{"id":1400,"date":"2014-12-08T18:33:26","date_gmt":"2014-12-08T18:33:26","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1400"},"modified":"2014-12-08T18:33:26","modified_gmt":"2014-12-08T18:33:26","slug":"de-sexta-as-seis-so-resta-o-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/de-sexta-as-seis-so-resta-o-nome\/","title":{"rendered":"De Sexta \u00e0s Seis s\u00f3 resta o nome"},"content":{"rendered":"<p><em>Mat\u00e9ria produzida para o curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa.<\/em><\/p>\n<p>Folclore, dan\u00e7a, grupos \u00e9tnicos, bandas, voz e viol\u00e3o. Qual evento ponta-grossense tem apresenta\u00e7\u00f5es nestes estilos? O Sexta \u00e0s Seis, nos primeiros anos de exist\u00eancia, a partir de 1990, na Concha Ac\u00fastica da Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco. O projeto foi idealizado e colocado em pr\u00e1tica, inicialmente, por Fernando Durante. Quem frequentou as \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es do projeto talvez n\u00e3o saiba dessa modifica\u00e7\u00e3o de estilo nas apresenta\u00e7\u00f5es. De estilo e de local. De qualquer maneira, o Sexta \u00e0s Seis sempre foi gratuito, aberto a quem quisesse ver e ouvir.<\/p>\n<p>No dia 18 de julho a banda Bolores iniciou a programa\u00e7\u00e3o que marcou a retomada do projeto. O evento tem agenda at\u00e9 dia 28 de novembro e acontece na Plataforma da Esta\u00e7\u00e3o Saudade, no centro de Ponta Grossa. As bandas puderam se inscrever gratuitamente em edital divulgado pela Funda\u00e7\u00e3o de Cultura entre os dias 19 e 20 de junho deste ano. Crit\u00e9rios como arranjo, harmonia, timbre e afina\u00e7\u00e3o foram considerados pela comiss\u00e3o julgadora, segundo regulamento do edital. Vinte bandas foram selecionadas para as apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A banda Rock Jump tem seis anos e tocou pela primeira vez no Sexta \u00e0s Seis dia 15 de agosto. O grupo ficou em s\u00e9timo lugar na classifica\u00e7\u00e3o do evento. \u201c\u00c9 bom tocar sempre onde temos espa\u00e7o. Muita gente que n\u00e3o conhece, tem a oportunidade de ver a banda, al\u00e9m de ser em um espa\u00e7o livre\u201d, diz Helamann, percussionista.<\/p>\n<p>O baterista Mario Gordo relembra que j\u00e1 acompanhava o evento quando n\u00e3o tinha a banda: \u201csonh\u00e1vamos em tocar no Sexta\u201d, relata. O vocalista Pedro Marcello acrescenta que \u00e9 uma oportunidade de tocar com bandas que admiram.<\/p>\n<p>J\u00e1 a banda A Coisa ficou em 11\u00ba lugar na classifica\u00e7\u00e3o e participou tr\u00eas vezes do evento. \u201cO projeto movimenta as bandas que se empenharam bastante para mandar material. D\u00e1 mais visibilidade \u00e0s que n\u00e3o est\u00e3o ou n\u00e3o querem se apresentar em bares da cidade, por exemplo\u201d, acredita Pedro Henrique Ruz\u00e3o, guitarrista da banda.<\/p>\n<p>O m\u00fasico diz que a ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico \u00e9 outra caracter\u00edstica do evento. Em rela\u00e7\u00e3o ao local onde acontecem os shows, o baterista Silvio Mendes acrescenta: \u201cfica associado com cultura e atinge a popula\u00e7\u00e3o. A ac\u00fastica \u00e9 melhor e estamos mais perto do terminal\u201d. Mendes tamb\u00e9m integra a banda A Coisa. O baterista observa que o Sexta \u00e0s Seis n\u00e3o enfrenta mais problemas de reclama\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao barulho, de moradores e da escola no entorno da pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco.