{"id":1524,"date":"2015-02-04T00:09:29","date_gmt":"2015-02-04T00:09:29","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1524"},"modified":"2015-02-04T00:09:29","modified_gmt":"2015-02-04T00:09:29","slug":"as-dificuldades-da-cultura-independente-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/as-dificuldades-da-cultura-independente-no-brasil\/","title":{"rendered":"As dificuldades da cultura independente no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Poesia, m\u00fasica, grafite, cinema, teatro. Essas deveriam ser palavras comuns e presentes no dia a dia dos cidad\u00e3os brasileiros. No entanto, sabe-se das dificuldades em encontrar e poder desfrutar de tais atividades nas mais variadas cidades do pa\u00eds. Produ\u00e7\u00f5es culturais n\u00e3o faltam, mas os obst\u00e1culos para consolida\u00e7\u00e3o dos artistas independentes e divulga\u00e7\u00e3o para o p\u00fablico revelam um trabalho \u00e1rduo que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 recompensado.<\/p>\n<p><strong>Editais de apoio<\/strong><\/p>\n<p>A pr\u00e1tica de utiliza\u00e7\u00e3o dos editais para apoio \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 recente e n\u00e3o chega h\u00e1 duas d\u00e9cadas. As leis de incentivo \u00e0 cultura surgiram em atendimento a reivindica\u00e7\u00f5es da categoria art\u00edstica, que exigia que os governos criassem mecanismos capazes de proporcionar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural o \u2018andar com suas pr\u00f3prias pernas\u2019, sem depender diretamente dos organismos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Segundo dados divulgados pelo Minist\u00e9rio da Cultura em 2010, em publica\u00e7\u00e3o intitulada \u201cCultura em n\u00fameros\u201d, de um total de 392 projetos publicados durante o ano pelo Minist\u00e9rio, 86 foram voltados \u00e0 Regi\u00e3o Sul, enquanto apenas 27 foram direcionados \u00e0 regi\u00e3o Centro-Oeste.<\/p>\n<p>De acordo com o poeta e ator Maur\u00edcio Nadal, o ganho proporcionado pelos editais faz parte de uma s\u00e9rie de lutas da categoria. \u201cTenho certeza que se n\u00e3o fosse a batalha dos artistas que est\u00e3o todos os dias na luta pra fazer o que amam e levar um pouco de sua arte n\u00e3o ter\u00edamos esses avan\u00e7os no ponto de vista da capta\u00e7\u00e3o de recursos via edital\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Entretanto, o poeta Jorge Amancio, que \u00e9 f\u00edsico de forma\u00e7\u00e3o e j\u00e1 lan\u00e7ou tr\u00eas livros com poesias autorais, \u00e9 um exemplo de como os editais podem afastar mais do que incluir o artista no circuito de investimento em cultura. \u201cSou pr\u00e1tico e os editais exigem muita burocracia, o que acaba desanimando. Tirei do bolso o investimento para minhas publica\u00e7\u00f5es\u201d, explica.<\/p>\n<p>Para a coordenadora de difus\u00e3o cultural da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes (FUNARTE) em Bras\u00edlia, D\u00e9bora Aquino, o que afasta as pol\u00edticas dos artistas \u00e9 o interesse e a capacita\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o a falta de investimento e abertura. \u201cMuitos n\u00e3o investem em pol\u00edticas p\u00fablicas porque querem apenas os holofotes, n\u00e3o se capacitam para gestar a pr\u00f3pria carreira\u201d, critica.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o cantor, compositor e produtor Henrique Silva, o problema das pol\u00edticas culturais \u00e9 gerar uma depend\u00eancia entre governo e artista. \u201cAtualmente, as pol\u00edticas fazem o artista depender do dinheiro p\u00fablico, e n\u00e3o fomentam que ele cres\u00e7a e se desenvolva sozinho\u201d. O produtor ainda completa que isso favorece grupos mais organizados, em detrimento de outros que n\u00e3o tem um empresariado. \u201cUm exemplo disso \u00e9 que, em todos os grandes eventos do Distrito Federal, os grupos de m\u00fasica gospel tem palco, enquanto os outros grupos culturais n\u00e3o tem\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas P\u00fablicas<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto importante diz respeito \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre cultura e direitos humanos, bem como de seu papel na luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o quest\u00f5es que o Brasil enfrenta. