{"id":1797,"date":"2015-12-23T00:38:48","date_gmt":"2015-12-23T00:38:48","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1797"},"modified":"2015-12-23T00:38:48","modified_gmt":"2015-12-23T00:38:48","slug":"musica-inquietacao-e-cabelos-vermelhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/musica-inquietacao-e-cabelos-vermelhos\/","title":{"rendered":"M\u00fasica, inquieta\u00e7\u00e3o e cabelos vermelhos"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Adriane Hess e Matheus Dias<\/em><\/p>\n<p>Antes de conversar com Ruivo, como \u00e9 conhecido entre seus amigos (e como define a si pr\u00f3prio em seu perfil do Facebook), trocamos algumas ideias com amigas que o esperavam para uma roda de conversas na sorveteria, em uma noite de domingo. Uma de suas amigas o definiu como um rapaz t\u00edmido, mas com grande dom\u00ednio das palavras, e que n\u00e3o as poupar\u00e1 para se expressar. Disse ainda que Kluber era um menino \u201ccanhoto de letra bonita\u201d.<\/p>\n<p>Chega Jo\u00e3o Davi Kluber a sorveteria. Jo\u00e3o \u00e9 alto, magro, ostenta um sorriso t\u00edmido e cabelos compridos e avermelhados. A princ\u00edpio, sua voz suave apenas respondia pontualmente as primeiras quest\u00f5es da reportagem, seguidas de breves risos sem-gra\u00e7a. Aos poucos, o Ruivo foi se soltando. Portanto, uma das teses de sua amiga, a da timidez e da eloqu\u00eancia, eram verdadeiras.<\/p>\n<p>Mas ainda restava saber se o jovem pianista tinha mesmo uma letra bonita, apesar de\u00a0 canhoto, partindo do pressuposto de sua amiga, a qual afirma que boa parte dos canhotos que conhece por a\u00ed tem uma letra r\u00e1pida, desleixada e imprecisa. Pedimos que Jo\u00e3o Davi escrevesse uma frase qualquer no nosso bloco de notas.<\/p>\n<p><strong>Um jovem americano que n\u00e3o gosta de futebol<\/strong><\/p>\n<p>O jovem m\u00fasico, nascido na cidade de Orange, Calif\u00f3rnia, EUA, viveu seus primeiros tr\u00eas anos de vida nos Estados Unidos. Depois veio para Ponta Grossa, onde viveu at\u00e9 2014 e \u201cse criou\u201d, como dizem os mais antigos. Ap\u00f3s isso, voltou em duas ocasi\u00f5es para a Am\u00e9rica do Norte, a \u00faltima delas no ano passado, para visitar a av\u00f3 materna antes que ela falecesse. Ruivo n\u00e3o quis revelar porque a fam\u00edlia decidiu se mudar para o Brasil, e respeitamos isso. Ali\u00e1s, Kluber respondeu a quase todas as nossas perguntas, assim como tamb\u00e9m n\u00e3o se constrangia em dizer n\u00e3o para temas que n\u00e3o queria abordar, ou ainda:<\/p>\n<p>&#8211; Isso voc\u00ea n\u00e3o coloca no texto, por favor.<\/p>\n<p>Aos 17 anos, nascido em 18 de setembro de 1997, \u00a0ganhou seu primeiro teclado quando tinha sete anos. Uma tia deu para ele e sua irm\u00e3 g\u00eamea um teclado da marca Radio Shack. Ap\u00f3s isso, por interm\u00e9dio de uma amiga da m\u00e3e que dava aulas de m\u00fasica, Jo\u00e3o e sua irm\u00e3 come\u00e7aram a estudar m\u00fasica. Ap\u00f3s isso, Ruivo seguiu seus estudos musicais no Conservat\u00f3rio Maestro Paulino, em Ponta Grossa, onde foi tamb\u00e9m estagi\u00e1rio. No ano de 2015, Kluber entrou na Escola de M\u00fasica e Belas Artes do Paran\u00e1, onde cursa Bacharelado em Piano. O pianista revela que tem inten\u00e7\u00e3o de seguir carreira nas notas musicais, como professor ou outra coisa. N\u00e3o tem certeza se tem vontade de regressar aos Estados Unidos e apesar de ter cidadania estadunidense, se diz um \u201camericano n\u00e3o-fluente\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Volto para uma p\u00f3s, talvez<\/p>\n<p>Agora, Kluber estuda e mora na capital do Paran\u00e1.