{"id":1924,"date":"2016-02-10T01:36:55","date_gmt":"2016-02-10T01:36:55","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1924"},"modified":"2016-02-10T01:36:55","modified_gmt":"2016-02-10T01:36:55","slug":"escolas-de-samba-no-cenario-das-politicas-culturais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/escolas-de-samba-no-cenario-das-politicas-culturais\/","title":{"rendered":"Escolas de samba no cen\u00e1rio das pol\u00edticas culturais"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Barbara Akemi<\/em><\/p>\n<p>Das tr\u00eas escolas de samba que est\u00e3o ativas em Ponta Grossa, uma delas \u00e9 a \u00c1guia de Ouro, que tem o seu surgimento datado em 1996. Desde ent\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o luta para permanecer e fazer parte do tradicional carnaval de rua da cidade.<\/p>\n<p>Diferente de outras escolas, a \u00c1guia de Ouro n\u00e3o interrompeu suas atividades em nenhum momento, completando dezenove anos na ativa.<\/p>\n<p>O que a maioria n\u00e3o sabe \u00e9 que as escolas de samba n\u00e3o aparecem somente no m\u00eas de fevereiro, no desfile de carnaval. Durante o ano, desenvolvem diversos eventos na comunidade em que est\u00e3o situadas. A \u00c1guia de Ouro, por exemplo, est\u00e1 localizada no bairro Olarias, considerado o ber\u00e7o do carnaval ponta-grossense, e desenvolve suas atividades junto com a comunidade.<\/p>\n<p>De acordo com a vice-presidente Elisiane Stole, a verba cedida pela Prefeitura n\u00e3o \u00e9 suficiente para comprar tudo que precisa. Dessa forma, os eventos s\u00e3o promovidos a fim de arrecadar lucros para o grande desfile. Dentre eles est\u00e3o: feijoadas, festas de pagode e bingo.<\/p>\n<p>Com a inten\u00e7\u00e3o de manter a tradi\u00e7\u00e3o, a escola ainda utiliza pr\u00e1ticas de reciclagem e reaproveitamento de materiais. Segundo o carnavalesco Anderson Pedroso, muitas coisas s\u00e3o trazidas dos desfiles das escolas campe\u00e3s do Rio de Janeiro. \u201cAl\u00e9m de ser muito caro, n\u00f3s n\u00e3o temos aqui quem fa\u00e7a toda a parte de ferragem dos carros, por isso reaproveitamos o que \u00e9 utilizado nos desfiles do Rio de Janeiro\u201d, explica.<\/p>\n<p>De acordo com Pedroso, mesmo com o reaproveitamento, muitas coisas ainda precisam come\u00e7ar do zero. O custo para produzir tudo \u00e9 alto, por isso quanto mais eventos forem promovidos durante o ano, melhores s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es para o resultado final ser de qualidade e surpreender o p\u00fablico. \u201cUm quilo de pluma hoje custa R$3.500 reais. Em um quilo vem de 180 a 200 plumas, sendo que uma fantasia de destaque leva, em m\u00e9dia, 300 plumas, ou seja, \u00e9 mais de um quilo por fantasia\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Mesmo com as dificuldades, Pedroso diz que, para ele, o carnaval de rua deve ser mantido. \u201c\u00c9 uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es culturais, e por isso deve ser mantido. Para mim, \u00e9 muito importante porque foi meu pai que come\u00e7ou o carnaval de rua de Ponta Grossa, em 1958, por isso quero manter essa tradi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o povo gosta e vai assistir. O povo quer p\u00e3o, mas tamb\u00e9m gosta de circo\u201d, finaliza.<\/p>\n<p><strong>Entre escolas de samba e administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/strong><\/p>\n<p>Com a finalidade de auxiliar as escolas de samba nos desfiles, surgiu em 2002 a Liga Cultural Carnavalesca de Ponta Grossa, que tem como presidente, desde a sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje, Ant\u00f4nio Francisco Gomes da Silva.<\/p>\n<p>Segundo ele, as a\u00e7\u00f5es da Liga Carnavalesca acontecem principalmente pr\u00f3ximas ao per\u00edodo do carnaval. A organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por arrecadar verbas e patroc\u00ednios para garantir que o desfile aconte\u00e7a. Al\u00e9m do repasse de verbas, a Liga fica encarregada ainda de divulgar os eventos nos canais de m\u00eddia.<\/p>\n<p>Com tr\u00eas escolas em funcionamento, a Liga tem a fun\u00e7\u00e3o de intermediar o repasse de verbas entre a Prefeitura e as escolas de samba. Dessa forma, o repasse \u00e9 facilitado e evita poss\u00edveis conflitos que poderiam ocorrer caso cada escola fosse respons\u00e1vel por esse ato.