{"id":1804,"date":"2015-12-23T00:42:18","date_gmt":"2015-12-23T00:42:18","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1804"},"modified":"2015-12-23T00:42:18","modified_gmt":"2015-12-23T00:42:18","slug":"silencio-editorial-marca-cobertura-dos-diarios-brasileiros-no-aniversario-de-47-anos-do-ai-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/silencio-editorial-marca-cobertura-dos-diarios-brasileiros-no-aniversario-de-47-anos-do-ai-5\/","title":{"rendered":"Sil\u00eancio editorial marca cobertura dos di\u00e1rios brasileiros no anivers\u00e1rio de 47 anos do AI-5"},"content":{"rendered":"<p><em>Por S\u00e9rgio Gadini<\/em><\/p>\n<p>Um estranho sil\u00eancio marcou a (n\u00e3o) cobertura, pelos chamados principais di\u00e1rios brasileiros, no 47\u00ba anivers\u00e1rio de um dos priores decretos do regime militar brasileiro, descomemorado no domingo, 13\/12\/2015. Uma r\u00e1pida leitura da primeira p\u00e1gina (e nos portais) dos jornais do Pais, na edi\u00e7\u00e3o dominical ou de fim de semana, revela um constrangedor descaso com a mem\u00f3ria de milhares de brasileiros v\u00edtimas do regime autorit\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p>Para a hist\u00f3ria contempor\u00e2nea do Pais, o 13 de dezembro lembra um dos piores momentos da ditadura militar, pois remete ao Ato Institucional 5, de 1968, que imp\u00f4s um controle ainda mais repressivo que o autoritarismo mantinha desde 31 de mar\u00e7o de 1964, quando empres\u00e1rios, partidos de direita e a velha m\u00eddia governista se consideraram vitoriosos ao derrubar o governo Jo\u00e3o Goulart (PTB), democraticamente eleito pelo voto popular.<\/p>\n<p>O chamado &#8220;golpe dentro do golpe&#8221;, como ficou conhecido o AI-5, censurou a imprensa &#8211; inclusive os supostos aliados, que defenderam o golpismo, com capas e editoriais comemorativos, quando a for\u00e7a f\u00edsica apoiada pelo intervencionismo norte-americano se imp\u00f4s \u00e0 democracia &#8211; cassou mandatos eletivos e ousou fechar o parlamento brasileiro. Foi o AI-5 que marcou a fase mais brutal e assassina do regime militar, chegando ao ponto de matar cidad\u00e3os pela simples suspeita de ler, ouvir ou falar sobre problemas pol\u00edticos do Pais. Tudo isso n\u00e3o \u00e9 lenda, pois est\u00e1 nos registros da mem\u00f3ria de colegas de profiss\u00e3o, amigos ou familiares das incont\u00e1veis v\u00edtimas do autoritarismo nas duas d\u00e9cadas (1964 &#8211; 1985) do obscurantismo que manchou de sangue a recente hist\u00f3ria do Brasil. Na d\u00favida, uma simples busca aos documentos e relat\u00f3rios das comiss\u00f5es da verdade (nacional e estaduais) confirmam estes e outros desrespeitos aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Mas, se considerar o sil\u00eancio da m\u00eddia di\u00e1ria brasileira parece mesmo que tais agress\u00f5es e desrespeitos n\u00e3o foram brutais. Ou teriam sido &#8220;brandas&#8221;? Tanto que os gestores das edi\u00e7\u00f5es dominicais de 13\/12\/2015, do norte ao Sul do Pais, praticamente ignoraram a necess\u00e1ria descomemora\u00e7\u00e3o do AI-5. Com raras exce\u00e7\u00f5es, os di\u00e1rios (talvez, j\u00e1 amarelados, antes do tempo) no segundo fim de semana de dezembro, para al\u00e9m de n\u00e3o registrar a data, sequer relacionaram o assunto ao atual debate nacional em torno da legitimidade da democracia.<\/p>\n<p>&#8220;Melhor assim&#8221;, devem pensar &#8211; e agir como tal &#8211; os neogolpistas, que preferem esquecer as atrocidades do regime militar brasileiro, como se a data fosse mais um dia qualquer na agenda da arrog\u00e2ncia, desrespeito \u00e0 mem\u00f3ria e o m\u00ednimo de preocupa\u00e7\u00e3o com as liberdades de express\u00e3o e o exerc\u00edcio democr\u00e1tico. Ao que parece, de novo, para os &#8220;alinhados&#8221; colegas respons\u00e1veis pelas edi\u00e7\u00f5es da maioria dos di\u00e1rios que circularam no domingo, 13\/12\/2015, a mem\u00f3ria seria apenas uma eventual lembran\u00e7a passada, sem qualquer impacto do cinismo do presente.