\u00a0<span class=\"Refdecomentrio1\">D<\/span>eixou em Ponta Grossa a m\u00e3e, a irm\u00e3 e os amigos para viver em uma casa de estudantes mantida pela Igreja Luterana, em Curitiba. Nessa habita\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o divide quarto com mais um menino. N\u00e3o se queixa, afinal, passa boa parte de seu tempo na faculdade, estudando teorias e pr\u00e1tica de piano.<\/p>\n<p>Ruivo se descreve como um garoto sedent\u00e1rio, e particularmente n\u00e3o \u00e9 f\u00e3 de futebol. Mas um fato chama aten\u00e7\u00e3o em seu Facebook: A \u00fanica fanpage relacionada a esportes que segue \u00e9 a do jogador brasileiro David Luiz. Tivemos de perguntar se \u00e9 f\u00e3 das habilidades futebol\u00edsticas do atleta, ou de suas madeixas. Ruivo responde rindo que \u00e9 mais pela semelhan\u00e7a entre seus cabelos, e que provavelmente seguiu a fanpage do jogador sem prestar muita aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o acredita que as artes dialogam e que, por isso, qualquer indiv\u00edduo que queira se envolver com arte deve se interessar e se informar por todo tipo de manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica. E jo\u00e3o p\u00f5e sua tese em pr\u00e1tica. Gosta de filmes, de fotos, de m\u00fasica, de livros. Mas seu gosto por filmes e fotos foge ao\u00a0<em>mainstream.\u00a0<\/em>Ele mesmo reconhece que n\u00e3o \u00e9 grande f\u00e3 de produtos culturais massivos de industriais. Enxerga nesses produtos superficialidade e falta de valor art\u00edstico. Reconhece tamb\u00e9m que consome esses produtos, \u00e0s vezes, mas que prefere a profundidade de outras manifesta\u00e7\u00f5es que fogem \u00e0 grande m\u00eddia.<\/p>\n<p><strong>Chegar \u00e0 ess\u00eancia das coisas<\/strong><\/p>\n<p>Desde muito pequeno Ruivo gosta de ler. Lia de tudo, qualquer coisa o atra\u00eda, chamava a aten\u00e7\u00e3o, e o deixava inquieto por aprender mais. Em sua inf\u00e2ncia, foi um garoto de poucos amigos. Era um daqueles vistos com estranheza pelos coleguinhas mais populares da turma. Mas nos \u00faltimos anos, garante que tem lidado de forma diferente com o mundo, mais interativo. E sem d\u00favida, as duas apresenta\u00e7\u00f5es no Festival Universit\u00e1rio da Can\u00e7\u00e3o de Ponta Grossa lhe trouxeram algum reconhecimento.<\/p>\n<p>Sua inquieta\u00e7\u00e3o por conhecer e aprender nunca o deixou ao longo da vida, seja na m\u00fasica, seja na escola, em no\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e opini\u00f5es pessoais. Politicamente, prefere se ver como um homem de centro-esquerda. Abomina a superficialidade na educa\u00e7\u00e3o, em pol\u00edticas p\u00fablicas e na m\u00fasica consumida pelo p\u00fablico. Enquanto convers\u00e1vamos, por poucas vezes a voz de Kluber se exaltou. Mas quando o fez, era para refutar a superficialidade ou para enfatizar a busca pela ess\u00eancia dos temas que discut\u00edamos.<\/p>\n<p>Ele acredita que as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas consumidas e produzidas pelos artistas s\u00e3o comerciais e de pouca qualidade. Para Jo\u00e3o Davi, esse \u00e9 um cen\u00e1rio negativo, e sua solu\u00e7\u00e3o \u00e9 quase ut\u00f3pica: Aprimorar a educa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Mas n\u00e3o uma educa\u00e7\u00e3o que ensine em que ano tal presidente entrou e saiu do poder, ou que tipo de c\u00e9lula tem uma \u00e1rvore, e, sim, uma educa\u00e7\u00e3o que situe o cidad\u00e3o no sistema pol\u00edtico no qual ele est\u00e1 inserido.