{"id":1921,"date":"2016-02-07T01:34:13","date_gmt":"2016-02-07T01:34:13","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1921"},"modified":"2016-02-07T01:34:13","modified_gmt":"2016-02-07T01:34:13","slug":"harmonia-nota-10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/harmonia-nota-10\/","title":{"rendered":"Harmonia: nota 10"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Nathalia Oliveira<\/em><\/p>\n<p>Feriado nacional, o carnaval \u00e9 uma data comemorada no pa\u00eds desde a chegada dos portugueses e a cada ano se transforma. A afoba\u00e7\u00e3o e a correria fazem parte dos bastidores das escolas de samba que participam dos desfiles de rua das cidades brasileiras. Ponta Grossa n\u00e3o se exclui. Atualmente a cidade possui tr\u00eas escolas de samba em atividade, e s\u00e3o mais de dois s\u00e9culos de tradi\u00e7\u00e3o carnavalesca e muitos desafios.<\/p>\n<p>A professora Silvia Julek diz que o maior problema do carnaval da cidade sempre foi a falta de verbas e organiza\u00e7\u00e3o. \u201cO Carnaval de rua foi perdendo, dentro da nossa sociedade, seu verdadeiro sentido de festa\u201d, afirma. Silvia ressalta que h\u00e1 um car\u00e1ter de preconceito da popula\u00e7\u00e3o quanto ao carnaval de rua e que muitos preferiam ir a festas fechadas, nos clubes.<\/p>\n<p>Atualmente, a Avenida Vicente Machado &#8211; local onde acontece o desfile anual \u2013 recebe as tr\u00eas escolas de samba: Ases de Vila, \u00c1guia de Ouro e Globo de Cristal. Mesmo sendo uma competi\u00e7\u00e3o, nos preparativos para a data o clima \u00e9 de amizade e companheirismo, j\u00e1 que todas passam, em algum momento, pelas mesmas dificuldades. O carnavalesco da \u00c1guia de Ouro, Anderson Pedroso, explica que muitas vezes o dinheiro do pr\u00eamio \u00e9 usado para auxiliar todas as escolas.<\/p>\n<p>Todos os anos, ap\u00f3s o Desfile das Campe\u00e3s do Rio de Janeiro, as escolas de Ponta Grossa v\u00e3o at\u00e9 a cidade maravilhosa para arrecadar fantasias usadas no carnaval. \u201c\u00c9 usado o pr\u00eamio do concurso de rua da cidade para pagar o deslocamento dos membros das escolas\u201d, afirma Pedroso. Segundo o carnavalesco, a quantidade de fantasias desperdi\u00e7adas \u00e9 gigantesca e h\u00e1 a possibilidade de reutiliz\u00e1-las no carnaval ponta-grossense no ano seguinte.<\/p>\n<p>Tudo que precisa ser produzido pelas m\u00e3os dos pr\u00f3prios integrantes \u00e9 feito durante o ano. A carnavalesca da Globo de Cristal, Delvana Bueno, explica que o seu trabalho no grupo come\u00e7a logo ap\u00f3s cada carnaval. \u201cJ\u00e1 come\u00e7o a escrever o samba-enredo em mar\u00e7o. Depois de pronto, come\u00e7o a montar as alas e fantasias. Primeiro desenho e ent\u00e3o come\u00e7o a procurar tecidos para confeccion\u00e1-las\u201d, conta Delvana.<\/p>\n<p>A carnavalesca conta que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ter aux\u00edlio e que \u201ca escola trabalha o ano todo para tentar conseguir o apoio de empresas locais e melhorar o or\u00e7amento\u201d. Delvana afirma que, mesmo realizando eventos para arrecadar fundos, o maior objetivo \u00e9 divertir a comunidade. \u201cFazemos muitas festas com o intuito de manter a nossa comunidade unida. Muitos moradores ajudam e desfilam pela escola tamb\u00e9m\u201d, explica Bueno sobre a escola localizada na Vila Mariana h\u00e1 mais de 40 anos.<\/p>\n<p>Participante da escola de samba \u00c1guia de Ouro, Elicene Stolle, a comunidade \u00e9 um fator muito importante para que se produza um carnaval com qualidade. Segundo ela, a constru\u00e7\u00e3o de um carro aleg\u00f3rico, por exemplo, que custaria mais de R$15 mil por meio da contrata\u00e7\u00e3o de uma empresa, \u00e9 feita pela comunidade, que se voluntaria para ajudar.<\/p>\n<p><strong>Alegoria Financeira<\/strong><\/p>\n<p>Parte da verba utilizada para a prepara\u00e7\u00e3o do carnaval de rua \u00e9 repassada pela Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura. Este ano, em novembro, a C\u00e2mara Municipal de Vereadores abriu vota\u00e7\u00e3o para o repasse de R$60 mil para a Liga das Organiza\u00e7\u00f5es Carnavalescas. A sess\u00e3o, intensa e tumultuada, contou com um enorme debate entre vereadores com diferentes pontos de vista.<\/p>\n<p>O vereador Ezequiel Bueno (PRB) manifestou-se contra a aprova\u00e7\u00e3o, pois, segundo ele, a cidade deve investir em outras \u00e1reas, com maior prioridade. \u201cEnquanto for vereador, n\u00e3o admitirei dar dinheiro para o carnaval\u201d, afirmou. Houve tamb\u00e9m uma discuss\u00e3o em torno do abuso de drogas e \u00e1lcool que a data comemorativa pode alavancar.<\/p>\n<p>Rei Momo eleito em 2015, Andr\u00e9 Zaniolo acompanhou a vota\u00e7\u00e3o e esteve presente nas sess\u00f5es. Segundo ele, \u201cos vereadores da bancada evang\u00e9lica defendem sua religi\u00e3o e n\u00e3o o interesse da popula\u00e7\u00e3o\u201d. Zaniolo completa: \u201cEst\u00e1 \u00e9 uma festa tradicional e n\u00e3o uma orgia coletiva, como um dos vereadores citou\u201d.