{"id":1744,"date":"2015-12-01T23:48:34","date_gmt":"2015-12-01T23:48:34","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1744"},"modified":"2015-12-01T23:48:34","modified_gmt":"2015-12-01T23:48:34","slug":"o-samba-do-carnaval-em-versao-universitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-samba-do-carnaval-em-versao-universitaria\/","title":{"rendered":"O samba do carnaval em vers\u00e3o universit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Millena Sartori<\/em><\/p>\n<p>Baqueta na m\u00e3o, batuque no ar. Com gin\u00e1sio cheio, para apresenta\u00e7\u00e3o ou ensaio, a concentra\u00e7\u00e3o dos integrantes, com uniformes em verde e preto, \u00e9 evidente. O grupo, formado por mais de 60 ritmistas ativos, faz apresenta\u00e7\u00f5es em eventos pr\u00f3prios, competi\u00e7\u00f5es de baterias, eventos e jogos da atl\u00e9tica \u00e0 que \u00e9 interligado (Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica dos Acad\u00eamicos de Engenharia XV de Outubro), e tamb\u00e9m faz shows particulares. Essa \u00e9 a Carniceiros, bateria universit\u00e1ria que representa todos os alunos de engenharia da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 campus Ponta Grossa (UTFPR-PG).<\/p>\n<p>Em suas apresenta\u00e7\u00f5es, a Carniceiros convoca 25 universit\u00e1rios. Por\u00e9m, disp\u00f5e de 46 instrumentos para os ensaios, que s\u00e3o divididos entre j\u00fanior e principal, sendo dois por semana para cada categoria. S\u00e3o sete surdos, sete repiques, treze caixas, dez tamborins, seis chocalhos e tr\u00eas agog\u00f4s.<\/p>\n<p>A diretoria lembra a estrutura de uma empresa, incentivando o senso de gest\u00e3o nos acad\u00eamicos. S\u00e3o nove cargos: presid\u00eancia, vice presid\u00eancia, diretoria financeira, diretoria comercial e de arte, diretoria de marketing, mestre, segundo mestre e dois conselheiros.<\/p>\n<p>Um dos pioneiros \u00e9 o atual presidente da Bateria Carniceiros, Jo\u00e3o Marinho. Ele j\u00e1 havia participado de outra equipe quando cursou Enfermagem, na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e n\u00e3o gostou do que havia na UTFPR naquela \u00e9poca, em 2013. \u201cQuando cheguei \u00e0 faculdade o que vi foi uma bateria de arquibancada, toda desorganizada. N\u00e3o tinha estrutura, estatuto, gest\u00e3o\u201d, afirma ele, referindo-se \u00e0 extinta \u201cUrubuteria\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o conta que quando o grupo decidiu come\u00e7ar a evoluir e deixar de ser apenas uma bateria de torcida, Diego Solak, um dos fundadores da Carniceiros, o chamou para ser mestre. Eles estruturaram a bateria e criaram gest\u00e3o, estatuto, estrutura \u2013 mais instrumentos, material de manuten\u00e7\u00e3o e afina\u00e7\u00e3o, por exemplo \u2013 e ensaios peri\u00f3dicos.<\/p>\n<p>Ponta Grossa conta com mais tr\u00eas baterias universit\u00e1rias: Tourada (Engenharias UEPG), Caveir\u00e3o (Direito UEPG) e Pirateria (Medicina UEPG), mas a Carniceiros se destaca pela t\u00e9cnica. \u201cPara um time dar certo, tem que ensaiar. E \u00e9 nisso que a gente aposta at\u00e9 hoje. Tanto \u00e9, que a nossa profissionaliza\u00e7\u00e3o aconteceu quando focamos na t\u00e9cnica\u201d, conta Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>O atual mestre do grupo, Cl\u00e1udio Fraga, mais conhecido como Big, explica essa diferen\u00e7a entre baterias de torcida e outros estilos: \u201cUma bateria universit\u00e1ria pode seguir por tr\u00eas principais vertentes: arquibancadas, desafios e shows\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, a primeira se refere aos grupos que geralmente s\u00e3o ligados \u00e0 associa\u00e7\u00f5es atl\u00e9ticas e funcionam como torcida em gin\u00e1sios e jogos