{"id":1781,"date":"2015-12-18T00:29:20","date_gmt":"2015-12-18T00:29:20","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1781"},"modified":"2015-12-18T00:29:20","modified_gmt":"2015-12-18T00:29:20","slug":"quando-mortos-vivos-caminham-entre-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/quando-mortos-vivos-caminham-entre-nos\/","title":{"rendered":"Quando mortos-vivos caminham entre n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Melissa Moura<\/em><\/p>\n<p>No 1\u00ba dia de novembro, o clima nublado trazia para a cidade a escurid\u00e3o que alguns ponta-grossenses aguardavam. Ao lado do Terminal Central, um aglomerado de pessoas aos poucos aumentava, desde \u00e0s 17h. Aproximadamente 40 mortos-vivos se reuniam para andar pelas ruas de Ponta Grossa com o objetivo de fortalecer a cultura alternativa da cidade.<\/p>\n<p>Nas estampas camufladas, quem observava o rapaz de costas n\u00e3o percebia que aquele ser j\u00e1 n\u00e3o vivia mais. Inspirado em um militar que virou zumbi no campo de batalha, Kaly Anderson, participante pela primeira vez da tradicional Zombie Walk de Ponta Grossa, demorou aproximadamente 1h para se arrumar para o evento. \u201cNunca tinha participado, me convidaram para o evento e eu quis saber como era\u201d, conta.<\/p>\n<p>As roupas pretas e a maquiagem escura feita no dia em que virou zumbi revelavam a paix\u00e3o pela escurid\u00e3o de Jessika Ziareski Mendes, que ao se tornar zumbi teve um corte horizontal feito no meio do rosto. Tamb\u00e9m participante pela primeira vez do evento, Jessika sempre quis participar, mas nunca teve a oportunidade at\u00e9 ent\u00e3o. Ela demonstra um olhar baixo e um riso constrangido, contando que esta foi sua primeira e \u00faltima Zombie Walk, pois no pr\u00f3ximo ano ir\u00e1 morar em outra cidade. \u201cSou viciada no sobrenatural e em fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, jogos de matar zumbi ou de virar o zumbi, isso me inspirou a participar da caminhada\u201d, fala.<\/p>\n<p>Os jogos tamb\u00e9m inspiraram William Rocco e Erick Becher a se transformarem em zumbis. Vestidos com jaleco, armas e m\u00e1scara &#8211; no caso de William &#8211; aproveitaram a oportunidade para participar de alguma atividade no final de semana. \u201cA ideia veio da cria\u00e7\u00e3o do v\u00edrus em laborat\u00f3rio, onde os cientistas j\u00e1 possu\u00edam um material de prote\u00e7\u00e3o, como a m\u00e1scara de g\u00e1s e armas para se defender\u201d, diz Erick, ao relatar a escolha do seu figurino.<\/p>\n<p>A caminhada durou aproximadamente 50 minutos e surpreendeu as pessoas que passeavam pela Av. Dr. Vicente Machado e Av. Bonif\u00e1cio Vilela. Na frente dos zumbis quem guiava era um pirata, Diego Juraski, organizador do evento.<\/p>\n<p>Em uma noite fria no meio da semana de 2010, Diego Juraski, coordenador do Project Yumi, conversava com uma amiga no antigo bar Abismo. Os dois, amantes da cultura japonesa, compartilhavam tamb\u00e9m suas paix\u00f5es por zumbis. Essa conversa ent\u00e3o originou o coletivo de cultura alternativa Zombie Walk Ponta Grossa, ZWPG.<\/p>\n<p>O ZWPG logo teve seu fim pela falta de pessoas na organiza\u00e7\u00e3o do coletivo. O in\u00edcio da Zombie Walk marcou uma mudan\u00e7a no Project Yume, associa\u00e7\u00e3o que promove eventos de cultura japonesa, que passou tamb\u00e9m a abranger a manifesta\u00e7\u00e3o dos zumbis e a organizar todas as caminhadas dos mortos-vivos pela cidade.<\/p>\n<p>Na primeira edi\u00e7\u00e3o do evento, em 2010, aproximadamente 100 zumbis caminharam pela cidade. O apocalipse zumbi estava pr\u00f3ximo em 2012, quando o n\u00famero triplicou. Ao que parece, as pessoas conseguiram conter a prolifera\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, no ano seguinte quando apenas 80 mortos-vivos se uniram para contaminar Ponta Grossa. O ano de 2014 n\u00e3o foi diferente, o n\u00famero de zumbis diminuiu pela metade.<\/p>\n<p>\u201cA chuva diminui o n\u00famero de participantes na Zombie Walk. Nesse ano, s\u00f3 pela probabilidade de chover, muita gente desistiu\u201d, conta Diego, que ainda recorda o ano passado, em que os participantes caminharam embaixo de chuva. Diego, no entanto, espera que no pr\u00f3ximo ano o evento seja maior. \u201cSe a gente desanimar, n\u00e3o faz nada\u201d, enfatiza Diego.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m da Zombie Walk<\/strong><\/p>\n<p>O Project Yume foi fundado em 2003 por Diego Juraski e Pedro Decker com o intuito de trazer a cultura japonesa para a cidade de Ponta Grossa, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o possu\u00eda eventos ou apoio cultural nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Diego reclama que tudo o que ele podia consumir de cultura japonesa na \u00e9poca eram os poucos animes de massa que passavam na televis\u00e3o, e esta foi uma motiva\u00e7\u00e3o para o grupo abrir espa\u00e7o para esta cultura.