{"id":1398,"date":"2015-07-30T18:32:24","date_gmt":"2015-07-30T18:32:24","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1398"},"modified":"2015-07-30T18:32:24","modified_gmt":"2015-07-30T18:32:24","slug":"tracos-da-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/tracos-da-ucrania\/","title":{"rendered":"Tra\u00e7os da Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>Por Mariele Morski<\/p>\n<p>\u00c9 costume da dona de casa Maria Seniuk levar os alimentos para benzer na Igreja Ucraniana Transfigura\u00e7\u00e3o do Nosso Senhor, que foi constru\u00edda em meados de 1952. \u201c\u00c9 muito importante n\u00f3s, descendentes, prosseguir com antigos costumes. \u00c9 a nossa cultura, ent\u00e3o a gente vive e tenta passar para os filhos e netos\u2019\u2019, relata Maria.<\/p>\n<p>Em um texto, publicado por La\u00e9rcio Sikorski na p\u00e1gina do programa Ucra\u00edno Brasileiro de Ponta Grossa, ele diz que na primeira etapa de imigra\u00e7\u00e3o, a Igreja desempenhou um papel fundamental para que os imigrantes se sentissem mais \u2018\u2019em casa\u2019\u2019. A Igreja Transfigura\u00e7\u00e3o do Nosso Senhor, localizada no bairro da Nova R\u00fassia, era simples, toda feita de madeira. No ano de 1978 foi feita toda em alvenaria e nos moldes bizantinos ucranianos cat\u00f3licos.<\/p>\n<p>\u00c9 percept\u00edvel andar pela cidade e notar os tra\u00e7os de \u2018polacos e ucra\u00ednos\u2019 em parte da popula\u00e7\u00e3o. Os ucranianos chegaram ao Paran\u00e1 entre 1895 e 1897. Mais de 20 mil imigrantes vieram e fizeram suas col\u00f4nias em Prudent\u00f3polis e Mallet. Depois disso, outras cidades tamb\u00e9m come\u00e7aram a receb\u00ea-los.<\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, as comidas t\u00edpicas de origem ucraniana s\u00e3o cultivadas como parte da cultura desse povo. A chefe de cozinha Maria Esdespki \u00e9 descendente de ucranianos e, semanalmente, faz algumas das especiarias eslavas em casa: \u201cContinuo fazendo essas comidas porque lembro da minha inf\u00e2ncia, dos meus av\u00f3s. Hoje ensino para minhas filhas, \u00e9 uma maneira de n\u00e3o deixar a cultura morrer\u201d, confirma.<\/p>\n<p>Maria acorda aos s\u00e1bados e decide na hora o que vai preparar. \u00c0s vezes faz pierogue (ou perohe &#8211; s\u00e3o past\u00e9is de massa de macarr\u00e3o, que s\u00e3o cozidas ou fritas, tradicionalmente recheados com batata, chucrute, carne mo\u00edda ou queijo), no frio a sopa chamada de Borscht, onde os principais ingredientes s\u00e3o: a beterraba, cenoura, batata, cebola, repolho pepino, tomate, vinagre, cogumelo e carne (geralmente de porco), Kapuska (uma sopa feita de repolho azedo com trigo queimado), Holopti (esp\u00e9cie de charuto com recheio de quirera cozida com caldo de feij\u00e3o, enrolado na couve) e tamb\u00e9m uma das sobremesas mais conhecidas, o Kuti\u00e1 (gr\u00e3os de trigo cozidos, ado\u00e7ados com mel. Hoje em dia coloca-se tamb\u00e9m leite condensado e passas e \u00e9 servido na ceia de Natal).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cores da P\u00e1scoa\u00a0<\/strong><br \/>\nOvos de galinha, avestruz, ganso e at\u00e9 de codorna tem usos diferentes, e coloridos, na cultura ucraniana. Aqui no Brasil ,fazem parte de in\u00fameras receitas, mas quem \u00e9 descendente de ucraniano sabe muito bem para que servem.<\/p>\n<p>As P\u00eassankas s\u00e3o nada mais que ovos pintados \u00e0 m\u00e3o. Coloridos e com diversas formas e tra\u00e7os, derivam do verbo pysaty (escrever) e simboliza a vida, a sa\u00fade e a prosperidade. S\u00e3o entregues \u00e0 fam\u00edlia e amigos falando no dia da P\u00e1scoa &#8220;Hr\u00e9stos Voskr\u00e9s&#8221; (Cristo ressuscitou) e &#8220;Vo\u00edstenu Voskr\u00e9s&#8221; (Em verdade ressuscitou).<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabe bem ao certo quando essa tradi\u00e7\u00e3o surgiu, mas os mais antigos, contam que o povoado da Ucr\u00e2nia acreditava que quando os p\u00e1ssaros faziam ninhos nas casas, eles traziam vida, calor e a colheita vingava. Sendo assim, virou um s\u00edmbolo s\u00f3 de coisas boas.