{"id":1556,"date":"2015-02-28T13:33:29","date_gmt":"2015-02-28T13:33:29","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1556"},"modified":"2015-02-28T13:33:29","modified_gmt":"2015-02-28T13:33:29","slug":"o-circo-e-minha-essencia-e-minha-paixao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-circo-e-minha-essencia-e-minha-paixao\/","title":{"rendered":"\u201cO circo \u00e9 minha ess\u00eancia e minha paix\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Sob as tendas do circo-teatro \u00c1urea, em 14 de janeiro de 1963, nasceu Gilberto Salgueiro, na cidade de Nova Esperan\u00e7a, Paran\u00e1. Esse tipo de g\u00eanero de teatro era muito comum e de muito sucesso no Brasil durante todo o s\u00e9culo XIX. As companhias circenses se apresentavam por todos os munic\u00edpios com textos teatrais de todos os tipos: dramas, com\u00e9dias, encena\u00e7\u00f5es de Paix\u00e3o de Cristo, entre outros. \u201cMinha fam\u00edlia veio de teatro, dai montaram um circo em 1920, sempre ligado com teatro. Antigamente, s\u00f3 circos grandes tinham trap\u00e9zio e globo da morte\u201d, lembra Salgueiro.<\/p>\n<p>Desde pequeno, Gilberto j\u00e1 se pintava como palha\u00e7o, mas foi a partir dos 10 anos que come\u00e7ou a andar de trap\u00e9zio nas apresenta\u00e7\u00f5es. Na d\u00e9cada de 1970, o circo de seu pai, Valter Cabral, j\u00e1 era o mais conhecido do Paran\u00e1. Ele conta que cada m\u00eas estudava em uma escola diferente. Se apegava aos amigos, mas tinha que partir.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, nas viagens passavam por dificuldades como temporal, inverno, estrada ruim, caminh\u00e3o quebrado, sem falar no acordo com a prefeitura e em estar em dia com alvar\u00e1 e corpo de bombeiros. \u2018\u2019O sofrimento \u00e9 viajar, mas faz parte. Desde pequeno via meu pai sofrendo na estrada e depois quem sofre \u00e9 a gente, logo, nossos filhos e netos\u201d, comenta Salgueiro.<\/p>\n<p><strong>De n\u00f4made a sedent\u00e1rio fixo<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dessas dificuldades, o palha\u00e7o Sardinha, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecido, fala que jamais pensou em desistir dessa vida. Hoje em dia n\u00e3o viaja com o circo, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se desligou dele, j\u00e1 que seus seis filhos ainda se apresentam quando outros circos passam pela cidade e ele continua trabalhando em uma pizzaria aos moldes circenses.<\/p>\n<p>\u201cEu vim para Ponta Grossa para trabalhar na pizzaria como palha\u00e7o, desde ent\u00e3o, eu nunca tinha tido uma casa\u201d, relata. Alugou uma casa com tr\u00eas quartos que, para ele, acostumado a viver em barracas e trailers, era uma mans\u00e3o. \u201cA morada dentro do circo \u00e9 \u00f3tima, mais que aquilo ali, \u00e9 exagero\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Casada com Gilberto h\u00e1 33 anos, Sandra Vargas Salgueiro conta como conheceu o marido. Parece filme, mas n\u00e3o \u00e9: ela fugiu aos 17 anos com um circo que estava em Porto Alegre. \u201cEu sempre quis fugir, desde que me conhe\u00e7o por gente eu queria ser bailarina de circo [&#8230;] O circo ia embora e eu chorava querendo ir, at\u00e9 que um dia eu fui junto\u201d, conta. Depois de um ano viajando, o circo dela se encontrou com outro no caminho e a\u00ed conheceu o marido, que fazia apresenta\u00e7\u00e3o quando ela se apaixonou. \u201cFoi amor \u00e0 primeira vista e vai ser para sempre\u201d, conta com os olhos brilhando.<\/p>\n<p>Hoje em dia, o circo est\u00e1 pouco valorizado. Segundo Gilberto, as pessoas gostam de circo, mas n\u00e3o t\u00eam mais o mesmo v\u00ednculo. Antes n\u00e3o tinha internet e televis\u00e3o, por exemplo, e o pessoal ia para ver a luz, porque em algumas cidades, nem luz tinha. Ele tamb\u00e9m acredita que para fazer seu personagem (palha\u00e7o) requer uma coisa: dom. \u201c\u00c0s vezes, o Gilberto est\u00e1 meio triste, mas \u00e9 s\u00f3 se transformar em palha\u00e7o Sardinha que tudo muda\u201d, relata ao lembrar quando sua m\u00e3e faleceu e no outro dia j\u00e1 tinha que trabalhar e estar feliz.