{"id":1427,"date":"2014-12-29T19:08:58","date_gmt":"2014-12-29T19:08:58","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1427"},"modified":"2014-12-29T19:08:58","modified_gmt":"2014-12-29T19:08:58","slug":"o-lado-b-da-vida-de-musico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-lado-b-da-vida-de-musico\/","title":{"rendered":"O &#8216;lado b\u2019 da vida de m\u00fasico"},"content":{"rendered":"<p><em>Produ\u00e7\u00e3o realizada para o Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa.<\/em><\/p>\n<p>Fama, dinheiro, roupas de grife e carros importados s\u00e3o elementos presentes no imagin\u00e1rio de pessoas que ingressam no universo da m\u00fasica. Impulsionados por videoclipes hollywoodianos e shows que se assemelham a produ\u00e7\u00f5es da broadway, qualquer um que est\u00e1 inserido no meio almeja uma fatia desse bolo. No entanto, uma \u00ednfima parcela pode se dar ao luxo de viver exclusivamente do pr\u00f3prio som. Os \u2018m\u00fasicos de bares\u2019, frequentes nas noites afora, tendem a ter uma rotina bastante complexa e quase sempre tem de conciliar a rela\u00e7\u00e3o vida social, trabalho fixo e fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Como bem observou um dos grandes representantes da m\u00fasica popular brasileira, Milton Nascimento, foi em um dos bailes da vida ou em um bar que muita gente p\u00f4s o p\u00e9 na profiss\u00e3o. E em Ponta Grossa a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. O que se v\u00ea s\u00e3o diversos grupos que buscam mostrar o trabalho e se inserir no mercado.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiramente \u00e9 preciso ter responsabilidade com o p\u00fablico e com quem paga seu sal\u00e1rio\u201d, afirma Raynner Malaquias, que visando o futuro tamb\u00e9m estuda Odontologia e est\u00e1 no pen\u00faltimo per\u00edodo. O m\u00fasico &#8211; com mais de dez anos de estrada e passagens por diversas cidades do sul e sudeste do pa\u00eds &#8211; conta que para se manter no ramo \u00e9 preciso sempre renovar, mas sem fugir do estilo e prop\u00f3sito inicial.<\/p>\n<p>J\u00e1 Jo\u00e3o de Abreu, conhecido como Jo\u00e3ozinho, que toca seis vezes por semana na noite ponta-grossensse, come\u00e7ou a fazer a faculdade para ter mais seguran\u00e7a, mas n\u00e3o mudou o ramo, j\u00e1 que cursa Licenciatura em M\u00fasica. \u201cAl\u00e9m de buscar estabilidade, busco um aprimoramento dos meus conhecimentos, j\u00e1 que muita coisa sabia na pr\u00e1tica e n\u00e3o na teoria\u201d.<\/p>\n<p>A batalha para conseguir um lugar para se apresentar \u00e9 pesada. \u00c0s vezes, \u00e9 necess\u00e1rio passar noites em claro e tocar de gra\u00e7a para atrair p\u00fablico para mostrar o potencial existente. Contudo, ap\u00f3s conseguir tal feito, as dificuldades s\u00e3o outras. O trompetista Felipe Stadler \u00e9 pai de dois filhos e trabalha durante o dia, em outra atividade, para dar as melhores condi\u00e7\u00f5es \u00e0 fam\u00edlia. \u201cJ\u00e1 fiquei semanas fora de casa e n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. \u00c9 claro que no come\u00e7o as coisas s\u00e3o legais, mas uma hora bate a saudade das crian\u00e7as e da comida de casa\u201d, conta.<\/p>\n<p>Vale ressaltar tamb\u00e9m que a m\u00eddia adquire um papel importante na divulga\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o musical, pois geralmente a verba n\u00e3o \u00e9 suficiente para fazer inser\u00e7\u00f5es em r\u00e1dios, TV\u2019s ou mesmo em impressos, o que acaba fazendo com que o m\u00fasico ou banda apresente seu conte\u00fado em uma m\u00eddia h\u00edbrida e barata, no caso, a internet. Por\u00e9m, com a evolu\u00e7\u00e3o das redes sociais e o grande acesso do p\u00fablico, a internet acabou abrindo um novo espa\u00e7o de trabalho, possibilitando novas oportunidades de inser\u00e7\u00f5es e exposi\u00e7\u00f5es do conte\u00fado produzido.