{"id":1886,"date":"2016-04-14T01:19:42","date_gmt":"2016-04-14T01:19:42","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1886"},"modified":"2016-04-14T01:19:42","modified_gmt":"2016-04-14T01:19:42","slug":"as-queijadinhas-de-um-litoraneo-que-todo-ponta-grossense-conhece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/as-queijadinhas-de-um-litoraneo-que-todo-ponta-grossense-conhece\/","title":{"rendered":"As queijadinhas de um litor\u00e2neo que todo ponta-grossense conhece"},"content":{"rendered":"<p>Gilmar Doehnert (Gil), 45. Paranaguaense. Atualmente, vendedor de queijadinhas em Ponta Grossa. A ideia de vender esse doce t\u00edpico do sudeste brasileiro surgiu em meados dos anos 1980. Seus pais, Valdemar Doehnert e Sil\u00e9sia Doehnert, come\u00e7aram a vender doces, como cocadas e sonhos, depois de ter acabado de se mudar de um s\u00edtio para a cidade portu\u00e1ria.<\/p>\n<p>Gil trabalhava em uma loja de materiais de constru\u00e7\u00e3o no litoral. Quando ficou desempregado, resolveu trabalhar com os pais, mais como uma forma de ajud\u00e1-los do que como se fosse um emprego fixo. O neg\u00f3cio foi dando certo e ele resolveu assumir o trabalho com os pais.<\/p>\n<p>Mudou-se para Ponta Grossa onde tamb\u00e9m come\u00e7ou a trabalhar em uma loja de materiais de constru\u00e7\u00e3o. O emprego na cidade princesina tamb\u00e9m n\u00e3o deu certo e Gil percebeu que o que realmente daria certo seria continuar o trabalho dos pais. H\u00e1 dois anos come\u00e7ou a vender as famosas &#8216;Queijadinhas do Gil&#8217;.<\/p>\n<p>Gil tem seus pontos fixos na cidade e uma clientela cativa. Na parte da manh\u00e3, ele est\u00e1 na Avenida Vicente Machado, em frente a uma ag\u00eancia banc\u00e1ria. No per\u00edodo da tarde, ele fica na Rua Coronel Francisco Ribas. Os clientes e funcion\u00e1rios dos bancos bem conhecem os docinhos e sempre os elogiam. O aposentado Jo\u00e3o de Freitas, 67, comenta o que acha das queijadinhas do Gil. \u201cEu compro as queijadinhas do Gil j\u00e1 faz um ano mais ou menos e sempre o elogiei. S\u00e3o muito boas, e sempre que venho ao banco, aproveito para comprar para eu e minha esposa\u201d. E n\u00e3o \u00e9 para menos que os clientes elogiam os docinhos. Gilmar preza pela higiene e qualidade. As queijadinhas s\u00e3o produzidas sempre na noite anterior ou durante a manh\u00e3 da venda. \u201cEla [a queijadinha] dura cinco dias, mas eu prefiro fazer de um dia para o outro porque voc\u00ea vende e n\u00e3o tem problema, voc\u00ea fica sossegado com uma crian\u00e7a, uma pessoa idosa. Mas eu n\u00e3o gosto de deixar durante cinco dias. Porqu\u00ea? Porque a pessoa pergunta se \u00e9 fresca e eu teria que mentir pra ela. Isso eu n\u00e3o fa\u00e7o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O tratamento com a clientela \u00e9 sempre feito com muita simpatia; \u00e9 percept\u00edvel que Gil \u00e9 feliz naquilo que faz. O cliente chega, pede o produto, e Gil responde, sempre: \u201cVoc\u00ea quer das mais clarinhas ou das mais escurinhas?\u201d.<\/p>\n<p>Uma das maiores queixas do vendedor, no que diz respeito ao seu trabalho, foi a falta de libera\u00e7\u00e3o de alvar\u00e1s pela prefeitura. Ele ainda comparou Paranagu\u00e1 com Ponta Grossa no quesito de libera\u00e7\u00e3o de comerciantes ambulantes. \u201cEu gostaria que tivesse uma autoriza\u00e7\u00e3o da prefeitura pra gente poder trabalhar sossegado e n\u00e3o ter que correr. Em Paranagu\u00e1 eu pagava 70 reais por ano, e podia vender tranquilamente. Tinha crach\u00e1 e ficava tranquilo. Isso falta em Ponta Grossa; aqui deveria ter isso\u201d. Gil ainda explica como \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de quando os fiscais da prefeitura aparecem para &#8216;intervir&#8217; no trabalho. \u201cQuando os fiscais v\u00eam tem que sair. A\u00ed eu troco o ponto, vou mais longe e tem que ir sobrevivendo. Eles est\u00e3o fazendo o servi\u00e7o deles e eu estou fazendo o meu. Eu sempre brinco com eles. Voc\u00eas correm atr\u00e1s de mim e eu corro de voc\u00eas\u201d. O vendedor defende que a prefeitura libere o alvar\u00e1 de trabalho para quem mora na cidade.<\/p>\n<p>Com 20 anos de casado \u2013 na soma de dois matrim\u00f4nios \u2013, Gil consegue sustentar a fam\u00edlia apenas com o sal\u00e1rio das queijadinhas. Ele vende, em m\u00e9dia, 100 doces por dia.<\/p>\n<p>Gil n\u00e3o trabalha nos finais de semana e tamb\u00e9m n\u00e3o participa das feiras promovidas pela prefeitura, como a &#8216;Feira do peixe&#8217;, por exemplo. Segundo ele, a prefeitura cobra um valor de aproximados 200 reais por dia pela estadia do comerciante na feira. Nas manifesta\u00e7\u00f5es de rua de mar\u00e7o Gil tamb\u00e9m n\u00e3o trabalhou. Segundo ele, nem sempre onde tem uma multid\u00e3o se movimentando o vendedor se sair\u00e1 bem, ainda mais para quem comercializa alimentos.<\/p>\n<p>Para 2016, Gil pretende, qui\u00e7\u00e1 na pr\u00f3xima semana, adquirir um carrinho um pouco maior e de mais f\u00e1cil manuseio. Ele n\u00e3o pensa, no momento, em abrir um estabelecimento pr\u00f3prio, pois lhe \u00e9 invi\u00e1vel e ele j\u00e1 tem os clientes cativos em seus respectivos pontos de venda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilmar Doehnert (Gil), 45. Paranaguaense. Atualmente, vendedor de queijadinhas em Ponta Grossa. A ideia de vender esse doce t\u00edpico do sudeste brasileiro surgiu em meados dos anos 1980. 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