<\/p>\n<p><strong>\u00a0Mudan\u00e7as de local<\/strong><\/p>\n<p>O projeto funcionava na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco nos primeiros anos de exist\u00eancia, a partir de 1990. O local foi escolhido por ser ao lado do Ponto Azul onde os \u00f4nibus paravam para embarque e desembarque. A ideia era: durante o tempo que a pessoa teria que esperar pelo seu \u00f4nibus, poderia ter contato com as mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Depois de interrup\u00e7\u00f5es, o projeto retornou em 2005 no mesmo local. O problema era que a proximidade com col\u00e9gio, igreja e edif\u00edcio residencial tornava as reclama\u00e7\u00f5es constantes. Ricardo Queiroz, diretor de produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica do Sexta \u00e0s Seis durante seis anos, explica que as paradas do evento foram por conta do som.\u00a0O primeiro problema foi com a Igreja porque batia com o hor\u00e1rio da missa, \u00e0s 18h. \u201cN\u00e3o teria gra\u00e7a fazer o projeto 17h ou 20h. Seria quebrar a l\u00f3gica do Sexta, j\u00e1 que historicamente foi criado por ser hor\u00e1rio de passagem das pessoas. Mudar o hor\u00e1rio seria pior que mud\u00e1-lo de lugar\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Segundo Queiroz, outro problema enfrentado era que alunos do col\u00e9gio em frente deixavam de ir \u00e0s primeiras aulas para frequentar o projeto. Al\u00e9m disso, as modula\u00e7\u00f5es de grave do som faziam trepidar as janelas do edif\u00edcio residencial em frente \u00e0 pra\u00e7a. Sobre a mudan\u00e7a do local, o\u00a0ex-diretor de produ\u00e7\u00e3o acrescenta: \u201cNas reuni\u00f5es do Conselho Municipal de Cultura, diziam que o projeto teria que continuar na concha (na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco), onde tinha iniciado. Mas a concha n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de uso e o projeto era feito num palco montado em frente. Sem alternativa, decidiram mudar para outra concha, perto do \u2018Paraguaizinho\u2019\u201d, explica.<\/p>\n<p>Queiroz acrescenta que n\u00e3o foi feito na Esta\u00e7\u00e3o Saudade porque o Conselho Patrimonial alegou que n\u00e3o poderia ter ru\u00eddos elevados no local. Outros problemas foram a bebida alco\u00f3lica nos locais, bem como a dificuldade da guarda municipal e pol\u00edcia militar para fazer a seguran\u00e7a durante as apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u00a0A hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>A primeira atra\u00e7\u00e3o, em abril de 1990, trouxe a Banda Lyra dos Campos de Ponta Grossa. \u201cToda semana tinha apresenta\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a de grupos folcl\u00f3ricos, rock, samba e uma vez por m\u00eas, uma atra\u00e7\u00e3o nacional. N\u00e3o eram grandes nomes em popularidade, mas tinham muita qualidade\u201d, conta Fernando Durante, idealizador do projeto e ex-diretor de Cultura.<\/p>\n<p>Durante acrescenta que nas primeiras semanas o Sexta \u00e0s Seis tinha cerca de 30 pessoas. Quando se consolidou, concentrava quase tr\u00eas mil. Al\u00e9m de apresenta\u00e7\u00f5es de fora, fanfarras e grupos \u00e9tnicos da cidade tamb\u00e9m eram convidados.<\/p>\n<p>Segundo o ex-diretor de cultura, os participantes do Festival Universit\u00e1rio da Can\u00e7\u00e3o (FUC) tamb\u00e9m se apresentavam no Sexta \u00e0s Seis. Durante explica que na \u00e9poca a equipe respons\u00e1vel pelo evento fazia acordos com as r\u00e1dios locais, para que tocassem as m\u00fasicas do convidado que viria de outra cidade. Assim, o m\u00fasico ficava mais popular na cidade antes de fazer o show. \u201cN\u00e3o tinha essa diversidade de artistas que temos hoje. Quase n\u00e3o tinha vida noturna em Ponta Grossa. Promovemos (eventos culturais) porque que as pessoas precisavam sair de casa\u201d, observa o ex-diretor de cultura.<\/p>\n<p>Quando o projeto foi retomado em 2005, Durante gestou por mais meio ano: \u201ccontinuaram, mas perdendo um pouco a ess\u00eancia do projeto que era de diversidade cultural. Focaram em apresenta\u00e7\u00e3o de banda de rock e hoje tamb\u00e9m est\u00e1 neste esp\u00edrito\u201d, acredita. Em contrapartida, Durante percebe que o projeto mant\u00e9m a popularidade: \u201cDepois de 24 anos, o Sexta acontece com o mesmo nome e as pessoas pedem para voltar. Mesmo com as interrup\u00e7\u00f5es, voltou com for\u00e7a porque existia na cidade um clamor por isso\u201d, diz.