{"id":1402,"date":"2014-12-14T18:35:24","date_gmt":"2014-12-14T18:35:24","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1402"},"modified":"2014-12-14T18:35:24","modified_gmt":"2014-12-14T18:35:24","slug":"o-artesanato-tinha-de-ser-reconhecido-como-profissao-diz-artesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-artesanato-tinha-de-ser-reconhecido-como-profissao-diz-artesa\/","title":{"rendered":"\u201cO artesanato tinha de ser reconhecido como profiss\u00e3o\u201d, diz artes\u00e3"},"content":{"rendered":"<p><em>Produ\u00e7\u00e3o realizada para o Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa.<\/em><\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, existem v\u00e1rios grupos independentes de artesanato, uma maneira de fazer a vida com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Pessoas unidas em torno de propostas de economia solid\u00e1ria. Funciona assim a\u00a0Associa\u00e7\u00e3o de Feirantes Solid\u00e1rios (Afesol), que exp\u00f5e seus trabalhos \u00e0s quintas-feiras, no campus central ou de Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).<\/p>\n<p>A maneira de a associa\u00e7\u00e3o trabalhar \u00e9 diferente de todas as outras que existem na cidade. Janete Salles Rosa conta que a associa\u00e7\u00e3o existe desde 2006 e que faz tr\u00eas anos que o grupo foi regulamentado por meio de um estatuto. \u201cNa economia solid\u00e1ria, n\u00f3s trabalhamos cada um fazendo o seu trabalho individual, mas tamb\u00e9m fazemos o coletivo, nos reunimos duas ou tr\u00eas vezes por semana na nossa associa\u00e7\u00e3o, e fazemos a nossa produ\u00e7\u00e3o, que seriam os malotes que recebemos de doa\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil e dos Correios\u201d.<\/p>\n<p>Os materiais que chegam muitas vezes sujos, rasgados e com a logomarca das empresas passam por um processo de transforma\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar \u00e0s m\u00e3os de quem compra. As artes\u00e3s desmancham o malote, lavam e com a ajuda de outras costureiras da cidade que doam sobras de fios e retalhos elas transformam os materiais em bolsas, pesos de porta, aventais, chaveiros, entre outros produtos. \u201cAs sobras dos materiais a gente manda para outra associa\u00e7\u00e3o, de Porto Amazonas, onde eles tamb\u00e9m fazem o reaproveitamento\u201d, relata Janete.<\/p>\n<p>Quanto ao lucro, a artes\u00e3o diz que o valor do trabalho individual vai para elas mesmas, mas outra parte \u00e9 dividida para ajudar a sustentar a associa\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00f3s estamos em seis pessoas, tem tr\u00eas fam\u00edlias que dependem diretamente da feira\u201d. Al\u00e9m disso, o grupo tem apoio de um projeto de extens\u00e3o da UEPG, a Incubadora de Empreendimentos Solid\u00e1rios (Iesol), que tamb\u00e9m ajuda o grupo a buscar espa\u00e7o para fazer as feiras. A associa\u00e7\u00e3o da Afesol fica em frente \u00e0 Igreja S\u00e3o Jos\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Artes\u00e3os lutam por reconhecimento<\/strong><\/p>\n<p>A Casa do Artes\u00e3o, que agora, provisoriamente, fica na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, tamb\u00e9m \u00e9 uma das associa\u00e7\u00f5es de artesanato da cidade. Quando a sede da associa\u00e7\u00e3o, que ficava localizada na Concha Ac\u00fastica, foi incendiada, muitas coisas se perderam, inclusive o espa\u00e7o cedido pela Prefeitura, por isso a mudan\u00e7a de lugar. Vanderli Santos, presidente da associa\u00e7\u00e3o, diz que era para a sede ficar no lugar provis\u00f3rio por tr\u00eas meses. J\u00e1 faz um ano que aguardam pela reforma da Concha.<\/p>\n<p>A Casa existe desde 1989, quando um grupo de artes\u00e3os que fazia a feira na pra\u00e7a resolveu buscar um ponto fixo para vender os produtos, onde n\u00e3o fosse necess\u00e1rio montar e desmontar as barraquinhas todos os dias. Ent\u00e3o, eles foram at\u00e9 a Prefeitura, pediram para fazer a sede da associa\u00e7\u00e3o e assim foi fundada a casa.