{"id":1532,"date":"2015-01-23T00:57:33","date_gmt":"2015-01-23T00:57:33","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1532"},"modified":"2015-01-23T00:57:33","modified_gmt":"2015-01-23T00:57:33","slug":"a-epoca-dos-cinemas-de-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-epoca-dos-cinemas-de-rua\/","title":{"rendered":"A \u00e9poca dos cinemas de rua"},"content":{"rendered":"<p>Atualmente, \u00e9 comum frequentar os cinemas dos shoppings centers. Antigamente, os cinemas eram grandes edifica\u00e7\u00f5es localizadas nas ruas e se tornaram os principais lugares de consumo de cultura e ponto de encontro.<\/p>\n<p>Dois fatores podem ser apontados como explica\u00e7\u00e3o para essa migra\u00e7\u00e3o dos cinemas das ruas para os shoppings. Um deles \u00e9 a facilidade e seguran\u00e7a para os donos dos estabelecimentos, que puderam conciliar seu neg\u00f3cio com outro tipo de loja, e o segundo fator \u00e9 o grande p\u00fablico dos shoppings que atrai os donos de cinemas.<\/p>\n<p>Quem viveu na \u00e9poca dos cinemas de rua lamenta essa centraliza\u00e7\u00e3o. Sebasti\u00e3o Ferreira, aposentado, conta que frequentava cinemas de rua desde pequeno at\u00e9 a desativa\u00e7\u00e3o nos anos 1990 e que n\u00e3o tem mais o mesmo interesse em sair para assistir filmes. \u201cAntigamente o nosso passeio era ir ao cinema, agora tem que ir at\u00e9 o shopping, pagar estacionamento, enfrentar fila para tudo. Gente idosa n\u00e3o gosta de tumulto\u201d.<\/p>\n<p>Sebasti\u00e3o diz que a demoli\u00e7\u00e3o do Cine Imp\u00e9rio foi um dos maiores descasos com o patrim\u00f4nio cultural da cidade: \u201cUm lugar t\u00e3o bonito e com tantas hist\u00f3rias n\u00e3o podia ter sido abandonado dessa forma, se tivesse sido cuidado, tamb\u00e9m estaria fazendo parte da hist\u00f3ria dos jovens da cidade\u201d.<\/p>\n<p>Valter Ramos, vendedor, tamb\u00e9m frequentou o Imp\u00e9rio durante sua adolesc\u00eancia e conta que o cinema teve grande import\u00e2ncia na sua vida. \u201cFoi l\u00e1 que tomei gosto pelos filmes, uma das minhas maiores paix\u00f5es\u201d, relata. Ramos diz que, quando viaja para cidades que ainda t\u00eam cinema de rua, n\u00e3o deixa de visitar: \u201cQuando vou a S\u00e3o Paulo sempre vou a um cinema de rua no centro da cidade. Os pr\u00e9dios bonitos tem uma magia, no shopping n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa, n\u00e3o tem a mesma gra\u00e7a\u201d, compara.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ambos lamentarem a demoli\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio, tamb\u00e9m lembram dos outros dois cinemas de rua antigos que n\u00e3o exibem mais filmes, o Cine Teatro \u00d3pera e o Inaj\u00e1. \u201cEu ainda espero que seja inaugurado algum cinema de rua aqui em Ponta Grossa, tenho certeza que vai fazer sucesso, principalmente entre os jovens\u201d, diz Sebasti\u00e3o Ferreira.<\/p>\n<p><strong>\u201cS\u00f3 conhe\u00e7o cinema de shopping\u201d<\/strong><\/p>\n<p>No lado oposto da gera\u00e7\u00e3o que se apaixonou por cinema frequentando os estabelecimentos nas ruas, como o antigo Cine Imp\u00e9rio, recentemente demolido na cidade de Ponta Grossa, existe aquela gera\u00e7\u00e3o que assistiu ao primeiro filme na telona dentro de um shopping. Muitos dessa gera\u00e7\u00e3o desconhecem os cinemas de rua.<\/p>\n<p>Quem nasceu nos anos 1990 foi acostumado desde cedo a ir ao shopping para assistir filmes no cinema. Andrea da Silva, estudante, relata que foi pela primeira vez ao cinema dentro de um shopping em Curitiba, e que s\u00f3 descobriu os cinemas de rua quando estava em uma viagem. \u201cFui ao Rio de Janeiro e vi os cinemas no centro. S\u00e3o bonitos, mas pra mim cinema \u00e9 tudo igual, o que importa \u00e9 a qualidade da sala e do filme\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo sendo moradora de Ponta Grossa, Andrea conta que n\u00e3o sentiu o pesar que os demais moradores relataram. \u201cEra um pr\u00e9dio condenado, \u00e9 melhor que seja demolido. Melhor ainda se algo cultural for constru\u00eddo no local\u201d.<\/p>\n<p>Luiz Machado, tamb\u00e9m estudante, se diz apaixonado por cinema e, al\u00e9m de filmes, admira tamb\u00e9m os locais onde s\u00e3o exibidos: \u201cQuanto mais o lugar tem aquela arquitetura que lembra um teatro, mais a gente se sente envolvido e interessado pelo filme. Acho que \u00e9 o conjunto que deixa as coisas interessantes\u201d.<\/p>\n<p><strong>A Queda do Imp\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Inaugurado em 1939, o Cine Imp\u00e9rio foi ponto de encontro de moradores de Ponta Grossa por pelo menos cinco d\u00e9cadas. O pr\u00e9dio foi derrubado recentemente, depois de ter sua demoli\u00e7\u00e3o decretada no final de 2012. Ele estava tombado, por\u00e9m algumas lojas ainda funcionavam na parte inferior.<\/p>\n<p>O pr\u00e9dio estava sem manuten\u00e7\u00e3o ou restaura\u00e7\u00f5es. A Prefeitura afirma que a responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio era totalmente do propriet\u00e1rio, assim como a finalidade do espa\u00e7o ap\u00f3s o termino dos trabalhos de demoli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de toda a carga emocional que o antigo pr\u00e9dio tinha para a cidade de Ponta Grossa, ainda carregava parte da hist\u00f3ria, literalmente. Durante a limpeza dos escombros, foi encontrado um livro que conta a hist\u00f3ria de Ponta Grossa. O livro n\u00e3o tinha outro exemplar e surpreendeu trabalhadores e os demais moradores da cidade.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Lorraine%20Almeida\">Lorraine Almeida<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente, \u00e9 comum frequentar os cinemas dos shoppings centers. Antigamente, os cinemas eram grandes edifica\u00e7\u00f5es localizadas nas ruas e se tornaram os principais lugares de consumo de cultura e ponto de encontro. Dois fatores podem ser apontados como explica\u00e7\u00e3o para essa migra\u00e7\u00e3o dos cinemas das ruas para os shoppings. Um deles \u00e9 a facilidade e&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":524,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[16],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1532"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/524"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1532\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}