<\/p>\n<p>Com a sa\u00edda de Fernando Durante do cargo em 2006, Queiroz assumiu a dire\u00e7\u00e3o do Sexta \u00e0s Seis. O ex-diretor de cultura explica que aos poucos perceberam que tinha mais p\u00fablico para determinadas apresenta\u00e7\u00f5es e menos para outras. Queiroz atribui isso ao fato de, anteriormente, ter p\u00fablico garantido com a proximidade do terminal de \u00f4nibus. Mas, quando o terminal mudou de lugar, era preciso levar o p\u00fablico ao local. \u201cA pra\u00e7a era no m\u00e1ximo uma passagem. Colocar pessoas para assistir as atra\u00e7\u00f5es ela mais complexo. Ent\u00e3o a m\u00fasica ajudou muito, para chamar mais aten\u00e7\u00e3o. E as bandas que estavam levando mais gente eram as bandas de rock\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 sele\u00e7\u00e3o, o ex-diretor de produ\u00e7\u00e3o explica que primeiramente ouviam o material enviado, mas que a ideia era profissionalizar as bandas. Por isso, o projeto come\u00e7ou a exigir pelo menos uma m\u00fasica pr\u00f3pria: \u201cBoa parte das bandas que tocam atualmente come\u00e7aram a produzir nessa \u00e9poca\u201d, acredita.<\/p>\n<p>Queiroz gestou o Sexta \u00e0s Seis at\u00e9 2012. Em seguida, o projeto sofreu uma nova interrup\u00e7\u00e3o por problemas de or\u00e7amento reduzido, j\u00e1 que al\u00e9m do cach\u00ea, \u00e9 preciso fazer a licita\u00e7\u00e3o de som e ilumina\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, era preciso reformatar o projeto. O Sexta \u00e0s Seis voltou neste ano, agora sob a coordena\u00e7\u00e3o de Willes Machado.<\/p>\n<p><strong>Gera\u00e7\u00e3o M\u00fcnchen<\/strong><\/p>\n<p>Ligado ao Sexta \u00e0s Seis, o Gera\u00e7\u00e3o M\u00fcnchen era a oportunidade que as bandas tinham para tocar na M\u00fcnchen Fest no final do ano. As bandas que se apresentassem no Sexta \u00e0s Seis eram avaliadas e as melhores participavam no evento. \u201cInfelizmente, no final n\u00e3o estava dando certo, porque a prefer\u00eancia era por shows mercadol\u00f3gicos na M\u00fcnchen. Tinha que come\u00e7ar cedo e quem assistia n\u00e3o seria p\u00fablico da banda, seria jogar dinheiro p\u00fablico no lixo\u201d, analisa Queiroz.<\/p>\n<p><strong>O p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s 18 horas, poucas pessoas se concentram no gramado em frente \u00e0 plataforma da Esta\u00e7\u00e3o Saudade. Meia hora depois, o p\u00fablico aumenta consideravelmente, independente do frio ou do vento. Alguns grupos ficam longe do palco, sentados na grama. Outros permanecem mais pr\u00f3ximos da banda, cantando as m\u00fasicas ou fotografando.<\/p>\n<p>A frequentadora Hadassa Ojea conta que vem com frequ\u00eancia ao Sexta e que assistiu as outras edi\u00e7\u00f5es. \u201cPonta Grossa n\u00e3o tem muitos eventos destinados ao p\u00fablico alternativo. Al\u00e9m disso, incentiva e valoriza as bandas, d\u00e1 maior visibilidade. Quem sabe n\u00e3o incentiva a revitalizar a esta\u00e7\u00e3o que est\u00e1 bem deteriorada\u201d, diz Hadassa.<\/p>\n<p>J\u00e1 Alexia Scepanki foi tr\u00eas vezes ao evento, j\u00e1 que se mudou de Palmeira h\u00e1 pouco tempo.\u00a0\u201cL\u00e1 (em Palmeira) n\u00e3o tem praticamente nada de shows como estes. Aqui voc\u00ea encontra todos os tipos de pessoas\u201d, acredita.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Gabrielle%20Koster\">Gabrielle Koster<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria produzida para o curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Folclore, dan\u00e7a, grupos \u00e9tnicos, bandas, voz e viol\u00e3o. Qual evento ponta-grossense tem apresenta\u00e7\u00f5es nestes estilos? O Sexta \u00e0s Seis, nos primeiros anos de exist\u00eancia, a partir de 1990, na Concha Ac\u00fastica da Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco. 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