<\/p>\n<p>De Porto Alegre a Fortaleza, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, S\u00e3o Paulo, Salvador ou Rio de Janeiro, pouco ou quase nada se pautou a respeito dos 47 anos do AI-5. Alguns jornais, entanto, ainda que raros, no cen\u00e1rio nacional, lembraram do epis\u00f3dio. O Correio Braziliense brindou seus leitores (e internautas) com uma reportagem sobre a mudan\u00e7a de vida que o regime militar provocou na rec\u00e9m-criada capital federal. Uma reportagem que, a esta altura, deveria envergonhar o &#8220;sil\u00eancio for\u00e7ado&#8221; da grande maioria dos concorrentes (<span class=\"link-external\"><a href=\"http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/cidades\/2015\/12\/13\/interna_cidadesdf,510457\/saiba-como-o-regime-militar-endureceu-e-transformou-a-rotina-de-brasil.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/cidades\/2015\/12\/13\/interna_cidadesdf,510457\/saiba-como-o-regime-militar-endureceu-e-transformou-a-rotina-de-brasil.shtml<\/a><\/span>)<\/p>\n<p>Em escala mais modesta, e relacionando \u00e0s convoca\u00e7\u00f5es aos manifestos pr\u00f3-impeachment, O Popular, de Goi\u00e2nia, traz uma breve refer\u00eancia ao tal anivers\u00e1rio do AI-5 (<span class=\"link-external\"><a href=\"http:\/\/www.opopular.com.br\/editorias\/politica\/ato-em-anivers%C3%A1rio-do-ai-5-gera-pol%C3%AAmica-1.1005171\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.opopular.com.br\/editorias\/politica\/ato-em-anivers\u00e1rio-do-ai-5-gera-pol\u00eamica-1.1005171<\/a><\/span>). Suficiente, no preocupante sil\u00eancio midiatico, para diferenciar o di\u00e1rio de Goi\u00e1s. E os demais di\u00e1rios (na vers\u00e3o impressa e ou portal) regionais brasileiros? Salvo engano, optaram pelo constrangedor sil\u00eancio!<\/p>\n<p>Trata-se, enfim, de um sil\u00eancio que constr\u00f3i &#8211; para usar as palavras da professora Eni Orlandi, pesquisadora de lingu\u00edstica na Unicamp (&#8220;As formas do sil\u00eancio&#8221;) -, mesmo que seja uma &#8216;ponte&#8217; para perpetuar a arrog\u00e2ncia editorial, manter ou ampliar as desigualdades, ou assegurar o &#8220;publique-se&#8221; apenas aos velhos donos da voz, da imagem e da palavra escrita. Um descaso como que a dizer que a tarefa de lembrar os erros do passado para n\u00e3o repetir, vivendo o presente para projetar o futuro j\u00e1 n\u00e3o pertencem ao jornalismo comercial brasileiro.<\/p>\n<p>E depois, eles ainda dizem n\u00e3o entender como seus superados modelos j\u00e1 n\u00e3o vendem, sequer convencem e tampouco revelam ind\u00edcios de viabilidade editorial em um mundo que, com todos os problemas, vislumbra condi\u00e7\u00f5es de pluralidade, pelo pr\u00f3prio acesso mercantil aos meios e suportes t\u00e9cnicos digitais.<\/p>\n<p>No entanto, falar ou cobrar pluralidade de quem se esfor\u00e7a para silenciar sobre desrespeitos coletivos, pode ser um exagero. Ou equivale falar em outro idioma para quem s\u00f3 consegue ver de um \u00e2ngulo: o do interesse privado. Melhor, pois, pensar logo outras formas de manter presente as necess\u00e1rias descomemora\u00e7\u00f5es de toda e qualquer pr\u00e1tica pol\u00edtica, religiosa, econ\u00f4mica ou cultural autorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Luiz Gadini, jornalista, professor da UEPG. E.m:\u00a0<span class=\"link-mailto\"><a href=\"mailto:slgadini@uepg.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">slgadini@uepg.br<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por S\u00e9rgio Gadini Um estranho sil\u00eancio marcou a (n\u00e3o) cobertura, pelos chamados principais di\u00e1rios brasileiros, no 47\u00ba anivers\u00e1rio de um dos priores decretos do regime militar brasileiro, descomemorado no domingo, 13\/12\/2015. 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