{"id":1778,"date":"2016-03-15T00:31:34","date_gmt":"2016-03-15T00:31:34","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1778"},"modified":"2016-03-15T00:31:34","modified_gmt":"2016-03-15T00:31:34","slug":"do-som-dos-motores-ao-som-das-guitarras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/do-som-dos-motores-ao-som-das-guitarras\/","title":{"rendered":"Do som dos motores ao som das guitarras"},"content":{"rendered":"<p>Por Marcela Ferreira<\/p>\n<p>Fraternidades de pessoas de todas as idades, vestindo coletes de couro com in\u00fameros s\u00edmbolos bordados. Quanto maior o n\u00famero de patchs costurados no colete, maior a experi\u00eancia e o n\u00famero de quil\u00f4metros rodados. Em cima de suas motos potentes, os motociclistas viajam com maior ou menor frequ\u00eancia, dependendo de sua rotina, pelo Brasil todo, e at\u00e9 para outros pa\u00edses. S\u00f3 quem viajou de\u00a0<span class=\"il\">moto<\/span>\u00a0ou triciclo entende a sensa\u00e7\u00e3o de liberdade ao sentir o vento frio no rosto, e o sangue quente pela adrenalina.<\/p>\n<p>Para os motociclistas, veste como uma luva, ou melhor, como um colete, o esp\u00edrito de contracultura. Para embalar os quil\u00f4metros de viagem, apenas um g\u00eanero musical poderia ser t\u00e3o compat\u00edvel: o rock\u2019n\u2019roll. N\u00e3o \u00e9 apenas as roupas de couro e o esp\u00edrito aventureiro que aproximam o rock do motociclismo: os dois tiveram pontos altos de sua hist\u00f3ria em \u00e9pocas semelhantes.<\/p>\n<p>Comecemos pela origem do motociclismo. Embora a primeira motocicleta com motor a combust\u00e3o tenha sido inventada em 1885, na Alemanha, os primeiros\u00a0<span class=\"il\">motoclubes<\/span>\u00a0surgem com mais for\u00e7a ao redor do mundo ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial. N\u00e3o se sabe exatamente qual foi o primeiro\u00a0<span class=\"il\">motoclube<\/span>\u00a0do mundo, mas no Brasil o primeiro que se tem registro \u00e9 o\u00a0<span class=\"il\">Moto<\/span>\u00a0Club do Brasil, em 1927, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 50 e 60 surge o motociclismo romantizado pelos filmes de Elvis Presley, James Dean e outros \u00edcones Rockabilly. O Rockabilly \u00e9 o cl\u00e1ssico rebelde dos anos 50\/60, usa jaqueta de couro, passeia de\u00a0<span class=\"il\">moto<\/span>\u00a0\u2013 de prefer\u00eancia uma Harley Davidson \u2013 e ouve rock\u2019n\u2019roll. E \u00e9 assim que come\u00e7a a se popularizar a imagem do \u201cmotoqueiro\u201d.<\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca tomava forma e se popularizava o rock\u2019n\u2019roll, filho do Blues Cl\u00e1ssico. Rock nesta \u00e9poca era sin\u00f4nimo de rebeldia, ataque aos bons costumes e at\u00e9 mesmo liga\u00e7\u00e3o com satanismo. Usando o mesmo guarda roupa lotado de roupas pretas, couros e tachas, e inspirados pelo sonho de liberdade, rebeldia ao conservadorismo, foi natural a aproxima\u00e7\u00e3o das motos com o rock, e do rock com as motos.