{"id":1872,"date":"2016-01-19T01:12:31","date_gmt":"2016-01-19T01:12:31","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1872"},"modified":"2016-01-19T01:12:31","modified_gmt":"2016-01-19T01:12:31","slug":"pela-vontade-de-dancar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/pela-vontade-de-dancar\/","title":{"rendered":"Pela vontade de dan\u00e7ar"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Jaqueline Guerreiro<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A leveza e suavidade do bal\u00e9 n\u00e3o deixam evidente que nem tudo s\u00e3o flores. Embora o bal\u00e9 seja algo bem procurado na cidade de Ponta Grossa, ele ainda \u00e9 muito elitizado. \u201cMuitas pessoas pensam que \u00e9 coisa de rico, mas basta se informar para descobrir que a dan\u00e7a pode caber no seu bolso sim. \u00c0s vezes a fam\u00edlia acaba gastando mais com eletr\u00f4nicos, por exemplo, quando poderiam estar investido em atividades locomotoras de bem estar, como o bal\u00e9\u201d conta a professora de bal\u00e9 h\u00e1 19 anos, e uma das donas da Academia Pr\u00f3 Arte Camila Alves Gomes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Na cidade, n\u00e3o h\u00e1 variedade de locais pr\u00f3prios e completos para receber apresenta\u00e7\u00f5es de bal\u00e9, o que restringe o p\u00fablico. \u201cO CineTeatro \u00d3pera \u00e9 um lugar excelente, mas as coisas v\u00e3o estragando aqui e ali, e \u00e9 preciso consertar. Al\u00e9m de que o b\u00e1sico como ilumina\u00e7\u00e3o e som n\u00e3o s\u00e3o fornecidos e temos que alugar.\u201d explica Heloize, irm\u00e3 de Camila e tamb\u00e9m professora de bal\u00e9. Assim os eventos tornam-se todos particulares, com p\u00fablico reduzido e se restringem a familiares, amigos e pessoas envolvidas no meio da dan\u00e7a, mas isso n\u00e3o impede a vontade de dan\u00e7ar e se profissionalizar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Hoje com quase 20 anos de carreira, as irm\u00e3s est\u00e3o formando seus primeiros alunos como professores de bal\u00e9. Na escola h\u00e1 um curso espec\u00edfico para treinar os futuros professores, com aulas did\u00e1ticas, teoria e est\u00e1gio. A bailarina Kawane Leifeld, de 20 anos, vai ser uma das primeiras alunas formadas pela Pr\u00f3 Arte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A m\u00fasica e a dan\u00e7a estiveram presentes na vida de Kawane desde pequena, quando teve seu primeiro contato com o bal\u00e9 aos tr\u00eas anos de idade, na Academia Rellev\u00e9 (academia que Luiza e a Camila tamb\u00e9m frequentavam) na turma do Baby Class. Ela permaneceu nessa mesma academia at\u00e9 os nove anos de idade quando o espa\u00e7o fechou. Como n\u00e3o queria parar de dan\u00e7ar, foi para a academia La Ballerina onde permaneceu por quatro anos, participando de espet\u00e1culos, do projeto Corpo de Baile e foi apresentada ao m\u00e9todo franc\u00eas do bal\u00e9; na antiga escola aprendia pelo m\u00e9todo russo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, conforme crescia Kawane tinha cada vez menos tempo livre, e como a Rellev\u00e9 ficava longe de sua casa, ela deixou a academia por um tempo. Ap\u00f3s seis meses ela decidiu entrar na Pr\u00f3 Arte por j\u00e1 conhecer as professoras, e est\u00e1 l\u00e1 at\u00e9 hoje participando de espet\u00e1culos, viajando para cidades da regi\u00e3o, al\u00e9m de ter participado da Mostra de Dan\u00e7a Paranaense por dois anos seguidos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u2013 A minha maior motiva\u00e7\u00e3o desde pequena, foram \u00e0s possibilidades que eu poderia alcan\u00e7ar no futuro. A fileira da frente, a primeira sapatilha de ponta, o primeiro solo, o primeiro p\u00e1s de deux, conseguir realizar movimentos cada vez mais dif\u00edceis e agora, e ser a Medora no repert\u00f3rio O Cors\u00e1rio (espet\u00e1culo que acontece em dezembro deste ano), como formanda.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Mas tem a parte do bal\u00e9 que quase ningu\u00e9m conhece, aquela que n\u00e3o passam nos filmes, a verdadeira realidade por tr\u00e1s das sapatilhas e dos figurinos maravilhosos. S\u00e3o meses de dedica\u00e7\u00e3o, treino e dor para conseguir montar um espet\u00e1culo, e o reconhecimento \u00e9 essencial na carreira de uma bailarina. Enquanto conversava comigo e tirava as sapatilhas, os calos e os machucados nos p\u00e9s apareciam. No canto da sala de dan\u00e7a, um kit primeiros socorros com curativos e esparadrapos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u2013 Eu quero um dia ver o teatro lotado, com gente admirando, observando o esfor\u00e7o e a dedica\u00e7\u00e3o que passamos o ano todo renovando, para que o espet\u00e1culo inteiro emocione. Aquele passo que parece ser t\u00e3o f\u00e1cil, com certeza foi motivo de l\u00e1grimas da bailarina na primeira tentativa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Agora, como futura professora, Kawane diz desejar passar para os seus futuros alunos toda sua experi\u00eancia, toda dificuldade, as voltas por cima que conseguiu dar e principalmente torcer para que o p\u00fablico reconhe\u00e7a o Bal\u00e9 Cl\u00e1ssico, como uma arte que vale a pena ser acompanhada. Al\u00e9m de bailarina, Kawane est\u00e1 no segundo ano do curso de Fisioterapia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">No v\u00eddeo, Kawane conta como se sente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s todas