{"id":1435,"date":"2015-01-14T19:21:58","date_gmt":"2015-01-14T19:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1435"},"modified":"2015-01-14T19:21:58","modified_gmt":"2015-01-14T19:21:58","slug":"muito-mais-que-um-esporte-o-turfe-e-uma-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/muito-mais-que-um-esporte-o-turfe-e-uma-paixao\/","title":{"rendered":"Muito mais que um esporte, o Turfe \u00e9 uma paix\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>De longe se ouve uma voz grave que impera sobre as demais e insiste em dizer, pausadamente: \u201calgu\u00e9m mais, algu\u00e9m mais. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe tr\u00eas&#8230;\u201d. Ao se aproximar, \u00e9 poss\u00edvel perceber pessoas de todas as classes sociais e tamb\u00e9m o predom\u00ednio de pessoas acima dos quarenta anos. Enquanto o homem de voz aveludada faz o show, alguns espectadores conversam, discutem e analisam poss\u00edveis propostas ao sujeito em destaque no palco.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o clima de uma tarde de apostas para as corridas no Jockey Club Pontagrossense. Fundado no final s\u00e9culo XIX, o Jockey Club Pontagrossense \u00e9 o segundo mais antigo do Brasil e \u00e9 o \u00fanico do interior do pa\u00eds que possui duas pistas diferentes: uma de areia e outra de grama. Um dos idealizadores foi Augusto Ribas, do antigo Prado de Corridas, que deu origem ao que \u00e9 hoje o Hip\u00f3dromo de Uvaranas.<\/p>\n<p>O admirador e apostador Valter Assis, \u2018o Barba\u2019, como \u00e9 conhecido no local, relembra epis\u00f3dios marcantes que aconteceram no Hip\u00f3dromo de Uvaranas: \u201cEu frequento o Jockey Club desde os anos 60. Na \u00e9poca tinha corrida todo s\u00e1bado aqui. Lembro uma vez em um Grande Pr\u00eamio, nos anos de 1970, faltavam 150 metros para o fim e o cavalo, que liderava a corrida, trope\u00e7ou, caiu e a\u00ed, o animal que vinha atr\u00e1s iria bater nele, quando o j\u00f3quei do cavalo que vinha atr\u00e1s montou naquele que estava levantando e chegou no disco (linha de chegada) montado no animal que havia trope\u00e7ado\u201d, conta Valter.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em 2009, o Hip\u00f3dromo foi fechado em raz\u00e3o de uma ordem judicial, determinado pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, que obrigou que fossem realizadas reformas e adequa\u00e7\u00f5es ao C\u00f3digo Nacional de Corridas nas instala\u00e7\u00f5es do Jockey Club. No dia 21 de abril de 2012, ap\u00f3s cumprir as exig\u00eancias, o hip\u00f3dromo foi reativado.<\/p>\n<p>Mas, mesmo com a ativa\u00e7\u00e3o e regulariza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, as corridas se tornaram menos frequentes em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior \u00e0 \u2018pausa\u2019. Hoje, as apresenta\u00e7\u00f5es acontecem uma vez a cada m\u00eas. No m\u00eas de agosto desse ano, houve a classificat\u00f3ria para o Grande Pr\u00eamio Ponta Grossa, que ocorreu no dia 14 de setembro.<\/p>\n<p>No dia 16 de agosto, o tempo estava nublado e algumas gotas ca\u00edram sobre o solo do Jockey Club e por isso todas as corridas foram realizadas na pista de areia, pois na pista de grama os cavalos poderiam se machucar e, assim, comprometer o espet\u00e1culo. Entretanto, no dia 14 de setembro, quando ocorreu a disputa do Grande Pr\u00eamio de Ponta Grossa, o sol brilhou sob o c\u00e9u da cidade princesina e as corridas previstas para acontecerem na pista de grama foram cumpridas.<\/p>\n<p><strong>Sistema de apostas \u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Homens e mulheres, de diferentes ra\u00e7as e idades, lotam as arquibancadas e a grade &#8211; que separa a pista do p\u00fablico &#8211; para ver dois minutos emocionantes de corrida. Ao fim de cada espet\u00e1culo, como um ritual, as pessoas se dirigem \u00e0s casas de apostas do Hip\u00f3dromo.