{"id":1551,"date":"2015-03-02T13:29:47","date_gmt":"2015-03-02T13:29:47","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1551"},"modified":"2015-03-02T13:29:47","modified_gmt":"2015-03-02T13:29:47","slug":"falta-de-gastronomia-tipica-reflete-diversidade-etnica-de-pg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/falta-de-gastronomia-tipica-reflete-diversidade-etnica-de-pg\/","title":{"rendered":"Falta de gastronomia t\u00edpica reflete diversidade \u00e9tnica de PG"},"content":{"rendered":"<p>A gastronomia \u00e9 um dos meios que representam a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o de um lugar ou regi\u00e3o. O Brasil foi col\u00f4nia portuguesa, mas muitos outros povos habitaram o pa\u00eds e trouxeram com isso suas tradi\u00e7\u00f5es e cultura. Ponta Grossa n\u00e3o foi diferente. Diversos povos que aqui viveram deixaram suas marcas, entre eles os ucranianos, poloneses, \u00e1rabes, alem\u00e3es, negros e muitos outros. A influ\u00eancia n\u00e3o aconteceu apenas por culturas estrangeiras. Local de passagem e paragem da rota dos tropeiros, a regi\u00e3o dos Campos Gerais absorveu alguns h\u00e1bitos desses passageiros.<\/p>\n<p>A multiplicidade de culturas agregadas, entretanto, parece justificar a aus\u00eancia, na cultura gastron\u00f4mica da cidade, de um prato t\u00edpico e tradicional. Para o diretor do Departamento de Turismo de Ponta Grossa, Eros Edesio de Freitas, a miscigena\u00e7\u00e3o e as influ\u00eancias dessas culturas fazem com que a cidade n\u00e3o possua uma gastronomia t\u00edpica, mas sim uma grande diversidade.<\/p>\n<p>\u00c9 certo dizer que o pirogue e a crac\u00f3via s\u00e3o alimentos originalmente ucranianos f\u00e1ceis de encontrar em qualquer mercado, por\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o t\u00edpicos da regi\u00e3o, assim como o charque, trazido pelos tropeiros. O prato t\u00edpico da cidade, votado pelo Sindicato de Hot\u00e9is, Bares, Restaurantes e Similares dos Campos Gerais (SHRBS), \u00e9 alcatra no espeto.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma coisa que se fazia todo domingo, todo mundo fazia churrasco e era aquela hist\u00f3ria de fazer alcatra no espeto. N\u00f3s temos hoje tr\u00eas estabelecimentos que servem o prato t\u00edpico dentro do que ele \u00e9 efetivamente\u201d. afirma Eros. Em 2010, foi criada uma lei que normatiza as bases do que \u00e9 esse prato t\u00edpico (Lei Ordin\u00e1ria n\u00ba 10200\/2010), que foi sancionada pela C\u00e2mara de Vereadores no dia 23 de mar\u00e7o de 2010.<\/p>\n<p>Para fazer o leg\u00edtimo alcatra no espeto, a lei determina uma s\u00e9rie de exig\u00eancias a serem seguidas. Em primeiro lugar a pe\u00e7a, o corte da carne, dever\u00e1 conter a picanha, a alcatra, o mignon e a maminha. Deve ser assado em fogo de lenha e servido ainda no espeto e fixado a uma pedra pr\u00f3pria. Segundo a lei, \u201co &#8220;alcatra no espeto&#8221; dever\u00e1 ser acompanhado de arroz branco, feij\u00e3o preto cozido ou salada de feij\u00e3o, salada de tomate, cebola roxa em conserva, salada de maionese, salada de folhas verdes, polenta frita cortada em cubos, farinha de mandioca torrada ou branca e mini p\u00e3o franc\u00eas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Cozinheiro: comida boa sem firula<\/strong><\/p>\n<p>Escolher ingredientes de qualidade, que proporcionem beleza, cor e sabor a um alimento, n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o apenas de grandes restaurantes e de chefs de cozinha. O preparo certo e com produtos frescos s\u00e3o imprescind\u00edveis para uma refei\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel, seja em restaurantes ou em casa.<\/p>\n<p>Elaine Cristina Foltran abriu, junto com o marido, uma petiscaria no centro de Ponta Grossa. \u201cEu nunca estudei para isso, fa\u00e7o por gosto\u201d. No quesito cultura e criatividade, Elaine e o marido tentam inovar, no card\u00e1pio possuem petiscos com costela, comum no sul do pa\u00eds, bolinho de crac\u00f3via, um tipo de embutido ucraniano e tamb\u00e9m petiscos com o charque trazido pelos tropeiros.