{"id":1053,"date":"2012-11-12T22:18:18","date_gmt":"2012-11-12T22:18:18","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1053"},"modified":"2012-11-12T22:18:18","modified_gmt":"2012-11-12T22:18:18","slug":"glauber-rocha-no-palco-do-fenata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/glauber-rocha-no-palco-do-fenata\/","title":{"rendered":"Glauber Rocha no palco do Fenata"},"content":{"rendered":"<p>Em 1963, o cineasta brasileiro Glauber Rocha lan\u00e7ava o filme &#8216;Deus e o Diabo na Terra do Sol&#8217;. A produ\u00e7\u00e3o, que conta um pouco da vida no sert\u00e3o nordestino, nos tempos do canga\u00e7o e do fanatismo religioso, chegou a ser aclamada como maior filme brasileiro de todos os tempos. No domingo, 12\/11, o grupo &#8216;Cia Provis\u00f3ria&#8217; assumiu a enorme responsabilidade de representar a hist\u00f3ria, como pe\u00e7a de teatro, nos palcos do 40\u00ba Fenata.<\/p>\n<p>A trupe encenou a pe\u00e7a em um cen\u00e1rio vazio, entre paredes, em que fulgurava, sem brilhar, um grande sol desenhado. Os 11 membros do grupo compuseram o espet\u00e1culo de maneira extremamente art\u00edstica. Dois m\u00fasicos, sentados \u00e0 frente do palco, executavam a trilha sonora e cederam um car\u00e1ter de musical \u00e0 pe\u00e7a. Os outros nove deram um jeito de fugir do teatro corriqueiro mesclando cenas e atua\u00e7\u00f5es vibrantes, dan\u00e7adas, arrastadas e explosivas, com falas aparentemente soltas e descompassadas, que se complementam umas \u00e0s outras. Todos os atores alternavam entre um papel fixo e um secund\u00e1rio, que servia para preencher o cen\u00e1rio vazio, como povo cantante e dan\u00e7ante.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a \u00e9 recheada de refer\u00eancias culturais e hist\u00f3ricas do nordeste. Retrata vidas marcadas por pobreza e religiosidade, em que o conflito entre bem e mal \u2013 Deus e Diabo \u2013 \u00e9 indefinido e a luta pela sobreviv\u00eancia \u00e9 constante. O enredo conta a vida do vaqueiro Manuel que, em defesa de seu orgulho, dignidade, ou qualquer coisa que o valha, mata um coronel que tenta extorqui-lo. Perseguido pelos homens do coronel, Manuel foge com sua mulher, Rosa, e, no desespero, se une ao grupo do l\u00edder religioso Santo Sebasti\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u201cSanto\u201d cria um movimento rebelde de fan\u00e1ticos religiosos, com a promessa de uma terra santa, farta e justa. Uma refer\u00eancia clara aos movimentos <em>sebastianistas<\/em>, que ganhavam for\u00e7a no nordeste da \u00e9poca e se caracterizavam pelo ide\u00e1rio de combate ao sistema e pelo fanatismo religioso extremista, cheio de promessas de salva\u00e7\u00e3o e exig\u00eancias de derramamento de sangue.<\/p>\n<p>Na pe\u00e7a, Santo Sebasti\u00e3o morre pela m\u00e3e de um dos seus e o assassino, Antonio das Mortes, contratado por senhores de terras, extermina o resto do movimento. O matador \u00e9 uma figura peculiar, dotado de um c\u00f3digo moral bem particular. Ele acredita que seu trabalho \u00e9 uma miss\u00e3o em favor do povo do sert\u00e3o. Manuel e Rosa sobrevivem \u00e0 matan\u00e7a e seguem um caminho comum ao nordestino sem rumo da \u00e9poca. Unem-se ao canga\u00e7o.<\/p>\n<p>Assim, entra na hist\u00f3ria a c\u00e9lebre figura de Curisco, ex-membro do bando do falecido Lampi\u00e3o e procurado por Antonio das Mortes. Depois de alguns dias de ca\u00e7a, o assassino os encontra e, no momento derradeiro, o gangaceiro morre gritando que \u201cmais fortes s\u00e3o os poderes do povo\u201d. Manuel foge em dire\u00e7\u00e3o ao oceano e morre sem olhar para tr\u00e1s, seguindo sempre Santo Sebasti\u00e3o, que disse que \u201co sert\u00e3o vai virar mar\u201d. O espet\u00e1culo encerra ao som da can\u00e7\u00e3o que diz: \u201cA terra \u00e9 do homem, n\u00e3o \u00e9 de Deus e nem do Diabo\u201d.<\/p>\n<p>Reportagem de Rubens Anater2<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1963, o cineasta brasileiro Glauber Rocha lan\u00e7ava o filme &#8216;Deus e o Diabo na Terra do Sol&#8217;. A produ\u00e7\u00e3o, que conta um pouco da vida no sert\u00e3o nordestino, nos tempos do canga\u00e7o e do fanatismo religioso, chegou a ser aclamada como maior filme brasileiro de todos os tempos. 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