{"id":1544,"date":"2015-02-16T13:15:10","date_gmt":"2015-02-16T13:15:10","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1544"},"modified":"2015-02-16T13:15:10","modified_gmt":"2015-02-16T13:15:10","slug":"um-carisma-diferente-em-cada-porta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/um-carisma-diferente-em-cada-porta\/","title":{"rendered":"Um carisma diferente em cada porta"},"content":{"rendered":"<p>Na cabe\u00e7a, um v\u00e9u preto. No corpo, um h\u00e1bito branco que a cobre. \u00c9 assim que nove mulheres se vestem. L\u00e1 na curva da estrada, onde um mosteiro cruza com um cemit\u00e9rio-parque, vivem nove monjas enclausuradas. Atr\u00e1s de uma grade branca e de uma cortininha que, aos poucos, a irm\u00e3 Maria Leoni de S\u00e3o Jos\u00e9 arrasta, a rotina do Mosteiro Portaceli toma forma. Um dia comum, de tr\u00e2nsito barulhento, barulho dos vizinhos e filas nas lot\u00e9ricas, as irm\u00e3s ir\u00e3o viver sob ora\u00e7\u00e3o e momentos de sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Quando Ponta Grossa ainda repousa, as irm\u00e3s acordam. S\u00e3o 4 e meia da manh\u00e3. Logo cedo, ap\u00f3s o caf\u00e9, tem a celebra\u00e7\u00e3o da missa e, at\u00e9 as 8 e meia, s\u00e3o apenas momentos de ora\u00e7\u00e3o. O restante do dia ser\u00e1 intercalado entre os afazeres dom\u00e9sticos, ora\u00e7\u00f5es, espa\u00e7os para recrea\u00e7\u00e3o e sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Se o tempo \u00e9 dividido, as tarefas de casa tamb\u00e9m. Lavagem de roupa, costura, limpeza e at\u00e9 mesmo a prepara\u00e7\u00e3o das h\u00f3stias fica a encargo das monjas. \u201cA gente costurava at\u00e9 roupas de igreja, esses joguinhos de jantar, tudo. Mas agora temos feito pouco, porque h\u00e1 poucas irm\u00e3s e t\u00eam duas doentes para cuidar\u201d, relata a madre superiora do mosteiro, irm\u00e3 Leoni. A monja mais velha tem 92 anos. Mas, conforme garante a irm\u00e3 Leoni, \u00e9 quem tem mais sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ali a madre superiora chegou quando tinha 25 anos. De l\u00e1 para c\u00e1, foi aprendendo a conviver com a rotina de ora\u00e7\u00f5es e sil\u00eancio que, conforme garante, n\u00e3o \u00e9 \u201ct\u00e3o dif\u00edcil assim\u201d. \u201cS\u00f3 que a gente tem mais tempo de ora\u00e7\u00e3o, tem que renunciar um pouco dessas coisas do mundo. Ent\u00e3o, nem todas se acostumam por causa disso. Mas n\u00e3o \u00e9 assim uma coisa do outro mundo como os outros pensam\u201d, conta.<\/p>\n<p>Engana-se quem imagina que, para viver a clausura, a pessoa precisa ser \u201cfechada\u201d. Brilho nos olhos e riso n\u00e3o faltam durante a entrevista da irm\u00e3 Leoni. \u201c\u00c0s vezes precisa ser uma pessoa bem expansiva porque da\u00ed tem a sua expans\u00e3o pr\u00f3pria e n\u00e3o acha muita dificuldade. Agora, se a pessoa j\u00e1 \u00e9 fechada em si e entra num lugar que n\u00e3o tem muita comunica\u00e7\u00e3o, come\u00e7a a se abater\u201d, relata.<\/p>\n<p>Durante os per\u00edodos de recrea\u00e7\u00e3o, irm\u00e3 Leoni e as outras monjas procuram gastar o tempo com di\u00e1logo entre elas. Barulho de r\u00e1dio ou TV, somente o que vem da rua. Naquela esquina, a TV s\u00f3 \u00e9 ligada em momentos bem espec\u00edficos, como a visita de um papa ao Brasil, por exemplo. E dali as irm\u00e3s s\u00f3 saem para visitar um m\u00e9dico ou dentista, votar e assinar algum documento. N\u00e3o d\u00e1 para sair por qualquer motivo. \u00c9 que essas monjas concepcionistas, que cultuam de um modo especial a Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, vivem sob a clausura papal, uma restrita norma de recolhimento orientada para a vida contemplativa.