{"id":1431,"date":"2015-01-20T19:14:14","date_gmt":"2015-01-20T19:14:14","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1431"},"modified":"2015-01-20T19:14:14","modified_gmt":"2015-01-20T19:14:14","slug":"entre-palcos-e-barrancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/entre-palcos-e-barrancos\/","title":{"rendered":"Entre palcos e barrancos"},"content":{"rendered":"<p>Como uma cidade de porte m\u00e9dio, Ponta Grossa apresenta potencial n\u00e3o s\u00f3 no \u00e2mbito econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m cultural. A cada ano, a Princesa dos Campos sedia festivais musicais, liter\u00e1rios e c\u00eanicos, al\u00e9m de eventos que acontecem ao longo do ano e proporcionam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o um contato direto com a cultura local, regional e nacional.<\/p>\n<p>Com a realiza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 42 anos, do Festival Nacional de Teatro (FENATA), promovido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, as produ\u00e7\u00f5es c\u00eanicas ganham maior evid\u00eancia. Hoje, na cidade, s\u00e3o quatro cursos de teatro: Centro de Estudos Integrado, Casa de Artes Helena Kolody, Escola de Atores Cia Ele Vive e o N\u00facleo de Dramaturgia (SESI). Este \u00faltimo \u00e9 gratuito e conta com apoio da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura.<\/p>\n<p>De acordo com o assessor de comunica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura de Ponta Grossa, Eduardo Godoy, neste ano a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 oferecendo oficinas gratuitas na Esta\u00e7\u00e3o Saudade, no Jardim Santa M\u00f4nica, no Sabar\u00e1 e no Jardim Para\u00edso, como uma forma de valorizar os jovens e oferecer oportunidades de contato com a arte e a cultura. \u201cEstas a\u00e7\u00f5es fazem parte de um Plano de Descentraliza\u00e7\u00e3o da Cultura que a Funda\u00e7\u00e3o est\u00e1 levando muito a s\u00e9rio, promovendo, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es pontuais, forma\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios segmentos nos bairros da cidade, tudo de gra\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Os cursos d\u00e3o origem a grupos como Letras C\u00eanicas, Asterisco C\u00eanico, Grupo Teatral Unidev, Grupo Par Seria, da Casa de Artes Helena Kolody, do CECI, Grupo A\u00e7\u00e3o Teatro, Cia de Teatro Ele Vive, Neusa Soares, A Corte Seco e o Grupo Ep\u00edteto. Como forma de incentivo \u00e0s produ\u00e7\u00f5es desses grupos, a Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura promove o Pr\u00eamio para Circula\u00e7\u00e3o e Realiza\u00e7\u00e3o de Temporada de Espet\u00e1culo Teatral e o Pr\u00eamio para Montagem Teatral.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o uma forma de incentivar a produ\u00e7\u00e3o teatral de grupos j\u00e1 consolidados. S\u00e3o realizados por meio de editais, em que s\u00e3o avaliados v\u00e1rios aspectos, como qualidade t\u00e9cnica, experi\u00eancia, proposta, relev\u00e2ncia social, entre outros\u201d, explica Godoy. Para o coordenador da Casa de Artes Helena Kolody, Emerson Rechenberg, \u00e9 uma iniciativa v\u00e1lida, pois prev\u00ea um n\u00famero m\u00ednimo de apresenta\u00e7\u00f5es em uma cidade onde a produ\u00e7\u00e3o local ainda \u00e9 esparsa.<\/p>\n<p><strong>Incentivos fiscais<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es promovidas pela gest\u00e3o municipal, Ponta Grossa tamb\u00e9m \u00e9 contemplada pela Lei de Incentivo \u00e0 Cultura &#8211; Lei Rouanet, do governo federal. De acordo com o assessor de comunica\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o, existem v\u00e1rios projetos aprovados pela lei e cerca de R$ 2 milh\u00f5es de reais destinados \u00e0s atividades de 2014 e 2015.<\/p>\n<p>Hoje, na cidade, existe tamb\u00e9m a Lei Bepe funcionando paralelamente \u00e0 Lei Rouanet, que cede at\u00e9 5% de incentivos fiscais a empresas que financiem projetos culturais ponta-grossenses. \u201cA grande batalha \u00e9 sempre para que os empres\u00e1rios se conscientizem que podem colaborar com a cultura na cidade apenas repassando o que seria pago de Imposto de Renda para estes projetos\u201d, afirma Godoy.<\/p>\n<p>Segundo Emerson Rechenberg, essas leis levantam uma quest\u00e3o emblem\u00e1tica, por serem leis de ren\u00fancia e n\u00e3o de incentivo. \u201cSendo assim, pouco importa a qualidade do produto e sim a quantidade de p\u00fablico que esse produto levar\u00e1 ao evento\u201d. O coordenador da Casa de Artes ainda afirma que, hoje, a busca por incentivo est\u00e1 mais ligada \u00e0 possibilidade de grupos aut\u00f4nomos viabilizarem seus trabalhos sem a necessidade de apoio institucional. \u201cAssim, ao Poder P\u00fablico, em qualquer inst\u00e2ncia, cabe apenas facilitar o acesso aos aparelhos culturais, e se poss\u00edvel, n\u00e3o atrapalhar a produ\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta Rechenberg.