{"id":1363,"date":"2015-06-08T17:57:12","date_gmt":"2015-06-08T17:57:12","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1363"},"modified":"2015-06-08T17:57:12","modified_gmt":"2015-06-08T17:57:12","slug":"abra-a-imaginacao-para-o-era-uma-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/abra-a-imaginacao-para-o-era-uma-vez\/","title":{"rendered":"Abra a imagina\u00e7\u00e3o para o \u2018era uma vez&#8230;\u2019"},"content":{"rendered":"<p>Por Luana Caroline Nascimento<\/p>\n<p>Os olhinhos atentos e curiosos. Um sorriso no canto da boca. Todos os pequenos est\u00e3o em estado alerta. \u00c9 assim que come\u00e7a uma conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria: com o p\u00fablico pronto para soltar a imagina\u00e7\u00e3o. E eles est\u00e3o ali para participar. Quando o professor abre o livro o mundo da fantasia ganha cor e vida.<\/p>\n<p>Para a atriz e contadora de hist\u00f3ria Ana Lu\u00edsa Lacombe, a pr\u00e1tica da conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 forma futuros leitores como contribui para as crian\u00e7as entenderem o mundo, pois a hist\u00f3ria mexe com o inconsciente. Lacombe v\u00ea as hist\u00f3rias como uma ferramenta de auto-conhecimento. \u201cLeio livros para construir indiv\u00edduos\u201d, completa.\u00a0Para o professor de educa\u00e7\u00e3o infantil, Anderson Ribaski, a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria trabalha com a imagina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Ribaski v\u00ea o trabalho como parte do desenvolvimento dos estudantes.<\/p>\n<p>A contadora Raquel Machado, vestida de Em\u00edlia, leva os pequenos para o mundo do S\u00edtio do Pica-Pau Amarelo e a participar da cria\u00e7\u00e3o das hist\u00f3rias. Raquel aponta que a conta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m trabalha com a improvisa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.\u201cS\u00f3 encanta quem est\u00e1 encantado. Para voc\u00ea contar uma hist\u00f3ria voc\u00ea tem que ser apaixonado pelas hist\u00f3rias\u201d, afirma Raquel.<\/p>\n<p>Para prender a aten\u00e7\u00e3o vale tudo, usar fantasias, fantoches ou cantar. Camila Genro mistura hist\u00f3ria e m\u00fasica h\u00e1 17 anos. Camila foi professora por 16 anos, mas estava infeliz apenas com a lousa preta e fez da conta\u00e7\u00e3o a profiss\u00e3o. \u201cDesde que o mundo \u00e9 mundo as pessoas contam hist\u00f3rias\u201d, observa Camila. Hoje, com a televis\u00e3o, as hist\u00f3rias vem prontas e j\u00e1 dirigidas, a conta\u00e7\u00e3o leva a crian\u00e7a a imaginar um cen\u00e1rio, um rosto; para Camila essa \u00e9 a maior import\u00e2ncia da atividade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos est\u00edmulos, a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria cria um v\u00ednculo de pai e m\u00e3e para filho, ou de educador para aluno, e tamb\u00e9m aproxima as crian\u00e7as do conte\u00fado que \u00e9 ensinado: hist\u00f3ria, filosofia, geografia.<\/p>\n<p><strong>Informar e formar leitores<\/strong><\/p>\n<p>O professor e pesquisador S\u00e9rgio Leite participou do II Congresso de Educa\u00e7\u00e3o, Leitura e Forma\u00e7\u00e3o de Leitores em Ponta Grossa e ministrou uma palestra sobre o tema \u2018Afetividade e o processo de forma\u00e7\u00e3o do leitor\u2019. Para o pesquisador, o segredo da forma\u00e7\u00e3o de novos leitores est\u00e1 na afetividade.<\/p>\n<p>Por muitos anos as escolas entendiam os alunos pelo modelo dualista de \u2018raz\u00e3o x emo\u00e7\u00e3o\u2019. Assim o professor trabalha com o cognitivo apenas, deixando as afetividades e emo\u00e7\u00f5es para fora da classe.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, recentemente, alguns pesquisadores come\u00e7aram a discutir a concep\u00e7\u00e3o monista. Nesse modelo soma-se a raz\u00e3o e a emo\u00e7\u00e3o e cabe ao mestre trabalhar os dois lados dos estudantes. Segundo Leite, n\u00e3o d\u00e1 para apagar o emocional afetivo, pois: \u201ca emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 na sabe de toda existencia humana\u201d, completa.<\/p>\n<p>Um exemplo da diferen\u00e7a dos dois modos seria o professor de matem\u00e1tica que ensina ao aluno o cognitivo (somar, subtrair, dividir e multiplicar) e n\u00e3o o ensina a gostar da matem\u00e1tica. No segundo modelo o processo seria diferente: o mestre ensinaria a crian\u00e7a a ter afeto &#8211; positivo &#8211; pela disciplina e n\u00e3o apenas saber operar os n\u00fameros.