{"id":1806,"date":"2016-03-20T00:44:53","date_gmt":"2016-03-20T00:44:53","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1806"},"modified":"2016-03-20T00:44:53","modified_gmt":"2016-03-20T00:44:53","slug":"o-grande-palco-dos-campos-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-grande-palco-dos-campos-gerais\/","title":{"rendered":"O grande palco dos Campos Gerais"},"content":{"rendered":"<p>Por Adriane Hess<\/p>\n<p>H\u00e1 dezesseis anos, C\u00e1ssio Murilo entrava no mundo da m\u00fasica. Com apenas sete anos de idade, o m\u00fasico come\u00e7ou a tocar viol\u00e3o. No entanto, o instrumento n\u00e3o conquistou o interesse imediato de sua mente de crian\u00e7a. Apenas tr\u00eas anos depois, ap\u00f3s completar uma d\u00e9cada de vida, C\u00e1ssio demonstrou maior gosto pela arte. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o parou. Seja sozinho, ou com sua banda, a Astrid, a busca por viver de m\u00fasica se faz presente na vida dele e de outros diversos m\u00fasicos ponta-grossenses, que buscam reconhecimento por seus trabalhos.<\/p>\n<p>No caminho para a emancipa\u00e7\u00e3o do artista ponta-grossense, ao Conselho de\u00a0<span class=\"il\">Pol\u00edticas<\/span>\u00a0<span class=\"il\">Culturais<\/span>estabeleceu a valoriza\u00e7\u00e3o da obra do artista local como uma das diretrizes da\u00a0<span class=\"il\">pol\u00edtica<\/span>\u00a0<span class=\"il\">cultural<\/span>\u00a0do munic\u00edpio. O documento, elaborado na 16\u00aa Confer\u00eancia Municipal de Cultura, traz objetivos para o desenvolvimento da cultura na cidade. Ainda que pare\u00e7am resolu\u00e7\u00f5es concretas, segundo o diretor de Departamento de Cultura, Luis Cirillo Barbisan, o texto descreve uma situa\u00e7\u00e3o &#8220;ideal&#8221; da cultura na cidade, n\u00e3o havendo necessariamente uma forma de aplicar todas as decis\u00f5es imediatamente.<\/p>\n<p>Por este motivo, o artista ponta-grossense por ora deve contentar-se com o que a cidade oferece. Carro chefe da promo\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular da cidade, o Sexta \u00e0s Seis contempla bandas com integrantes nascidos em Ponta Grossa. Al\u00e9m disso, os m\u00fasicos devem apresentar, al\u00e9m de covers, composi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, numa tentativa do projeto de estimular a produ\u00e7\u00e3o musical da cidade: &#8220;Come\u00e7amos com uma, de repente duas, e agora temos bandas s\u00f3 com composi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, ent\u00e3o isso foi um ganho bem grande&#8221;, comenta Cirillo.<\/p>\n<p>O Sexta \u00e0s Seis foi retomado em 2014 para uma nova temporada. A reformula\u00e7\u00e3o do projeto deu uma nova casa para as bandas: a Esta\u00e7\u00e3o Saudade. Todas as sextas, bandas da cidade sobem ao palco e contam com a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. P\u00fablico este elogiado por C\u00e1ssio, que considera incr\u00edvel o reconhecimento nas apresenta\u00e7\u00f5es: &#8220;O p\u00fablico \u00e9 sempre muito fiel e muito caloroso, cantando e vibrando sempre com as bandas que se apresentam&#8221;.