{"id":1410,"date":"2014-12-22T18:51:27","date_gmt":"2014-12-22T18:51:27","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1410"},"modified":"2014-12-22T18:51:27","modified_gmt":"2014-12-22T18:51:27","slug":"saudosa-estacao-estacao-saudade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/saudosa-estacao-estacao-saudade\/","title":{"rendered":"Saudosa Esta\u00e7\u00e3o, Esta\u00e7\u00e3o Saudade"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><em>*Produ\u00e7\u00e3o realizada para a disciplina de Semin\u00e1rios do 3\u00ba ano do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa.<\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0Heran\u00e7a dos \u00e1ureos anos em que serviu de chegada e sa\u00edda de estrangeiros, mercadorias e imigrantes, a Esta\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo \u2013 Rio Grande, ou \u201cEsta\u00e7\u00e3o Saudade\u201d, est\u00e1 abandonada. Vidros quebrados, picha\u00e7\u00f5es e rachaduras revelam que as marcas do tempo e dos v\u00e2ndalos se abrigam no im\u00f3vel tombado com abrang\u00eancia estadual em 1990.<\/p>\n<p>Uma Carta Compromisso, em defesa das pol\u00edticas culturais de Ponta Grossa, foi elaborada pelo Conselho Municipal de Pol\u00edtica Cultural em agosto de 2012 e apresentada aos candidatos a prefeito da cidade naquele mesmo ano, contemplando o item \u201cassegurar o uso cultural do pr\u00e9dio da \u2018Esta\u00e7\u00e3o Saudade\u2019\u201d.<\/p>\n<p>No ano seguinte, em janeiro, a secret\u00e1ria de Governo, Indianara Mill\u00e9o, juntamente com o ex-secret\u00e1rio de Cultura, Cl\u00e1udio Guimar\u00e3es, e o secret\u00e1rio de Planejamento, Jo\u00e3o Ney Mar\u00e7al, se reuniram na Esta\u00e7\u00e3o Saudade para verificar a situa\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio. O atual presidente da Funda\u00e7\u00e3o Municipal da Cultura, Paulo Eduardo Goulart Netto, confirmou que existe uma proposta da Secretaria do Governo que se refere \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Dois anos se passaram desde ent\u00e3o e o pr\u00e9dio da Esta\u00e7\u00e3o permanece sem restauro e manuten\u00e7\u00e3o. Na tentativa de recolocar o espa\u00e7o no cotidiano dos ponta-grossenses, eventos como a Feira da Esta\u00e7\u00e3o e o Sexta \u00e0s Seis acontecem no local.<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es visam assegurar o uso cultural do patrim\u00f4nio<\/strong><\/p>\n<p>Um espa\u00e7o que servisse para que as pessoas tivessem um lugar para exibir, vender e trocar o que produzem ou colecionam. Uma iniciativa que servisse como atrativo tur\u00edstico a mais para a cidade, valorizando o trabalho dos artes\u00e3os, colecionadores e artistas locais. Com estes prop\u00f3sitos, a Feira da Esta\u00e7\u00e3o, iniciada em 2013, chegou de mansinho, e veio para ficar.<\/p>\n<p>No ano em que iniciou, a feira n\u00e3o tinha todas as datas definidas previamente. A partir de 2014, os expositores t\u00eam um espa\u00e7o fixo, todos os s\u00e1bados. O evento, que come\u00e7ou com 22 expositores, tem hoje mais de 140 profissionais cadastrados (em sua maioria artes\u00e3os). Estes trabalhadores passaram a contar com o N\u00facleo Setorial do Artesanato, criado para o fortalecimento dos artes\u00e3os, que pleiteavam h\u00e1 muitos anos um local fixo para a realiza\u00e7\u00e3o da feira semanal.<\/p>\n<p>Todo s\u00e1bado, a plataforma da Esta\u00e7\u00e3o fica tomada por artes\u00e3os e colecionadores da cidade. Deise de Abreu est\u00e1 h\u00e1 um ano comercializando suas produ\u00e7\u00f5es artesanais na feira. Para ela, o ponta-grossense est\u00e1 come\u00e7ando a optar por esse tipo de com\u00e9rcio: \u201cAgora h\u00e1 uma maior procura. Tem gente que ainda nem sabe da nossa exist\u00eancia aqui, e olha que estamos em frente ao shopping e ao lado do terminal\u201d.<\/p>\n<p>Para a turism\u00f3loga M\u00e1rcia Droppa, falta consci\u00eancia sobre a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o destes espa\u00e7os. \u201cExiste uma mentalidade pequena em Ponta Grossa, e por pessoas que voc\u00ea acredita que deviam ter uma vis\u00e3o diferente da preserva\u00e7\u00e3o da cultura e hist\u00f3ria da cidade\u201d.<\/p>\n<p><strong>O valor de um pr\u00e9dio<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos morando em Ponta Grossa, Marcelo Navarro n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o alguma sobre a hist\u00f3ria que h\u00e1 por tr\u00e1s da imensa constru\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ele v\u00ea a import\u00e2ncia de uma preocupa\u00e7\u00e3o com o cuidado do espa\u00e7o, seja vinda do munic\u00edpio ou da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o. No dia da entrevista, Marcelo mostrava a estrutura interna para um amigo que estava de passagem pela Princesa dos Campos Gerais. \u201cUma estrutura t\u00e3o cl\u00e1ssica, com detalhes cuidadosamente pensados, uma escadaria antiga, por\u00e9m charmosa. Uma provid\u00eancia deve ser tomada para que esse lugar tenha seu devido valor\u201d, afirma Navarro.