<\/p>\n<p>A dificuldade no in\u00edcio foi grande, o projeto n\u00e3o tinha apoio da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura e tinha que gastar com taxas de aluguel para organizar o Yume Festival, primeiro evento criado pelo projeto. \u201cA gente sofria com a ignor\u00e2ncia do povo e a falta de apoio, no entanto a gente conseguiu apoio com o tempo\u201d, lembra Diego.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura fez uma parceria com o Project Yume, permitindo o uso do Centro de Cultura para a realiza\u00e7\u00e3o dos eventos, com taxas baixas, o que permitia um pequeno custo de entrada.<\/p>\n<p>Algumas das pr\u00e1ticas promovidas nos eventos do Yume s\u00e3o o swordplay, animek\u00ea, dan\u00e7as japonesas, RPG, cosplay, torneios de Magic e yu-gi-oh e oficinas de mang\u00e1.<\/p>\n<p>Para a realiza\u00e7\u00e3o dos eventos, a ajuda volunt\u00e1ria de todos os participantes foi sempre essencial e as vendas de mang\u00e1s, comida japonesa e souvenirs ajudavam a manter o Project, garantindo um pouco de dinheiro em caixa para a realiza\u00e7\u00e3o de novos eventos.<\/p>\n<p>Diego conta que com o tempo as coisas mudaram e as taxas de border\u00f4 e reserva para manuten\u00e7\u00e3o do Centro de Cultura subiram. No entanto, o grande impasse para a realiza\u00e7\u00e3o de novos eventos foi a nova reforma do local, em maio deste ano. \u201cO custo de locar outro lugar para realizar os eventos \u00e9 muito alto e como o projeto n\u00e3o possui muito dinheiro em caixa, fazer algo em local p\u00fablico dificulta porque n\u00e3o h\u00e1 a arrecada\u00e7\u00e3o de entrada\u201d, explica Diego.<\/p>\n<p>Atualmente, com 17 anos, o Project acumula aproximadamente 150 eventos j\u00e1 feitos em dez cidades, de quatro estados diferentes.<\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlia dos cosplay<\/strong><\/p>\n<p>Da cidade da amizade, duas meninas n\u00e3o passam despercebidas. Com suas franjas escorridas pelos cabelos pretos e curtos, n\u00e3o \u00e9 apenas pela semelhan\u00e7a que as duas s\u00e3o conhecidas. As g\u00eameas de Pira\u00ed do Sul s\u00e3o duas das poucas pessoas que fazem cosplay na cidade.<\/p>\n<p>Tham\u00edris e Nicoly Moreira, com 16 anos, se apaixonaram pela cultura japonesa atrav\u00e9s de desenhos que costumavam assistir quando crian\u00e7as na televis\u00e3o. Com o tempo come\u00e7aram a pesquisar mais sobre a cultura japonesa e se interessar tamb\u00e9m pela literatura e filmes japoneses.<\/p>\n<p>Com o tempo as g\u00eameas acumularam mais de 30 cosplays diferentes juntas e 5 em dupla e 20 eventos em que participaram, entre alguns famosos como Anime Friends, UP! ABC e Shinobi.<\/p>\n<p>No entanto, por morar em uma cidade pequena, as duas precisam viajar para participar de eventos de cultura japonesa. S\u00e3o aproximadamente tr\u00eas horas de viagem para o Shinobi, de Curitiba.<\/p>\n<p>\u201cPira\u00ed j\u00e1 n\u00e3o possui muitas atividades gerais para a popula\u00e7\u00e3o, muito menos para a gente que tem hobbies diferentes, como fazer cosplay\u201d, diz Nicoly. A tristeza das g\u00eameas \u00e9 que ainda h\u00e1 preconceito com a cultura japonesa. \u201cAs pessoas ficam sem acesso a novas culturas e julgam o que \u00e9 diferente, se possu\u00edssem mais contato com tudo isso poderiam at\u00e9 gostar ou pelo menos aceitar\u201d, reclama Tham\u00edris.<\/p>\n<p>As g\u00eameas contam que esperavam que cidades pr\u00f3ximas fizessem eventos grandes relacionados \u00e0 cultura japonesa, que tamb\u00e9m pudessem abranger uma cultura mais pop e nerd, ampliando p\u00fablico. As duas gostam de viajar para os eventos, apesar dos gastos em transporte. Nos eventos as g\u00eameas conheceram boa parte dos amigos que possuem e encontraram pessoalmente alguns que conheceram atrav\u00e9s da internet. \u201cTamb\u00e9m nos sentimos mais livres porque em cidade maiores, e principalmente nos eventos, fazer cosplay \u00e9 normal\u201d, conta Nicoly.<\/p>\n<p>Nicoly e Tham\u00edris ainda ajudaram a irm\u00e3 mais nova Ana Paula Moreira, de 6 anos, a fazer o seu primeiro cosplay. Ana Paula come\u00e7ou a gostar da cultura japonesa por influ\u00eancia das irm\u00e3s mais velhas. Os cosplays das duas podem ser vistos na p\u00e1gina 2wins Cosplay pelo link:\u00a0<span class=\"link-https\"><a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/www.facebook.com\/2winscosplay\/?fref=ts\">https:\/\/www.facebook.com\/2winscosplay\/?fref=ts<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Melissa Moura No 1\u00ba dia de novembro, o clima nublado trazia para a cidade a escurid\u00e3o que alguns ponta-grossenses aguardavam. 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