<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o tem como n\u00e3o gostar dele\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Um dos seus filhos, Jonatthan, diz o quanto seu pai \u00e9 protetor e atencioso. \u201cUma vez fui atropelado e meu pai me socorreu rapidamente parando um carro que passava para me levar para o hospital\u201d, relata. Al\u00e9m disso, ele diz que seu pai \u00e9 seu maior orgulho.<\/p>\n<p>Outras pessoas que n\u00e3o s\u00e3o da fam\u00edlia tamb\u00e9m admiram muito Gilberto. F\u00e1tima Carneiro trabalha no caixa da pizzaria onde Gilberto atua e o conhece h\u00e1 11 anos. \u201cEle \u00e9 a pessoa que vale por todos aqui, \u00e9 muito eficiente [&#8230;] Admiro muito essa for\u00e7a que ele tem, de trabalhar para dar uma vida de conforto para a fam\u00edlia dele\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, o circo de S\u00e3o Paulo, o Medrano, est\u00e1 realizando apresenta\u00e7\u00f5es. Esse circo foi o que Sandra fugiu aos 17 anos. Mostrando familiaridade com as tecnologias, Salgueiro assiste ao espet\u00e1culo, tira fotos e conversa com seus amigos de circo. Quem o conhece, percebe o quanto a vida circense \u00e9 motivo de orgulho para ele. \u201cNingu\u00e9m tira de n\u00f3s a harmonia, a alegria e a paz que o circo traz\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m fala que, se perguntarmos \u00e0s pessoas que trabalham no circo se querem largar essa vida e ter todo conforto na cidade, uma casa fixa, um sal\u00e1rio bom, a resposta vai ser n\u00e3o. \u201cNos contentamos com o m\u00ednimo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Gilberto se mostra muito emocionado toda vez que a palavra \u2018famil\u00eda\u2019 \u00e9 tocada. Fala que seus filhos s\u00e3o diferentes um do outro, das qualidades, o qual tem mais jeito de palha\u00e7o tamb\u00e9m. Um deles sempre est\u00e1 viajando pelo mundo. \u201cToda vez que d\u00e1 22h, sei que ele vai entrar no globo da morte, come\u00e7o a orar para que tudo d\u00ea certo\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da vida m\u00e1gica \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Outra curiosidade \u00e9 que Salgueiro tamb\u00e9m \u00e9 costureiro. \u00c9 ele que cria todas as roupas que seus filhos usam no circo, al\u00e9m dos cen\u00e1rios. Seu pai tamb\u00e9m costura, de tanto olhar, um dia resolveu tentar e hoje em dia, passa o dia costurando. \u201c\u00c0s vezes nem almo\u00e7o, o tempo passa, \u00e9 curto demais quando estamos fazendo algo que a gente gosta\u201d, completa. Aproveita que tem alguns dos filhos em casa, acorda cedo, joga o tecido no ch\u00e3o e pensa no que criar, faz e j\u00e1 pede para experimentarem: \u201c\u00e0s vezes n\u00e3o fica do jeito que a gente quer quando mandamos na costureira, ent\u00e3o prefiro fazer\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 seu personagem, o palha\u00e7o Sardinha, \u00e9 aos moldes tradicionais. \u201cProcuro manter o palha\u00e7o de antigamente, sem palavr\u00f5es, com brincadeiras e na inoc\u00eancia\u201d. Quem quiser conhec\u00ea-lo, \u00e9 s\u00f3 ir ao Circo da Pizza*, aos finais de semana. A colega de trabalho, F\u00e1tima, ainda conta que muitas vezes as fam\u00edlia chegam no meio da semana querendo saber onde est\u00e1 o palha\u00e7o. \u201cQuando falo que ele n\u00e3o est\u00e1, as fam\u00edlias v\u00e3o embora e s\u00f3 voltam ao fim de semana\u201d, conta sorrindo, reconhecendo que ele \u00e9 a atra\u00e7\u00e3o da casa.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa vida simples e alegre que Gilberto Salgueiro, de 51 anos, cresceu. Todos os dias, novas hist\u00f3rias s\u00e3o feitas. Todos os dias ele percorre caminhos com uma \u00fanica meta: ter uma vida feliz e digna ao lado das pessoas que ele ama.<\/p>\n<p><em>O Circo da Pizza fica localizado na Rua J\u00falio de Castilhos, 963, no Centro de Ponta Grossa.<\/em><\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Mariele%20Morski\">Mariele Morski<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sob as tendas do circo-teatro \u00c1urea, em 14 de janeiro de 1963, nasceu Gilberto Salgueiro, na cidade de Nova Esperan\u00e7a, Paran\u00e1. Esse tipo de g\u00eanero de teatro era muito comum e de muito sucesso no Brasil durante todo o s\u00e9culo XIX. 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