{"id":1173,"date":"2013-09-16T17:16:21","date_gmt":"2013-09-16T17:16:21","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1173"},"modified":"2013-09-16T17:16:21","modified_gmt":"2013-09-16T17:16:21","slug":"a-literatura-nos-ajuda-a-sermos-melhores-e-nos-prepara-para-um-pais-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-literatura-nos-ajuda-a-sermos-melhores-e-nos-prepara-para-um-pais-melhor\/","title":{"rendered":"\u201cA literatura nos ajuda a sermos melhores e nos prepara para um pa\u00eds melhor\u201d"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o 40 anos de carreira, mais de 100 livros publicados e muitos pr\u00eamios. Ana Maria Machado, escritora de cl\u00e1ssicos da literatura infantil e juvenil esteve em Ponta Grossa para participar da <em>II Flicampos<\/em> e reuniu cerca de 150 pessoas numa conversa sobre leitura, inspira\u00e7\u00f5es e obras. Em entrevista ao <em>Cultura Plural<\/em>, ap\u00f3s longa sess\u00e3o de fotos e dedicat\u00f3rias, a atual presidente da Academia Brasileira de Letras falou sobre rotina, os \u00f4nus do cargo que ocupa, dos desafios e avan\u00e7os na literatura brasileira e mais. Confira a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Cultura Plural<\/em>: Qual a rotina de uma escritora renomada e como se organizar entre os compromissos para ter tempo de escrever?<\/p>\n<p><em>Ana Maria Machado<\/em>: Eu gosto de escrever de manh\u00e3, ent\u00e3o eu acordo muito cedo, vou escrever um pouco, depois tomo caf\u00e9 da manh\u00e3, depois dou uma caminhada no cal\u00e7ad\u00e3o na beira da praia, a\u00ed volto e escrevo mais e de tarde fa\u00e7o as outras coisas que tenho que fazer. Isso at\u00e9 quatro anos atr\u00e1s quando eu passei para a diretoria da Academia Brasileira de Letras, porque eu tenho que ir todos os dias para a Academia e a\u00ed sobrecarregou muito, ent\u00e3o nem sempre estou conseguindo escrever. Mas isso vai acabar, em dezembro vou retomar a minha vida pessoal e voltar a minha rotina.<\/p>\n<p><em>CP<\/em>: Que tanto incomoda escrever menos? Faz muita falta?<\/p>\n<p><em>Ana Maria<\/em>: Est\u00e1 me incomodando. N\u00e3o sei se \u00e9 escrever menos, acho que \u00e9 ter menos tempo para estar comigo mesma. \u00c9 como se eu tivesse necessidade de um recolhimento, e isso est\u00e1 me faltando, um sil\u00eancio.<\/p>\n<p><em>CP<\/em>: Considerando a ideia de que jovens e crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o como antes, como produzir conte\u00fado liter\u00e1rio para as novas gera\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p><em>Ana Maria<\/em>: Com toda certeza os novos escritores v\u00e3o escrever diferente, mas n\u00e3o acredito que temos que nos adaptar ao p\u00fablico, temos que escrever o que \u00e9 verdade para a gente. Ent\u00e3o, eu vou mudar ou estou mudando a escrita na medida em que eu pessoa estou mudando, n\u00e3o acho que \u00e9 uma decis\u00e3o pr\u00e9via.<\/p>\n<p><em>CP<\/em>: Se existe de fato uma competi\u00e7\u00e3o pela aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e jovens, como lidar com a tecnologia (internet, redes sociais, videogames)?<\/p>\n<p><em>Ana Maria<\/em>: N\u00e3o vejo como uma situa\u00e7\u00e3o de competi\u00e7\u00e3o n\u00e3o. Acredito que essas atividades se complementam. Acho que nunca se leu tanto ou se escreveu tanto como depois da chegada da internet no Brasil. Pelo menos n\u00f3s \u00e9ramos muito mais analfabetos antes. Acredito que s\u00e3o circunst\u00e2ncias que se complementam, se completam.<\/p>\n<p><em>CP<\/em>: A senhora v\u00ea como um problema a disponibilidade de livros na internet para download?