{"id":1202,"date":"2013-09-25T18:21:21","date_gmt":"2013-09-25T18:21:21","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1202"},"modified":"2013-09-25T18:21:21","modified_gmt":"2013-09-25T18:21:21","slug":"engarrafaram-o-giro-cultural-programacao-cultural-e-alternativas-de-mobilidade-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/engarrafaram-o-giro-cultural-programacao-cultural-e-alternativas-de-mobilidade-urbana\/","title":{"rendered":"Engarrafaram o giro cultural: programa\u00e7\u00e3o cultural e alternativas de mobilidade urbana"},"content":{"rendered":"<p>Vamos combinar que n\u00e3o d\u00e1 mais para ir a qualquer evento cultural. H\u00e1 pouqu\u00edssimo tempo, era quase uma divers\u00e3o migrar de evento em evento, na mesma noite ou por dias seguidos. A cidade mudou, algumas coisas da realidade tamb\u00e9m. Isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o poss\u00edvel assim. Se o evento termina depois das 21h, complica voltar para casa de \u00f4nibus e a p\u00e9. Se inicia ali pelas 19h, complica tamb\u00e9m para quem vai de carro. Os problemas de mobilidade urbana atingem em cheio as op\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>Deveria ser regra que evento com algum tipo de financiamento p\u00fablico (municipal, federal&#8230;) tivesse que dispor um circular para facilitar idas e vindas do p\u00fablico. Caso contr\u00e1rio, utiliza-se do dinheiro p\u00fablico para armar a estrutura e a\u00ed o evento termina por limitar o acesso de quem o bancou. Isso tem a ver com escolha de hor\u00e1rios na agenda cultural, locais, estrat\u00e9gias, pre\u00e7os e demais formata\u00e7\u00f5es. A continuar da forma como est\u00e1, alguns bairros jamais v\u00e3o dar as caras pelo centro para ir a uma livraria, conferir um teatro gratuito ou um espet\u00e1culo da orquestra. Isso \u00e9 justo?<\/p>\n<p>Tanto o <strong>Festival Liter\u00e1rio Internacional dos Campos Gerais (Flicampos)<\/strong> como a <strong>Semana Liter\u00e1ria do Sesc<\/strong> foram v\u00edtimas e participantes ativos desse contexto problem\u00e1tico que a cidade enfrenta (por n\u00e3o ter mais para onde desviar). Testemunhei em v\u00e1rias palestras a turma das 21h ou das 21h30 levantar em conjunto e ir embora correndo. Antes o fen\u00f4meno era &#8216;privil\u00e9gio&#8217; dos col\u00e9gios e das faculdades&#8230; com estudantes de outros munic\u00edpios. Agora ele j\u00e1 atinge os pr\u00f3prios moradores de Ponta Grossa.<\/p>\n<p>Muitas vezes n\u00e3o \u00e9 por vontade e muito menos desinteresse, mas uma imposi\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio \u2013 com um transporte coletivo que desaparece nesses hor\u00e1rios, taxistas insuficientes e desatentos a esse tipo de demanda, e, sobretudo, falta de iniciativas pontuais que compensem essa inefici\u00eancia. Nem que fosse apenas em fun\u00e7\u00e3o de tais eventos, j\u00e1 seria um come\u00e7o.<\/p>\n<p>Quando chegar a <strong>Munchen<\/strong>, vamos contar os corpos acidentados nos jornais novamente? Ou haver\u00e1 amplia\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios e carros que incentivem o uso do transporte coletivo? E durante o <strong>Fenata<\/strong>? Vai acontecer como todos os anos? Quantas pessoas n\u00e3o gostariam de ficar para os prestigiados debates ap\u00f3s o espet\u00e1culo da noite e n\u00e3o podem se dar a esse &#8216;luxo&#8217;, porque depois das 23h complica ainda mais chegar em casa?<\/p>\n<p>Provado que a empresa concession\u00e1ria n\u00e3o tem dado conta do recado, o que far\u00e1 a prefeitura nesta nova gest\u00e3o? Estudar o problema seria um come\u00e7o interessante. Dif\u00edcil imaginar que o Conselho de Pol\u00edtica Cultural n\u00e3o tenha alguma informa\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o possa prestar algum aux\u00edlio nesse sentido. Afinal o Plano Nacional de Cultura salienta a dimens\u00e3o cidad\u00e3 da cultura \u2013 isto \u00e9, no sentido mais estrito, ela deve dar acesso \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>Um problema correlato no <strong>Flicampos<\/strong> foi o espa\u00e7amento da programa\u00e7\u00e3o. Intervalos entre as atividades e hor\u00e1rios durante o fim de semana s\u00e3o decisivos. Com a alta circula\u00e7\u00e3o de pessoas pelo s\u00e1bado \u00e0 tarde pelo centro, vale a pena manter a palestra principal para o turno da noite? E domingo, por que n\u00e3o aproveitar melhor o dia para deixar a noite livre para aquilo que todo mundo faz domingo \u00e0 noite?<\/p>\n<p>Em que pesem todos esses fatores, o p\u00fablico pareceu razo\u00e1vel nos dois eventos liter\u00e1rios. A presta\u00e7\u00e3o de contas do <strong>Flicampos<\/strong> deve trazer mais detalhes em breve, espera-se. Mas convenhamos que n\u00e3o adianta em nada fingirmos que esses problemas n\u00e3o existem e de que n\u00e3o seria poss\u00edvel atrair e pluralizar os p\u00fablicos, para que os espa\u00e7os assumam ainda mais a cara da cidade. Deixar a locomo\u00e7\u00e3o para o \u00e2mbito das decis\u00f5es privadas e individuais seria assumir uma fei\u00e7\u00e3o em nada p\u00fablica da gest\u00e3o cultural \u2013 outro est\u00edmulo aos guetos motorizados que j\u00e1 dominam alguns &#8216;points&#8217; da noite princesina, como bem sabem as blitz da Pol\u00edcia Militar.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias circunst\u00e2ncias, colocar atra\u00e7\u00f5es no centro da cidade torna a programa\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1tica \u2013 dada a liga\u00e7\u00e3o entre bairros ser pouco pratic\u00e1vel, ainda e historicamente, para amplo contingente populacional. Mas talvez tenhamos um problema mais pontual e urgente a resolver, que \u00e9 o de como tornar o centro mais habit\u00e1vel e facilitar os deslocamentos dentro da pr\u00f3pria regi\u00e3o central de Ponta Grossa. Est\u00e1 na hora dos espa\u00e7os culturais terem algum lugar no planejamento urbano e na discuss\u00e3o de uma outra cidade.<\/p>\n<p>Texto de Rafael <a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Rafael%20Schoenherr*\">Schoenherr*<\/a><\/p>\n<p><em>* Jornalista e professor, frequentador das feiras liter\u00e1rias, em busca de livros baratos e discuss\u00f5es instigantes.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos combinar que n\u00e3o d\u00e1 mais para ir a qualquer evento cultural. H\u00e1 pouqu\u00edssimo tempo, era quase uma divers\u00e3o migrar de evento em evento, na mesma noite ou por dias seguidos. A cidade mudou, algumas coisas da realidade tamb\u00e9m. Isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o poss\u00edvel assim. 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