{"id":1133,"date":"2012-12-20T01:41:13","date_gmt":"2012-12-20T01:41:13","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1133"},"modified":"2012-12-20T01:41:13","modified_gmt":"2012-12-20T01:41:13","slug":"a-vida-contada-por-uma-navalha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-vida-contada-por-uma-navalha\/","title":{"rendered":"A vida contada por uma navalha"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p>\u00a0\u201cOntem, hoje e amanh\u00e3. O homem o cabelo parte. Parte o cabelo com arte, at\u00e9 que o cabelo parte\u201d, assim, Millor Fernandes define a profiss\u00e3o do cabeleireiro. Talvez, muitos n\u00e3o saibam reconhecer ou dar valor aos profissionais, mas um dia precisaram de seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, cidade com mais de 300 mil habitantes, e tra\u00e7os conservadores marcantes, ainda se pode observar barbearias e sal\u00f5es \u00e0 moda antiga e em funcionamento a mais de 45 anos. \u00c9 o caso da Barbearia S\u00e3o Jos\u00e9, criada no dia 26 de agosto de 1967.<\/p>\n<p>Ao entrar no ambiente, localizado na Rua Baldu\u00edno Taques, pr\u00f3ximo ao col\u00e9gio J\u00falio Teodorico, encontrar\u00e1 Jo\u00e3o Edenir Pedroso. De fala mansa e um olhar penetrante, \u2018Denir\u2019, como \u00e9 conhecido por todos, al\u00e9m de muito bem informado, sempre t\u00eam hist\u00f3rias para contar e deixar o cliente \u2018em casa\u2019.<\/p>\n<p>Desde pequeno no sal\u00e3o (seu pai era cabelereiro), pouco se interessou pela profiss\u00e3o quando mais jovem. Chegou a trabalhar como engraxate em meados dos anos de 1960 e, j\u00e1 com 18 anos, arrumou um emprego fora da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. Mas como n\u00e3o soube cuidar do dinheiro que recebia e \u201ctinha pisado na bola\u201d, pediu ao seu pai para trabalhar como cabeleireiro. Nessa mesma \u00e9poca, o sal\u00e3o j\u00e1 tinha certo prest\u00edgio e uma clientela fixa, o que dificultou sua entrada no ramo.<\/p>\n<p>&#8211; Ap\u00f3s um ano observando, comecei a trabalhar no sal\u00e3o. Lembro que era um s\u00e1bado, dia de maior movimento, mas consegui dar conta do recado.<\/p>\n<p>Seu pai, sempre muito p\u00e9 no ch\u00e3o, gostaria que um dos filhos estudasse Direito ou Odontologia, mas, Pedroso acabou deixando os estudos de lado e tra\u00e7ou objetivos no ramo. Foi ent\u00e3o, em 1980, quando os sal\u00f5es come\u00e7aram a mudar e implementar t\u00e9cnicas novas e \u2018ousar\u2019 nos cortes, que Jo\u00e3o Edenir fez alguns cursos em Curitiba. No ano seguinte mudou-se para S\u00e3o Paulo, onde trabalhou na Avenida Paulista por dois anos.<\/p>\n<p>&#8211; Trabalhava das 6h at\u00e9 \u00e0s 18h e durante a noite fazia cursos com um pessoal de Minas Gerais. Foi o per\u00edodo em que mais desenvolvi minhas t\u00e9cnicas. Consegui aliar os cursos e o trabalho em Sampa com o que tinha aprendido com o meu pai.\u00a0 Foi muito bom.<\/p>\n<p>Na profiss\u00e3o, o contato com os clientes \u00e9 muito importante, e o cabeleireiro lembra que deve ter cuidado com algumas coisas. \u201cOu\u00e7a mais e fale menos\u201d, lembra Pedroso, que ainda diz que a maioria das coisas que s\u00e3o ditas para ele n\u00e3o se deve passar pra frente.<\/p>\n<p>&#8211; Um dia um cliente antigo e amigo veio at\u00e9 mim dizendo que iria matar uma pessoa. Sua mulher estava sendo assediada h\u00e1 mais de dois anos e s\u00f3 ent\u00e3o ele tinha descoberto. Pensei na fam\u00edlia e nos tr\u00eas filhos dele e o instrui a contar a hist\u00f3ria para um delegado amigo meu. Passaram-se 40 dias e o rapaz voltou e disse que tudo tinha sido resolvido. Foi um epis\u00f3dio que me marcou bastante.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Denir conta que se apaixonou pelo trabalho e brinca que desde que ingressou na profiss\u00e3o nunca ficou sem dinheiro no bolso. Atualmente, corta em m\u00e9dia 10 cabelos por dia e, nos finais de semana, podem chegar a 20\/25 cortes.<\/p>\n<\/div>\n<p>Reportagem de Edgar Ribas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u201cOntem, hoje e amanh\u00e3. O homem o cabelo parte. Parte o cabelo com arte, at\u00e9 que o cabelo parte\u201d, assim, Millor Fernandes define a profiss\u00e3o do cabeleireiro. Talvez, muitos n\u00e3o saibam reconhecer ou dar valor aos profissionais, mas um dia precisaram de seus servi\u00e7os. 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