<\/p>\n<p><em>Ana Maria<\/em>: Depende. Acho que a princ\u00edpio \u00e9 muito bom ter livros para download, desde que seja pago. A quest\u00e3o \u00e9 que as editoras e o escritor precisam viver, vivem disso. Leva-se leva quatro anos para escrever um romance para depois distribuir de gra\u00e7a, ainda n\u00e3o d\u00e1.<\/p>\n<p><em>CP<\/em>: Que grandes mudan\u00e7as a senhora pode apontar no campo liter\u00e1rio do Brasil?<\/p>\n<p><em>Ana Maria<\/em>: Eu estou muito envolvida dentro desse campo, n\u00e3o tenho como ter dist\u00e2ncia para analisar sob uma perspectiva assim t\u00e3o ampla. Acho que hoje tem uma coisa muito boa, muito positiva, \u00e9 que tem muito mais gente escrevendo, uma quantidade de autores enorme, se tem muito mais tend\u00eancias, muito mais diversidade, h\u00e1 vozes diferentes falando. \u00c9 um reflexo de uma sociedade mais alfabetizada e isso \u00e9 \u00f3timo.<\/p>\n<p><em>CP<\/em>: Como a senhora v\u00ea o crescente consumo de b<em>est-sellers<\/em> no Brasil? At\u00e9 que ponto isso interfere na literatura brasileira?<\/p>\n<p><em>Ana Maria<\/em>: Sempre, sempre teve livros que fizeram muito sucesso e outros que n\u00e3o fizeram. E esses que fazem muito sucesso vendem extraordinariamente; depois saem de moda e a\u00ed voc\u00ea n\u00e3o ouve mais falar. Quem ouve falar hoje em dia em Vicki Baum, quem ouve falar em Cronin, que eram os escritores mais vendidos quando eu era adolescente, quem hoje se lembra de <em>Meu p\u00e9 de laranja lima<\/em>? S\u00e3o livros que venderam enormemente e que chegam depois a um equil\u00edbrio, encontram o nicho deles e podem em algum momento voltar. A gente presenciou agora um evento maravilhoso. Paulo Leminski que quase n\u00e3o vendeu quando estava vivo, de repente vira um <em>best-seller<\/em> agora. As coisas s\u00e3o assim, sobem, descem, n\u00e3o vejo problema nenhum.<\/p>\n<p><em>CP<\/em>: Depois de sete anos do in\u00edcio do Plano Nacional do Livro e Literatura, quais os principais avan\u00e7os a senhora v\u00ea a partir do programa?<\/p>\n<p><em>Ana Maria<\/em>: Eu acho que a gente vem firmemente tendo incentivo maior na literatura a cada ano, h\u00e1 muito tempo. Existem esses programas de distribui\u00e7\u00e3o de livros, de bibliotecas nas escolas, enfim, isso existe h\u00e1 muito tempo. Antes desses de iniciativa governamental, houve os de iniciativa privada, que distribu\u00edram acervos de literatura infantil em escolas de todo o pa\u00eds. Tudo isso vem estimulando, \u00e9 um processo de continua\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito bonito a gente ver isso no Brasil, e d\u00e1 resultado, j\u00e1 que temos tanta gente lendo e tanta gente escrevendo. Vemos resultados de v\u00e1rias pol\u00edticas desse tipo, bem ou mal se entendeu que isso \u00e9 preciso. Eu viajo muito pelo interior do Brasil, e n\u00e3o vejo mais escolas que n\u00e3o tenham livros. Hoje em dia no Brasil o problema n\u00e3o \u00e9 mais o acesso ao livro nas escolas, o problema \u00e9 o professor que n\u00e3o sabe o que fazer com esses livros que chegaram, porque em sua forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve contato com literatura. Mas estamos melhorando, estamos evoluindo.<\/p>\n<p><em>CP<\/em>: Um conselho para novos escritores.<\/p>\n<p><em>Ana Maria<\/em>: Leia, leia, leia, leia, leia e adie a publica\u00e7\u00e3o enquanto puder para n\u00e3o sentir que pagou mico depois (risos).<\/p>\n<p>Reportagem de <a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Hellen%20Bizerra%EF%BB%BF\">Hellen Bizerra<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o 40 anos de carreira, mais de 100 livros publicados e muitos pr\u00eamios. 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