plantios mais tardios.
Para o professor, o Agroleite permite apresentar esses resultados e conhecer as necessidades dos produtores. “Para nós, é muito boa essa oportunidade de interface com a realidade do campo, do dia a dia”, comenta.
O peso do leite na economia de Castro
Em 2024, o leite respondeu por R$ 1,26 bilhão em Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) em Castro, segundo o relatório socioeconômico elaborado pela residente do Especializa Paraná, Kariolaine Sczizinovski. O valor representou 34,9% do VBP agropecuário municipal, fazendo do leite o principal produto do levantamento.
“A produção nas propriedades se conecta à alimentação do rebanho, às cooperativas, à indústria e aos serviços. Acompanhar o Agroleite permite observar essa integração e entender como as tecnologias apresentadas podem contribuir para a economia local”, destaca Kariolaine, que acompanhou o evento pela Agipi/Ageuni.
Ao reunir produtores, empresas e pesquisadores, o Agroleite abre espaço para conhecer tecnologias, discutir práticas e construir parcerias. A participação da UEPG aproxima o conhecimento produzido na universidade das demandas de quem trabalha no campo e na indústria.
Texto: Alex Dolgan
Fotos: Alex Dolgan e Daniela Borcezi
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