<\/p>\n<p>O afeto positivo \u00e9 importante na sala de aula. Mas observa-se que a maioria das escolas ainda \u00e9 dualista, al\u00e9m de apagar o afetivo, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 verticalizada: quem sabe ensina quem n\u00e3o sabe. Esse m\u00e9todo \u00e9 chamado de Educa\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria &#8211; que \u00e9 o que determina tamb\u00e9m, por exemplo, que as carteiras fiquem enfileiradas.<\/p>\n<p>Para melhor explicar o que leva uma crian\u00e7a a ler, o palestrante colocou o aluno como sujeito e o aprendizado\/leitura como objeto. A rela\u00e7\u00e3o sujeito e objeto (que \u00e9 afetiva) \u00e9 mediada por um agente: o professor. \u00c9 o mediador respons\u00e1vel por essa rela\u00e7\u00e3o ser afetivamente positiva. \u201cA crian\u00e7a vai ler se tiver uma rela\u00e7\u00e3o afetiva positiva com o livro\u201d, afirma Leite.<\/p>\n<p>Leite completou que o conhecimento \u00e9 constru\u00eddo pela rela\u00e7\u00e3o entre o sujeito e objeto e n\u00e3o transmitido (como dizia a Educa\u00e7\u00e3o Banc\u00e1ria) e terminou mostrando que \u00e9 fun\u00e7\u00e3o do professor a media\u00e7\u00e3o de forma criativa, pois n\u00e3o \u00e9 qualquer forma de ler que \u00e9 legal.<\/p>\n<p><strong>A Hist\u00f3ria das hist\u00f3rias<\/strong><\/p>\n<p>Ana Lu\u00edsa Lacombe pesquisou a hist\u00f3ria das hist\u00f3rias e ressalta a diferen\u00e7a entre mito, lenda e f\u00e1bula. A f\u00e1bula \u00e9 um hist\u00f3ria em que o protaganista geralmente \u00e9 um animal com capacidades humanas (como falar, por exemplo) e passa uma reflex\u00e3o moral para quem a l\u00ea. A lenda tem origem na narrativa popular e caracteriza-se por dar vida a um anseio de determinado grupo. J\u00e1 o mito vem da tentativa do homem em dar respostas a perguntas como \u2018de onde vem o sol?\u2019. As personagens do mito s\u00e3o deuses.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, os livros voltados para o p\u00fablico infantil ganham espa\u00e7o nas livrarias e na rotina das crian\u00e7as. Julia Fernanda da Luz tem oito anos e adora ler. O livro favorito da pequena leitora \u00e9 \u2018Di\u00e1rio de um banana\u2019 (Escrito por Jeff Kinney); e ela n\u00e3o se intimida, pois gosta dos livros que tem bastante p\u00e1gina e hist\u00f3ria. \u201cEu gosto de livro grosso\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cLer \u00e9 divertido, voc\u00ea pode viajar para v\u00e1rios lugares atrav\u00e9s de um livro\u201d, relata Julia sobre o porqu\u00ea ela gosta de ler. Atualmente ela est\u00e1 lendo \u2018Querido di\u00e1rio ot\u00e1rio\u2019 (escrito por Jim Benton). O livro pertence a uma s\u00e9rie e conta a hist\u00f3ria de uma garota, Jamie Kally, que vive um monte de trapalhadas na escola onde estuda.<\/p>\n<p>Talita Larissa Almeida \u00e9 a m\u00e3e da Julia e conta que o interesse da filha pela literatura ajuda a ampliar o conhecimento, cultura e vocabul\u00e1rio da jovem leitora. Talita relata que come\u00e7ou a ter gosto pela literatura a partir do interesse da filha e incentiva a pequena a ler cada vez mais. Quem escolhe o t\u00edtulo \u00e9 sempre a Julia. \u201cEla adora ir na livraria comprar, mas sempre busco informa\u00e7\u00f5es sobre o conte\u00fado e faixa et\u00e1ria antes de comprar o livro\u201d, afirma a m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u2018Querido di\u00e1rio ot\u00e1rio\u2019 pertence \u00e0 categoria de literatura infanto-juvenil. Livros infantis s\u00e3o destinados a crian\u00e7as entre dois e dez anos de idade. Livros coloridos e com bastante imagens e fotografias. Os que s\u00e3o indicados at\u00e9 4 anos tem o texto estruturado em pequenas frases. A partir dos seis anos j\u00e1 h\u00e1 estruturas de texto mais complexas, mas sem abrir m\u00e3o das imagens. A partir desse ponto torna-se comum a leitura de hist\u00f3ria em quadrinhos como a Turma da Monica.<\/p>\n<p>A literatura juvenil visa o p\u00fablico de 10 a 15 anos, geralmente s\u00e3o livros mais grossos e com menos recursos gr\u00e1ficos. As hist\u00f3rias se passam com protagonistas que tem a mesma faixa et\u00e1ria e falam de assuntos que s\u00e3o do interesse dos adolescentes. Na prateleira da literatura juvenil h\u00e1 livros que viraram best-sellers mundiais como o Harry Potter e ganharam vers\u00e3o cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luana Caroline Nascimento Os olhinhos atentos e curiosos. Um sorriso no canto da boca. Todos os pequenos est\u00e3o em estado alerta. \u00c9 assim que come\u00e7a uma conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria: com o p\u00fablico pronto para soltar a imagina\u00e7\u00e3o. E eles est\u00e3o ali para participar. 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