<\/p>\n<p>Irene Dobs conta como surgiu o gosto pelo esporte: \u201cEu aposto aqui h\u00e1 mais ou menos uns trinta anos, desde que eu conheci meu marido a gente vem prestigiar. N\u00f3s (fam\u00edlia) gostamos muito desses animais. J\u00e1 fomos a Curitiba, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e estamos sempre aqui (Hip\u00f3dromo de Uvaranas) contribuindo com a nossa cidade\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ela brinca ao contar a experi\u00eancia nas apostas. \u201cN\u00f3s deixamos muito mais do que levamos. N\u00f3s at\u00e9 brincamos em casa, que a cada Jockey Club devemos deixar uma coroa de flores, com a frase: \u2018jaz meu dinheiro\u2019. Porque n\u00f3s temos amor pelo animal, n\u00e3o que ele te traga lucro. \u00c0s vezes adquirimos um cavalo de grande porte e ele te decepciona, de repente adquirimos um animal com porte menor e ele te d\u00e1 muita alegria. Ent\u00e3o, algumas vezes voc\u00ea chora com o animal e, em outras, voc\u00ea ri com ele\u201d, conta a apostadora.<\/p>\n<p>As apostas s\u00e3o controladas pela organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. Existem dois estilos de apostas, como explica o assessor de imprensa do Jockey Club, Luis Mel\u00e3o. \u201cExistem dois tipos\u00a0apostas: a de arremate e a normal. A aposta de arremate funciona da seguinte maneira: s\u00e3o v\u00e1rias rodadas com v\u00e1rios animais, cada rodada vai apostando. \u00c9 tipo um leil\u00e3o. O ganhador recebe o valor total da rodada, menos uma comiss\u00e3o de mais ou menos 30%, que fica para o Hip\u00f3dromo. L\u00e1 na Casa Pul\u00ea, os jogos s\u00e3o menores: 50 reais, 30 reais e assim vai\u201d, afirma o assessor do Hip\u00f3dromo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, na Casa Pul\u00ea h\u00e1 pessoas que vendem churros, pipocas, algod\u00e3o doce, refrigerantes, brinquedos, ou seja, uma infinidade de produtos a fim de conseguir lucro a partir do evento.<\/p>\n<p><strong>A dificuldade dos montadores<\/strong><\/p>\n<p>Os j\u00f3queis, como s\u00e3o conhecidos os profissionais que montam em cavalos durante as corridas, com aproximadamente 60 quilos, conduzem animais dez vezes mais pesados em rela\u00e7\u00e3o ao seu peso, a uma velocidade m\u00e9dia de 60 Km\/h. Para isso, eles usam equipamentos que garantem seguran\u00e7a, al\u00e9m de um traje espec\u00edfico para a montaria.<\/p>\n<p>O segundo colocado do segundo p\u00e1reo, Rafael Cardoso de Ara\u00fajo, conta sobre a experi\u00eancia adquirida na montaria. \u201cTenho 21 anos e faz uns quatro que eu monto. E n\u00e3o me imagino fazendo outra coisa que n\u00e3o seja a montaria. Al\u00e9m do Hip\u00f3dromo de Ponta Grossa, j\u00e1 corri no de S\u00e3o Paulo e de Curitiba. E a maior dificuldade para um j\u00f3quei \u00e9 o peso do cavalo. Dependendo do local, as raias podem atrapalhar, mas aqui em Ponta Grossa elas s\u00e3o boas para a corrida. O que mais move o j\u00f3quei a correr \u00e9 a paix\u00e3o pelo esporte, mesmo\u201d, relata o j\u00f3quei.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Julian%20Vieira\">Julian Vieira<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De longe se ouve uma voz grave que impera sobre as demais e insiste em dizer, pausadamente: \u201calgu\u00e9m mais, algu\u00e9m mais. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe tr\u00eas&#8230;\u201d. Ao se aproximar, \u00e9 poss\u00edvel perceber pessoas de todas as classes sociais e tamb\u00e9m o predom\u00ednio de pessoas acima dos quarenta anos. 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