<\/p>\n<p>Mesmo com treze anos de exist\u00eancia, a Liga ainda n\u00e3o tem um espa\u00e7o pr\u00f3prio, o que dificulta suas atividades. \u201cSeria de suma import\u00e2ncia ter um barrac\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pra Liga como para as Escolas de Samba, onde poderiam realizar seus eventos com mais frequ\u00eancia e tamb\u00e9m arrecadar com esses eventos para fins carnavalescos, bem como dar oficinas culturais para as comunidades locais\u201d, afirma o presidente.<\/p>\n<p>Na Confer\u00eancia Municipal de Cultura realizada na cidade em 2015, uma das Diretrizes Culturais diz respeito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da sede pr\u00f3pria da Liga Carnavalesca. O espa\u00e7o serviria de sede da Liga, e ainda estaria \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para os ensaios e eventos das escolas de samba. Sem esse ambiente, os carnavalescos providenciam seus pr\u00f3prios espa\u00e7os para as atividades, tendo, muitas vezes, que se adequar a espa\u00e7os impr\u00f3prios. Em \u00faltimo caso, os ensaios acontecem na pr\u00f3pria rua.<\/p>\n<p>Sobre a sede pr\u00f3pria da Liga, o diretor do Departamento de Cultura, Luis Cirillo Barbisan, afirma que n\u00e3o h\u00e1 uma previs\u00e3o para o in\u00edcio da obra. Segundo ele, as diretrizes s\u00e3o os ideais para o setor cultural, no entanto, n\u00e3o h\u00e1 recursos financeiros no momento para a realiza\u00e7\u00e3o desse objetivo.<\/p>\n<p><strong>Carnaval, tradi\u00e7\u00e3o nas ruas<\/strong><\/p>\n<p>Desde o s\u00e9culo XX o carnaval de rua \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o em praticamente todo o territ\u00f3rio brasileiro. O surgimento dos blocos carnavalescos data do s\u00e9culo XIX, por\u00e9m, somente a partir do s\u00e9culo XX, com a inven\u00e7\u00e3o das marchinhas, \u00e9 que o carnaval de rua se consolidou, conquistando o seu espa\u00e7o em todos os lugares.<\/p>\n<p>Hoje, quando se pensa em Carnaval, logo surgem as imagens daqueles grandes carros aleg\u00f3ricos muito bem enfeitados, fantasias coloridas e \u201cbrilhosas\u201d, compostas basicamente de penas e purpurina. \u00c9 comum, logo ap\u00f3s as festividades de final de ano, se aguardar pelos desfiles carnavalescos, que s\u00e3o atualmente, uma das maiores festividades.<\/p>\n<p>Mesmo as cidades pequenas, que n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o para aparecer na grande m\u00eddia, o carnaval de rua ainda \u00e9 mantido como tradi\u00e7\u00e3o. Em Ponta Grossa, o desfile acontece tradicionalmente todos os anos, com a participa\u00e7\u00e3o das escolas de samba da pr\u00f3pria cidade. Atualmente, s\u00e3o tr\u00eas escolas de sambas ativas, sendo elas: \u00c1guia de Ouro, Globo de Cristal e Ases da Vila.<\/p>\n<p>No entanto, as escolas de samba n\u00e3o surgem somente em fevereiro, nos desfiles tradicionais. Durante todo o ano, realizam outros eventos festivos que tamb\u00e9m envolvem a comunidade. Tais comemora\u00e7\u00f5es t\u00eam por finalidade manter viva a tradi\u00e7\u00e3o carnavalesca e incentivar o envolvimento da popula\u00e7\u00e3o na grande festividade que acontece em fevereiro.<\/p>\n<p>Dentre as atividades desenvolvidas est\u00e3o principalmente oficinas culturais que partem das escolas de samba para as unidades escolares. As escolas que s\u00e3o contempladas com essas oficinas s\u00e3o as que est\u00e3o pr\u00f3ximas, fisicamente, das escolas de samba. Al\u00e9m disso, mas sem nenhuma frequ\u00eancia garantida, s\u00e3o promovidas ainda grandes oficinas que n\u00e3o se limitam somente a um bairro. Essas, quando acontecem, s\u00e3o promovidas atrav\u00e9s de uma parceria entre as escolas de samba com a Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura de Ponta Grossa.<\/p>\n<p>O diretor do Departamento de Cultura, Luis Cirillo Barbisan, explica que a dificuldade para promover tais oficinas est\u00e1 em conseguir encontrar volunt\u00e1rios que colaborem com o ato. \u201cPor incr\u00edvel que pare\u00e7a, a gente procura, mas n\u00e3o acha muitas pessoas que queiram trabalhar nessa \u00e1rea, mesmo com grandes percursionistas na cidade\u201d, explica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Barbara Akemi Das tr\u00eas escolas de samba que est\u00e3o ativas em Ponta Grossa, uma delas \u00e9 a \u00c1guia de Ouro, que tem o seu surgimento datado em 1996. Desde ent\u00e3o, a organiza\u00e7\u00e3o luta para permanecer e fazer parte do tradicional carnaval de rua da cidade. 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