{"id":1801,"date":"2016-03-12T00:42:27","date_gmt":"2016-03-12T00:42:27","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1801"},"modified":"2016-03-12T00:42:27","modified_gmt":"2016-03-12T00:42:27","slug":"museus-abrigam-marcas-da-historia-de-ponta-grossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/museus-abrigam-marcas-da-historia-de-ponta-grossa\/","title":{"rendered":"Museus abrigam marcas da hist\u00f3ria de Ponta Grossa"},"content":{"rendered":"<p>Por Matheus Dias<\/p>\n<p>Os pr\u00e9dios que abrigam ag\u00eancias banc\u00e1rias costumam ser bastante parecidos em algumas coisas. S\u00e3o cheios de vidros, concreto armado, pouca decora\u00e7\u00e3o, pouca pintura, pouca delicadeza, enfim, nada que sirva para agradar tanto aos olhos, j\u00e1 que o que importa l\u00e1 s\u00e3o os d\u00edgitos das contas banc\u00e1rias dos clientes. Quando um pr\u00e9dio que foi imaginado para abrigar uma ag\u00eancia banc\u00e1ria passa a ser a casa de um museu, a falta de vida do t\u00edpico formato banc\u00e1rio tamb\u00e9m afeta a experi\u00eancia de quem visita o museu.<\/p>\n<p>\u00c9 o que acontece com o Museu Campos Gerais. Esta casa cultural nasceu na d\u00e9cada de 1950, concebida por um grupo de intelectuais cosmopolitas de Ponta Grossa, o Centro Cultural Euclides da Cunha. Em 1982 o grupo cedeu o acervo \u00e0 Universidade Estadual de Ponta Grossa, que passou a ser respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o da entidade. A organiza\u00e7\u00e3o utilizava o pr\u00e9dio do antigo F\u00f3rum de Ponta Grossa, na esquina da Pra\u00e7a da Catedral, do come\u00e7o do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Por\u00e9m o pr\u00e9dio, muito antigo, come\u00e7ou a ter infiltra\u00e7\u00f5es e outros problemas estruturais. Quando o pr\u00e9dio que abrigava o acervo do Museu Campos Gerais foi tombado pelo Instituto de Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN), a entidade museol\u00f3gica mudou de lugar para que a antiga constru\u00e7\u00e3o pudesse ser restaurada.<\/p>\n<p>Restaurar n\u00e3o \u00e9 o mesmo que reformar. Quando se restaura, o resultado final das obras deve ser o mais parecido poss\u00edvel com a constru\u00e7\u00e3o original do pr\u00e9dio, em todos os seus aspectos, e s\u00e3o poucas empresas no estado do Paran\u00e1 que prestam esse tipo de servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Em 2003, portanto, o Museu Campos Gerais deixou o antigo F\u00f3rum da cidade e passou a operar no pr\u00e9dio do antigo Banco do Estado do Paran\u00e1 (Banestado), que hoje pertence ao Banco Ita\u00fa Unibanco S.A. Em regime de comodato, o museu hist\u00f3rico opera at\u00e9 hoje no quadr\u00e1tico e envidra\u00e7ado pr\u00e9dio banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>Segundo o coordenador do Museu Campos Gerais, professor Antonio Paulo Benatte, do Departamento de Hist\u00f3ria da UEPG, o Museu opera com poucos recursos vindos da Universidade. O principal motivo para a falta de verba \u00e9 o fato de a entidade estar atendendo em instala\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias (h\u00e1 12 anos). A UEPG se recusou a comprar at\u00e9 um bebedouro para instalar no corredor do Museu e satisfazer a sede dos alunos das escolas municipais que visitam a casa.<\/p>\n<p>\u201cA Universidade n\u00e3o vai fazer grandes investimentos em um pr\u00e9dio que n\u00e3o \u00e9 dela\u201d, afirma o professor Paulo. No entanto, para que o Museu volte a operar em suas instala\u00e7\u00f5es originais, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio dinheiro da UEPG. O restauro do pr\u00e9dio est\u00e1 finalizado, restando apenas a instala\u00e7\u00e3o de detalhes em sua estrutura que permitam que o acervo do Museu Campos Gerais n\u00e3o se danifique com as varia\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas.