{"id":1389,"date":"2014-12-04T18:24:51","date_gmt":"2014-12-04T18:24:51","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1389"},"modified":"2014-12-04T18:24:51","modified_gmt":"2014-12-04T18:24:51","slug":"em-defesa-da-memoria-uepg-tambem-precisa-de-comissao-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/em-defesa-da-memoria-uepg-tambem-precisa-de-comissao-da-verdade\/","title":{"rendered":"Em defesa da mem\u00f3ria, UEPG tamb\u00e9m precisa de Comiss\u00e3o da Verdade"},"content":{"rendered":"<p>Qual o m\u00e9todo mais simples para evitar que injusti\u00e7as e abusos autorit\u00e1rios se repitam, seja em n\u00edvel regional ou nacional? Em primeiro lugar, \u00e9 conhecer e divulgar as mais diversas pr\u00e1ticas de tortura, pris\u00e3o e desrespeito aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o objetivo da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, no Paran\u00e1, criada em novembro de 2012, com aprova\u00e7\u00e3o da Assembleia Legislativa, que visa \u201cexaminar e esclarecer as graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos praticados no Estado do Paran\u00e1 no per\u00edodo de 18 de setembro de 1946 a 05 de outubro de 1988 e contribuir com a Comiss\u00e3o Nacional da Verdade na consecu\u00e7\u00e3o de seus objetivos previstos no artigo 3o da Lei Federal no 12.528, de 18 de novembro de 2011\u201d.<\/p>\n<p>Pela legisla\u00e7\u00e3o, \u201ca participa\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Estadual da Verdade no Estado do Paran\u00e1 ser\u00e1 considerada de servi\u00e7o p\u00fablico relevante e honor\u00edfico pela concretiza\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de Direitos e promo\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos\u201d. E, neste sentido, \u00e9 oportuno lembrar que \u201ca Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Estado do Paran\u00e1 atuar\u00e1 de forma articulada e integrada com os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, institui\u00e7\u00f5es e movimentos sociais\u201d.<\/p>\n<p>Agora, o que este debate tem a ver com a UEPG? \u00c9 compromisso das universidades, em um momento que os principais setores envolvidos ou atingidos, direta ou indiretamente, por pr\u00e1ticas de desrespeito aos DHs, levantar eventuais casos ou situa\u00e7\u00f5es registradas durante o per\u00edodo indicado pela Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<\/p>\n<p>Diversas universidades, em in\u00fameras cidades do Pa\u00eds, com o intuito de contribuir para esta recupera\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da mem\u00f3ria coletiva, j\u00e1 criaram suas inst\u00e2ncias ou grupos em n\u00edveis locais ou regionais de abrang\u00eancia.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, a UFPR j\u00e1 adiantou este debate, buscando fazer sua parte no levantamento de fatos que possam auxiliar o trabalho das comiss\u00f5es em andamento (nacional e estadual). A Unioeste, no Campus Cascavel, sediou uma importante audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o PR, ouvindo testemunhas e parentes de v\u00edtimas do regime militar brasileiro instaurado p\u00f3s-1964.<\/p>\n<p>No m\u00eas de mar\u00e7o\/2014, a Comiss\u00e3o da Verdade e o \u2018Comit\u00ea Mem\u00f3ria, Verdade e Justi\u00e7a do Oeste do Paran\u00e1\u2019, em parceria com a Unioeste, possibilitaram a coleta de manifesta\u00e7\u00f5es documentais de ex-militantes de movimentos contra a ditadura, amigos e familiares de v\u00edtimas de tortura, entre camponeses, sindicalistas, ind\u00edgenas ou estudantes que, de alguma forma, foram atingidas pelas pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias registradas no per\u00edodo. O audit\u00f3rio lotado da Unioeste, nas v\u00e1rias atividades realizadas, confirma que este debate n\u00e3o se trata de mera casualidade, mas de um desafio a ser assumido tamb\u00e9m pelas universidades. E, nos Campos Gerais do Paran\u00e1, inclusive pela hist\u00f3ria de exist\u00eancia oficial desde 1969, cabe \u00e0 UEPG dar sua contribui\u00e7\u00e3o como institui\u00e7\u00e3o de ensino superior p\u00fablico.<\/p>\n<p>Por se tratar de debate de reconhecido interesse p\u00fablico, \u00e9 fundamental que mais diversos setores representativos da sociedade civil se manifestem para integrar este desafio de levantar situa\u00e7\u00f5es, fatos ou documentos que podem mostrar os desdobramentos concretos dos regimes autorit\u00e1rios na regi\u00e3o, em Ponta Grossa e tamb\u00e9m eventuais impactos na UEPG.<\/p>\n<p>Sem isso, corre-se o s\u00e9rio risco de reproduzir uma m\u00e1xima forjada pela desinforma\u00e7\u00e3o de que, \u201cno interior do Brasil\u201d, n\u00e3o houve ditadura. \u00c9 preciso, pois, conhecer e esclarecer tudo o que for poss\u00edvel, inclusive para poder falar e defender o respeito \u00e0 democracia e a garantia plena aos direitos humanos. E, por consequ\u00eancia, construir um compromisso coletivo de que pr\u00e1ticas ditatoriais n\u00e3o podem, jamais, ter espa\u00e7o em uma sociedade forjada por h\u00e1bitos democr\u00e1ticos e de respeito \u00e0 cidadania.<\/p>\n<p><strong>S\u00e9rgio Luiz Gadini<\/strong>, jornalista, coordenador do Programa de Mestrado em Jornalismo da UEPG.<br \/>\nE-m: sergiogadini@yahoo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual o m\u00e9todo mais simples para evitar que injusti\u00e7as e abusos autorit\u00e1rios se repitam, seja em n\u00edvel regional ou nacional? Em primeiro lugar, \u00e9 conhecer e divulgar as mais diversas pr\u00e1ticas de tortura, pris\u00e3o e desrespeito aos direitos humanos. 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