<\/p>\n<p>Para se associar, basta trazer uma mostra do produto at\u00e9 a Casa. \u00c9 cobrada uma taxa de inscri\u00e7\u00e3o e a mensalidade por m\u00eas, tamb\u00e9m \u00e9 exigido fazer \u201cplant\u00e3o\u201d na loja, pois h\u00e1 uma escala de hor\u00e1rios e dias para os artes\u00e3os ficarem atendendo. Atualmente, a Casa conta com 22 colaboradores. Vanderli explica que os s\u00f3cios trabalham em casa e depois trazem os produtos que s\u00e3o colocados \u00e0 venda. No final do m\u00eas \u00e9 feito um levantamento de tudo que foi vendido e \u00e9 repassado para eles. \u201c\u00c9 cobrada uma taxa de 10% que fica para manuten\u00e7\u00e3o, o restante \u00e9 repassado para eles.\u201d<\/p>\n<p>Vanderli, que h\u00e1 treze anos parou tudo para se dedicar ao artesanato, tamb\u00e9m faz parte do grupo \u201cPalha de Ponta\u201d, que confecciona artesanatos em palha. No momento, apenas quatro pessoas fazem parte do grupo, antes eram vinte e duas. \u201cPor causa da dificuldade de encontrar a palha, o grupo foi diminuindo, tamb\u00e9m h\u00e1 um retorno muito pequeno do p\u00fablico. Por ser um artesanato dif\u00edcil de fazer e de encontrar o material, o pre\u00e7o tem de ser a altura, e \u00e0s vezes reclamam por ser muito caro\u201d.<\/p>\n<p>A artes\u00e3 queria o reconhecimento do artesanato como profiss\u00e3o: \u201cO artesanato tinha de ser reconhecido como profiss\u00e3o, n\u00e3o apenas como hobby ou terapia. Artesanato n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 distra\u00e7\u00e3o para donas de casa\u201d. Ela cita um projeto de lei de Pernambuco (7725\/100), que estabelece o reconhecimento dos profissionais artes\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Pela valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho artesanal<\/strong><\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o \u201cArte Lil\u00e1s\u201d, que tamb\u00e9m fica na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, em frente ao chafariz, existe h\u00e1 cinco anos. O espa\u00e7o foi cedido pelo SOS. Lucila Zob afirma ter uma desmotiva\u00e7\u00e3o pelas pessoas que entram nos grupos: \u201cQuando a gente come\u00e7ou eram trinta pessoas, agora s\u00f3 tem nove, a maioria sai porque n\u00e3o pode vir fazer plant\u00e3o, ou porque pensam que v\u00e3o vender bastante, a\u00ed quando v\u00eaem a realidade v\u00e3o embora\u201d.<\/p>\n<p>Lucila e Reni Schubst, que estavam fazendo plant\u00e3o na sede no momento da entrevista, trabalham apenas com o artesanato. Aos s\u00e1bados tamb\u00e9m participam da Feirinha da Esta\u00e7\u00e3o Saudade, das 9 \u00e0s 17 horas. Apesar de l\u00e1 n\u00e3o ser cobrada nenhuma taxa por parte da Prefeitura para expor, h\u00e1 regras a serem seguidas. N\u00e3o pode faltar mais de tr\u00eas vezes no m\u00eas, pois se isso acontecer o lugar \u00e9 cedido para outro artes\u00e3o.<\/p>\n<p>Lucila diz que em Ponta Grossa as pessoas ainda n\u00e3o est\u00e3o habituadas com o artesanato: \u201cAs pessoas aqui n\u00e3o est\u00e3o bem acostumadas com feira de artesanato. A cidade \u00e9 grande e poucas pessoas passam l\u00e1 visitando a feira. Em Curitiba, no Lago da Ordem, \u00e9 lotado\u201d, compara.<\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, ao todo, s\u00e3o oito associa\u00e7\u00f5es de artesanato que existem na cidade. A maioria funciona no esquema da Casa do Artes\u00e3o, para contribuir com a manuten\u00e7\u00e3o da sede, mas tamb\u00e9m existem os artes\u00e3os que administram os neg\u00f3cios por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Mariana%20Tozetto\">Mariana Tozetto<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produ\u00e7\u00e3o realizada para o Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Em Ponta Grossa, existem v\u00e1rios grupos independentes de artesanato, uma maneira de fazer a vida com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Pessoas unidas em torno de propostas de economia solid\u00e1ria. 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