dificuldades que ela, e todos os outros bailarinos enfrentam. Confira clicando\u00a0<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B24drKG8DMZSMTA1c3cxWU4wQ1k\/view?usp=sharing\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Como tudo come\u00e7ou<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o fosse pela enorme placa com os dizeres \u201cAcademia de dan\u00e7a Pr\u00f3 Arte\u201d seria apenas uma casa entre tantas outras, mas \u00e9 muito mais que isso. A casa de dois andares abriga seis salas de dan\u00e7a, oito professores, v\u00e1rios quadros e retratos das apresenta\u00e7\u00f5es que j\u00e1 passaram e muita hist\u00f3ria pra contar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Tudo come\u00e7ou em 2006, quando a professora de bal\u00e9 das irm\u00e3s Camila e Helo\u00edze decidiu mudar de cidade e fechar a academia de dan\u00e7a que elas frequentavam. Os alunos ficaram sem rumo, e dentre todos os eles, Hel\u00f3ise era a \u00fanica formada e que podia lecionar. O tempo m\u00ednimo para ser formada como professora de bal\u00e9 varia entre 8 e 12 anos, dependendo do m\u00e9todo e da academia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Naturalmente, sendo a \u00fanica capacitada, todos perguntavam quando abriria a sua pr\u00f3pria academia. Foi quando as irm\u00e3s decidiram montar o grupo de dan\u00e7a \u201cSt\u00fadio Gritar\u201d, formado por cinco mulheres que n\u00e3o queriam parar de dan\u00e7ar. Luiza, por ter mais experi\u00eancia entre as bailarinas, liderava o grupo e auxiliou na finaliza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o da sua irm\u00e3 mais nova, Camila.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u2013 Ap\u00f3s um ano com o grupo, foi que come\u00e7amos a sentir a vontade de abrir uma escola. E sem ter por onde come\u00e7ar, abrimos a academia no andar de cima da casa dos nossos pais. \u2013 explica Luiza.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Assim nasceu a Pr\u00f3 Arte, que come\u00e7ou tendo apenas uma sala de dan\u00e7a com capacidade m\u00e1xima para 30 alunos. No come\u00e7o a academia ofertava tr\u00eas cursos, sendo eles: bal\u00e9, aulas de ax\u00e9 e alongamento. Em 2009 com dois anos de academia, e uma demanda cada vez maior de alunos, foi preciso expandir a estrutura do local aumentando as salas e a quantidade de professores. A Academia continua no mesmo lugar: a casa dos pais das irm\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u2013 A gente brinca que essa \u00e9 a heran\u00e7a deixada pelos nossos pais, come\u00e7amos com uma sala e mor\u00e1vamos no andar debaixo, hoje a casa inteira virou est\u00fadio gra\u00e7as a eles. Seria muito dif\u00edcil conseguir uma estrutura como essa sem a ajuda deles.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Hoje a academia tem cursos de bal\u00e9, baby class, dan\u00e7a de sal\u00e3o, ballness, jazz, coreografias, atendimento personal, ritmos coreografados, sw\u00e1sthya y\u00f4ga, flamenco e teatro. Al\u00e9m de bailarinas h\u00e1 19 anos, as irm\u00e3s s\u00e3o formadas em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e em uma s\u00e9rie de cursos profissionalizantes de dan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\"><strong>Espa\u00e7o que acolhe<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u2013 As pessoas que participam da escola falam que gostam de estar aqui. Alguns alunos chegam bem antes da aula para poder conversar, ver os amigos, eles gostam do clima, do bem estar que proporcionamos na academia, e \u00e9 o que cativa \u00e0s pessoas. \u2013 conta a ca\u00e7ula Camila.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Dentro da Academia \u00e9 feito um concurso interno anual, que premia Melhor bailarina, Melhor bailarino, Aluno destaque, entre outros, onde os pr\u00f3prios alunos montam seu figurino e coreografia. Os jurados s\u00e3o professores de dan\u00e7a convidados que julgam e escolhem os vencedores. Al\u00e9m de Ponta Grossa, a Academia Pr\u00f3 Arte j\u00e1 se apresentou em diversas cidades paranaenses, como Curitiba, Tel\u00eamaco Borba, Arapoti, Pira\u00ed do Sul, Castro etc. Mas o objetivo \u00e9 participar de concursos fora do estado, meta planejada com muita calma e paci\u00eancia, conforme os alunos v\u00e3o ficando cada vez melhores e aprimoram o seu trabalho.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O namorado de Kawane, Rodrigo Ferreira, de 22 anos, que tamb\u00e9m frequentou a academia Pr\u00f3 Arte, \u00e9 bailarino h\u00e1 oito anos, dan\u00e7arino e estudante de economia. Ele conta que nunca sofreu preconceito por conta do bal\u00e9, e que na verdade \u00e9 muito respeitado pelas pessoas por ser bailarino e professor de dan\u00e7a de sal\u00e3o, al\u00e9m de coreografar casamentos, festas de 15. Apesar dos longos anos treinando bal\u00e9 ele n\u00e3o pretende levar como profiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u2013 Estou caminhando para o \u00faltimo ano da faculdade, e vejo a profiss\u00e3o de professor de dan\u00e7a eu tenho como um b\u00f4nus, n\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o de torn\u00e1-la minha principal fonte de renda, mesmo porque \u00e9 muito dif\u00edcil viver de cultura no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jaqueline Guerreiro A leveza e suavidade do bal\u00e9 n\u00e3o deixam evidente que nem tudo s\u00e3o flores. 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