{"id":1716,"date":"2015-11-20T23:20:28","date_gmt":"2015-11-20T23:20:28","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1716"},"modified":"2015-11-20T23:20:28","modified_gmt":"2015-11-20T23:20:28","slug":"o-negro-nao-para-no-tempo-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-negro-nao-para-no-tempo-nao\/","title":{"rendered":"O negro n\u00e3o para no tempo n\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p><em>Por Gabriel Neto<\/em><\/p>\n<p>Desde a coloniza\u00e7\u00e3o, o racismo sempre esteve presente na sociedade. Mesmo que ele pare\u00e7a invis\u00edvel, com a populariza\u00e7\u00e3o das redes sociais e a suposta sensa\u00e7\u00e3o de anonimato gerada por elas, nos mais diversos \u00e2mbitos cresce a difama\u00e7\u00e3o e o preconceito contra etnias historicamente discriminadas, como afrodescendentes e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sancionadas a Lei n\u00ba 10.639 (2003) e a Lei n\u00ba11.645 (2008), pelo ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, tornou-se obrigat\u00f3rio o ensino sobre a hist\u00f3ria e a cultura afro-brasileira e ind\u00edgena nos estabelecimentos de ensino fundamental e m\u00e9dio, tanto p\u00fablicos quanto particulares. Devido a essa obrigatoriedade, professores das escolas estaduais vinculadas ao N\u00facleo Regional de Educa\u00e7\u00e3o de Ponta Grossa (NRE) desenvolveram ao longo do ano com seus alunos trabalhos de valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade \u00e9tnica presente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse trabalho culminou na IV Mostra Pedag\u00f3gica das Equipes Multidisciplinares, cuja tem\u00e1tica desse ano foi a\u00a0<em>Desmistifica\u00e7\u00e3o das Religi\u00f5es Africanas<\/em>.\u00a0O Candombl\u00e9, a Quimbanda e a Umbanda s\u00e3o as religi\u00f5es de origem africana com maior representatividade no Brasil, afirma Alecs Pires, pai de santo, agente educacional e membro do grupo multidisciplinar do Col\u00e9gio Estadual Regente Feij\u00f3.<\/p>\n<p>Ele ressalta que estas religi\u00f5es constitu\u00edram a cultura brasileira, j\u00e1 que temos elementos do candombl\u00e9 e da umbanda dentro do pr\u00f3prio samba, que \u00e9 patrim\u00f4nio cultural do Brasil. \u201cQuando o aluno tem contato com essa realidade, com esse conhecimento, ele torna-se mais tolerante e passa a compreender melhor a cultura a que pertence e as demais culturas com as quais ele convive\u201d, explica Alecs.<\/p>\n<p><strong>Atividades da Mostra<\/strong><\/p>\n<p>Durante a IV Mostra Pedag\u00f3gica, que aconteceu no per\u00edodo da manh\u00e3 e da tarde do \u00faltimo dia 18, na Associa\u00e7\u00e3o Recreativa Homens do Trabalho (ARHT), cada escola exp\u00f4s em seu estande trabalhos realizados pelos alunos como maquetes, m\u00e1scaras e bonecas artesanais de origem africana, tradicionalmente denominadas abayomi, que s\u00e3o bonecas negras feitas de pano que representam alegria e felicidade.<\/p>\n<p>Os alunos tamb\u00e9m fizeram apresenta\u00e7\u00f5es de dan\u00e7as de origem africana, declama\u00e7\u00e3o de poesias e pe\u00e7as de teatro que retratavam o preconceito e a discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial. Em uma das apresenta\u00e7\u00f5es houve problemas t\u00e9cnicos e o som, que inicialmente parecia alto demais, parou de repente durante a dan\u00e7a que retratava o grupo \u00e9tnico dos ciganos. Ap\u00f3s a m\u00fasica voltar a tocar, o p\u00fablico ovacionou e aplaudiu, pois era vis\u00edvel o entusiasmo dos alunos em iniciar novamente a apresenta\u00e7\u00e3o. Sem pagar nada no momento, tamb\u00e9m era poss\u00edvel realizar consulta no jogo de b\u00fazios, arte divinat\u00f3ria usada nas religi\u00f5es tradicionais africanas.