{"id":1712,"date":"2015-11-20T23:17:40","date_gmt":"2015-11-20T23:17:40","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1712"},"modified":"2015-11-20T23:17:40","modified_gmt":"2015-11-20T23:17:40","slug":"sem-patria-nem-patrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/sem-patria-nem-patrao\/","title":{"rendered":"\u2018Sem patria, nem patr\u00e3o\u2019"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Lucas Feld<\/em><\/p>\n<p>Quando perguntei a Uchida o que ele pretende fazer de sua fotografia recebi um: \u201cTenho que buscar a assinatura Gabriel Uchida\u201d. Entre as pretens\u00f5es do jornalista n\u00e3o est\u00e3o fazer parte de uma grande ag\u00eancia ou trabalhar para um jornal\u00e3o. Ele deixa claro que a ideia de submeter-se a uma rotina trabalhista comum, cobrindo pautas impostas pelo ve\u00edculo, n\u00e3o o satisfaz como fotojornalista. E foi esta percep\u00e7\u00e3o sobre o trabalho em fotojornalismo que marcou sua participa\u00e7\u00e3o na palestra promovida pelo projeto Lente Quente durante a XXIV Semana de Estudos em Comunica\u00e7\u00e3o, do Curso de Jornalismo da UEPG, ocorrida no final de outubro.<\/p>\n<p>Uchida gosta de ser n\u00f4made, tanto na vida quanto no trabalho. Recentemente passou uma temporada na fazenda (creio que buscava voltar aos ares da inf\u00e2ncia), quando se questionou sobre sua liberdade perante o trabalho. A conclus\u00e3o foi: \u201cPra cada sete dias da semana, morre-se cinco pra viver dois\u201d. N\u00e3o \u00e9 isso que ele faz da vida. \u201cSe preciso de x pra viver e ganho tr\u00eas x, fico tr\u00eas meses parado\u201d, afirma, antes de revelar que, dos dez meses deste ano, trabalhou apenas quatro, entre pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, apura\u00e7\u00e3o, fotografias e edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uchida explica que faz um trabalho arduo na pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, para que quando saia a campo produza o m\u00e1ximo de material. Na ida a Cuba este ano produziu 16 trabalhos em 31 dias de estadia. A produ\u00e7\u00e3o tinha como destino a Vice. Sua rela\u00e7\u00e3o com o portal come\u00e7\u00f5u em 2012 com o \u2018Tatuagens de Torcida\u2019, trabalho oriundo da cobertura das torcidas organizadas do futebol brasileiro.<\/p>\n<p>Em Cuba, como n\u00e3o havia internet, telefone, celular ou mapa \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, a apura\u00e7\u00e3o era a p\u00e9, \u2018na ra\u00e7a\u2019. E foi na ra\u00e7a que Uchida superou o preconceito das organizadas, que recriminam qualquer rep\u00f3rter que se aproxime. Cansado da cobertura m\u00eddiatica que dava aten\u00e7\u00e3o apenas aos 22 em campo, o fot\u00f3grafo descobriu por acaso, numa partida entre Portuguesa e Santo Andr\u00e9, em 2009, que ficar de costas ao campo, com suas lentes na geral, era muito mais produtivo, at\u00e9 mais digno. \u201cEm um estadio s\u00e3o 30, 20 mil pessoas, s\u00e3o varias hist\u00f3rias para se contar\u201d. Assim surge o projeto que deu proje\u00e7\u00e3o internacional a Uchida, o\u00a0<span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/fototorcida.com.br\/\">Foto Torcida<\/a><\/span>.<\/p>\n<p>Dentre as andan\u00e7as pelas (e com) as organizadas, Uchida levou tapa na cara da pol\u00edcia. Vui a m\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o em um Corinthians e Palmeiras, em Presidente Prudente, resultar na atua\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica de PM que feriu dois torcedores gravemente. Perdeu um amigo em briga de torcida. Mas continuou com as torcidas, pois era uma maneira de fotografar o povo, e ir al\u00e9m do estere\u00f3tipo violento das organizadas, retrata-las em v\u00e1rias facetas, contando outras hist\u00f3rias al\u00e9m da do Neymar.<\/p>\n<p>Ele afirma que as torcidas s\u00e3o um reflexo da sociedade, tanto nos preconceitos homof\u00f3bicos, machistas quanto pela viol\u00eancia. \u201cA gente est\u00e1 num contexto de guerra. \u00c9 violento no tr\u00e2nsito, nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e a torcida tamb\u00e9m \u00e9 violenta\u201d. Gabriel vai al\u00e9m, \u00e9 bastante taxativo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edcia ao dizer que \u00e9 uma instiui\u00e7\u00e3o fascista e deixa bem claro que as organizadas conhecem a viol\u00eancia da pol\u00edcia h\u00e1 muito. Lembra que nos protestos de 2013 as organizadas foram as ruas tretar com a PM, pois como elas diziam: \u201cEsses estudantes n\u00e3o sabem brigar, deixa que a gente briga por eles\u201d.<\/p>\n<p>Uchida recentemente cobriu um atentado ao povo\u00a0<span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.revistaforum.com.br\/blog\/2015\/06\/a-historia-de-um-comicio-politico-que-terminou-em-tragedia\/\">Kurdo na Turquia<\/a><\/span>. Antes de ir para l\u00e1 foi questionado por amigos do porqu\u00ea de ir a uma zona de conflito e enfrentou argumentos como: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o precisa disso, vende foto para todo o mundo\u201d. Ele rebateu com: \u201cNo Brasil h\u00e1 uma guerra velada, na periferia, no centro, no tr\u00e2nsito. O grande protagonista \u00e9 a pol\u00edcia\u201d. Atualmente o fot\u00f3grafo pretende fotografar a F\u00e9 das torcidas argentinas, estuda o mercado editorial chin\u00eas e pretende fazer das suas fotos arte. \u201c\u00c9 o lugar mais livre que se tem, a arte \u00e9 subversiva, contestadora e questiona\u201d. O resto \u00e9 hist\u00f3ria, estamos todos preocupados com o aumento do d\u00f3lar (menos o Uchida)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lucas Feld Quando perguntei a Uchida o que ele pretende fazer de sua fotografia recebi um: \u201cTenho que buscar a assinatura Gabriel Uchida\u201d. Entre as pretens\u00f5es do jornalista n\u00e3o est\u00e3o fazer parte de uma grande ag\u00eancia ou trabalhar para um jornal\u00e3o. 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