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (UNESCO), a integra\u00e7\u00e3o da cultura com as demais pol\u00edticas sociais \u00e9 uma experi\u00eancia recente que necessita ser aperfei\u00e7oada. Precisa-se reconhecer os direitos culturais como necessidade b\u00e1sica e direito dos cidad\u00e3os, o que conduz \u00e0 busca de uma agenda integrada com as pol\u00edticas sociais e de desenvolvimento.<\/p>\n<p>Entre as desigualdades no acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural est\u00e3o o fato de que a minoria dos brasileiros frequenta o cinema uma vez ao ano, enquanto mais de 70% dos brasileiros nunca assistiram a um espet\u00e1culo de dan\u00e7a, embora muitos saiam para dan\u00e7ar. Grande parte dos munic\u00edpios n\u00e3o possui salas de cinema, teatro, museus e espa\u00e7os culturais multiuso e metade da popula\u00e7\u00e3o ocupada na \u00e1rea de cultura n\u00e3o tem carteira assinada ou trabalha por conta pr\u00f3pria. Os dados s\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (IEPA).<\/p>\n<p>\u201cA focaliza\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas culturais nos n\u00edveis estaduais e municipais pode favorecer a supera\u00e7\u00e3o desse quadro e refor\u00e7ar a diversidade cultural como fator da sustentabilidade do desenvolvimento\u201d, comenta D\u00e9bora Aquino, coordenadora de difus\u00e3o cultural da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes (FUNARTE) em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Entretanto, o artista Henrique Silva defende que essa integra\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de acontecer. \u201cPrincipalmente no Distrito Federal, as artes n\u00e3o se conversam. A cultura de um bairro n\u00e3o chega ao outro. As pol\u00edticas n\u00e3o favorecem esta integra\u00e7\u00e3o\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><strong>\u201cTemos Palco\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Um sarau organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Artes (FUNARTE) durante o ano de 2014 foi um exemplo de pol\u00edtica inclusiva de artistas da regi\u00e3o do Distrito Federal. A proposta do coletivo \u201cTemos Palco\u201d foi dar espa\u00e7o e equipamentos para quem n\u00e3o tem espa\u00e7o nem chance de se apresentar em um teatro. O diretor art\u00edstico do evento, Henrique Silva, que tamb\u00e9m \u00e9 cantor, compositor e produtor, comemora a iniciativa, por ser um espa\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o e oportunidade. \u201cConseguimos unir culturas afro, grupos teatrais, duplas sertanejas, de diversos locais do Distrito Federal, no mesmo espa\u00e7o. Isso \u00e9 uma vit\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>A diretora executiva do coletivo \u201cTemos Palco\u201d, Dayane Timoteo, comenta que muitos desses artistas se apropriam das a\u00e7\u00f5es culturais como um incentivo para continuarem a desenvolver a\u00e7\u00f5es culturais. \u201cTemos gente da periferia que jamais imaginou estar em um teatro. Queremos que essa oportunidade s\u00f3 aumente o desejo de continuar desenvolvendo e promovendo a\u00e7\u00f5es culturais\u201d.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Aline%20Czezacki\">Aline Czezacki<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poesia, m\u00fasica, grafite, cinema, teatro. Essas deveriam ser palavras comuns e presentes no dia a dia dos cidad\u00e3os brasileiros. No entanto, sabe-se das dificuldades em encontrar e poder desfrutar de tais atividades nas mais variadas cidades do pa\u00eds. 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