{"id":1381,"date":"2014-12-01T18:13:14","date_gmt":"2014-12-01T18:13:14","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1381"},"modified":"2014-12-01T18:13:14","modified_gmt":"2014-12-01T18:13:14","slug":"para-ver-a-banda-passar-a-tradicao-das-bandas-marciais-e-fanfarras-em-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/para-ver-a-banda-passar-a-tradicao-das-bandas-marciais-e-fanfarras-em-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Para ver a banda passar: a tradi\u00e7\u00e3o das bandas marciais e fanfarras em Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p><em>Mat\u00e9ria produzida para a disciplina de Semin\u00e1rios\/<span class=\"text_exposed_show\">Jornalismo Cultural do 3\u00ba ano do curso de Jornalismo da UEPG<\/span><\/em><\/p>\n<p>Desde pequeno, Jo\u00e3o Marcos Czelusniak gostava de assistir os desfiles c\u00edvicos da cidade s\u00f3 para ver e ouvir as bandas marciais e fanfarras de col\u00e9gio marcharem. Quem o levava era o av\u00f4. Aos oito anos, Jo\u00e3o pediu para entrar na fanfarra do col\u00e9gio S\u00e3o Jos\u00e9. Passou um ano na escolinha tocando caixa.<\/p>\n<p>No final daquele ano, o professor de Jo\u00e3o disse que o rapaz n\u00e3o servia para o que estava fazendo. Mesmo assim o maestro deu mais uma chance para Jo\u00e3o: pediu para ele tocar uma corneta. Seis meses depois, o rapaz estava no time principal da fanfarra. E n\u00e3o parou mais de tocar.<\/p>\n<p>Hoje Jo\u00e3o toca trompete na Banda de Metais e Percuss\u00e3o do Col\u00e9gio Sant\u2019Ana. Al\u00e9m de Jo\u00e3o Marcos, Pierre de Cerjat tamb\u00e9m toca na Banda do Col\u00e9gio. O rapaz atualmente cursa a gradua\u00e7\u00e3o em M\u00fasica na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).<\/p>\n<p>Tanto para Pierre quanto para Jo\u00e3o, aprender m\u00fasica hoje \u00e9 muito mais f\u00e1cil do que h\u00e1 15 anos, pela facilidade que a internet proporciona. \u201cAntes era na fita. \u00c0s vezes o cara s\u00f3 tinha aquela fita e ficava com receio de emprestar e perd\u00ea-la. Hoje voc\u00ea tem tudo na internet\u201d, ressalta Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>Pierre observa que a m\u00fasica erudita tem ganhando um espa\u00e7o maior em Ponta Grossa. Teatros est\u00e3o cada vez mais lotados e a demanda \u00e9 cada vez maior. Uma preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos poucos recursos do munic\u00edpio e Estado para o ensino e apresenta\u00e7\u00f5es de m\u00fasica, n\u00e3o s\u00f3 erudita como de tantas outras.<\/p>\n<p>Pierre n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que faz da banda do col\u00e9gio a profiss\u00e3o para a vida. O maestro do 2\u00b0 Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito, o 2\u00ba Ten. Luiz Carlos Franco C\u00e2ndido, tamb\u00e9m come\u00e7ou na fanfarra da escola onde estudou. Executava flauta e corneta e tamb\u00e9m estudou no Conservat\u00f3rio Villa-Lobos. Em 1983 ingressou no Ex\u00e9rcito, passou para a banda em 1986 e em 2009 concluiu o curso de reg\u00eancia j\u00e1 como subtenente. Atua como oficial regente desde 2012.<\/p>\n<p><strong>Outras harmonias<\/strong><\/p>\n<p>A Banda de M\u00fasica do 2\u00ba Batalh\u00e3o de Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito oferece 93 cargos para militares m\u00fasicos, mas a composi\u00e7\u00e3o atual totaliza 68. Os m\u00fasicos dividem-se em quatro categorias de instrumentos: madeiras (flautas, obo\u00e9s, corningl\u00eas, fagotes, clarinetas e saxofones), metais (trompetes, trompas, euph\u00f4nios, trombones e tubas), percuss\u00e3o (bateria, t\u00edmpanos, teclados, caixa, bombo, pratos, carrilh\u00e3o, congas, tri\u00e2ngulos) e cordas (violoncelo e contrabaixo ac\u00fastico).<\/p>\n<p>O maestro 2\u00ba Ten. C\u00e2ndido explica que, para ingressar como m\u00fasico, um militar de carreira pode fazer um concurso nacional da Escola de Sargentos de Log\u00edstica.\u00a0 O militar tempor\u00e1rio pode fazer um est\u00e1gio como sargento t\u00e9cnico e tamb\u00e9m como cabo t\u00e9cnico (restrito para o sexo masculino).