{"id":1850,"date":"2016-01-14T01:04:17","date_gmt":"2016-01-14T01:04:17","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1850"},"modified":"2016-01-14T01:04:17","modified_gmt":"2016-01-14T01:04:17","slug":"o-rastro-deixado-pelos-tropeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-rastro-deixado-pelos-tropeiros\/","title":{"rendered":"O rastro deixado pelos tropeiros"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Barbara Akemi<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De fazenda a cidade. Um simples pouso tropeiro que virou um munic\u00edpio. \u00c9 nesse contexto que Ponta Grossa se formou: servindo de caminho para as tropas que vinham do Rio Grande do Sul com destino a Sorocaba\/SP.<\/p>\n<p>Por seu alto potencial para o com\u00e9rcio, os fazendeiros que aqui estavam tiveram grandes lucros com a venda de gado vacum, cavalar e muar. Dessa forma, o pouso passou a ser povoado, de povoado a bairro, de bairro a freguesia e de freguesia a cidade.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio era basicamente de burros e mulas, os quais tinham \u201cpre\u00e7o de ouro\u201d por serem o principal e mais eficiente meio de transporte da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ponta Grossa estava localizada no meio do longo caminho pelo qual os tropeiros tinham de passar e serviu-lhes de pouso, oferecendo boas pastagens e boa\u00a0aguada. \u201cNossa cidade\u00a0era como um o\u00e1sis para as tropas que aqui encontravam lugar apropriado para permanecerem invernadas durante v\u00e1rios meses e assim recuperavam for\u00e7a para seguir viagem\u201d, explica Silvestre Alves Gomes, tamb\u00e9m conhecido como Cancioneiro da Rota, que \u00e9 t\u00e9cnico em Turismo Rural e colaborador do projeto Tropeiro Brasil.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a passagem, os tropeiros deixaram como heran\u00e7a para a nova cidade formada\u00a0uma ampla bagagem cultural, envolvendo costumes, culin\u00e1ria, linguajar, vestes, entre outros.<\/p>\n<p>O tropeiro foi,\u00a0ent\u00e3o, \u201cpropagador de not\u00edcias, causos e costumes, emiss\u00e1rio e agente cultural, levou recados e receitas, contava novidades para aqueles que habitavam em lugares isolados. O tropeiro com sua forma lend\u00e1ria e peculiar foi personagem que fez integra\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Antonio Carlos Frasson, autor do artigo \u201cTropeirismo: Processo civilizat\u00f3rio da regi\u00e3o sul do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Esses tra\u00e7os, entrela\u00e7ados com o povoado que j\u00e1 estava aqui, deu ent\u00e3o uma primeira identidade cultural ao ponta-grossense. Parte dessa bagagem\u00a0\u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o tropeira, que hoje \u00e9 vivenciada nos Centros de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas da cidade.<\/p>\n<p>O CTG \u00e9 a forma de manter viva essa tradi\u00e7\u00e3o, cultivando os valores e costumes deixados pelos tropeiros. Atrav\u00e9s de atividades campeiras e dan\u00e7as tradicionalistas, a cultura ga\u00facha \u00e9 revivida em Ponta Grossa.<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>A viv\u00eancia da cultura ga\u00facha em terras paranaenses<\/strong><\/p>\n<p>O Centro de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas Rancho Alegrete \u00e9 um dos grupos respons\u00e1veis por cultivar e preservar a cultura ga\u00facha em terras paranaenses, principalmente em Ponta Grossa, cidade na qual est\u00e1 situado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Rancho Alegrete, o CTG Uni\u00e3o Vila Velha tamb\u00e9m trabalha na propaga\u00e7\u00e3o e defesa da cultura rio-grandense na cidade. Fora os CTGs, \u00e9 poss\u00edvel encontrar ainda aulas de dan\u00e7as,\u00a0em que\u00a0se aprende ritmos caracter\u00edsticos do sul.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o poucos os motivos que fazem valer a presen\u00e7a de um CTG na cidade. O primeiro CTG do Paran\u00e1, denominado Vila Velha,\u00a0foi fundado em Ponta Grossa. Al\u00e9m disso, o Movimento Tradicionalista Ga\u00facho do Paran\u00e1 e a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira da Tradi\u00e7\u00e3o Ga\u00facha tamb\u00e9m foram institu\u00eddos em Ponta Grossa. Por outro lado, algumas dificuldades s\u00e3o enfrentadas diariamente para se manter ativo um CTG. \u201cA gente percebe uma tentativa de alguns setores da cidade, de se tentar apagar\u00a0essa hist\u00f3ria do gauchismo em Ponta Grossa. Se tenta falar da ferrovia, de um outro tipo de cultura, que n\u00e3o \u00e9 a cultura popular ponta-grossense. Ent\u00e3o manter um CTG \u00e9 uma coisa dif\u00edcil por conta dessas press\u00f5es contra, mas\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio\u00a0pela import\u00e2ncia hist\u00f3rica que tem Ponta Grossa\u201d, explica Aline Jasper, integrante do CTG Rancho Alegrete.