em geral. \u201cN\u00e3o precisa ser organizada, ter instrumentos bons. Precisa fazer barulho, gritar mais alto que as outras\u201d, afirma Big, que ainda cita que esse \u00e9 o primeiro est\u00e1gio de qualquer bateria universit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os desafios j\u00e1 entram na quest\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o. Geralmente com integrantes de escolas de samba, que funcionam como jurados especialistas, as baterias que seguem por esse caminho s\u00e3o mais desenvolvidas e investem em t\u00e9cnicas, instrumentos que tem afina\u00e7\u00e3o melhor e qualidade de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito legal quando voc\u00ea v\u00ea um jurado impressionado porque acontecem coisas que ele n\u00e3o esperava. No samba cada um tem a sua identidade. Levada de caixa, samba t\u00edpico e afina\u00e7\u00e3o definida, por exemplo. S\u00e3o dif\u00edceis de se alterar l\u00e1, diferente da nossa realidade\u201d, conta o mestre, que ainda explica que um dos benef\u00edcios de participar dessas competi\u00e7\u00f5es s\u00e3o os pr\u00eamios \u2013 os primeiros lugares sempre ganham instrumentos novos.<\/p>\n<p>J\u00e1 sobre a \u00e1rea de baterias universit\u00e1rias que fazem shows, ele conta que funciona como outra fonte de recursos financeiros. \u201cQuando nos contratam, al\u00e9m dos ritmistas, levamos viol\u00e3o, cavaquinho e uma estrutura que realiza um espet\u00e1culo que varia de uma hora a uma hora e meia\u201d, explica Big.<\/p>\n<p>E n\u00e3o para por a\u00ed. A\u00e7\u00f5es sociais tamb\u00e9m s\u00e3o feitas nesse circuito. No Interbatuc 2015, competi\u00e7\u00e3o que envolve grupos do pa\u00eds todo, um dos crit\u00e9rios para inscri\u00e7\u00e3o e desempate, se necess\u00e1rio, era a arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos. \u201cCada bateria tinha que doar no m\u00ednimo 200 kg de alimentos. N\u00f3s conseguimos mais de 2400 kg em dois meses de busca e doamos tudo para o Projeto Crescer, que fez a redistribui\u00e7\u00e3o dos alimentos por Ponta Grossa\u201d, lembra Big.<\/p>\n<p><strong>Com um p\u00e9 no samb\u00f3dromo<\/strong><\/p>\n<p>Rog\u00e9rio Figueira, mais conhecido por Tigu\u00eas, \u00e9 ritmista h\u00e1 mais de 20 anos. Atual diretor de carnaval da escola de samba Imp\u00e9rio de Casa Verde, de S\u00e3o Paulo, ele entrou em contato com baterias universit\u00e1rias em 2010, quando foi convidado a ser jurado no desafio Interbatuc.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse primeiro contato, Tigu\u00eas come\u00e7ou a se interessar mais por esse nicho. Al\u00e9m de participar como j\u00fari em diversos eventos, come\u00e7ou a se envolver particularmente com v\u00e1rias baterias, chegando a abrir a quadra Imp\u00e9rio de Casa Verde para que os universit\u00e1rios pudessem entrar em contato com uma escola de samba.<\/p>\n<p>\u201cVi que eles come\u00e7aram a ter maior preocupa\u00e7\u00e3o em afinar instrumentos, por exemplo, e mudar a forma de ver as suas baterias. Isso foi entre 2011 e 2012. O que era uma brincadeira acabou virando um espet\u00e1culo para muitos deles\u201d, afirma ele, que tentou ajudar nesse desenvolvimento. O ritmista considera que hoje 85% de baterias universit\u00e1rias do pa\u00eds tentam seguir um processo de maior profissionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E ele tamb\u00e9m afirma que a Carniceiros pertence a esta grande parcela. \u201cO grupo possui muito potencial. Nesse ano ficaram em d\u00e9cimo lugar entre 20 baterias no Interbatuc \u2013 e, por n\u00e3o serem de S\u00e3o Paulo, isso mostra um grande avan\u00e7o\u201d, analisa o ritmista.