{"id":1081,"date":"2012-11-30T23:26:25","date_gmt":"2012-11-30T23:26:25","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1081"},"modified":"2012-11-30T23:26:25","modified_gmt":"2012-11-30T23:26:25","slug":"eternizando-o-passado-digitalizando-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/eternizando-o-passado-digitalizando-o-futuro\/","title":{"rendered":"Eternizando o passado, digitalizando o futuro"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p>Revela\u00e7\u00e3o, fixa\u00e7\u00e3o, lavagem e secagem s\u00e3o as etapas para transformar um filme fotogr\u00e1fico em algo eterno. Tudo bem que desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI vivemos a populariza\u00e7\u00e3o\u00a0 das c\u00e2meras digitais, contudo a magia de transformar a prata em imagens sempre ser\u00e1 algo valioso para os amantes da fotografia. Fot\u00f3grafo h\u00e1 57 anos, \u2018Seu Domingos\u2019, 71 anos, conta que o segredo do processo da revela\u00e7\u00e3o est\u00e1 na lavagem: \u201cExiste uma teoria entre os fot\u00f3grafos que quanto mais tempo lavando a imagem, mais tempo ela duraria\u201d. Mito ou realidade, as fotografias antigas demoravam muito mais tempo para serem reveladas, dependendo da temperatura. Domingos relembra a complexidade de manejar as fotos quando o dia estava frio: \u201cEra precisava usar um aquecedor para que a imagem sa\u00edsse\u201d.<\/p>\n<p><strong>Padr\u00e3o fotogr\u00e1fico<\/strong><\/p>\n<p>Foto para passaporte, identidade, visto, carteira de habilita\u00e7\u00e3o, carteira de estudante. Em sua maioria, as fotografias na metade do s\u00e9culo XX eram feitas para documentos e quase todas no formato 3&#215;4 \u2013 a famosa imagem que torna poss\u00edvel uma pessoa linda ficar feia em um pequeno peda\u00e7o de papel. Seu Domingos conta que os fot\u00f3grafos preferiam ficar nos est\u00fadios a fotografar na rua, pois \u201cera muito caro e dif\u00edcil carregar todo o equipamento\u201d.<\/p>\n<p>Devido ao peso das m\u00e1quinas, os fot\u00f3grafos dos anos 1950 e 1960 tiravam fotos est\u00e1ticas, a sua maioria em casamentos, eventos importantes da cidade ou \u00e1lbuns de fam\u00edlia. Seu Domingos lembra que era preciso seis chapas para fazer as imagens de um matrim\u00f4nio: \u201cDuas eram do noivo com a noiva, duas apenas da esposa e duas com os pajens\u201d.<\/p>\n<p><strong>Manipula\u00e7\u00e3o e desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o da fotografia trouxe avan\u00e7os para os profissionais da \u00e1rea, que precisaram aprender a manejar desde as placas das antigas m\u00e1quinas de madeira at\u00e9 o \u2018photoshop\u2019 utilizado nas c\u00e2meras digitais mais tecnol\u00f3gicas. Falando em manipula\u00e7\u00e3o de imagens atrav\u00e9s de recursos digitais, Seu Domingos lembra que as fotos antigas tamb\u00e9m eram retocadas e pergunta: \u201cVoc\u00ea j\u00e1 percebeu que as pessoas nas fotografias velhas n\u00e3o tinham rugas?\u201d. Antes de responder, ele abre um sorriso de satisfa\u00e7\u00e3o ao observar minha fei\u00e7\u00e3o de surpresa: \u201cAs imagens eram remanejadas com um l\u00e1pis bem fino em cima da \u2018gelatina\u2019 da placa. Era preciso ter muito cuidado\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo com a ascens\u00e3o da c\u00e2mera anal\u00f3gica, Seu Domingos comenta que utilizou, assim como muitos fot\u00f3grafos em Ponta Grossa, a chapa \u2018gelatinosa\u2019 at\u00e9 o ano de 1995: \u201cAs imagens com essa m\u00e1quina s\u00e3o muito mais bonitas e n\u00edtidas, n\u00e3o havia necessidade