<\/p>\n<p>\u201cPosso dizer que mais de 90% do material que produzo e divulgo \u00e9 feito para a internet. Aquela coisa de gravar cd e gastar uma grana que a gente n\u00e3o tem acabou; at\u00e9 porque com 200 c\u00f3pias ningu\u00e9m fica famoso\u201d, brinca Jo\u00e3o de Abreu, conhecido como Jo\u00e3ozinho, que vive exclusivamente da m\u00fasica e busca na MPB e no rock uma forma de express\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Locais de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Quem frequenta os bares e casas de show da cidade sabe que os problemas s\u00e3o muitos e v\u00e3o de palcos min\u00fasculos e abafados a equipamentos de som (mesas, caixas de som, monitores, microfones e cabos) de p\u00e9ssima qualidade, passando por defici\u00eancias estruturais, ac\u00fasticas e do pr\u00f3prio layout das casas (pistas de dan\u00e7a e mesas mal posicionadas, por exemplo), al\u00e9m de falhas na seguran\u00e7a (tanto para evitar brigas como para impedir que as pessoas deixem copos e garrafas sobre o palco ou os amplificadores).<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea quer fazer um som legal \u00e9 necess\u00e1rio investir nos instrumentos e n\u00e3o confiar totalmente no que dizem os contratantes. J\u00e1 chegou ao c\u00famulo de prometerem um local com tudo e na hora o que vimos foi um palco vazio e que mal cabia a bateria\u201d, critica o guitarrista William Santos.<\/p>\n<p>A impress\u00e3o que se tem \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho dos m\u00fasicos n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia para os propriet\u00e1rios das casas que oferecem a m\u00fasica como a principal atra\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o pensam duas vezes antes de investir em reformas para ampliar a capacidade (e o faturamento), ou dar mais conforto ao p\u00fablico \u2013 mas os profissionais que atraem esse p\u00fablico n\u00e3o merecem a mesma aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de Oswaldo Antunes, que atualmente \u00e9 propriet\u00e1rio de um restaurante, mas gerenciou uma casa noturna no in\u00edcio dos anos 2000 e relata a \u00e1rdua tarefa vivida pelos m\u00fasicos. \u201cA gente n\u00e3o precisa ser hip\u00f3crita, basta dar um giro nos lugares da cidade, a preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em ganhar dinheiro e n\u00e3o dar conforto e condi\u00e7\u00f5es pra quem est\u00e1 na batalha\u201d.<\/p>\n<p><strong>E os eruditos, onde ficam?<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisa realizada pela ag\u00eancia Bundesverband Musikindustrie mostra que o mercado alem\u00e3o de m\u00fasica cl\u00e1ssica apresentou, pela primeira vez depois de tr\u00eas anos, crescimento de 6,4% nas vendas, totalizando 90 milh\u00f5es de euros. At\u00e9 ent\u00e3o, a terra que foi ber\u00e7o de Mozart e Schubert estava retra\u00edda: entre 2008 e 2012, as vendas haviam ca\u00eddo de 108 para 85 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>No Brasil, pa\u00eds do samba e da bossa nova, a \u00e1rea apresenta um d\u00e9ficit de produ\u00e7\u00e3o de discos, visto que o segmento de m\u00fasica erudita representa apenas 0,5% do mercado nacional, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Produtores de Discos (ABPD). No entanto, para o tubista su\u00ed\u00e7o erradicado no Brasil, Pierre-Yves de Cerjat, os dados refletem as caracter\u00edsticas culturais de cada pa\u00eds, e aqui, em terras tupiniquins, a vida de um \u2018m\u00fasico cl\u00e1ssico\u2019 pode ser tranquila financeiramente.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea realmente for competente &#8211; devido ao ambiente ser mais restrito &#8211; as oportunidades aparecem e n\u00e3o d\u00e1 pra reclamar nem um pouco do cach\u00ea\u201d, afirma Cerjat, que atualmente toca na Orquestra Sinf\u00f4nica de Ponta Grossa, mas j\u00e1 participou de grupos em Curitiba e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div>\n<div id=\"SL_button\" class=\"ImTranslatorLogo\">Texto de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Aline%20Czezacki%20Kravutschke\">Aline Czezacki Kravutschke<\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produ\u00e7\u00e3o realizada para o Curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa. 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