<\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o e a criatividade ficam por conta dos nomes. \u201cA gente lan\u00e7a a por\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o escolhemos o nome. Ent\u00e3o fazemos uma vota\u00e7\u00e3o com os nomes que os clientes sugerem e com os que mais aparecem na pesquisa n\u00f3s batizamos o prato\u201d. Elaine conta tamb\u00e9m que uma freguesa da petiscaria gostava de caipirinha, mas n\u00e3o tomava a\u00e7\u00facar. \u201cCriamos uma caipirinha com ado\u00e7ante e batizamos com o sobrenome dela. Quando ela voltou pedimos para ela olhar o card\u00e1pio, quando ela viu ficou toda empolgada\u201d.<\/p>\n<p>Outro diferencial do boteco \u00e9 a simplicidade. Elaine comenta que n\u00e3o tem problema nenhum em passar suas receitas para os fregueses. \u201cEles sempre me perguntam como \u00e9 que faz. N\u00e3o tenho porque n\u00e3o passar. Quando eles voltam sempre comentam o que fizeram, que n\u00e3o acertaram o ponto. Eu gosto disso\u201d. S\u00e3o essas atitudes, essa maneira livre de \u201cn\u00e3o me toques\u201d, que tornam a experi\u00eancia gastron\u00f4mica algo agrad\u00e1vel e prazeroso. Por\u00e9m, sempre se preocupando com a qualidade.<\/p>\n<p>\u201cEu costumo dizer que o importante em uma comida caseira, em um prato popular, \u00e9 o sabor. Hoje alguns elementos tem facilidade de serem encontrados no mercado ou cultivando uma horta em casa, s\u00e3o as ervas frescas, as especiarias\u201d, comenta o chef Humberto de Miranda. Essa ideia de simplicidade e sabor est\u00e1 muito presente em diversos estabelecimentos da cidade.<\/p>\n<p>Elaine afirma que o primordial \u00e9 a qualidade dos alimentos usados nas receitas. \u201c\u00c9 essencial usar produtos frescos. Caso contr\u00e1rio, pode at\u00e9 tentar, mas n\u00e3o vai sair uma receita adequada\u201d, comenta a cozinheira.<\/p>\n<p>Comida boa, saborosa e de qualidade n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de restaurantes caros com cinco estrelas no letreiro. \u00c9 sin\u00f4nimo de prazer e paix\u00e3o por aquilo que se faz e leva para a mesa do cliente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Modismos gastron\u00f4micos invadem Ponta Grossa<\/strong><\/p>\n<p>Assim como no mundo da moda, na gastronomia tamb\u00e9m existem tend\u00eancias. A pizza, por exemplo, chegou ao Brasil no final do s\u00e9culo 19 em S\u00e3o Paulo, trazida por imigrantes italianos que desembarcaram em Santos. Essa \u00e9 uma das raz\u00f5es para muitos considerarem as pizzas santistas t\u00e3o saborosas.<\/p>\n<p>Atualmente, uma cultura gastron\u00f4mica que chegou forte no mercado \u00e9 a mexicana. A febre foi tanta que diversos lugares, restaurantes e barzinhos come\u00e7aram a servir nachos, tortilhas, burritos e vender o local como especialista no assunto.<\/p>\n<p>O chef Jos\u00e9 Ailton Buava coordena a cozinha de um restaurante mexicano em Ponta Grossa e confirma essa fase da comida mexicana. \u201cEu sempre falo que a culin\u00e1ria mexicana hoje \u00e9 um modismo. \u00c9 uma culin\u00e1ria que est\u00e1 muito na moda. \u00c9 um restaurante em que voc\u00ea recebe os pratos na mesa muito r\u00e1pido, s\u00e3o de simples montagem e s\u00e3o muito coloridos. N\u00e3o basta ser s\u00f3 saborosa, voc\u00ea tem que dar alegria ao prato\u201d, afirma o chef.<\/p>\n<p>Um exemplo disso \u00e9 o aumento de estabelecimentos que comercializam as chamadas paletas mexicanas, picol\u00e9s de fruta com peda\u00e7os ou recheados.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Rafaela%20Oliveira\">Rafaela Oliveira<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A gastronomia \u00e9 um dos meios que representam a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o de um lugar ou regi\u00e3o. O Brasil foi col\u00f4nia portuguesa, mas muitos outros povos habitaram o pa\u00eds e trouxeram com isso suas tradi\u00e7\u00f5es e cultura. Ponta Grossa n\u00e3o foi diferente. 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