<\/p>\n<p>&#8220;Para que a ascens\u00e3o do negro em nossa sociedade seja efetiva, n\u00f3s negros temos que resistir contra os preconceitos, contra as dificuldades e contra as barreiras que nos s\u00e3o impostas&#8221;, afirma o professor Galindo Pedro Ramos, coordenador da equipe multidisciplinar do NRE e tamb\u00e9m membro atuante na defesa dos direitos de igualdade dos negros. Galindo explica que um dos objetivos das equipes \u00e9 fazer com que os professores trabalhem nas escolas as quest\u00f5es de preconceito \u00e9tnico-racial o ano inteiro e n\u00e3o somente no Dia da Consci\u00eancia Negra. Al\u00e9m de conscientizar professores, principalmente os que n\u00e3o s\u00e3o negros, para a percep\u00e7\u00e3o de que o preconceito racial e o racismo ainda existem no Brasil.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o da pedagoga, te\u00f3loga e professora da rede estadual,\u00a0Risalva Maria de Barros Silva e Silva,\u00a0as equipes multidisciplinares tem uma fun\u00e7\u00e3o muito importante dentro das escolas, porque se existem aqueles que sofrem calados, os professores s\u00f3 percebem o resultado depois que o preconceito j\u00e1 deixou marcas profundas no aluno. Risalva ainda defende que,\u00a0se a cultura negra desde sempre fosse trabalhada como sendo cultura brasileira, n\u00e3o haveria necessidade de existir uma semana ou um dia da cultura negra. \u201cEste \u00e9 um dia em que mostramos que existimos em nosso pa\u00eds\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Dia da Consci\u00eancia Negra<\/strong><\/p>\n<p>O dia da Consci\u00eancia Negra \u00e9 celebrado no dia 20 de novembro e foi institu\u00eddo como feriado em todos os estados que aderiram \u00e0\u00a0lei n\u00ba 12.519 de 2011. A data foi escolhida para coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares, \u00faltimo dos l\u00edderes do maior quilombo do per\u00edodo colonial, o Quilombo dos Palmares e tamb\u00e9m s\u00edmbolo controverso da resist\u00eancia dos negros \u00e0 escravid\u00e3o imposta pelos brancos.<\/p>\n<p>No dia 30 acontece, das 19h \u00e0s 22h, no Col\u00e9gio Regente Feij\u00f3, a palestra do N\u00facleo de Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais, de G\u00eanero e Sexualidade (Nuregs) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) sobre o tema \u201cIdentidades Sociais de ra\u00e7a e Diversidade \u00c9tnico-racial em sala de aula: como implementar a quest\u00e3o da diversidade \u00e9tnico-racial na sala de aula e no ambiente escolar\u201d<em>.\u00a0<\/em>S\u00e3o 300 vagas e o evento \u00e9 aberto a todos os interessados. As inscri\u00e7\u00f5es podem ser feitas no link:<span class=\"link-external\"><a href=\"http:\/\/bitly.com\/palestrasNuregs2015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/bitly.com\/palestrasNuregs2015<\/a><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"relatedItems\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gabriel Neto Desde a coloniza\u00e7\u00e3o, o racismo sempre esteve presente na sociedade. Mesmo que ele pare\u00e7a invis\u00edvel, com a populariza\u00e7\u00e3o das redes sociais e a suposta sensa\u00e7\u00e3o de anonimato gerada por elas, nos mais diversos \u00e2mbitos cresce a difama\u00e7\u00e3o e o preconceito contra etnias historicamente discriminadas, como afrodescendentes e ind\u00edgenas. 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