{"id":1396,"date":"2014-12-09T18:31:06","date_gmt":"2014-12-09T18:31:06","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1396"},"modified":"2014-12-09T18:31:06","modified_gmt":"2014-12-09T18:31:06","slug":"a-escola-do-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-escola-do-crime\/","title":{"rendered":"A escola do crime"},"content":{"rendered":"<p>Era uma manh\u00e3 quente para o outono ponta-grossense. De cal\u00e7as largas, moletom e t\u00eanis parec\u00edamos estudantes comuns, prontos para mais um dia de aula. A diferen\u00e7a era que o local em que est\u00e1vamos n\u00e3o era a universidade. Muito menos a lanchonete, em que tomamos in\u00fameros caf\u00e9s e reclamamos de nossa vida burguesa.<\/p>\n<p>Chegamos de caminhonete na cadeia p\u00fablica Hildebrando de Souza, lugar reservado para a ressocializa\u00e7\u00e3o de 207 seres humanos. Por\u00e9m, cerca de 630 \u2013 antes conhecidos como homens e mulheres; agora tratados como animais \u2013 vivem na casa de deten\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 com uma lota\u00e7\u00e3o 304% maior do que sua capacidade suporta.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s era mais uma sexta-feira, para os presidi\u00e1rios era o dia do \u201csacol\u00e3o\u201d. Diversas m\u00e3es, filhos, irm\u00e3os, primos \u2013 enfim, familiares \u2013 estavam na frente do \u201cCadei\u00e3o\u201d, esperando sua vez de adentrar pelos dois port\u00f5es de ferro que asseguram o local. Mesmo com as tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias (caf\u00e9-da-manh\u00e3, almo\u00e7o e janta) oferecidas pelo Governo Estadual, os sacol\u00f5es complementam a alimenta\u00e7\u00e3o dos encarcerados, pois \u201ca gente entende que para uma pessoa adulta, que precisa de um refor\u00e7o alimentar, essa comida extra \u00e9 necess\u00e1ria\u201d, conta o vice-diretor da cadeia p\u00fablica, Rodrigo Furman.<\/p>\n<p>Entregamos nossas identidades e bolsas \u2013 apenas um celular pode entrar, j\u00e1 que as entrevistas seriam gravadas no dispositivo. \u201cFuramos\u201d a fila dos familiares e atravessamos os port\u00f5es. Ao olhar para tr\u00e1s, avistamos muros e cercas. Mais nada. Est\u00e1vamos t\u00e3o isolados quanto os que cometeram os delitos. A diferen\u00e7a \u00e9 que poder\u00edamos sair a hora que sent\u00edssemos vontade.<br \/>\n<strong><br \/>\n<\/strong><strong>Orange is the new black<br \/>\n<\/strong><br \/>\nLaranja. Uniformes. Mulatos. Alguns presos, com suas camisas e cal\u00e7as alaranjadas, passaram por n\u00f3s enquanto cheg\u00e1vamos no p\u00e1tio. Nos fitavam com desconfian\u00e7a, por\u00e9m com grande curiosidade. Ali\u00e1s, seus olhares pareciam que nos desnudavam. Eram t\u00e3o fortes e, ao mesmo tempo, infantis, pedindo ajuda. A partir desse momento, entendemos o porque da utiliza\u00e7\u00e3o da vestimenta larga que o vice-diretor do pres\u00eddio pediu para que us\u00e1ssemos.<\/p>\n<p>Sem condi\u00e7\u00f5es financeiras de separar os presidi\u00e1rios, os que trabalham ou estudam acordam no mesmo hor\u00e1rio que os que est\u00e3o no \u00f3cio. Pontualmente \u00e0s 8h. Dentro do Hildebrando de Souza, 18 presos est\u00e3o estudando, na busca de um diploma de ensino m\u00e9dio, e 21 est\u00e3o fazendo cursos profissionalizantes. Assim, apenas 39, das 630 pessoas encarceradas, fazem parte do sistema de ressocializa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um direito do detento disposto no artigo primeiro da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, a qual \u201ctem por objetivo efetivar as disposi\u00e7\u00f5es de senten\u00e7a ou decis\u00e3o criminal e proporcionar condi\u00e7\u00f5es para a harm\u00f4nica integra\u00e7\u00e3o social do condenado e do internado.