<\/p>\n<p>Diferentemente de muitos dos m\u00fasicos que acabam se destacando em cenas art\u00edsticas, Jo\u00e3o Davi Kluber sempre levou consigo os preceitos te\u00f3ricos da m\u00fasica &#8211; leu muito, treinou muito, tocou muito. Mas quando o assunto \u00e9 composi\u00e7\u00e3o, o m\u00fasico se apoia em outros suportes.<\/p>\n<p>Ruivo relata que a primeira composi\u00e7\u00e3o que fez foi uma can\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas para uma pequena paix\u00e3ozinha infantil, em 2010 ou 2011, aqui a mem\u00f3ria falha. Depois disso, passou a compor poesias e outras can\u00e7\u00f5es. Ele conta que sente uma forte liga\u00e7\u00e3o com a natureza, e estar s\u00f3 em um ambiente calmo e natural o inspira para realizar composi\u00e7\u00f5es profundas e sens\u00edveis. Da mesma forma, \u201ca loucura das cidades\u201d tamb\u00e9m o estimula. Mas em um sentido negativo, j\u00e1 que traz \u00e0 tona sua parte cr\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>FUC e outras coisas mais<\/strong><\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que eu escrevo?<\/p>\n<p>A regra era<strong>\u00a0<\/strong>\u00a0escrever absolutamente qualquer coisa. Ruivo, ent\u00e3o, pegou a caneta azul com sua m\u00e3o esquerda e deixou em nosso bloco:<\/p>\n<p>&#8211; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0A vida \u00e9 t\u00e3o bela&#8230;?.<\/p>\n<p>N\u00e3o poder\u00edamos deixar o Festival Universit\u00e1rio da Can\u00e7\u00e3o de lado. Questionado \u00a0se h\u00e1 a inten\u00e7\u00e3o de participar de mais festivais, a resposta \u00e9 afirmativa. Gostou da experi\u00eancia do FUC. Para ele, foi proveitoso conhecer m\u00fasicos de todo o pa\u00eds, suas can\u00e7\u00f5es, inspira\u00e7\u00f5es e caracter\u00edsticas. Ele acredita que o clima dos festivais e a troca de experi\u00eancias proporcionadas por eles acrescentam muito na vida de um m\u00fasico. Ele uer mais FUC&#8217;s e mais festivais.<\/p>\n<p>Apesar do clima bom trazido por festivais de can\u00e7\u00e3o, Kluber acredita que o FUC tem\u00a0 tamb\u00e9m problemas. Para ele, o evento \u00e9 mal divulgado e peca em organiza\u00e7\u00e3o. Conta que ficou surpreso (no sentido negativo) ao entrar no Cine Teatro \u00d3pera na edi\u00e7\u00e3o de 2015, e ver o audit\u00f3rio principal do cinema quase vazio.<span class=\"Refdecomentrio1\">\u00a0Jo\u00e3o tamb\u00e9m se entristece com a participa\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos em festivais com apenas interesses comerciais. A arte, para Ruivo, \u00e9 paix\u00e3o, entrega e trabalho.<\/span><\/p>\n<p>Ap\u00f3s conversar por aproximadamente uma hora, liberamos Kluber. Da \u00e9poca da entrevista, faltavam cerca de duas semanas para o 18\u00ba anivers\u00e1rio de Jo\u00e3o Davi Kluber.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0E a\u00ed, Ruivo, vai ter festa?<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Hum, festa? Acho que n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0E vai ter porre?<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Porre? Acho que n\u00e3o tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0E m\u00fasica?<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0M\u00fasica vai ter, e bastante!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Adriane Hess e Matheus Dias Antes de conversar com Ruivo, como \u00e9 conhecido entre seus amigos (e como define a si pr\u00f3prio em seu perfil do Facebook), trocamos algumas ideias com amigas que o esperavam para uma roda de conversas na sorveteria, em uma noite de domingo. 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