{"id":1088,"date":"2012-11-25T00:34:42","date_gmt":"2012-11-25T00:34:42","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1088"},"modified":"2012-11-25T00:34:42","modified_gmt":"2012-11-25T00:34:42","slug":"homem-e-museu-como-um-so","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/homem-e-museu-como-um-so\/","title":{"rendered":"Homem e Museu como um s\u00f3"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p>Ressalvo ao leitor, antes de tudo, que um s\u00f3 perfil \u2013 caso do modesto texto que abaixo segue \u2013 n\u00e3o representa a totalidade da vida de Heinz, por conta da riqueza e dimens\u00e3o do perfilado.<\/p>\n<p>Museu Hist\u00f3rico de Witmarsum. Quem me atende \u00e9 um homem com express\u00e3o cerrada, t\u00edpica do nosso imagin\u00e1rio sobre os descendentes de alem\u00e3es.\u00a0 Cada \u2018r\u2019 pronunciado \u00e9 carregado pelo sotaque germ\u00e2nico. Dizem que a primeira impress\u00e3o \u00e9 a que fica. N\u00e3o nesse caso. O di\u00e1logo mostraria que o historiador do Museu \u2013 por mais que n\u00e3o possua t\u00edtulo formal para \u2013, Heinz Egon Philippsen \u00e9, em suma, um ser extrovertido e preocupado com o bem-estar dos integrantes da Col\u00f4nia Witmarsum, no munic\u00edpio de Palmeira, onde nasceu \u2013 no in\u00edcio de outubro de 1955 \u2013, cresceu e trabalha.<\/p>\n<p>Formado em t\u00e9cnica agr\u00edcola, Heinz j\u00e1 foi agricultor, vereador de Palmeira entre 1992 e 1996, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores da Col\u00f4nia &#8211; entidade que possui 30 funcion\u00e1rios; e membro de v\u00e1rios conselhos na Prefeitura local. Desde 2007, trabalha como historiador\/guia no Museu de Witmarsum, que se confunde e completa sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O trabalho no Museu surge da proposta de um grupo de empreendedores locais que buscavam alavancar o turismo na regi\u00e3o. Heinz foi indicado para permanecer \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, integralmente, dos que desejam visitar o local. Segundo dados do historiador, em 2012 (at\u00e9 outubro) ele j\u00e1 atendeu cerca de quatro mil pessoas.<\/p>\n<p>Para todas, o mesmo atendimento: cadeiras dispostas em frente a uma grande mesa com um surrado mapa-m\u00fandi, de onde Heinz descreve toda a trajet\u00f3ria de seus ascendentes. As duas horas que passei ouvindo aquele simp\u00e1tico \u2018alem\u00e3o\u2019 falar pareceram poucos minutos, tamanho envolvimento gerado pelo carisma e abund\u00e2ncia de detalhes das narrativas transmitidas.<\/p>\n<p><strong>Menonita<\/strong><\/p>\n<p>O discurso crist\u00e3o permeia toda a fala de Heinz. O interesse pela hist\u00f3ria de seus antepassados e sua religi\u00e3o, conta ele, vem da inf\u00e2ncia, e das conversas com o av\u00f4. \u201cMinha base hist\u00f3rica vem da igreja, acima de tudo, e da relev\u00e2ncia que ela tem em minha vida\u201d, revela.<\/p>\n<p>O dia a dia do historiador no \u00e2mbito menonita \u00e9 intenso e vibrante. Heinz coordena uma s\u00e9rie de estudos b\u00edblicos semanal, o que, para ele, se constitui num prazeroso e produtivo momento de di\u00e1logo com seus correligion\u00e1rios.\u00a0 \u201cHoje, por\u00e9m, 50% dos menonitas de Witmarsum n\u00e3o frequentam a igreja\u201d, lamenta. Segundo ele, os ausentes nem mesmo adotam o estilo de vida denominacional no cotidiano.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o fosse a religi\u00e3o que sigo, n\u00e3o seria o que seria. Para qualquer lado que fosse, eu faria estrago, pois alem\u00e3o faz bem feito (risos)\u201d \u2013 numa refer\u00eancia ao cuidado e devo\u00e7\u00e3o aplicada pelos alem\u00e3es em todas suas atividades, m\u00e1xima que permeou v\u00e1rios momentos da entrevista.<\/p>\n<p><strong>Casa\/Museu<\/strong><\/p>\n<p>Heinz nasceu na casa que hoje abriga o Museu de Witmarsum. \u201cTudo nessa casa mexe comigo, \u00e9 marcante. Tem a ver com a minha hist\u00f3ria\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Tr\u00eas artefatos do local lhe s\u00e3o os mais significativos: um garfo trazido da R\u00fassia por seus antepassados, o qual foi quebrado e rebitado duas vezes; um rel\u00f3gio montado com pe\u00e7as de diversos outros objetos, caso de um utens\u00edlio de uma centr\u00edfuga que tem como fun\u00e7\u00e3o auxiliar o rel\u00f3gio a badalar; e o ber\u00e7o onde seu pai repousava, quando beb\u00ea.<\/p>\n<p>\u201cNasci aqui dentro\u201d, aponta Heinz, comovido, para o c\u00f4modo que outrora abrigara uma enfermaria, quando o Museu fora usado como hospital.<\/p>\n<p>Reportagem de Kevin Willian Kossar<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ressalvo ao leitor, antes de tudo, que um s\u00f3 perfil \u2013 caso do modesto texto que abaixo segue \u2013 n\u00e3o representa a totalidade da vida de Heinz, por conta da riqueza e dimens\u00e3o do perfilado. Museu Hist\u00f3rico de Witmarsum. 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