<\/p>\n<p><strong>Dos palcos ao p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com a diretora do Centro de Estudos C\u00eanicos Integrado (CECI), Heloisa Frehse Pereira, o CECI \u00e9 a primeira escola de teatro particular dos Campos Gerais, e \u00e9 uma empresa que se mant\u00e9m com os pr\u00f3prios recursos. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma empresa que visa lucro, \u00e9 uma empresa que visa a arte\u201d. \u00a0Por\u00e9m, ela garante que investimentos p\u00fablicos seguidos de comprometimento s\u00e3o bem vindos. Segundo Heloisa, a escola surgiu de uma necessidade pr\u00f3pria de contribuir com o teatro em Ponta Grossa. Hoje, ela tem 60 alunos e realiza apresenta\u00e7\u00f5es como a Mostra Ceci em Cena.<\/p>\n<p>Para a aluna da Casa de Artes, Karina Chichanoski, ainda s\u00e3o poucos os incentivos \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o teatral na cidade. \u201cHoje na cidade devemos ter no m\u00ednimo cinco apresenta\u00e7\u00f5es por ai. Espa\u00e7os? Bem raros\u201d, observa Karina. Outro problema apontado \u00e9 o valor de espa\u00e7os para apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo a enfermeira Sandra Leite, que costuma frequentar pe\u00e7as teatrais sempre que pode, existe um bom n\u00famero de produ\u00e7\u00f5es, mas ainda deveria haver mais. Sandra classifica as pe\u00e7as teatrais como \u201cmuito boas\u201d e acredita que existe incentivo a esse tipo de arte na cidade.<\/p>\n<p>Atualmente, em Ponta Grossa, existem alguns espa\u00e7os de express\u00e3o art\u00edstica, como os teatros (Cine-Teatro \u00d3pera, Marista e Pax), al\u00e9m do Centro de Cultura e outros espa\u00e7os alternativos. Rechenberg acredita que, para os grupos, \u00e9 o suficiente para abrigar produ\u00e7\u00f5es locais e eventos maiores e observa que na maior parte do tempo esses espa\u00e7os ficam subutilizados. \u201cQuanto ao Fenata, com o porte da ren\u00fancia fiscal e a distribui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de ingressos, tem-se a ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e estrutura necess\u00e1ria para os grupos que dele participam\u201d, declara o artista.<\/p>\n<p>Anualmente, Ponta Grossa torna-se a sede do Festival Nacional de Teatro, que re\u00fane produ\u00e7\u00f5es de todas as regi\u00f5es do Brasil. Para o assessor da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura, o evento tem import\u00e2ncia para a cidade em mais de um setor, como social e econ\u00f4mico. \u201cE na parte cultural, \u00e9 considerado um dos maiores eventos do ano, com uma ampla oferta de espet\u00e1culos nas mais diversas linguagens, como infantil, adulto, de rua e de bonecos, debatendo importantes temas\u201d, afirma Godoy.<\/p>\n<p>Entretanto, para o coordenador da Casa de Artes Helena Kolody, Emerson Rechenberg, as pessoas creditam maior valor ao festival por ser um evento social. \u201cNa vida cultural n\u00e3o vejo muita influ\u00eancia, pois o n\u00edvel cai a cada ano. O mote tem sido apenas num\u00e9rico\u201d, declara Rechenberg.<\/p>\n<p>\u201cAcho que pela propor\u00e7\u00e3o do festival, a influ\u00eancia que tem na cidade poderia ser muito maior\u201d, afirma Karina. A aluna de dramaturgia v\u00ea a necessidade da implanta\u00e7\u00e3o de outras pol\u00edticas que contemplem essa arte.<\/p>\n<p>Quanto ao n\u00edvel \u2013 tanto quantitativo quanto qualitativo \u2013 das produ\u00e7\u00f5es teatrais em Ponta Grossa, Eduardo Godoy acredita que existe um longo caminho a ser percorrido, mas os avan\u00e7os s\u00e3o vis\u00edveis a partir das a\u00e7\u00f5es promovidas em prol dessa arte na cidade. J\u00e1 Rechenberg acredita que os p\u00fablicos s\u00e3o formados a partir da presen\u00e7a constante das pe\u00e7as teatrais como op\u00e7\u00e3o na agenda das pessoas. \u201cJ\u00e1 quanto \u00e0 qualidade, acho que estamos numa fase embrion\u00e1ria. Teatro de qualidade demanda tempo, estudo, dedica\u00e7\u00e3o, recursos de produ\u00e7\u00e3o, p\u00fablico e paci\u00eancia. Imagino que est\u00e3o sendo dados os primeiros passos, mas ainda h\u00e1 muito o que fazer\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Giovana%20Kai\">Giovana Kai<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como uma cidade de porte m\u00e9dio, Ponta Grossa apresenta potencial n\u00e3o s\u00f3 no \u00e2mbito econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m cultural. A cada ano, a Princesa dos Campos sedia festivais musicais, liter\u00e1rios e c\u00eanicos, al\u00e9m de eventos que acontecem ao longo do ano e proporcionam \u00e0 popula\u00e7\u00e3o um contato direto com a cultura local, regional e nacional. 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