{"id":1861,"date":"2016-04-11T01:08:55","date_gmt":"2016-04-11T01:08:55","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1861"},"modified":"2016-04-11T01:08:55","modified_gmt":"2016-04-11T01:08:55","slug":"um-ponto-de-luz-no-parque-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/um-ponto-de-luz-no-parque-ambiental\/","title":{"rendered":"Um ponto de luz no Parque Ambiental"},"content":{"rendered":"<p>Por Let\u00edcia Queiroz<\/p>\n<p>A batalha de rimas que acontece todo s\u00e1bado, \u00e0s 20h, no Parque Ambiental, tem reunido rappers, amadores, m\u00fasicos e uma compila\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais. O encontro dos rappers do \u00faltimo dia 10 foi a 5\u00ba batalha desde que o grupo voltou a se reunir.<\/p>\n<p>Os rappers se encontram na parte mais iluminada do local, no centro do parque. Mesmo com as batalhas que s\u00f3 come\u00e7am \u00e0 noite, o p\u00fablico e os interessados j\u00e1 s\u00e3o percebidos muito antes de escurecer. O \u201cFreestyle\u201d, estilo marcado pelo \u201cimproviso\u201d na hora de rimar, come\u00e7a no momento da inscri\u00e7\u00e3o. Sentado no p\u00e9 de um pilar que sustenta a ilumina\u00e7\u00e3o, o rapper Andrey Rotter, o \u201cTwoclock\u201d, organizador do evento, faz as inscri\u00e7\u00f5es dos candidatos. \u201cE a\u00ed rapa, bora participar?\u201d. Cada batalha tem dois candidatos, cada um tem 40 segundos para rimar. A t\u00e9cnica que prevalece na hora da rima \u00e9 a que eles chamam de \u201csangue\u201d, que remete a \u201czoa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O evento, que j\u00e1 acontecia no ano passado, parou em outubro e s\u00f3 voltou a acontecer no dia 5 de mar\u00e7o. Segundo Andrey, as batalhas est\u00e3o mais consistentes agora, e contam com um cen\u00e1rio diferente. \u201cAcho que a ess\u00eancia da parada \u00e9 onde todo mundo se tromba. O lugar da rima mesmo, onde os caras se trombam, \u00e9 na rua\u201d.<\/p>\n<p>Para Andrey, o preconceito com o g\u00eanero ainda existe, ainda que tenha diminu\u00eddo. Ele conta que v\u00ea o evento como forma de quebrar estere\u00f3tipos. \u201cAinda tem um preconceito pela vestimenta e a maioria da galera aqui vem do gueto, da periferia. Hoje est\u00e1 mais acess\u00edvel e vers\u00e1til, hoje o rap alcan\u00e7a muito mais gente, e isso mostra que a cultura n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o rap, \u00e9 o hip hop. O que acontece aqui \u00e9 o hip hop, que \u00e9 a cultura maior, \u00e9 a troca de ideias\u201d.<\/p>\n<p>O uso de batuque, malabares, cajon, viol\u00e3o, s\u00e3o alguns dos elementos que comp\u00f5em a batalha de rimas, para quem opta ficar at\u00e9 o fim do evento. No momento final, quando o candidato vence, o grupo abre uma roda de rap, onde quem se sentir \u00e0 vontade pode \u201cmandar aquela rima\u201d. Caroline Winnk acompanhou as apresenta\u00e7\u00f5es no ano passado, mas conta que a diferen\u00e7a no evento \u00e9 o que acontece no final das batalhas. \u201cAntes acabava a batalha e todo mundo ia embora, e agora todo mundo fica e rola um Freestyle, uma roda e a gente troca uma energia boa. No final da batalha cada um manda o que sentir vontade\u201d.<\/p>\n<p>O rapper \u201cJ\u00e3o\u201d \u00e9 de Jaguar\u00e1 do Sul e conta que ainda percebe uma limita\u00e7\u00e3o do publico em participar do evento. \u201c\u00c9 fraco porque as pr\u00f3prias pessoas se inibem. Entendo que a interven\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 necess\u00e1ria para que um povo tenha cultura e se mantenha forte, mas \u00e0s vezes as pr\u00f3prias pessoas pensam que isso \u00e9 errado, a pr\u00f3pria pol\u00edcia acaba proibindo uma a\u00e7\u00e3o pensando que \u00e9 uma reuni\u00e3o com um objetivo mal\u00e9fico\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Lucas Castro foi pela segunda vez no evento e conta que, para al\u00e9m das rimas, o encontro promove um aprendizado cultural, apesar de tamb\u00e9m perceber uma limita\u00e7\u00e3o de p\u00fablico. \u201cAcho que \u00e9 uma parada que a galera precisa, porque a cidade \u00e9 muito tradicionalista. O movimento n\u00e3o tem muito incentivo, mas o rap t\u00e1 solto pra quem quiser ouvir em qualquer lugar, ele \u00e9 da rua\u201d.<\/p>\n<p><strong>Trecho da batalha final (Rapper \u201cJ\u00e3o\u201d)\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u201cTo aqui na batalha do ambiental, foda \u00e9 voc\u00ea vim perder no seu habitat natural. Volta pra selva c\u00ea erra c\u00ea tenta guerra e n\u00e3o consegue. Ent\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o no meu rap: evolu\u00e7\u00e3o meu parceiro, na f\u00e9 no par verdadeiro, na f\u00e9 eu n\u00e3o olho no espelho. Vai vendo, ta com medo? Por que veio? Desse jeito n\u00e3o amarela, ent\u00e3o amigo to sem freio. N\u00e3o \u00e9 ladeira, n\u00e3o \u00e9 brincadeira. Brincou leva rasteira. Quer capoeira parceiro? \u00c9 desse jeito que eu chego, na f\u00e9, ent\u00e3o vai vendo volta pra casa mais cedo, aqui \u00e9 Brasil puta que pariu, c\u00ea se perde no enredo, meu nego\u201d.<\/p>\n<p><strong>Servi\u00e7o<\/strong><br \/>\nA Batalha de Rimas acontece todos os s\u00e1bados, \u00e0s 20h, no Parque Ambiental. Para participar da batalha, \u00e9 preciso se inscrever uma hora antes, \u00e0s 19h.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Let\u00edcia Queiroz A batalha de rimas que acontece todo s\u00e1bado, \u00e0s 20h, no Parque Ambiental, tem reunido rappers, amadores, m\u00fasicos e uma compila\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais. O encontro dos rappers do \u00faltimo dia 10 foi a 5\u00ba batalha desde que o grupo voltou a se reunir. 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