<\/p>\n<p>O projeto de restaura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m previa a constru\u00e7\u00e3o de um anexo ao pr\u00e9dio, um c\u00f4modo novo, em outras palavras, para guardar o acervo t\u00e9cnico da institui\u00e7\u00e3o, a parte que n\u00e3o \u00e9 exibida. Mas, para que o pr\u00e9dio possa ser logo conclu\u00eddo, a coordena\u00e7\u00e3o do museu deseja retirar a constru\u00e7\u00e3o deste anexo do projeto de restaura\u00e7\u00e3o, agilizando as negocia\u00e7\u00f5es com a UEPG.<\/p>\n<p>Nos dias em que col\u00e9gios das redes municipal, estadual e at\u00e9 privada de Ponta Grossa visitam o Museu Campos Gerais, a lista de visita\u00e7\u00e3o que fica na entrada guardada por um seguran\u00e7a chega a atingir 50, 60 ou at\u00e9 70 nomes. Mas em dias normais, sem visitas agendadas por col\u00e9gios, o museu recebe de 8 a 15 curiosos que resolvem dar as caras.<\/p>\n<p>Quem for ao Museu Campos Gerais ser\u00e1 acompanhado por um estagi\u00e1rio do curso de Turismo, que o orientar\u00e1 sobre as cole\u00e7\u00f5es em exposi\u00e7\u00e3o e sobre sua import\u00e2ncia material e imaterial. Al\u00e9m dos estagi\u00e1rios e da parte administrativa, pesquisadores ficam estudando o acervo no piso superior, ou fotografando os jornais do dia em uma m\u00e1quina desenvolvida para isso. Tudo para recorda\u00e7\u00f5es da posteridade.<\/p>\n<p>O museu tem quatro exposi\u00e7\u00f5es permanentes. A do piso superior tem animais empalhados, f\u00f3sseis e insetos conservados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. No piso do meio, artefatos de imigrantes russos, ucranianos, poloneses e japoneses exibem um pedacinho da \u00e1rvore geneal\u00f3gica da cidade. No piso inferior, h\u00e1 uma exposi\u00e7\u00e3o com artigos da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira (FEB) e objetos de antigas salas de proje\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>A cada dois meses, muda-se a exposi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria do piso central, mais pr\u00f3ximo \u00e0 entrada. Quando da apura\u00e7\u00e3o desta reportagem, estavam expostos objetos confeccionados por \u00edndios brasileiros. \u201cIsso foi uma decis\u00e3o nossa, de expor os ind\u00edgenas como ra\u00edz \u00e9tnica e cultural. Em muitos lugares, os \u00edndios s\u00e3o tratados como hist\u00f3ria natural, como animais\u201d, relata o professor Paulo.<\/p>\n<p>Apesar de o Museu Campos Gerais trazer em seu portfolio parte da hist\u00f3ria de Ponta Grossa, a Prefeitura da Princesa dos Campos n\u00e3o mant\u00e9m nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a institui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 mantida com dinheiro do Estado. A Prefeitura tamb\u00e9m n\u00e3o tem di\u00e1logo com outro museu da cidade, de iniciativa privada.<\/p>\n<p><strong>Belle \u00e9poque \u2013 O Museu \u00c9poca<\/strong><\/p>\n<p>O pr\u00e9dio que abriga o \u00c9poca \u00e9 um museu por si s\u00f3: uma constru\u00e7\u00e3o de 1850, enfeitada e cheia de detalhes, caracter\u00edstica t\u00edpica da arquitetura oitocentista, e com parede e rebocos grossos, o que garante uma pequena varia\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica e, portanto, menos risco aos artefatos l\u00e1 contidos.<\/p>\n<p>O problema do Museu \u00c9poca vem de outras fontes: a pr\u00f3pria vida. O dono do Museu, Aristides Sp\u00f3sito, 75 anos, \u00e9 um apaixonado por antiguidades e ama o que faz h\u00e1 45 anos: administrar seu museu. Mas as coisas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis para seu Aristides, que tem apenas 25% da audi\u00e7\u00e3o e parte da vis\u00e3o comprometida.<\/p>\n<p>Seu Aristides n\u00e3o cobra para que o p\u00fablico visite seu acervo, e tamb\u00e9m n\u00e3o recebe dinheiro p\u00fablico. Mant\u00e9m seu Museu em opera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de apoios culturais com empresas da cidade, e conta com o apoio de familiares para algumas tarefas bra\u00e7ais mais pesadas.