{"id":1761,"date":"2015-12-14T00:11:58","date_gmt":"2015-12-14T00:11:58","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1761"},"modified":"2015-12-14T00:11:58","modified_gmt":"2015-12-14T00:11:58","slug":"besteirologia-risadas-e-muita-palhacada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/besteirologia-risadas-e-muita-palhacada\/","title":{"rendered":"Besteirologia, risadas e muita palha\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Fernanda Penteado<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\">De janeiro a setembro de 2015 o grupo Doutores Palha\u00e7os SOS Alegria realizou um pouco mais de 33 mil visitas aos hospitais de Ponta Grossa. Durante todo ano de 2014 foram realizadas aproximadamente 50 mil visitas. Os quase trinta e cinco palha\u00e7os volunt\u00e1rios trabalham em uma escala fixa de segunda a s\u00e1bado, com visitas de uma a duas vezes por semana. Ent\u00e3o, n\u00e3o se surpreenda caso veja algum palha\u00e7o perto ou andando nos espa\u00e7os hospitalares de Ponta Grossa,\u00a0pois\u00a0eles est\u00e3o sempre por a\u00ed. A pr\u00f3xima atividade do grupo, agora fora do contexto hospitalar, acontece no dia 13 de dezembro, com o espet\u00e1culo teatral \u2018O Tempo\u2019, no Teatro Marista.<\/p>\n<p align=\"justify\">A pe\u00e7a retrata um executivo muito focado no trabalho, e que acaba se perdendo na v\u00e9spera do Natal e quando v\u00ea est\u00e1 na Terra dos Palha\u00e7os. L\u00e1, ele tenta buscar o caminho para a felicidade, para os pequenos prazeres da vida. O executivo tenta voltar a viver sem a preocupa\u00e7\u00e3o com os compromissos do dia a dia e do trabalho, e vai aprendendo com a ajuda dos palha\u00e7os.<\/p>\n<p align=\"justify\">A pe\u00e7a ser\u00e1 apresentada em dois hor\u00e1rios no Teatro Marista, a primeira sess\u00e3o\u00a0tem in\u00edcio\u00a0\u00e0s 17h, e a segunda \u00e0s 20h. Os ingressos antecipados custam R$10 e podem ser comprados na Sorveteria Polar Avenida, na sede dos Doutores Palha\u00e7os, e na Malu\u00ed Malhas. Todos pagam meia-entrada. No dia o ingresso ser\u00e1 vendido a R$20.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m da pe\u00e7a, o grupo \u2013 configurado como uma Organiza\u00e7\u00e3o N\u00e3o Governamental (ONG) \u2013 realiza durante o ano bazares\u00a0e\u00a0apresenta\u00e7\u00f5es culturais para capta\u00e7\u00e3o de recursos para garantir o funcionamento da ONG. No dia 11 de novembro, o grupo realizou na Igreja S\u00e3o Jos\u00e9 o \u00faltimo bazar beneficente do ano. Durante todo dia, a equipe de doutores palha\u00e7os e seus ajudantes estavam l\u00e1 no sal\u00e3o da Igreja em meio a roupas, sapatos e outras doa\u00e7\u00f5es trabalhando para continuar com os risos nos hospitais de Ponta Grossa.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cO Bazar acontece tr\u00eas vezes ao ano para arrecadar fundos para a ONG. Ela funciona como uma microempresa, que n\u00e3o tem um lucro financeiro\u201d, explica Micheli Madalozo, fundadora da ONG. Ela complementa dizendo que quanto mais o grupo cresce, a profissionaliza\u00e7\u00e3o do trabalho aumenta, e por consequ\u00eancia os gastos tamb\u00e9m. Desse modo, essas atividades foram os meios encontrados para a manuten\u00e7\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>O palha\u00e7o que brinca de ser m\u00e9dico<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cA ideia do SOS Alegria come\u00e7ou em 2004, comigo e com o Bruno, quando n\u00f3s t\u00ednhamos uma amiga com c\u00e2ncer, internada no hospital. Quando \u00edamos visit\u00e1-la veio o projeto deste trabalho,\u00a0mas como visitadores\u201d, relata Micheli Madalozo, uma das fundadoras da ONG Doutores Palha\u00e7os SOS Alegria.\u00a0Ela lembra que,\u00a0na mesma \u00e9poca, passava uma novela na TV, que tinha a propaganda dos Doutores da Alegria, e foi a\u00ed que\u00a0ela\u00a0soube\u00a0da exist\u00eancia de um\u00a0trabalho profissional e art\u00edstico\u00a0que\u00a0acontece junto com o voluntariado. \u201cDurante esse tempo, n\u00f3s continuamos as visitas, mas um ano ap\u00f3s nossa amiga faleceu. Como n\u00e3o t\u00ednhamos tempo para realizar um trabalho volunt\u00e1rio e ainda est\u00e1vamos sensibilizados com a morte dela, a ideia ficou parada por um tempo. Quatro anos depois eu vi um v\u00eddeo de palha\u00e7o hospitalar, e vi que era isso que eu queria fazer\u201d,\u00a0destaca Micheli.