<\/p>\n<p><strong><em>O Rock, pelos motociclistas<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Mas e o que os motociclistas pensam sobre a aproxima\u00e7\u00e3o t\u00e3o \u00f3bvia destas duas paix\u00f5es? A escolha deste g\u00eanero musical parece ser un\u00e2nime, segundo relatos de diversas pessoas. F\u00e1bio Lacerda Pascucci \u00e9 radialista, DJ e locutor, e participa de eventos de\u00a0<span class=\"il\">motoclubes<\/span>\u00a0desde 2007. F\u00e1bio lembra que seu primeiro evento foi em Rio das Ostras, e que antes, como motociclista apenas, percebia que as fun\u00e7\u00f5es de DJ e locutor \u201cn\u00e3o se bicavam\u201d muito, e ent\u00e3o resolveu unir os dois trabalhos. \u201cDeterminada altura do evento o DJ n\u00e3o abaixava mais o som para o locutor poder falar, pois ambos queriam mostrar servi\u00e7o\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Com um vasto conhecimento musical, essencialmente de rock\u2019n\u2019roll, F\u00e1bio \u00e9 f\u00e3 de bandas como Jehtro Trull, Lynyrd Skynyrd, Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. Gosta de tantas bandas, que acha quase imposs\u00edvel escolher um hit s\u00f3. Questionado sobre a rela\u00e7\u00e3o entre rock\u2019n\u2019roll e motociclismo, ele diz nunca ter parado para pensar sobre o assunto, de t\u00e3o natural que a associa\u00e7\u00e3o parece.<\/p>\n<p>Para Hildgar Juswiak, a aproxima\u00e7\u00e3o entre o g\u00eanero musical e a paix\u00e3o por motos \u00e9 parte de sua personalidade. Dono de uma Harley Davidson de 1600 cilindradas, Hildgar tamb\u00e9m ocupa o posto de uma banda de hard rock ponta-grossense: a Westhill. O hard rock teve seu auge nos anos 70 e 80, e \u00e9 um g\u00eanero marcado pelo uso de roupas extravagantes e m\u00fasicas mais animadas, que falam sobre aventuras noturnas, vidas de rockstar e garotas.<\/p>\n<p>\u201cA rela\u00e7\u00e3o [entre rock e motos] \u00e9 a melhor poss\u00edvel, pois o rock&#8217;n\u2019roll e as motos s\u00e3o coisas coladas desde muitos anos\u201d, conta Hildgar, que \u00e9 co-fundador do Ca\u00e7adores do Vento MC, que est\u00e1 prestes a completar um ano de exist\u00eancia. Ele observa que para algumas pessoas o gosto musical pode vir depois da escolha da<span class=\"il\">moto<\/span>: \u201cTem at\u00e9 pessoas que n\u00e3o curtiam rock e compraram motos\u00a0<em>custom<\/em>, [de alta cilindrada] e acabam recebendo convites pra entrar em\u00a0<span class=\"il\">motoclube<\/span>, e ali que inicia uma hist\u00f3ria de amor pelo rock\u201d.<\/p>\n<p>A banda preferida de Hildgar \u00e9 M\u00f6tley Cr\u00fce, e a can\u00e7\u00e3o \u201cGirls Girls Girls\u201d. Esta m\u00fasica, especificamente, traz uma imagem dos motociclistas que n\u00e3o \u00e9 a mais adorada por eles, e que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a mais realista: a imagem de quem procura confus\u00e3o. Na can\u00e7\u00e3o: \u201cFriday night and I need a fight\/ my motorcycle and a switchblade knife\u201d, que em portugu\u00eas quer dizer \u201cSexta \u00e0 noite e eu preciso de uma briga\/ minha\u00a0<span class=\"il\">moto<\/span>\u00a0e um canivete\u201d.<\/p>\n<p>Apesar de alguns\u00a0<span class=\"il\">motoclubes<\/span>\u00a0terem a fama de encrenqueiros, como \u00e9 o caso do Hells Angels, que existe no mundo todo, n\u00e3o \u00e9 exatamente o que acontece na pr\u00e1tica. Muitos\u00a0<span class=\"il\">motoclubes<\/span>\u00a0surgem de rela\u00e7\u00f5es de amizade, fraternidade ou mesmo dentro de fam\u00edlias. Este \u00faltimo, \u00e9 o caso do Tra\u00e7as do Asfalto\u00a0<span class=\"il\">Motoclube<\/span>\u00a0e Triciclo\u00a0<span class=\"il\">Clube<\/span>.