<\/p>\n<p>No mosteiro Portaceli as monjas mant\u00eam viva a tradi\u00e7\u00e3o das p\u00edlulas do Santo Frei Galv\u00e3o. \u00c9 uma ora\u00e7\u00e3o impressa no arroz, embrulhada no formato de rolo e que vira uma esp\u00e9cie de rem\u00e9dio. Mas a irm\u00e3 Leoni j\u00e1 alerta: n\u00e3o \u00e9 rem\u00e9dio, e sim uma ora\u00e7\u00e3o em forma de rem\u00e9dio. \u201cEnt\u00e3o as pessoas tomam mais por devo\u00e7\u00e3o, rezam as ora\u00e7\u00f5ezinhas e alcan\u00e7am gra\u00e7as, \u00e0s vezes bem grandes\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Em 2015, o mosteiro Portaceli completa 50 anos. Benfeitores que ajudam na sustenta\u00e7\u00e3o da comunidade, conforme informa a madre, n\u00e3o faltam. S\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 voca\u00e7\u00f5es. A \u00faltima candidata entrou h\u00e1 aproximadamente cinco anos, mas n\u00e3o perseverou. \u201cIsso fica um pouco dif\u00edcil, porque a gente precisa de mais pessoal por causa de muitas horas de ora\u00e7\u00e3o. Tem que revezar. E n\u00e3o temos o pessoal suficiente\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><strong>Um lugar de sil\u00eancio e paz de esp\u00edrito<\/strong><\/p>\n<p>A caminho da sa\u00edda da cidade, uma estradinha de terra, com algumas casas no trajeto, leva a um lugar buc\u00f3lico. Antes de chegar, passa-se perto de um cemit\u00e9rio. Os mais desavisados podem at\u00e9 pensar que \u00e9 um mau agouro. Mas n\u00e3o, logo adiante avista-se uma fresta por entres as \u00e1rvores e, na entrada, uma imagem de S\u00e3o Bento. O lugar fica no meio do bosque, onde os homens procuram um contato maior com a natureza e os animais. Preserva-se o sil\u00eancio e busca-se um desapego das coisas materiais. Trata-se do Mosteiro da Ressurrei\u00e7\u00e3o, distante 18 km do centro da cidade.<\/p>\n<p>Assim como as monjas, o dia de um monge tem in\u00edcio a partir das 4 da manh\u00e3. \u00c0s 4:20 h\u00e1 a primeira ora\u00e7\u00e3o, chamada de<em>\u00a0vig\u00edlias.<\/em>\u00a0Em seguida, vem o caf\u00e9 da manh\u00e3; outra ora\u00e7\u00e3o denominada\u00a0<em>lectio divina<\/em>, que \u00e9 a leitura da Sagrada Escritura. Depois disso, \u00e0s 6:15, \u00e9 a vez da ora\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>laudes,\u00a0<\/em>junto com a missa. Ao todo, ser\u00e3o aproximadamente sete momentos, por dia, de ora\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s o \u00faltimo momento de busca aos c\u00e9us, chamado de ora\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>completas<\/em>, por volta das 19:20, os monges entram em sil\u00eancio. Conversas s\u00f3 ser\u00e3o trocadas no dia seguinte, \u00e0s 6:15, com as\u00a0<em>laudes\u00a0<\/em>novamente<em>.<\/em><\/p>\n<p>No Mosteiro da Ressurrei\u00e7\u00e3o vivem 25 monges e mais seis candidatos que optaram por uma forma de vida distante do burburinho urbano. Conforme a regra elaborada por S\u00e3o Bento, fundador da Ordem dos Beneditinos em meados do s\u00e9culo VII, &#8220;um mosteiro deve ser constru\u00eddo de tal forma que todo o necess\u00e1rio (a \u00e1gua, o moinho, o jardim e os v\u00e1rios of\u00edcios) exerce-se no interior do mosteiro, de modo que os monges n\u00e3o sejam obrigados a correr para todos os lados e fora, pois isso n\u00e3o \u00e9 nada bom para as suas almas&#8221;.<\/p>\n<p>Por isso, ali o trabalho tamb\u00e9m \u00e9 dividido e cada monge recebe uma tarefa de acordo com as caracter\u00edsticas pessoais que possui. Por isso, h\u00e1 irm\u00e3o que cuida da cozinha, outro respons\u00e1vel pelo trabalho no ateli\u00ea de velas, outro no campo, na limpeza do bosque e at\u00e9 mesmo o monge chamado, por assim dizer, de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, apesar de achar o termo muito \u201cfestivo\u201d. \u00c9 o irm\u00e3o Atan\u00e1sio, que chegou ao mosteiro h\u00e1 exatamente um ano e seis meses para tentar, pela terceira vez, mais uma experi\u00eancia com a vida mon\u00e1stica. \u201cSer monge n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u00c9 a minha terceira tentativa &#8211; terceira e \u00faltima. Eu j\u00e1 estive aqui duas vezes, fazendo experi\u00eancia de um tempo menor\u201d, conta.