<\/p>\n<p>Depois de muita discuss\u00e3o em torno da proposta, a C\u00e2mara acabou por aprovar o repasse \u00e0 Liga. Assim como ocorre todos os anos, a Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura possui uma parceria com a Liga Carnavalesca. Segundo o diretor do Departamento de Cultura, Luis Cirillo Barbisan, a Liga faz um or\u00e7amento do que seria necess\u00e1rio para as escolas e, ap\u00f3s, a Funda\u00e7\u00e3o entra em contato com a Prefeitura para negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O carnavalesco da \u00c1guia de Ouro, Anderson Pedroso, trabalhou no carnaval de Ponta Grossa desde o in\u00edcio e acredita que ainda h\u00e1 muito para melhorar, principalmente no investimento feito pela prefeitura. \u201cTodos os anos s\u00e3o disponibilizados 60 mil reais para a Liga Carnavalesca. Depois \u00e9 a entidade que repassa a verba e divide igualmente entre as escolas\u201d, explica. Cada escola em atividade recebe R$15 mil, j\u00e1 que um quarto do valor permanece com a Liga para investimentos gerais.<\/p>\n<p>Participante ativo do carnaval h\u00e1 anos e atual membro da \u00c1guia de Ouro, Jorge Lopes afirma que a festa tem problemas financeiros desde 2003. \u201cNaquela \u00e9poca, a prefeitura dava de R$ 3 mil a R$ 3,5 mil pra fazer um desfile\u201d, conta Lopes.<\/p>\n<p>Cirillo concorda que uma verba maior seria mais pertinente \u00e0s escolas de samba. \u201cSempre esteve em discuss\u00e3o a quest\u00e3o do aumento da verba. O desfile de carnaval \u00e9 o evento de maior p\u00fablico local. O que interessa \u00e9 ver um belo espet\u00e1culo e para isso acontecer temos que oferecer condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas favor\u00e1veis\u201d, completa.<\/p>\n<p>Membro da \u00c1guia de Ouro, Elicene Stolle acredita que a falta de recursos prejudica muito a produ\u00e7\u00e3o das escolas, principalmente quando ocorre o atraso do repasse do governo local. Ela afirma que, por causa do atraso, a compra de materiais especializados \u00e9 feita apenas pelas escolas com grande capital, que \u00e9 o caso das cariocas e paulistas. \u201cAcabamos tendo que improvisar e procurar por materiais mais baratos\u201d, explica Elicene.<\/p>\n<p><strong>Desfile de supera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A falta de recursos para a elabora\u00e7\u00e3o do carnaval de rua deixa as escolas de samba sujeitas, muitas vezes, a um pequeno p\u00fablico e baixa aceita\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, ainda com todos os problemas de estrutura enfrentados pelas escolas de samba, os membros acreditam que existe uma boa aceita\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 muito gratificante desfilar e ver o p\u00fablico prestigiando. Tem gente que n\u00e3o se importa com sol ou chuva e est\u00e1 l\u00e1 todos os anos\u201d, afirma Delvana Bueno.<\/p>\n<p>O Rei Momo Andr\u00e9 Zaniolo percebe que n\u00e3o h\u00e1 mais tanta distin\u00e7\u00e3o de classes como existia no passado. \u201cNo carnaval de 2015 estiveram presentes aproximadamente 30 mil pessoas. Eram mulheres, homens, crian\u00e7as e idosos, pessoas de todos os tipos\u201d, afirma Zaniolo.<\/p>\n<p>Maria Rossler mora em Ponta Grossa h\u00e1 quinze anos e acredita que, mesmo melhorando a cada ano, quando comparado ao evento de outras cidades, a estrutura \u00e9 menor e mais prec\u00e1ria. Para ela, muitos dos problemas do carnaval est\u00e3o ligados \u00e0 pr\u00f3pria cultura da popula\u00e7\u00e3o. \u201cAcho que falta incentivo do governo. Um exemplo \u00e9 o caso do Natal Iluminado, que foi muito bem aceito pelo p\u00fablico. A popula\u00e7\u00e3o prestigia o evento quando \u00e9 bem elaborado e produzido\u201d.<\/p>\n<p>O diretor do Departamento de Cultura da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura, Luis Cirillo, afirma que a institui\u00e7\u00e3o tenta auxiliar no que pode. \u201cAtualmente estamos fazendo melhorias e colocando grades de conten\u00e7\u00e3o na avenida. Al\u00e9m disso melhoramos muito na quest\u00e3o do som e fizemos algumas oficinas com os membros das escolas para que fossem produzidos sambas com mais qualidade\u201d, afirma<\/p>\n<p>Nascida em Ponta Grossa, Larissa Santos acompanha o carnaval de rua h\u00e1 mais de 20 anos e d\u00e1 total cr\u00e9dito \u00e0s escolas de samba. \u201cA cada ano as escolas se superam e trabalham mais duro para levar algo de qualidade at\u00e9 a avenida\u201d, diz Larissa. Para ela, \u00e9 vis\u00edvel a alegria no olhar das pessoas que investem seu tempo e suor para fazerem os outros felizes, nem que seja durante dois dias do ano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nathalia Oliveira Feriado nacional, o carnaval \u00e9 uma data comemorada no pa\u00eds desde a chegada dos portugueses e a cada ano se transforma. A afoba\u00e7\u00e3o e a correria fazem parte dos bastidores das escolas de samba que participam dos desfiles de rua das cidades brasileiras. Ponta Grossa n\u00e3o se exclui. 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