<\/p>\n<p>Para o artes\u00e3o Edenilson Pereira, o car\u00e1ter pol\u00edtico influencia muito a situa\u00e7\u00e3o atual da Esta\u00e7\u00e3o Saudade. \u201cPoliticamente falando, para muitos, investir e cuidar da Esta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um neg\u00f3cio vantajoso\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Cada im\u00f3vel tombado como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da cidade carrega em si hist\u00f3rias que remetem a fam\u00edlias, a antigas lojas, a uma vida social que passou por transforma\u00e7\u00f5es com o passar do tempo. \u00c9 atrav\u00e9s dessas obras que Ponta Grossa ganha uma identidade, seja cultural ou hist\u00f3rica. Droppa acredita que \u201cuma cidade s\u00f3 ganha import\u00e2ncia quando h\u00e1 hist\u00f3ria para contar. E preservar os patrim\u00f4nios \u00e9 uma dessas formas\u201d.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o da turist\u00f3loga, a manuten\u00e7\u00e3o dos bens valoriza o turismo. \u201cMesmo que n\u00e3o sejamos uma cidade \u00edcone em patrim\u00f4nios hist\u00f3ricos, quando o turista conhece a cidade e v\u00ea que a hist\u00f3ria dela est\u00e1 sendo preservada passa a ter uma vis\u00e3o diferente do lugar\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Para espantar os males, m\u00fasica na Esta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os amantes da boa m\u00fasica regional possuem nova sede todas as sextas. O \u2018Sexta \u00e0s Seis\u2019 voltou para a agenda cultural da cidade, e agora com novo endere\u00e7o: a Esta\u00e7\u00e3o Saudade. Eventos culturais diferentes, que n\u00e3o est\u00e3o focados em exposi\u00e7\u00f5es e museus, conseguem fazer com que o p\u00fablico passe a ver uma alternativa de lazer a mais.<\/p>\n<p>\u201cO pessoal que frequenta o \u2018Sexta \u00e0s Seis\u2019 talvez nunca passasse ali em frente \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o. Indo at\u00e9 ali para curtir seu som, olhar\u00e1 o lugar de uma maneira diferente\u201d, observa M\u00e1rcia Droppa.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a ocupa\u00e7\u00e3o do lugar divide opini\u00f5es. Para a artes\u00e3 Nair Ferreira, a vinda do projeto para a esta\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim, pois pode aumentar o vandalismo: \u201cA piazada faz quebradeira, picha todas as paredes e ainda urina nos cantos do lugar. No dia seguinte, quando chegamos, est\u00e1 aquele cheiro forte\u201d.<\/p>\n<p>Marcia Droppa, ao contr\u00e1rio, considera que os pr\u00e9dios precisam ser usados pela comunidade, porque assim ir\u00e3o respeitar esses mesmos lugares. \u201cCom as pessoas respeitando acontecer\u00e1 a preserva\u00e7\u00e3o, e quando conhecem melhor esse lugar, passam a gostar. A gente s\u00f3 preserva aquilo que a gente gosta.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o Departamento de Cultura da cidade, o som emitido nos shows do projeto \u2018Sexta \u00e0s Seis\u2019 poderiam comprometer as estruturas da Esta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 bem isso que os especialistas dizem. Ricardo Queir\u00f3z, dono de um dos pubs da cidade e influ\u00eancia no \u2018Sexta\u2019, diz que h\u00e1 um equ\u00edvoco a este respeito: \u201ctecnicamente falando, n\u00e3o influencia em nada o volume daquele som. Claro que faria sentido se estiv\u00e9ssemos falando em um volume de som no n\u00edvel Rock in Rio, por exemplo, mas n\u00e3o \u00e9\u201d, compara.<\/p>\n<p><strong>Caminhos para a preserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A falta de verba para a realiza\u00e7\u00e3o de uma grande restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 a justificativa vinda da Secretaria de Cultura para a situa\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o Saudade. Enquanto isso n\u00e3o acontece, uma possibilidade \u00e9 considerada: recursos oriundos da Lei Rouanet, que prev\u00ea isen\u00e7\u00e3o fiscal (impostos que recebe de pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas) para que estes valores sejam investidos em projetos culturais que ajudam a mudar e at\u00e9 transformar o cen\u00e1rio da comunidade.<\/p>\n<p>A Esta\u00e7\u00e3o tem chances de ser preservada por meio de projetos de valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural. Mas, por enquanto, seu brilho e valor permanecem na saudade.<\/p>\n<div>\n<div id=\"SL_button\" class=\"ImTranslatorLogo\">\u00a0Reportagem de Larissa Rosa<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Produ\u00e7\u00e3o realizada para a disciplina de Semin\u00e1rios do 3\u00ba ano do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa. \u00a0Heran\u00e7a dos \u00e1ureos anos em que serviu de chegada e sa\u00edda de estrangeiros, mercadorias e imigrantes, a Esta\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo \u2013 Rio Grande, ou \u201cEsta\u00e7\u00e3o Saudade\u201d, est\u00e1 abandonada. 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