<\/p>\n<p>Atan\u00e1sio levava uma vida bem diferente l\u00e1 fora. Trabalhava como produtor de eventos em S\u00e3o Paulo, capital. Mas desde muito crian\u00e7a, esteve ligado \u00e0s coisas da Igreja. \u201cDizem que desde os cinco anos. Eu n\u00e3o me lembro muito bem, enfim. Depois a minha fam\u00edlia se afastou da Igreja e eu junto\u201d, conta.<\/p>\n<p>Depois, aos 17 anos, voltou sozinho para Igreja e fez algumas experi\u00eancias no semin\u00e1rio em S\u00e3o Paulo e em outras congrega\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o perseverou. O tempo passou, a vida seguiu e ele fez faculdade e come\u00e7ou a trabalhar. Algo, por\u00e9m estava errado. \u201cIsso \u00e9 uma coisa que fica ligada na sua cabe\u00e7a. \u00c9 igual espinho: voc\u00ea pode achar que tirou, mas fica te cutucando\u201d, compara.<\/p>\n<p>Ali no Mosteiro, entre os animais, a paz do bosque e a vida em comunidade, ele se sente realizado. Apesar de reconhecer que ser monge \u00e9 ir, na maioria das vezes, na \u201ccontram\u00e3o do mundo\u201d, a vida mon\u00e1stica traz a tranquilidade de que precisa: \u201cQuando voc\u00ea est\u00e1 no mosteiro, voc\u00ea se sente mais completo, se sente no seu lugar, se sente realizado de muitas maneiras\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo com a dist\u00e2ncia dos centros, os monges n\u00e3o est\u00e3o alheios ao que acontece do outro lado do mundo. H\u00e1 irm\u00e3os respons\u00e1veis pela economia do mosteiro e que, por isso, precisam ir ao banco e fazer pagamentos, por exemplo. Apesar de ser um acesso restrito, a Internet tamb\u00e9m pode ser usada para enviar e receber e-mails, pesquisa de estudo ou trabalho. Ali, a porta da clausura n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o r\u00edgida assim. \u201cO entrar na clausura n\u00e3o \u00e9 um problema assim como se tem na mente. A clausura \u00e9 muito mais n\u00e3o sair, procurar n\u00e3o sair ou s\u00f3 sair quando for extremamente necess\u00e1rio\u201d, explica Atan\u00e1sio.<\/p>\n<p><strong>Processo de forma\u00e7\u00e3o de um monge<\/strong><\/p>\n<p>A prepara\u00e7\u00e3o para se tornar um monge \u00e9 longa. S\u00e3o aproximadamente oito anos de forma\u00e7\u00e3o e o contato inicial \u00e9 feito geralmente via internet, pois h\u00e1 um monge encarregado especificamente de realizar essa fun\u00e7\u00e3o. Depois a pessoa \u00e9 convidada a fazer uma experi\u00eancia de 15 dias. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, ele entra para o \u2018candidatado\u2019, onde fica nove meses convivendo com a rotina di\u00e1ria de um mosteiro. Em seguida, entra para o \u2018postulantado\u2019, momento em que recebe uma t\u00fanica preta e se dedica mais nove meses \u00e0s atividades da vida mon\u00e1stica.<\/p>\n<p>Mais tarde, se for aceito pela comunidade, ser\u00e1 a vez do \u2018noviciado\u2019, ocasi\u00e3o em que recebe o escapul\u00e1rio com o capuz e permanece mais um ano e meio. \u201cDepois do noviciado, ele faz os votos simples e j\u00e1 \u00e9 monge de votos simples, que a gente chama. Fica mais tr\u00eas anos. A\u00ed sim ele faz o voto perp\u00e9tuo, que seria o voto definitivo. Da\u00ed j\u00e1 \u00e9 monge\u201d, relata o irm\u00e3o Atan\u00e1sio que, no dia 1\u00ba de novembro entrou para o noviciado, recebeu o escapul\u00e1rio com o capuz e tamb\u00e9m um nome religioso. \u201cMeu nome civil \u00e9 Alexandre e meu nome religioso \u00e9 Atan\u00e1sio\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>Movimentos