<\/p>\n<p>A antiga casa do Sexta \u00e0s Seis, a Concha Ac\u00fastica da pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco, foi reinaugurada em 2015 ap\u00f3s reforma. No entanto, ainda recebe poucas apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas. O principal motivo para a pouca utiliza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, segundo Cirillo, s\u00e3o os estabelecimentos ao redor da pra\u00e7a. Como a concha se localiza perto de uma igreja e de um col\u00e9gio, a realiza\u00e7\u00e3o de apresenta\u00e7\u00f5es musicais s\u00f3 pode ser feita em hor\u00e1rios que n\u00e3o atrapalhem as atividades das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ainda que caminhe a passos lentos, o investimento em m\u00fasica \u00e9 de longe o maior de todas as \u00e1reas contempladas pela Funda\u00e7\u00e3o de Cultura. A Orquestra Sinf\u00f4nica de Ponta Grossa, a Banda Lyra dos Campos Gerais e o Conservat\u00f3rio de M\u00fasica Maestro Paulino s\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es mais atingidas pelas a\u00e7\u00f5es da institui\u00e7\u00e3o. Cirillo conta que esta \u00e9 uma tend\u00eancia da\u00a0<span class=\"il\">pol\u00edtica<\/span>\u00a0<span class=\"il\">cultural<\/span>\u00a0na cidade: &#8220;O que n\u00f3s investimos geralmente \u00e9 para a m\u00fasica erudita e temos projetos como o Sexta \u00e0s Seis para a m\u00fasica popular&#8221;. Segundo ele, h\u00e1 uma press\u00e3o para que todos os segmentos possuam a mesma quantidade de investimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Uma d\u00e9cada de estrada<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Billy Joe \u00e9 baterista da Cadillac Dinossauros. A banda, que possui dez anos de carreira, \u00e9 uma das mais reconhecidas em Ponta Grossa. Apesar de participar de festivais renomados, como o Psicod\u00e1lia, a Cadillac sempre se apresenta em locais de Ponta Grossa, como a chopperia Baviera, palco da banda todos os s\u00e1bados.<\/p>\n<p>Para Billy, a visibilidade dentro da cidade foi aumentando \u00e0 medida que a banda se consolidou. Em 2015, a Cadillac ganhou o concurso DMX Brasil no Rio de Janeiro. Os principais meios de comunica\u00e7\u00e3o de Ponta Grossa noticiaram a vit\u00f3ria, por\u00e9m, segundo Billy, a pr\u00f3pria banda teve que correr atr\u00e1s dos ve\u00edculos. &#8220;Para a gente conseguir visibilidade na m\u00eddia especificamente para este caso do DMX Brasil n\u00f3s \u00e9 que tivemos que entrar em contato com os jornais&#8221;, conta. O mesmo aconteceu no apoio da Prefeitura durante a campanha do concurso: a banda pediu a ajuda da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura para tocar em locais p\u00fablicos da cidade e, assim, divulgar a vota\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O apoio na campanha para o concurso DMX Brasil foi um dos casos isolados em que a banda contou com ajuda governamental. Financeiramente, Billy relata que a Cadillac n\u00e3o chegou a receber nenhum tipo de patroc\u00ednio, se sustentando de forma independente at\u00e9 o pr\u00eamio. Billy considera importante o apoio financeiro para a compra de equipamentos e aux\u00edlio na log\u00edstica de shows e divulga\u00e7\u00e3o. No entanto, o dinheiro n\u00e3o \u00e9 tudo: &#8220;Material de qualidade n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica de qualidade. O dinheiro pode comprar tudo, mas se o artista n\u00e3o for realmente artista e bom de verdade, de nada adianta&#8221;, analisa.<\/p>\n<p>Assim como C\u00e1ssio, Billy n\u00e3o considera o apoio governamental aos m\u00fasicos de Ponta Grossa excelente. Por\u00e9m, ele destaca outro aspecto que pode ser essencial no crescimento do artista: a iniciativa pr\u00f3pria. &#8220;Poderia ter mais projetos e a\u00e7\u00f5es da Funda\u00e7\u00e3o de Cultura? Poderia! Mas \u00e9 uma via de m\u00e3o dupla, da mesma forma que a Funda\u00e7\u00e3o poderia fazer mais, as bandas tamb\u00e9m podem, basta mostrar iniciativa e apresentar ideias&#8221;, afirma o baterista.