<\/p>\n<p>O propriet\u00e1rio do Museu \u00c9poca se revolta com o poder p\u00fablico em v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. At\u00e9 mesmo no come\u00e7o da entrevista, quando disse: \u201cVoc\u00eas que s\u00e3o do jornalismo, n\u00e3o precisam vir falar comigo n\u00e3o. V\u00e3o atr\u00e1s do governo, dos pol\u00edticos, perguntar da sa\u00fade. Tem gente morrendo, cad\u00ea os tais m\u00e9dicos cubanos?\u201d.<\/p>\n<p>Ele critica o governo municipal quando o assunto \u00e9 cultura: \u201cFalta incentivo da Prefeitura, n\u00e3o s\u00f3 para os museus, mas para a cultura de forma geral. N\u00f3s passamos dificuldades, e a Prefeitura n\u00e3o \u00e9 capaz de mover um dedo para auxiliar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em maio de 2015, chegou a tramitar na C\u00e2mara um projeto que isentava os museus da cidade de pagar IPTU, al\u00e9m de perdoar as d\u00edvidas atuais. No caso do \u00c9poca, os d\u00e9bitos com a Prefeitura chegam a 30 mil reais. No Brasil, apenas alguns museus recebem incentivo fiscal, como o Museu de Arte do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Casa da Mem\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>A Casa da Mem\u00f3ria abriga um grande acervo de negativos fotogr\u00e1ficos em vidro que registraram a rotina dos ponta-grossenses nos s\u00e9culos XIX e XX. Essa obsoleta tecnologia exige v\u00e1rios cuidados devido \u00e0 sua delicadeza. Pouca luz, embalagem adequada, cataloga\u00e7\u00e3o, etc. E, gra\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria natureza dos artefatos, eles n\u00e3o podem ser expostos, ficando restritos a estocagem e eventuais pesquisas hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Hoje, de acordo com o Instituto Brasileiro de Museus, a Casa da Mem\u00f3ria pode ser considerada uma entidade museol\u00f3gica. Apesar da parte mais relevante de seu acervo ficar trancafiada em uma sala escura, em outros c\u00f4modos do antigo pr\u00e9dio ferrovi\u00e1rio est\u00e3o expostos objetos e fotos reveladas e ampliadas a partir dos negativos em vidro.<\/p>\n<p>Embora seja um museu, do ponto de vista burocr\u00e1tico, a Casa da Mem\u00f3ria n\u00e3o tem exposi\u00e7\u00f5es rotativas, e exibe apenas o que cont\u00e9m e pode exibir. Seu acervo tamb\u00e9m conta com jornais impressos do come\u00e7o do s\u00e9culo passado, fotografados e catalogados.<\/p>\n<p>Segundo o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura, Luis Cirillo Barbisan, n\u00e3o h\u00e1 como mudar as estrat\u00e9gias de exposi\u00e7\u00e3o da Casa da Mem\u00f3ria: \u201cAquele material \u00e9 muito sens\u00edvel, n\u00f3s n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de fazer uma exposi\u00e7\u00e3o maior, permitir um manuseio por qualquer um. Ele acaba ficando restrito \u00e0 pesquisa, pois precisa ser manuseado por pessoas capacitadas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO pr\u00e9dio que abriga a Casa da Mem\u00f3ria hoje tamb\u00e9m n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas para amplia\u00e7\u00e3o dos bens expostos. E, atualmente, n\u00f3s n\u00e3o temos nenhum pr\u00e9dio p\u00fablico que seja mais adequado para conter o acervo pertencente \u00e0 Casa da Mem\u00f3ria\u201d, conclui Cirillo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Matheus Dias Os pr\u00e9dios que abrigam ag\u00eancias banc\u00e1rias costumam ser bastante parecidos em algumas coisas. S\u00e3o cheios de vidros, concreto armado, pouca decora\u00e7\u00e3o, pouca pintura, pouca delicadeza, enfim, nada que sirva para agradar tanto aos olhos, j\u00e1 que o que importa l\u00e1 s\u00e3o os d\u00edgitos das contas banc\u00e1rias dos clientes. 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