<\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, a esteticista R\u00fabia Kabaz \u00e9 conhecida por produzir essa arte. Minuciosamente, conta que o primeiro passo \u00e9 limpar o ovo e retirar a gema e a clara com uma seringa, j\u00e1 que se ficar dentro da casca e um dia cair, o cheiro n\u00e3o ser\u00e1 muito agrad\u00e1vel. Ap\u00f3s isso, os tra\u00e7os come\u00e7am a ser feitos. Ela usa uma caneta com bico de pena para desenhar. Peixes, galinhas, flores, \u00e1rvores, trigos, cruz, ondas, sol: esses s\u00e3o os desenhos mais comuns. Depois, passa-se a cera nos lugares onde n\u00e3o ser\u00e3o pintados, ou seja, onde ficar\u00e1 branco, da cor natural do ovo. A\u00ed \u00e9 mergulhado na tinta, retirado e mais cera \u00e9 passada, assim por diante, cada cor \u00e9 uma nova etapa. A \u00faltima cor a ser mergulhada \u00e9 na preta. Sim, o ovo vai sair preto.<\/p>\n<p>E em quest\u00e3o de m\u00e1gica, o fogo da vela derrete toda aquela cera e \u2018tcharan\u2019, o desenho \u00e9 revelado! Depois \u00e9 envernizado e colocado em um suporte para que pare em p\u00e9. \u00c9 um processo que leva quase o dia todo. Al\u00e9m disso, cada cor possui um significado, mas as mais usadas s\u00e3o as cores quentes (vermelho, alaranjado e amarelo). R\u00fabia teve o primeiro contato com a pintura em ovos com a av\u00f3 materna, que era descendente de polon\u00eas. \u201cN\u00e3o sou descendente de ucranianos, mas eu acho t\u00e3o bonito, \u00e9 algo que est\u00e1 se perdendo\u201d, revela. Mas s\u00f3 em 1995 fez um curso para aprender t\u00e9cnicas mais elaboradas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conta o quanto alivia o estresse pintar: \u201cMe desligo totalmente quando estou pintando, \u00e9 uma terapia\u201d. A esteticista recebe encomendas o ano todo, os ovos viram desde presente de casamento e at\u00e9 de anivers\u00e1rio. Recentemente, fez quatro com o escudo do time de Ponta Grossa, o Oper\u00e1rio Ferrovi\u00e1rio (OFEC). Tudo depende da criatividade de cada um. Os pre\u00e7os variam de R$25 e R$30.<\/p>\n<p>Outra curiosidade sobre as P\u00eassankas \u00e9 que elas s\u00e3o bastante vistas nos s\u00e1bados de aleluia (s\u00e1bado antes do domingo de P\u00e1scoa) nos benzimentos das cestas ou benzimentos da Pascha, realizados nas Igrejas Ucranianas. Esse nome (Pascha \u2013 l\u00ea se: Paska) vem de um p\u00e3o que \u00e9 preparado para se comer no dia da P\u00e1scoa. Ele \u00e9 branco, salgado e enfeitado.<\/p>\n<p>Dentro dessa cesta, \u00e9 poss\u00edvel ainda encontrar a Babka, que \u00e9 o p\u00e3o doce. A beterraba simboliza a morte de Jesus pelos nossos pecados. O Krin \u00e9 uma raiz forte que simboliza o sofrimento que o pecado causa na vida das pessoas. S\u00e3o colocados tamb\u00e9m velas, lingui\u00e7as, ovos, requeij\u00e3o e, nos dias atuais, tudo o que se come no caf\u00e9 da manh\u00e3 (manteiga, leite, a\u00e7\u00facar, biscoitos&#8230;). Ap\u00f3s a cesta ter sido benzida, os alimentos est\u00e3o prontos para o consumo no dia seguinte, onde toda fam\u00edlia se re\u00fane.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mariele Morski \u00c9 costume da dona de casa Maria Seniuk levar os alimentos para benzer na Igreja Ucraniana Transfigura\u00e7\u00e3o do Nosso Senhor, que foi constru\u00edda em meados de 1952. \u201c\u00c9 muito importante n\u00f3s, descendentes, prosseguir com antigos costumes. \u00c9 a nossa cultura, ent\u00e3o a gente vive e tenta passar para os filhos e netos\u2019\u2019,&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":535,"featured_media":1409,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[42],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1398"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/535"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1398"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1398\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1398"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1398"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1398"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}