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ap\u00f3s um ano de muito estudo\u00a0sobre\u00a0a linguagem do palha\u00e7o no ambiente hospitalar, o impacto dessa visita para o paciente, e a elabora\u00e7\u00e3o do projeto, nasce em 5 de novembro de 2008 o projeto SOS Alegria no Hospital da Crian\u00e7a, em Ponta Grossa. Ele foi fundado\u00a0por Bruno e Micheli Madalozo \u2013 o Dr. Esparadrado e a Dra. Tiburcia &#8211; para trazer e fazer de sua profiss\u00e3o a alegria. O projeto iria atender inicialmente s\u00f3 crian\u00e7as, no entanto, ele foi crescendo e passou a atuar em quase todos os hospitais da cidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 2010, o grupo se tornou a ONG Doutores\u00a0Palha\u00e7os SOS Alegria. O trabalho foi inspirado por trabalhos internacionais, e pelo projeto Doutores da Alegria em S\u00e3o Paulo,\u00a0garantindo a mesma\u00a0ess\u00eancia: \u201ca par\u00f3dia do palha\u00e7o que brinca de ser m\u00e9dico\u201d, reitera Micheli. \u201cO palha\u00e7o \u00e9 uma desconstru\u00e7\u00e3o. O palha\u00e7o \u00e9 a s\u00e1tira da sociedade, ele \u00e9 tudo que eu n\u00e3o posso ser, por isso a exig\u00eancia do estudo. Quando voc\u00ea vai fazer uma brincadeira e voc\u00ea derruba \u00e9 ali que a crian\u00e7a ri, n\u00e3o \u00e9 onde est\u00e1 a perfei\u00e7\u00e3o da brincadeira\u201d, completa a fundadora da ONG.<\/p>\n<p align=\"justify\">O trabalho em Ponta Grossa \u00e9 uma mescla das vertentes que os fundadores acreditam. \u201cOs Doutores da Alegria de S\u00e3o Paulo (SP) fazem um trabalho art\u00edstico profissional, ent\u00e3o s\u00f3 atores comp\u00f5e a equipe. O que entra em conflito com a frente do Patch Adams, que \u00e9 m\u00e9dico e acredita que qualquer pessoa pode fazer esse trabalho. Assim, n\u00f3s juntamos essas duas frentes. Qualquer um pode ser um doutor palha\u00e7o desde que se profissionalize\u201d, explica Micheli.<\/p>\n<p align=\"justify\">Patch Adams, m\u00e9dico norte-americano e humanista, \u00e9 precursor na realiza\u00e7\u00e3o deste tipo de trabalho volunt\u00e1rio, com o uso do amor e da amizade como rem\u00e9dios para o tratamento de doen\u00e7a. J\u00e1 os\u00a0Doutores da Alegria de SP mostram, por seu trabalho, a import\u00e2ncia da profissionaliza\u00e7\u00e3o, sua escola \u201cse vale de princ\u00edpios do palha\u00e7o \u2013 o jogo, o olhar, a escuta, o aprendizado m\u00fatuo \u2013 para atuar na forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos diversos em todo o territ\u00f3rio nacional, desde volunt\u00e1rios de grupos semelhantes a profissionais que queiram exercitar a criatividade\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">Diante disso, o trabalho volunt\u00e1rio realizado em Ponta Grossa \u00e9 profissional, e todos os doutores palha\u00e7os possuem forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica na linguagem do palha\u00e7o e capacita\u00e7\u00e3o para atuar em hospitais.<\/p>\n<p align=\"justify\">Bruno Madalozo, o Dr. Esparadrapo, conta\u00a0que\u00a0a import\u00e2ncia de ser\u00a0um \u201cdoutor palha\u00e7o\u201d \u00e9 fingir que \u00e9 m\u00e9dico para tentar convencer as pessoas de que vale a pena lutar um pouco mais para viver. \u201cA gente tenta resgatar um pouco da alegria delas. Voc\u00ea trata aquilo que h\u00e1 de bom nela, para que ela tenha mais esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\">J\u00e1 Micheli, a Dra. Tib\u00farcia, relata: \u201ctudo que eu aprendi hoje como palha\u00e7o foi o que me transformou em gente de verdade, porque at\u00e9 n\u00e3o fazer o trabalho eu acho que estava dormindo para o mundo. Quando voc\u00ea entra no hospital e v\u00ea que tem gente que tem s\u00f3 mais um dia, ou que voc\u00ea \u00e9 a \u00faltima visita dela, ou que ela sorriu pela \u00faltima vez com voc\u00ea, ou quando voc\u00ea v\u00ea algu\u00e9m morrer \u00e9 muito forte. Eu aprendi a viver, mas n\u00e3o a viver o futuro ou o passado, mas sim o presente\u201d.