{"id":1130,"date":"2012-12-20T01:33:21","date_gmt":"2012-12-20T01:33:21","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1130"},"modified":"2012-12-20T01:33:21","modified_gmt":"2012-12-20T01:33:21","slug":"abram-alas-que-a-morte-deseja-passar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/abram-alas-que-a-morte-deseja-passar\/","title":{"rendered":"Abram alas que a morte deseja passar"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Gente amontoada numa variante de prociss\u00e3o fervorosa. Pessoas se empurram sem querer, seguem a marcha, andam a passos lentos, acompanham o fluxo da multid\u00e3o. Alguns dan\u00e7am, outros bebem, e todos festejam. N\u00e3o \u00e9 Dia de Todos os Santos, n\u00e3o \u00e9 Dia de Nossa Senhora Aparecida, n\u00e3o \u00e9 Natal, Ano Novo, nada do tipo. \u00c9 outra coisa, algo singular, \u00e9 <em>D\u00eda de Muertos.<\/em><\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A tradi\u00e7\u00e3o mexicana que movimenta os cemit\u00e9rios e ruas do pa\u00eds pode ser comparada ao Dia de Finados comemorado em dois de novembro no Brasil. No entanto, o termo \u2018comemora\u00e7\u00e3o\u2019 se aplica fielmente no M\u00e9xico, j\u00e1 que o costume re\u00fane centenas e \u00e0s vezes milhares de pessoas em eventos de ode \u00e0 morte e aos que se foram. Segundo o soci\u00f3logo Arturo Santamar\u00eda Gomez, o <em>D\u00eda de Muertos<\/em> \u00e9 um costume que deriva dos povos pr\u00e9-colombianos e que ao princ\u00edpio estava ligado a oferendas em agradecimento \u00e0s boas colheitas. Conta Santamar\u00eda, que com a chegada dos colonizadores espanh\u00f3is houve a miscigena\u00e7\u00e3o da cultura ind\u00edgena e cat\u00f3lica, que resultou nessa tradi\u00e7\u00e3o, reafirmada anualmente.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Diferente do feriado brasileiro, o mexicano se divide em duas partes. Em 1\u00ba de novembro se comemora o <em>D\u00eda de los Santos Inocentes<\/em>, data em que as pessoas v\u00e3o ao cemit\u00e9rio para homenagear apenas as crian\u00e7as que morreram. O costume \u00e9 limpar os t\u00famulos e enfeitar as l\u00e1pides com doces e brinquedos que eram do gosto do \u2018Santo Inocente\u2019 (a crian\u00e7a). J\u00e1 em dois de novembro, se comemora o <em>D\u00eda de los fieles defuntos<\/em>, em que o povo vai aos cemit\u00e9rios pelos adultos falecidos. Nessa data as l\u00e1pides tamb\u00e9m s\u00e3o enfeitadas com as comidas preferidas do defunto, com bebidas t\u00edpicas e fotos. Em v\u00e1rios casos se contratam m\u00fasicos para cantar sobre o t\u00famulo enquanto os parentes participam da homenagem. Algumas cren\u00e7as populares ensinam que o <em>D\u00eda de Muertos<\/em> reaproxima os vivos dos entes queridos que j\u00e1 morreram, e que nesse tempo eles aproveitam as comidas e a cantoria.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Arturo Santamar\u00eda explica que embora forte, a tradi\u00e7\u00e3o mexicana se transformou muito. \u201cHoje as festas se tornaram um espet\u00e1culo e se perdeu a solenidade\u201d, diz. Segundo ele, a data \u00e9 t\u00edpica das classes populares, mas est\u00e1 se convertendo em atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica. Para Isabel Moreno, 33, o dia faz parte dos mexicanos e n\u00e3o h\u00e1 sinais de que se perder\u00e1 o costume t\u00e3o cedo. \u201c\u00c9 uma tradi\u00e7\u00e3o importante que temos de deixar para os nossos filhos, faz parte de quem somos\u201d. A aposentada Maria Del Carmen Zazueta, 58, afirma que ap\u00f3s tantos anos e mudan\u00e7as no pa\u00eds, a data \u00e9 um dos poucos aspectos da cultura que n\u00e3o se perderam. \u201cPerdi um filho em 1980 e desde ent\u00e3o vou ao cemit\u00e9rio homenage\u00e1-lo. Passe o tempo que passe n\u00e3o esquecemos nossos mortos\u201d, comenta.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Alguns jovens, por\u00e9m, veem o <em>D\u00eda de Muertos<\/em> como uma obriga\u00e7\u00e3o passada de pais a filhos e que j\u00e1 perdeu seu verdadeiro sentido. \u201cEu n\u00e3o gosto da ideia de que s\u00f3 tenho esse dia para homenagear meus parentes, temos todo ano pra fazer isso\u201d, afirma o estudante de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, Daniel Soto Pe\u00f1a.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Outro tra\u00e7o muito presente na comemora\u00e7\u00e3o s\u00e3o as caveiras e os disfarces de terror que se aproximam das fantasias de <em>Halloween<\/em>. \u2018Catrina\u2019, esp\u00e9cie de rainha das caveiras, caracterizada por vestir trajes do s\u00e9culo XIX, \u00e9 uma das personagens mais marcantes do dia. Al\u00e9m disso, comemora\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas \u00e0 noite, com m\u00fasica, dan\u00e7as e desfile de pessoas fantasiadas. Santamar\u00eda conta que a tradi\u00e7\u00e3o do <em>D\u00eda de Muertos<\/em> est\u00e1 mais presente em alguns estados espec\u00edficos do M\u00e9xico, como Michoac\u00e1n, e em cidades pequenas. Para o soci\u00f3logo a comemora\u00e7\u00e3o destaca um tra\u00e7o peculiar dos mexicanos \u2013 a divers\u00e3o. \u201cN\u00f3s mexicanos brincamos com a morte, fazemos piada dela\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Reportagem de Hellen Bizerra<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Material veiculado no<em> Foca Livre<\/em>, jornal laborat\u00f3rio do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gente amontoada numa variante de prociss\u00e3o fervorosa. Pessoas se empurram sem querer, seguem a marcha, andam a passos lentos, acompanham o fluxo da multid\u00e3o. Alguns dan\u00e7am, outros bebem, e todos festejam. N\u00e3o \u00e9 Dia de Todos os Santos, n\u00e3o \u00e9 Dia de Nossa Senhora Aparecida, n\u00e3o \u00e9 Natal, Ano Novo, nada do tipo. \u00c9 outra&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":524,"featured_media":1131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[33],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1130"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/524"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1130"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1130\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1130"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1130"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}