mon\u00e1sticos e tradi\u00e7\u00f5es seculares<\/strong><\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o mon\u00e1stica surgiu no final do Imp\u00e9rio Romano, por volta do s\u00e9culo IV depois de Cristo, quando a igreja passa a fazer parte da estrutura do Estado. Na \u00e9poca, muitos crist\u00e3os sentiram a necessidade de se afastar da cidade, ambiente tido como prop\u00edcio \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, para viver uma vida mais voltada ao trabalho e \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. De l\u00e1 para c\u00e1, muita coisa mudou na cultura e mentalidade das pessoas. A busca, por\u00e9m, por uma trajet\u00f3ria espiritual numa comunidade separada dos problemas da pol\u00edtica, do mundo, da economia e dos conflitos urbanos ainda \u00e9 o desejo de parte das pessoas.<\/p>\n<p>Conforme explica o professor de Hist\u00f3ria e pesquisador da religiosidade brasileira, Edson Armando Silva, o \u2018escape\u2019 do mundo se transformou do ponto de vista de interpreta\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. \u201cA fuga do mundo significa as tenta\u00e7\u00f5es, voc\u00ea falar de uma luta espiritual, aonde eu n\u00e3o estou lutando com as pessoas diretamente, n\u00e3o estou lutando com a cidade, mas estou buscando um caminho de paz internamente, espiritualmente\u201d, diz<\/p>\n<p>Depois do Conc\u00edlio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, h\u00e1 uma determina\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica para que todas as ordens religiosas fizessem um movimento de retorno \u00e0s origens para a descoberta da verdadeira espiritualidade. Nesse processo, muitas ordens religiosas aboliram a clausura que, de acordo com o professor, \u00e9 mantida apenas nas ordens mon\u00e1sticas tradicionais. \u201cNas ordens modernas e nos conventos mais modernos, como o dos franciscanos, a clausura \u00e9 praticamente abolida\u201d, afirma.<\/p>\n<p>No caso do Mosteiro da Ressurrei\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um trabalho de comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade um pouco mais moderno. \u201cPor exemplo, quando eles pegam o canto gregoriano, traduzem para o portugu\u00eas, gravam e colocam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das pessoas, esse \u00e9 um trabalho de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, relata o professor. H\u00e1 tamb\u00e9m uma hospedaria no local que, semanalmente, abriga em m\u00e9dia seis visitantes em busca de retiro espiritual. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s irm\u00e3s concepcionistas, Edson aponta a dificuldade na comunica\u00e7\u00e3o como um dos empecilhos para a abertura \u00e0s novas voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se de um lado h\u00e1 o movimento mon\u00e1stico, representado muitas vezes pela fuga das cidades, de outro existem os movimentos seculares, que t\u00eam como fun\u00e7\u00e3o justamente estar na cidade e dialogar com a ci\u00eancia, o mundo das artes e do trabalho. As ordens mendicantes, que surgiram nos s\u00e9culos XIII e XIV, como os franciscanos, os dominicanos e as carmelitas descal\u00e7as, s\u00e3o um exemplo.<\/p>\n<p><strong>Os franciscanos usam a Internet, acompanham not\u00edcias e v\u00e3o ao cinema<\/strong><\/p>\n<p>No convento Bom Jesus, casa com aproximadamente 40 c\u00f4modos e que abriga a ordem dos frades menores capuchinhos, a rotina come\u00e7a um pouco mais tarde. Os freis acordam por volta das seis da manh\u00e3, fazem a ora\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>laudes<\/em>\u00a0e os seminaristas v\u00e3o estudar. O restante do dia ser\u00e1 dividido entre a limpeza da casa e momentos de refei\u00e7\u00e3o e estudo. Somente \u00e0s 18h \u00e9 que fazem as ora\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>v\u00e9speras.