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m desses 39 indiv\u00edduos, outros 12 est\u00e3o trabalhando na constru\u00e7\u00e3o, na jardinagem e outros servi\u00e7os simples dentro do \u201ccadei\u00e3o\u201d. De acordo com o vice-diretor do Hildebrando, Rodrigo Furman, eles foram escolhidos na triagem que \u00e9 feita quando o preso pisa pela primeira vez no &#8216;xadrez&#8217;. \u201cN\u00f3s conversamos com eles e vemos quais foram os atos cometidos, dependendo colocamos direto nesse local separado, n\u00e3o nas galerias\u201d, revela.<\/p>\n<p>Existem dez galerias dentro do pres\u00eddio, tirando a triagem. Antes de entrarmos nas celas, passamos por um raio-x antigo, fomos revistados e encaminhados para uma porta cheia de barras. Quando o agente penitenci\u00e1rio abriu a galeria, a primeira sensa\u00e7\u00e3o foi de frio, medo. O cheiro de podrid\u00e3o do local adicionava mais solid\u00e3o \u00e0 atmosfera.<\/p>\n<p>A primeira imagem que vimos foi a de um detento, falando no telefone, separado por um vidro, algemado. Antes de virar para a esquerda, aonde encontrar\u00edamos outros presos, ouvimos gritos animados: \u201cAeeee, hoje tem visita!\u201d. Ao entrarmos nas celas, nos deparamos com homens abarrotados, segurando as barras e olhando para n\u00f3s silenciosamente, como se fossemos uma especiaria nunca vista.<\/p>\n<p>A sujeira do lugar, os corredores cheios de indiv\u00edduos deitados, redes colocadas pela falta de espa\u00e7o, as celas que foram planejadas para acomodar quatro detentos, agora tomadas por at\u00e9 vinte. Uma escurid\u00e3o, em que apenas poderiam ser vistos os olhos gatunos no fundo da galeria.<\/p>\n<p><strong>Sardinhas enlatadas<br \/>\n<\/strong><br \/>\nDe acordo com a promotora titular da Vara de Execu\u00e7\u00f5es Penais, Daniela Garcez, apenas os presos que est\u00e3o esperando pela condena\u00e7\u00e3o em regime aberto, semi-aberto ou fechado, deveriam estar no Hildebrando. Por\u00e9m, cerca de 200 detentos do pres\u00eddio j\u00e1 receberam sua senten\u00e7a e est\u00e3o esperando a transfer\u00eancia para as penitenci\u00e1rias do Estado. Para Daniela, o que falta para diminuir a superlota\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios brasileiros, n\u00e3o apenas em Ponta Grossa, s\u00e3o pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o, pois \u201c\u00e9 como enxugar gelo; n\u00e3o basta construir in\u00fameros pres\u00eddios, j\u00e1 que nunca ser\u00e1 suficiente devido \u00e0 grande demanda por vagas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera do feriado de P\u00e1scoa, na quarta-feira (16), 2014, alguns presos iniciaram uma rebeli\u00e3o no \u201cCadei\u00e3o\u201d e fizeram de ref\u00e9m um agente penitenci\u00e1rio. O advogado de direitos humanos da OAB, Jo\u00e3o Maria de G\u00f3es \u2013 que ficou das 10h at\u00e9 as 19h conversando com os presos, no meio da revolta &#8211; conta que o principal problema apontado pelos detentos era a superlota\u00e7\u00e3o, que acarreta na falta de higiene, alimenta\u00e7\u00e3o e outros itens b\u00e1sicos para o bem-estar de uma pessoa. Essa foi a segunda revolta dos presidi\u00e1rios, em apenas um ano.