<\/p>\n<p><strong><em>Fam\u00edlia de Tra\u00e7as, por Tracinha<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou em 1974, quando Alan Afonso Ferreira comprou, com suas economias trabalhando de servente de pedreiro, sua primeira\u00a0<span class=\"il\">moto<\/span>: uma Leonette, de apenas 50 cilindradas. Desde ent\u00e3o, a paix\u00e3o pela estrada nunca parou. A primeira viagem dele foi um trecho pequeno, de Curitiba a S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, regi\u00e3o metropolitana. Em 1984, j\u00e1 casado com sua esposa Rosa, nasce sua primeira filha: Dayane, hoje \u201cTracinha\u201d. Em 1987 nasce seu segundo filho, Alan Diekeson.<\/p>\n<p>Sempre viajando muito, e colecionando amigos, surge em 2000 a ideia de Alan montar um\u00a0<span class=\"il\">motoclube<\/span>\u00a0na sua cidade atual: Fazenda Rio Grande, tamb\u00e9m regi\u00e3o metropolitana de Curitiba. \u201cForam tomadas todas as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias; pesquisas, editais de convoca\u00e7\u00e3o na cidade. Com a ajuda do Dr. Paulo Cesar Cher, at\u00e9 ent\u00e3o nosso advogado, conseguimos elaborar nosso estatuto e registrar no dia 24 de Novembro de 2009\u201d, conta Dayane. No entanto, a funda\u00e7\u00e3o oficial do\u00a0<span class=\"il\">motoclube<\/span>\u00a0data de 10 de novembro de 2007.<\/p>\n<p>O nome do\u00a0<span class=\"il\">motoclube<\/span>\u00a0veio depois de sua forma\u00e7\u00e3o inicial: \u201ceu voltei do trabalho com um desses potinhos de exames cl\u00ednicos, com uma tra\u00e7a dentro, e percebi que ela estava viva, mesmo esquecida por uns 30 dias ali, e quando soltamos ela saiu andando!\u201d. E foi pensando na for\u00e7a e resist\u00eancia da tra\u00e7a que surgiu o nome: Tra\u00e7as do Asfalto. O\u00a0<span class=\"il\">moto<\/span>\u00a0e triciclo\u00a0<span class=\"il\">clube<\/span>\u00a0surgiu de maneira familiar, com Alan na presid\u00eancia e seus filhos como tesoureiro e secret\u00e1ria, al\u00e9m de amigos pr\u00f3ximos e um irm\u00e3o de Alan que tamb\u00e9m participaram da funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTemos um programa social onde ajudamos pessoas menos favorecidas pela sociedade e outros em fase de implanta\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m est\u00e1 quase a\u00ed a sede pr\u00f3pria do TC &amp; MC Tra\u00e7as do Asfalto Brasil e muito mais\u201d, anuncia Dayane.<\/p>\n<p>Para ela, que aprendeu a paix\u00e3o pelas motos com o pai, o rock est\u00e1 relacionado ao motociclismo como um referencial de liberdade e uma forma melhor de expressar essa liberdade. \u201c\u00c9 uma uni\u00e3o perfeita motociclismo e rock, mas isso n\u00e3o que dizer que n\u00e3o possa ter outros estilos\u00a0musicais. Em Santa Catarina o pessoal\u00a0<em>de<span class=\"il\">motoclubes<\/span><\/em>\u00a0curte muita m\u00fasica ga\u00facha\u201d. E finaliza: \u201cSer motociclista \u00e9 ter uma fam\u00edlia imensa que voc\u00ea vai conhecendo um membro novo a cada dia.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcela Ferreira Fraternidades de pessoas de todas as idades, vestindo coletes de couro com in\u00fameros s\u00edmbolos bordados. Quanto maior o n\u00famero de patchs costurados no colete, maior a experi\u00eancia e o n\u00famero de quil\u00f4metros rodados. 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