\u00a0<\/em>Ap\u00f3s o jantar, os freis podem utilizar os meios de comunica\u00e7\u00e3o para se informar. \u00c9 a hora em que assistem a jornais. A partir das 23h, tudo se cala e \u00e9 o momento de manter o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>A vida de um franciscano n\u00e3o \u00e9 composta apenas por ora\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m por momentos dedicados ao esporte e lazer. Ali mesmo no Convento os irm\u00e3os podem se reunir, conforme conta o frei Luiz Carlos da Silva, para jogar um baralho. \u201cNa segunda-feira, na parte da tarde, \u00e9 o momento pessoal, de descanso. Ent\u00e3o, se algu\u00e9m quer ir ao cinema ou fazer um passeio, pode ir. N\u00e3o \u00e9 um dia bem bonito, mas \u00e9 o espa\u00e7o que tem\u201d, ri o orientador vocacional enquanto narra o dia a dia de um frei.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o franciscano \u00e9 aquele que consagra a vida atrav\u00e9s dos votos de obedi\u00eancia, castidade e pobreza, ou sem nada de pr\u00f3prio, como S\u00e3o Francisco diz. J\u00e1 o sacerd\u00f3cio \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o pessoal. A ordem dos capuchinhos \u00e9 um movimento franciscano reformista iniciado por volta de 1525 e que propunha a renova\u00e7\u00e3o do carisma franciscano. \u201cEles tinham a casa na proximidade do povo e por causa do capuz pequeno, que \u00e9 esse bendito capuz aqui, o povo apelidou os Capuchinhos<em>\u201d,\u00a0<\/em>explica frei Luiz Carlos.<\/p>\n<p><strong>O carisma surge num castelo de PG<\/strong><\/p>\n<p>No meio de uma das avenidas mais movimentadas da cidade, a Carlos Cavalcanti, um castelo aos poucos toma forma. S\u00e3o os Arautos do Evangelho, organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica de vida consagrada nascida oficialmente nos anos 2000 e que, apesar de buscar uma vida interior, participa das atividades sociais. Em Ponta Grossa, a casa \u00e9 de forma\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n<p>\u201cOs Arautos do Evangelho de dividem em tr\u00eas ramos: homens, mulheres e os terci\u00e1rios. E s\u00e3o casas espec\u00edficas tanto para homens quanto para mulheres. Os terci\u00e1rios n\u00e3o, s\u00e3o aquelas fam\u00edlias que colaboram com os arautos, que nos ajudam no nosso apostolado, na nossa evangeliza\u00e7\u00e3o, mas tem a sua vida matrimonial e que dedicam o tempo livre para os arautos\u201d, relata um dos membros consagrados, Robert Domingos, encarregado de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os arautos t\u00eam uma rotina parecida com a dos membros das outras ordens. Acordam com o toque dos sinos por volta das seis da manh\u00e3 e mesclam o dia com as ora\u00e7\u00f5es. Mesmo na busca pela vida contemplativa, utilizam as tecnologias como forma de evangeliza\u00e7\u00e3o e possuem um carisma espec\u00edfico. \u201cO nosso carisma sobretudo se reflete pela beleza. A beleza de um cerimonial, de um modo lit\u00fargico, no c\u00e2ntico, no trabalho da arte que \u00e9 feito com os jovens atrav\u00e9s das artes c\u00eanicas&#8230; Ent\u00e3o, atrav\u00e9s desse carisma n\u00f3s refletimos algum aspecto da Igreja\u201d, finaliza o arauto J\u00fanior Rafael Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Seja na beleza, no contato com os animais ou a natureza, o que essas pessoas buscam \u00e9 uma porta para exercer a sua f\u00e9.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Keren%20Bonfim\">Keren Bonfim<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na cabe\u00e7a, um v\u00e9u preto. No corpo, um h\u00e1bito branco que a cobre. \u00c9 assim que nove mulheres se vestem. 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