<\/p>\n<p>Fundado em 2004, o CTG Rancho Alegrete come\u00e7ou primeiramente com atividades campeiras. Dois anos\u00a0ap\u00f3s\u00a0o seu surgimento, em 2006, deu-se origem \u00e0 Invernada Art\u00edstica, com a integra\u00e7\u00e3o do Grupo de Dan\u00e7as Heran\u00e7a Pampeana.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da Invernada Art\u00edstica, o CTG \u00e9 composto hoje pela Invernada Campeira, que atua nas provas de la\u00e7o, r\u00e9deas; Invernada Art\u00edstica, respons\u00e1vel pelas apresenta\u00e7\u00f5es de dan\u00e7a, declama\u00e7\u00f5es e can\u00e7\u00f5es; e Invernada Cultural, que \u00e9 formada pelas Primeiras\u00a0Prendas e Pe\u00f5es Birivas.<\/p>\n<p>A Invernada Art\u00edstica conta atualmente com 30 integrantes, coordenados por Edson Barbosa e M\u00f4nica Jasper. O Grupo participa em competi\u00e7\u00f5es de dan\u00e7as tradicionais ga\u00fachas e em competi\u00e7\u00f5es individuais de declama\u00e7\u00e3o, int\u00e9rprete solista vocal, chula, execu\u00e7\u00e3o de instrumentos, nos circuitos classificat\u00f3rios por todo o Paran\u00e1, al\u00e9m\u00a0doFestival Paranaense de Arte e Tradi\u00e7\u00e3o (FEPART).<\/p>\n<p>O CTG Rancho Alegrete \u00e9 \u00fanico CTG de Ponta Grossa que mant\u00e9m uma invernada art\u00edstica, promovendo e mantendo a tradi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das apresenta\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>Edson Barbosa, coordenador da Invernada Art\u00edstica, revela que al\u00e9m das apresenta\u00e7\u00f5es, a Invernada participa dos eventos promovidos pelo CTG. \u201cAl\u00e9m das apresenta\u00e7\u00f5es, n\u00f3s participamos e promovemos eventos, como jantares dan\u00e7antes. A renda \u00e9 arrecadada nos eventos \u00e9 revertida para o pr\u00f3prio CTG\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Carregando o Rio Grande na faixa<\/strong><\/p>\n<p>Um mundo de hist\u00f3rias, cultura e responsabilidades \u00e9 carregado junto com a faixa que caracteriza uma prenda ga\u00facha. Mais do que carregar a faixa, como uma miss tradicional, a prenda carrega consigo a hist\u00f3ria viva do Rio Grande do Sul. Carregar uma faixa de prenda \u00e9,\u00a0al\u00e9m de tudo, firmar um compromisso com a preserva\u00e7\u00e3o da cultura gauchesca.<\/p>\n<p>O que come\u00e7ou com um sonho, hoje se tornou realidade. \u201cEu via aquilo e n\u00e3o sabia o que era ainda, mas eu queria muito\u00a0ser prenda de faixa\u201d, recorda Aline Jasper. Integrante do Centro de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas Rancho Alegrete, Aline \u00e9 hoje\u00a0uma prenda de faixa. Em 2012\u00a0foi\u00a0a 1\u00aa Prenda Adulta do CTG Rancho Alegrete de Ponta Grossa e hojeassume o posto de\u00a01\u00aa Prenda do Movimento Tradicionalista do Paran\u00e1. Al\u00e9m disso, Aline participou recentemente do Concurso de Prendas da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira da Tradi\u00e7\u00e3o Ga\u00facha, ficando colocada como 2\u00aa Prenda da CBTG.<\/p>\n<p>Aline conta que seu \u00fanico desejo era poder representar o CTG, ambiente no qual participa j\u00e1 h\u00e1 12 anos. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, come\u00e7ou a dan\u00e7ar aos doze anos de idade no CTG Porteira dos Munic\u00edpios, por influ\u00eancia da irm\u00e3, e desde ent\u00e3o, nunca mais parou. Desde 2009, participa do CTG Rancho Alegrete. \u201cQuando entra no sangue o ga\u00facho, voc\u00ea n\u00e3o consegue mais ficar sem\u201d,\u00a0relata.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a viv\u00eancia neste universo ga\u00facho come\u00e7ou muito antes. Logo quando abriu os olhos, Aline j\u00e1 pertencia a uma fam\u00edlia ga\u00facha. Seus pais nasceram em terras rio-grandenses\u00a0e,\u00a0desde pequena, estava imersa no meio das pilchas, das dan\u00e7as e do chimarr\u00e3o.<\/p>\n<p>Por crescer assim, a cultura sulista j\u00e1 lhe era familiar. Sendo assim, n\u00e3o escolhe os momentos para ser prenda; \u00e9 prenda em cada segundo, conta ela. O prendado faz hoje parte de sua vida, n\u00e3o ficando preso somente nos galp\u00f5es de CTG. Aline \u00e9 mestranda em Jornalismo, e mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o entre a bagagem cultural e a acad\u00eamica. \u201cAo mesmo tempo que em v\u00e1rios dos meus projetos como 1\u00aa prenda tem a ver com o jornalismo, o prendado tamb\u00e9m interfere no que eu fa\u00e7o aqui no mestrado. Minha pesquisa de mestrado tem tudo a ver com isso, sobre a identidade cultural ga\u00facha no Paran\u00e1. Ent\u00e3o eu tento manter juntas\u00a0as duas coisas, pra n\u00e3o ser aquele tradicionalismo de fim de semana\u201d, finaliza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Barbara Akemi &nbsp; De fazenda a cidade. Um simples pouso tropeiro que virou um munic\u00edpio. \u00c9 nesse contexto que Ponta Grossa se formou: servindo de caminho para as tropas que vinham do Rio Grande do Sul com destino a Sorocaba\/SP. 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