<\/p>\n<p>Para o maestro C\u00e2ndido, a Banda eleva a moral da tropa, aflora o amor \u00e0 p\u00e1tria e transmite o sentimento de dever cumprido. \u201cA Banda de M\u00fasica \u00e9 a alma da tropa. As Bandas de M\u00fasica tamb\u00e9m agem como um elo de liga\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o social entre o Ex\u00e9rcito e a sociedade civil em todo o territ\u00f3rio nacional\u201d, completa. Ten. Candido tamb\u00e9m afirma que o interesse na banda \u00e9 maior atualmente devido \u00e0 facilidade de estudar m\u00fasica nos dias de hoje. \u201cPode-se dizer que a escala \u00e9 muito maior atualmente do que a dez anos atr\u00e1s\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A banda \u00e9 composta por um oficial regente, 27 cabos m\u00fasicos, 19 terceiros sargentos m\u00fasicos (cargo ocupado pelos que est\u00e3o iniciando), 17 segundos sargentos m\u00fasicos e quatro primeiros sargentos m\u00fasicos.<\/p>\n<p>Em apresenta\u00e7\u00f5es de cerim\u00f4nias militares, a banda executa can\u00e7\u00f5es militares, marchas e dobrados voltados para o p\u00fablico civil e militar. Eventos como solenidades e festas exigem m\u00fasicas de cerimonial e de homenagens a institui\u00e7\u00e3o ou evento, e o p\u00fablico em geral \u00e9 civil. H\u00e1 tamb\u00e9m os concertos realizados pela banda, nesses momentos tocam-se m\u00fasicas eruditas e populares, nacionais e internacionais dos mais variados estilos.<\/p>\n<p><strong>Uma sala de m\u00fasica e inspira\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Com aproximadamente 60 integrantes que mesclam alunos e ex-alunos do col\u00e9gio e estudantes de outras escolas, a Banda Marcial do Col\u00e9gio Marista Pio XII encanta os moradores da cidade de Ponta Grossa. Para o regente da banda, Rafael Rauski, a m\u00fasica est\u00e1 no cotidiano das pessoas e trabalh\u00e1-la no \u00e2mbito escolar ajuda na forma\u00e7\u00e3o educacional, social e pessoal dos estudantes.<\/p>\n<p>\u201cA mescla de alunos \u00e9 vital para um projeto musical como nosso\u201d, afirma o maestro. Rauski destaca que a banda tem dois perfis de alunos: os que j\u00e1 t\u00eam conhecimento e contribuem para o grupo com a experi\u00eancia e os ingressantes que d\u00e3o f\u00f4lego e renova\u00e7\u00e3o. A experi\u00eancia daqueles que tra\u00e7aram o caminho da profissionaliza\u00e7\u00e3o musical \u00e9 valorizada porque, segundo o regente, o exemplo \u00e9 dado fazendo.<\/p>\n<p>A banda do Marista toca desde m\u00fasicas eruditas, composi\u00e7\u00f5es feitas para orquestras adaptadas at\u00e9 can\u00e7\u00f5es populares. Em 1973 foi criada a fanfarra Col\u00e9gio Marista e no ano de 1981 ela transformada em banda marcial.<\/p>\n<p>Rafael Rauski tamb\u00e9m come\u00e7ou a trajet\u00f3ria musical desde pequeno. Foi aluno do S\u00e3o Jos\u00e9 e aos 8 anos entrou para a fanfarra. Aos 10 anos come\u00e7ou a estudar no Marista e a participar da banda, lugar de onde n\u00e3o mais saiu.<\/p>\n<p><strong>A fanfarra, ontem e hoje<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 diferen\u00e7a entre banda marcial e fanfarra. Na fanfarra os m\u00fasicos tocam instrumentos de percuss\u00e3o (como o tri\u00e2ngulo, prato ou caixa) e instrumentos de sopro (como cornetas, cornet\u00f5es, bombardinos, baixo-tuba ou sousafone). J\u00e1 na Banda Marcial h\u00e1 o acr\u00e9scimo de instrumentos como trompete, trombone e trompa.<\/p>\n<p>Nilceia Prot\u00e1sio Campos, professora de m\u00fasica, explica que o termo \u2018fanfarra\u2019 surgiu na Fran\u00e7a: Napole\u00e3o pediu a um grupo de soldados para que tocassem tambores e cornetas para anunciar a chegada de tropas. No Brasil tamb\u00e9m houve as bandas de fazenda. \u201cEstas eram compostas por m\u00fasicos-escravos que tocavam em troca de sustento. O escravo que possu\u00edsse conhecimento musical era valorizado como mercadoria\u201d, explica a professora.