<\/p>\n<p>A falta de uni\u00e3o da classe art\u00edstica \u00e9 argumento presente na fala de Barbisan. Segundo ele, h\u00e1 a tentativa de di\u00e1logo com os artistas, mas, n\u00e3o h\u00e1 sucesso, pois as inten\u00e7\u00f5es seriam diferentes: &#8220;A maioria dos artistas imagina que o poder p\u00fablico tem que resolver o problema dele, e n\u00e3o \u00e9 pra valorizar o artista s\u00f3, \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o que tem que ter acesso ao que o artista faz&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Bily se posiciona de maneira parecida. Segundo ele, \u00e9 necess\u00e1rio que os artistas se unam para um crescimento da cultura na cidade: &#8220;Para a cidade, acho que \u00e9 muito mais interessante tentar unir os grupos art\u00edsticos (bandas, teatro, dan\u00e7a) para que haja di\u00e1logo e um crescimento em conjunto, que com certeza \u00e9 muito mais forte que crescer sozinho&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma das diretrizes inseridas na Confer\u00eancia Municipal de Cultura de 2015 \u00e9: &#8220;criar mecanismos de intera\u00e7\u00e3o entre m\u00fasicos da cidade, evitando o &#8216;trabalho solid\u00e1rio&#8217; de m\u00fasicos, proporcionando comunica\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo dentro do segmento e com o p\u00fablico&#8221;. Ainda n\u00e3o h\u00e1 uma maneira pr\u00e1tica de implementar esta diretriz e outros itens que constam no documento. Segundo Cirillo, a dificuldade da libera\u00e7\u00e3o de recursos dificulta a realiza\u00e7\u00e3o de projetos novos, assim como os que j\u00e1 est\u00e3o em andamento: &#8220;O pr\u00f3prio conselho est\u00e1 brigando muito para viabilizar as a\u00e7\u00f5es, n\u00f3s temos mo\u00e7\u00f5es e of\u00edcios que mandamos para a Secretaria de Finan\u00e7as&#8221;, afirma Cirillo.<\/p>\n<p>Ponta Grossa ainda tem um longo caminho para valorizar sua cultura. Espa\u00e7os como o Centro de Cultura est\u00e3o praticamente inutilizados. &#8220;Vemos um excelente espa\u00e7o (e pr\u00e9dio hist\u00f3rico) praticamente abandonado ao relento&#8221;, relata C\u00e1ssio. Para Billy, os espa\u00e7os tem potencial, por\u00e9m s\u00e3o mal explorados: &#8220;N\u00e3o me arrisco dizer que s\u00e3o bem utilizados. Mas n\u00f3s temos bons espa\u00e7os e poder\u00edamos melhorar em muito a utiliza\u00e7\u00e3o desses lugares&#8221;.<\/p>\n<p>Divulgando seus trabalhos de forma independente, C\u00e1ssio e a Cadillac Dinossauros, apesar de possu\u00edrem carreiras diferentes, compartilham da mesma opini\u00e3o sobre a\u00a0<span class=\"il\">pol\u00edtica<\/span>\u00a0<span class=\"il\">cultural<\/span>: ainda falta muito. &#8220;\u00c9 um circulo vicioso extremamente danoso para n\u00f3s. Falta iniciativa p\u00fablica, falta iniciativa das bandas, falta espa\u00e7o, falta acesso, falta educa\u00e7\u00e3o, falta dinheiro, falta uni\u00e3o&#8221;, analisa Billy.<\/p>\n<p>Para C\u00e1ssio, a internet \u00e9 a ferramenta mais poderosa para a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho de artistas independentes. No entanto, o apoio \u00e9 mais do que desej\u00e1vel, \u00e9 necess\u00e1rio: &#8220;\u00c9 fundamental aparecer, ser visto, tocar muito por a\u00ed, para que as pessoas vejam que voc\u00ea \u00e9 capaz de fazer aquilo que ouvem em casa&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Adriane Hess H\u00e1 dezesseis anos, C\u00e1ssio Murilo entrava no mundo da m\u00fasica. Com apenas sete anos de idade, o m\u00fasico come\u00e7ou a tocar viol\u00e3o. No entanto, o instrumento n\u00e3o conquistou o interesse imediato de sua mente de crian\u00e7a. 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