de usar outra para as fotos posadas\u201d. Como existiam chapas com o tamanho de apenas 18&#215;24, os fot\u00f3grafos precisavam usar da criatividade para diminuiu ou aumentar a dimens\u00e3o de uma fotografia: \u201cNo come\u00e7o n\u00f3s desenvolvemos duas fotos na chapa, tapando um lado da m\u00e1quina do papel preto\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cA gente j\u00e1 ia concentrado, n\u00e3o sentia nada\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel para preencher o papel do fotojornalismo. Cartier-Bresson, Dorothea Lange e Robert Capa s\u00e3o os pioneiros da fotografia jornal\u00edstica, que originava muito mais que uma imagem. Trazia o impacto da realidade. Os fot\u00f3grafos brasileiros, em sua maioria, n\u00e3o participaram de guerras e n\u00e3o retrataram tais momentos. Contudo, as imagens dos jornais di\u00e1rios precisavam ser feitas e esses profissionais estavam prontos para ajudar. Seu Domingos comenta que em Ponta Grossa os peri\u00f3dicos n\u00e3o tinham fot\u00f3grafos, por isso n\u00e3o eram divulgadas muitas fotos nas p\u00e1ginas dos jornais. Ele ainda lembra que existia uma grande dificuldade para colocar as imagens no papel: \u201cAs fotografias eram enviadas para a clicheria de Curitiba. Se eram enviadas de manh\u00e3 cedo pelo \u00f4nibus, apenas no outro dia era poss\u00edvel que a foto estivesse na gazeta\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Domingos, os fot\u00f3grafos precisavam fazer imagens de cirurgias, acidentes, partos, corpos no IML: \u201cEu n\u00e3o sei do que eu n\u00e3o tirei foto. Eu at\u00e9 lembro-me de uma imagem que precisei fazer de uma mulher que levou uma machadada na cabe\u00e7a. Eu at\u00e9 tirei a fotografia, mas ela n\u00e3o foi publicada\u201d.<\/p>\n<p><strong>Tecnicolor<\/strong><\/p>\n<p>Com o advento da c\u00e2mera digital, conta Seu Domingos, qualquer pessoa pode tornar-se fot\u00f3grafo: \u201cHoje em dia n\u00e3o fazem mais fotografia. Colocam tudo na internet e para mim foto \u00e9 aquela que est\u00e1 no papel\u201d. Apesar da c\u00e2mera anal\u00f3gica n\u00e3o ser mais t\u00e3o utilizada, alguns fot\u00f3grafos ainda preferem usar o filme, devido \u00e0 sua qualidade: \u201cAs vezes fizemos imagens para documentos para os advogados, para n\u00e3o haver manipula\u00e7\u00e3o\u201d. Domingos ainda completa, aos risos: \u201cImagina se soubessem que as fotos s\u00e3o alteradas desde a \u00e9poca da chapa?\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>No ano de 2012, um livro com a biografia de Seu Domingos foi publicado, a obra \u00e9 resultado do Concurso Municipal de Biografias &#8220;Professor Joselfredo Cercal de Oliveira&#8221;, de 2011. O autor \u00e9 um aluno de Jornalismo da UEPG, Afonso Verner. As outras biografias do livro s\u00e3o de Roque Sponholz, produzida por Ismael de Freitas, jornalista, e de Josefa Schimit, da autoria de Nicoly Fran\u00e7a, tamb\u00e9m aluna de Jornalismo da UEPG.<br \/>\n<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Reportagem de Marina Demartini<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revela\u00e7\u00e3o, fixa\u00e7\u00e3o, lavagem e secagem s\u00e3o as etapas para transformar um filme fotogr\u00e1fico em algo eterno. Tudo bem que desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI vivemos a populariza\u00e7\u00e3o\u00a0 das c\u00e2meras digitais, contudo a magia de transformar a prata em imagens sempre ser\u00e1 algo valioso para os amantes da fotografia. 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