<\/p>\n<p>Na tentativa de desafogar as delegacias do Paran\u00e1, o governo est\u00e1 em um processo de retirada de todos os presos desses locais, j\u00e1 que nelas os detentos n\u00e3o t\u00eam estrutura e a sua fun\u00e7\u00e3o de investigar e fazer a instru\u00e7\u00e3o do inqu\u00e9rito policial parou de ser seu foco. Com isso, cadeias como o Hildebrando superlotam, fazendo com que cada presidi\u00e1rio fique em m\u00e9dia de quatro a seis meses esperando por uma senten\u00e7a condenat\u00f3ria, conta o advogado.<\/p>\n<p>Ao subir os degraus para o telhado do pres\u00eddio, aonde fica a guarita com um vigia, andamos pela passarela que divide os homens das mulheres. L\u00e1 de cima parecia que est\u00e1vamos em um zool\u00f3gico, observando os animais enjaulados. O guarda ao nos ver solta: \u201cagora voc\u00eas sabem porque n\u00e3o devem fazer nada contra a lei, n\u00e9?\u201d, fala com um sorriso malicioso. Sabemos, e ali de cima parecia que isso ficava ainda mais claro, olhando para aquele cub\u00edculo aos nossos p\u00e9s e a cidade ao nosso redor.<\/p>\n<p><strong>A liberdade<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA cada relato, aumentava a ansiedade diante de uma realidade trancada, mofada e escura. A solid\u00e3o que vertia de cada canto, agora se intensificava com as palavras regidas pela saudade e a esperan\u00e7a de quem dedicou a maior parte dos seus dias a planejar uma vida que recome\u00e7aria depois que a senten\u00e7a terminasse. A sensa\u00e7\u00e3o que dava era de que recolher aquelas falas trazia a eles um efeito anest\u00e9sico, como se eles tivessem a necessidade de desabafar para algu\u00e9m. Algu\u00e9m que n\u00e3o tivesse rela\u00e7\u00e3o com aquele lugar.<\/p>\n<p>\u201cA gente sente falta de tudo que a gente tem, de estar com a fam\u00edlia, de almo\u00e7ar onde quiser, de trabalhar e voltar pra casa pra tomar um banho, viajar no final de semana. Eu sinto falta disso, de ir para onde eu quiser, de desfrutar da minha liberdade\u201d, fala o presidi\u00e1rio de 23 anos, com uma pena de 14 anos de pris\u00e3o por homic\u00eddio. Ao tentar ajudar um amigo a sair de uma cilada, na virada do ano de 2011 para 2012, o jovem atirou no carro que os perseguia e atingiu a cabe\u00e7a do carona. Desde ent\u00e3o, nunca mais conseguiu realizar o sonho de estudar em uma universidade. \u201cEu tinha acabado de passar no ENEM e estava trabalhando em uma mec\u00e2nica quando descobri que seria preso\u201d, conta.<\/p>\n<p>Mais velho e, supostamente, mais experiente, o presidi\u00e1rio de 59 anos, ex-supervisor de processamento de dados do Banestado, est\u00e1 em medida protetiva por ter perseguido e amea\u00e7ado a ex-mulher. Com uma barba de Papai Noel, fala mansa e um rosto de que poderia ser o de um av\u00f4 de qualquer pessoa ali, ele comenta que o que menos gosta dentro da pris\u00e3o \u00e9 de estar em uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o depende de voc\u00ea e pretende sair do Brasil, pois \u201cmuitas coisas passam pela nossa cabe\u00e7a dentro da cadeia e uma delas \u00e9 que ningu\u00e9m vai nos contratar e querer ver nossa cara\u201d, relata.<\/p>\n<p>A garantia de que um indiv\u00edduo que saia da cadeia tenha aprendido com a puni\u00e7\u00e3o a conviver em sociedade &#8211; o que torna-se cada vez mais raro, levando em considera\u00e7\u00e3o a atual realidade carcer\u00e1ria &#8211; \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 garantia de que o preso, mesmo que \u00edntegro e absolvido de seus crimes, tenha oportunidades iguais, como um emprego digno.