<\/p>\n<p>Essa compara\u00e7\u00e3o com o outro estado deve-se \u00e0 cultura do carnaval, bem mais presente entre as baterias paulistas. \u201cPor S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro ter um carnaval forte, as baterias de l\u00e1 t\u00eam muito mais contato com escolas de samba. Ou seja, podem acompanhar muitos ensaios e aprender as t\u00e9cnicas na pr\u00e1tica\u201d, explica Big, que ainda relata que mant\u00e9m contato tanto com as baterias universit\u00e1rias quanto com as de escolas de samba paulistas.<\/p>\n<p>Workshops para ritmistas tamb\u00e9m s\u00e3o op\u00e7\u00f5es que ajudam na profissionaliza\u00e7\u00e3o dos acad\u00eamicos. Nos \u00faltimos dois meses o grupo participou de dois; um especial para baterias universit\u00e1rias com grandes nomes de escolas de samba e outro sobre as origens africanas da m\u00fasica, focado no batuque \u2013 a ess\u00eancia das baterias.<\/p>\n<p>Tigu\u00eas tamb\u00e9m lembra o preconceito que ambos os nichos ainda enfrentam. \u201cIntegrantes de escola de samba s\u00e3o muitas vezes discriminados e taxados como vagabundos. Imagina os universit\u00e1rios!\u201d, desabafa o ritmista. \u201cToda e qualquer manifesta\u00e7\u00e3o cultural deve ser legitimada, mesmo que de estilos totalmente diferentes. E aqui voc\u00ea v\u00ea o universit\u00e1rio, o futuro engenheiro, como produtor cultural. O profissional, de qualquer \u00e1rea, que tem a chance de crescer como pessoa, aprendendo a enfrentar desafios, se superar, criar no\u00e7\u00f5es de comprometimento, amizade e at\u00e9 valorizar a cultura do samba, t\u00e3o perdida nos jovens de hoje\u201d, analisa o integrante da Imp\u00e9rio de Casa Verde.<\/p>\n<p><strong>Um mestre que inspira<\/strong><\/p>\n<p>Fugindo da maioria \u2013 afinal, muitos dos ritmistas da Carniceiros tiveram seu primeiro contato com instrumentos musicais quando se interessaram pelo grupo \u2013 Cl\u00e1udio Fraga \u201cBig\u201d \u00e9 m\u00fasico desde os nove anos. Hoje aos 22 anos, natural de Bauru (SP), \u00e9 acad\u00eamico do terceiro ano de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o da UTFPR- PG. J\u00e1 tocava viol\u00e3o e piano, mas, quando entrou na universidade, \u201ca batucada o pegou\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA Carniceiros me deu a oportunidade de profissionalizar o meu hobby, que sempre foi fazer m\u00fasica\u201d, afirma ele, que tamb\u00e9m credita \u00e0 bateria muitos outros benef\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cEntrar no ambiente universit\u00e1rio foi um choque muito grande pra mim. Vim morar sozinho, longe dos meus pais e acabei ganhando uma nova fam\u00edlia, o que me ajudou a amadurecer\u201d, categoriza Big, que hoje \u00e9 o Mestre da Bateria Carniceiros e fala do seu grupo com muita empolga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEle representa a ideia da bateria devido ao seu amor e dedica\u00e7\u00e3o pelo que faz. Ele merece esse cargo tamb\u00e9m por ser o mais qualificado entre n\u00f3s. \u00c9 um l\u00edder nato!\u201d, descreve Marjorie Batistela, uma das ritmistas do grupo.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m destaca a personalidade forte e o alto grau de interesse de Big no crescimento da equipe. E Tigu\u00eas concorda: \u201cEm um workshop de outubro o Claudio se mostrou muito interessado; era ele quem mais fazia perguntas. \u00c9 um homem muito humilde, que tem uma vis\u00e3o muito boa e a usa para ajudar, tamb\u00e9m, outras baterias\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Millena Sartori Baqueta na m\u00e3o, batuque no ar. Com gin\u00e1sio cheio, para apresenta\u00e7\u00e3o ou ensaio, a concentra\u00e7\u00e3o dos integrantes, com uniformes em verde e preto, \u00e9 evidente. 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