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>De Palha\u00e7o Pirueta a Dr. Cansadinho<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Foi por meio de uma busca no\u00a0<em>google<\/em>\u00a0que Fabiano Meirelles saiu de Tup\u00e3, interior de S\u00e3o Paulo e sua cidade natal, e decidiu se mudar para Ponta Grossa e se tornar o Dr. Cansadinho, levando alegria para os corredores, quartos\u00a0e\u00a0enfermarias dos hospitais da cidade. O seu trabalho como palha\u00e7o j\u00e1 ocorre h\u00e1 15 anos, e por causa de sua pesquisa do palha\u00e7o no universo hospitalar veio parar aqui no Paran\u00e1. \u201cJ\u00e1 buscava isso faz tempo, eu via a necessidade de fazer algo mais voltado para o lado profissional, comecei a procurar na internet grupos que davam essa forma\u00e7\u00e3o de palha\u00e7o na \u00e1rea hospitalar e encontrei o SOS Alegria\u201d, relata.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em 2010, Fabiano entrou em contato com Micheli Madalozo \u2013 uma das fundadoras do grupo \u2013 para saber mais sobre a sele\u00e7\u00e3o de palha\u00e7os que aconteceria em Ponta Grossa. Ap\u00f3s alguns e-mails trocados, Fabiano decidiu vir at\u00e9 a cidade para participar da sele\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios. Em Tup\u00e3, ele era gerente de uma loja de materiais hospitalares, e para participar de fato da sele\u00e7\u00e3o precisou conversar com seu patr\u00e3o para poder vir algumas vezes para a cidade. \u201cNo intuito de buscar mais, eu conversei com meu patr\u00e3o e fiz as viagens nos meses de agosto, setembro, outubro e algumas em dezembro, para conseguir realizar meu sonho\u201d, conta Fabiano.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nesses quatro meses de idas e vindas entre o Paran\u00e1 e S\u00e3o Paulo, a forma\u00e7\u00e3o para ser um doutor palha\u00e7o foi feita por completo. No entanto, trabalhar em Ponta Grossa n\u00e3o era o desejo inicial de Fabiano. Sua pretens\u00e3o era se profissionalizar em palha\u00e7o hospitalar e trabalhar em sua cidade. Isso aconteceu, durante todo ano de 2011 ele trabalhou nos hospitais de Tup\u00e3; mas a falta de escola l\u00e1, a vontade de trabalhar com mais frequ\u00eancia, e sua paix\u00e3o pelo voluntariado fizeram com que, em 2012, ele se mudasse para Ponta Grossa. \u201cAbandonei minha casa, minha fam\u00edlia, meu emprego, por conta de um sonho que era maior que eu, que \u00e9 o trabalho mais profissional e semanal\u201d, explica Fabiano.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cHoje faz tr\u00eas anos que eu estou na cidade. Meu personagem \u00e9 o Dr. Cansadinho. Esse foi um palha\u00e7o que eu criei aqui, porque at\u00e9 ent\u00e3o eu trabalhava como o Palha\u00e7o Pirueta, um palha\u00e7o de festa infantil, anima\u00e7\u00e3o\u201d, exp\u00f5e Fabiano. Ele explica que nessa mudan\u00e7a de um tipo de palha\u00e7o para outro, teve que se adequar, pois o palha\u00e7o de festa \u00e9 completamente diferente do palha\u00e7o de hospital. A maquiagem \u00e9 mais leve e mais limpa, o figurino menos fantasioso e colorido; a busca \u00e9 pela cria\u00e7\u00e3o de um personagem mais real. Quem recebe a visita do palha\u00e7o deve enxerg\u00e1-lo com um ser humano real, n\u00e3o fugindo assim do contexto\u00a0em\u00a0que est\u00e3o inseridos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Fabiano Meirelles est\u00e1 em Ponta Grossa h\u00e1 tr\u00eas anos.\u00a0Hoje, trabalha nos hospitais n\u00e3o s\u00f3 como palha\u00e7o, ele \u00e9 tamb\u00e9m t\u00e9cnico em radiologia. Quando perguntado se tem algum arrependimento em largar tudo em Tup\u00e3 para viver seu sonho no Paran\u00e1, ele diz que n\u00e3o.\u00a0\u201cO palha\u00e7o \u00e9 uma exterioriza\u00e7\u00e3o do que a gente \u00e9 de verdade. \u00c9 uma paix\u00e3o, algo que nasce com a gente e eu acredito que n\u00e3o vai morrer nunca. O palha\u00e7o \u00e9 isso, voc\u00ea se redescobrir todos os dias. N\u00e3o me arrependo nem um pouco de ter vindo para c\u00e1, porque hoje eu vivo a realiza\u00e7\u00e3o de um grande sonho, todos os dias!\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fernanda Penteado De janeiro a setembro de 2015 o grupo Doutores Palha\u00e7os SOS Alegria realizou um pouco mais de 33 mil visitas aos hospitais de Ponta Grossa. Durante todo ano de 2014 foram realizadas aproximadamente 50 mil visitas. 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