<\/p>\n<p>A maior dificuldade enfrentada por um condenado ao ser solto \u00e9 a ressocializa\u00e7\u00e3o, que ajuda a integrar o indiv\u00edduo \u00e0 sociedade. \u00c9 como se ele sa\u00edsse de um lugar onde \u00e9 marginalizado, em situa\u00e7\u00f5es desumanas, e fosse para o mesmo destino, por\u00e9m agora em liberdade. Antes trancado para dentro, agora trancado para o lado de fora. Durante o passeio por entre as celas, avistamos uma saleta cadeada. Era a escola dos presos. Naquele pequeno lugar s\u00e3o ensinados detentos de v\u00e1rias idades que tenham pouca ou nenhuma forma\u00e7\u00e3o do Ensino Fundamental e M\u00e9dio, e at\u00e9 mesmo cursos t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p>Visitamos a enfermaria logo depois; outro cub\u00edculo. \u00c0 primeira vista, um lugar improvisado com um cheiro muito parecido com o de um banheiro de parque de divers\u00f5es, \u00famido e sujo. Os rem\u00e9dios separados dentro de envelopes esperavam ser distribu\u00eddos em cima da mesa. Ali se consultam detentos com v\u00e1rios quadros de sa\u00fade, at\u00e9 psiqui\u00e1tricos. No \u201ccadei\u00e3o\u201d existem cinco detentos com o v\u00edrus HIV e muitos outros em tratamento com rem\u00e9dios controlados.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender a import\u00e2ncia de um sistema carcer\u00e1rio de qualidade. N\u00e3o basta isolar um indiv\u00edduo privado de toda e qualquer forma de dignidade, com a intens\u00e3o de reeduc\u00e1-lo. \u00c9 necess\u00e1rio atender a algumas particularidades da vida pessoal de cada condenado, visando regr\u00e1-lo a par da ordem social e prepar\u00e1-lo para um ressocializa\u00e7\u00e3o, uma vez que muitos dos que hoje est\u00e3o detidos, amanh\u00e3 estar\u00e3o se reintegrando na sociedade.<\/p>\n<p>Sob a perspectiva constitucional da Lei n\u00ba 7.210\/84, Lei das Execu\u00e7\u00f5es Penais, deixa-se bem clara a reinser\u00e7\u00e3o social dos detentos. Para isso, s\u00e3o necess\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es dignas de suporte e higiene. A ressocializa\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo delicado que quando n\u00e3o compadece, na maioria das vezes, acaba sendo a causa de novas tentativas de infringir a lei. A educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma das bases, se n\u00e3o a principal, de acordo com a promotora da Vara de Execu\u00e7\u00f5es Penais, Daniela Garcez. Mas como atender toda a demanda?<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Hildebrando est\u00e1 o oposto do ideal. O estresse interno quanto \u00e0 superlota\u00e7\u00e3o e as formas prec\u00e1rias de higiene s\u00e3o as causas de rebeli\u00f5es, que colocam em risco n\u00e3o s\u00f3 a vida de funcion\u00e1rios e detentos, como tamb\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o que mora em volta. Sem contar os danos causados \u00e0s fam\u00edlias dos pr\u00f3prios detentos que acompanham a situa\u00e7\u00e3o de longe e, muitas vezes, esperam pelo pior.