<\/p>\n<p>J\u00e1 as Bandas Militares do pa\u00eds aparecem entre 1648 e 1649 nas Batalhas de Guararapes. A partir de 1810, D. Jo\u00e3o VI exigiu que cada regimento tivesse uma banda para a comemora\u00e7\u00e3o de festividades c\u00edvicas e militares. \u201cCom a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e a amplia\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito Brasileiro, as Bandas de M\u00fasica come\u00e7aram a brotar, principalmente nas cria\u00e7\u00f5es dos Col\u00e9gios Militares\u201d, relata o oficial regente Ten. C\u00e2ndido.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX as bandas se apresentavam nas ruas para um grande n\u00famero de pessoas: \u201ctocavam nas ruas e nos coretos, para a popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era admitida no interior dos pal\u00e1cios e teatros\u201d, completa Nilceia.<\/p>\n<p>A professora tamb\u00e9m aponta que a falta de apoio das escolas e do poder p\u00fablico compromete a qualidade do trabalho. Alguns grupos buscam formas alternativas para garantir a continua\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o em m\u00fasica. Na opini\u00e3o de Nilceia, muitas dificuldades s\u00f3 s\u00e3o superadas pela persist\u00eancia e amor \u00e0 m\u00fasica dos maestros e integrantes.<\/p>\n<p><strong>Para al\u00e9m de ser m\u00fasico<\/strong><\/p>\n<p>Para Nilceia, o p\u00fablico das bandas maciais e fanfarras em apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas demonstra a ades\u00e3o nacional que o movimento tem. Trabalhar com m\u00fasica na escola ajuda na intera\u00e7\u00e3o dos alunos. \u201cA pr\u00e1tica instrumental coletiva faz com que o indiv\u00edduo se sinta pertencente a um grupo social com o qual possui afinidades, e compartilha perspectivas semelhantes de vida e de futuro\u201d, completa a professora.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o quiser frequentar as fanfarras de escola podem procurar o Conservat\u00f3rio Maestro Paulino de Ponta Grossa. O m\u00fasico Adailton Pupia lecionou no Conservat\u00f3rio at\u00e9 2013, enquanto trabalhou com a Orquestra Sinf\u00f4nica de Ponta Grossa. Para Pupia, o ensino de m\u00fasica erudita torna o aluno mais cr\u00edtico musicalmente, por isso a m\u00fasica de concerto ocupa a base do ensino musical.<\/p>\n<p>\u201cA m\u00fasica erudita \u00e9 mais indicada, pois \u00e9 constru\u00edda dentro de estruturas harm\u00f4nicas e mel\u00f3dicas, combina\u00e7\u00e3o de timbres, orquestra\u00e7\u00e3o, conceitos est\u00e9ticos e estruturais\u201d, justifica Pupia.<\/p>\n<p><strong>Uma terceira op\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m das escolas de m\u00fasica, os alunos de escolas p\u00fablicas assistem aulas sobre a arte musical desde o infantil at\u00e9 as s\u00e9ries avan\u00e7adas. Os professores da rede municipal de Ponta Grossa assistem aulas sobre musicaliza\u00e7\u00e3o duas vezes por semana para saber como trabalhar a m\u00fasica erudita com as crian\u00e7as, al\u00e9m de outros g\u00eaneros musicais.<\/p>\n<p>A coordenadora do curso, Elizabeth Aparecida Euz\u00e9bio, conta que as aulas para professores come\u00e7aram em 2008 e ano que vem ser\u00e1 formada a primeira turma. S\u00e3o 150 professores que assistem as classes e ganham uma apostila e um CD para transmitir o que aprenderam em sala de aula para os alunos.<\/p>\n<p>As aulas s\u00e3o de manh\u00e3 ou \u00e0 tarde e contam como hora de trabalho. Cada escola encaminha uma professora co-regente para o curso por meio de um of\u00edcio. Professor co-regente \u00e9 aquele que auxilia o professor a trabalhar com a classe.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Luana%20Caroline%20do%20Nascimento\">Luana Caroline do Nascimento<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria produzida para a disciplina de Semin\u00e1rios\/Jornalismo Cultural do 3\u00ba ano do curso de Jornalismo da UEPG Desde pequeno, Jo\u00e3o Marcos Czelusniak gostava de assistir os desfiles c\u00edvicos da cidade s\u00f3 para ver e ouvir as bandas marciais e fanfarras de col\u00e9gio marcharem. Quem o levava era o av\u00f4. 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