<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlias encarceiradas<br \/>\n<\/strong><br \/>\nAo fecharem os port\u00f5es \u00e0s nossas costas, nos deparamos com a fila de parentes e amigos de presos, ainda maior. A ansiedade era vis\u00edvel em seus rostos e transparecia pela impaci\u00eancia de cada um. N\u00e3o precisamos nem pedir, dona Nilce Aguiar, 45 anos, veio at\u00e9 n\u00f3s. Com o filho de 21 anos preso h\u00e1 10 meses, acusado de tr\u00e1fico de drogas, dona Nilse disfar\u00e7ava o cansa\u00e7o com um largo sorriso. Contudo, indignada com a realidade do \u201ccadei\u00e3o\u201d, imediatamente p\u00f4s-se a falar. \u201cA realidade l\u00e1 de dentro \u00e9 uma tristeza, n\u00e3o tem banheiro, n\u00e3o tem vaso, dormem no ch\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 toda comida que a gente traz que pode entrar. \u00c9 um descaso com a gente, pois toda a semana enfrentamos filas enormes e aquela revista constrangedora\u201d, conta.<\/p>\n<p>O pres\u00eddio ainda n\u00e3o tem a tecnologia de uma m\u00e1quina de raio-x, igual a dos aeroportos internacionais, nas revistas corporais dos visitantes e ainda utilizam o m\u00e9todo da cadeira detectora de metais e os agachamentos em cima do espelho, seguidos de \u201ctossidas\u201d para tirar qualquer d\u00favida de que nenhum material est\u00e1 no interior dos indiv\u00edduos que por ali passam. Crian\u00e7as acima de 12 anos, meninos ou meninas, tamb\u00e9m precisam ficar nus, agacharem-se e tossirem. Tudo na frente de um guarda, seja esse homem ou mulher.<\/p>\n<p>As visitas \u00edntimas n\u00e3o s\u00e3o providas de privacidade, j\u00e1 que o Hildebrando n\u00e3o tem a estrutura necess\u00e1ria para a constru\u00e7\u00e3o de um motel para os condenados. Geralmente os presos evacuam alguma cela e um len\u00e7ol estendido \u00e9 o mais aconchegante que um casal pode ter. Enquanto isso, familiares conversam nos corredores das galerias, ignorando a a\u00e7\u00e3o dentro do \u201cxadrez\u201d.<\/p>\n<p>Diante da indigna\u00e7\u00e3o daquela m\u00e3e, ficou evidente que a realidade de dentro da cadeia tem reflexos aqui fora e o quanto isso pode ser traumatizante. \u201cNingu\u00e9m gosta de ficar l\u00e1 dentro, ele n\u00e3o v\u00ea a hora de sair e nem olhar para tr\u00e1s. Ningu\u00e9m gosta de perder a liberdade assim\u201d, comenta dona Nilce. Nem a liberdade, nem a dignidade.<\/p>\n<p>Saindo do local, muitas d\u00favidas e questionamentos pairaram sobre nossos pensamentos. Claro que pol\u00edticas p\u00fablicas de preven\u00e7\u00e3o resolveriam o caso a longo prazo. Mas o que h\u00e1 de mais urgente agora? Como sanar essas precariedades sem prejudicar tantas pessoas? Como encarar que essa realidade \u00e9 um problema nacional e que aflige a dignidade humana, trazendo problemas psicol\u00f3gicos e sociais graves a toda sociedade?<\/p>\n<p>Voltamos para o conforto dos nossos caf\u00e9s, estudos e namoricos. T\u00ednhamos nossas d\u00favidas sobre o que seria feito com rela\u00e7\u00e3o ao Hildebrando. A \u00fanica certeza \u00e9 que a experi\u00eancia de ver a morte e o medo estampados nos rostos daquelas pessoas jamais seria apagada da mem\u00f3ria dos dois universit\u00e1rios burgueses.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Marina%20Demartini\">Marina Demartini<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Yago%20Massuqueto\">Yago Massuqueto<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma manh\u00e3 quente para o outono ponta-grossense. De cal\u00e7as largas, moletom e t\u00eanis parec\u00edamos estudantes comuns, prontos para mais um dia de aula. A diferen\u00e7a era que o local em que est\u00e1vamos n\u00e3o era a universidade. Muito menos a lanchonete, em que tomamos in\u00fameros caf\u00e9s e reclamamos de nossa vida burguesa. 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