{"id":1941,"date":"2016-05-02T01:44:59","date_gmt":"2016-05-02T01:44:59","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1941"},"modified":"2016-05-02T01:44:59","modified_gmt":"2016-05-02T01:44:59","slug":"irene-mitsue-tanabe-revela-tradicoes-do-japao-em-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/irene-mitsue-tanabe-revela-tradicoes-do-japao-em-historias\/","title":{"rendered":"Irene Mitsue Tanabe revela tradi\u00e7\u00f5es do Jap\u00e3o em hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>Por Ana Luisa Vaguetti<\/p>\n<p>Irene Mitsue Tanabe \u00e9 formada em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC) de Campinas, em 1999. Trabalhou durante doze anos em empresas de comunica\u00e7\u00e3o. Faz origamis desde os seis anos, e resolveu unir a narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias com a arte de dobrar papel. Irene conta hist\u00f3rias por todo pa\u00eds: livrarias, empresas, centros de cultura e feiras diversas. J\u00e1 participou da Bienal Internacional do Livro de S\u00e3o Paulo, do Festival Estadual de Contadores de Hist\u00f3rias de Porto Alegre, do Festival Conte Outra Vez em Recife e do Festival de Garanhuns, no sert\u00e3o de Pernambuco. Na \u00faltima ter\u00e7a-feira (19), Irene se apresentou no III Festival Nacional de Contadores de Hist\u00f3rias, em Ponta Grossa, e concedeu uma entrevista exclusiva para o Cultura Plural.<\/p>\n<p><strong>Cultura Plural: Como e quando surgiu essa vontade de contar hist\u00f3rias?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irene:<\/strong>\u00a0A minha forma\u00e7\u00e3o \u00e9 em Comunica\u00e7\u00e3o Social, eu fiz Jornalismo. Durante doze anos trabalhei em ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o, contava hist\u00f3rias com origamis para os executivos de empresas, fazendo din\u00e2micas para desenvolver a comunica\u00e7\u00e3o interna. Eu n\u00e3o sabia que contava hist\u00f3rias, e contava (risos). Para os empres\u00e1rios, isso \u00e9 \u00f3timo, por trabalhar a intera\u00e7\u00e3o interpessoal. Um dia, minha amiga viu volunt\u00e1rios contando hist\u00f3rias no hospital, ela me incentivou e disse que era a minha cara. Quando eu comecei a contar hist\u00f3rias para crian\u00e7as, gostei muito, muito mesmo. Comecei a me identificar tanto com esse trabalho, que as pessoas perguntavam como eu fazia aquilo e se eu n\u00e3o podia ensinar a t\u00e9cnica de contar com origamis. No come\u00e7o, eu recusei muitas ofertas, pois era somente um trabalho volunt\u00e1rio. De tanto as pessoas insistirem, eu resolvi dar oficinas de origami. Uma coisa foi levando a outra, a Saraiva me viu, logo recebi um convite para contar hist\u00f3rias nas livrarias&#8230; Os convites come\u00e7aram a pipocar. Eu s\u00f3 fui aceitando, mais ou menos na onda daquela m\u00fasica do Zeca Pagodinho, \u201cdeixa a vida me levar, vida leva eu\u201d. As ofertas vinham de outros estados, comecei a viajar para outras cidades. Faltava na ag\u00eancia por conta do trabalho em contar hist\u00f3rias. At\u00e9 que resolvi largar o meu emprego e me dedicar \u00e0 \u00e1rea de narra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Cultura Plural: De que maneira sua atua\u00e7\u00e3o profissional manifesta e divulga a cultura oriental?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irene<\/strong>: Eu costumo contar muitas lendas e contos orientais, que eu aprendi ouvindo de tradi\u00e7\u00e3o oral. Minha m\u00e3e n\u00e3o tinha livros, ela contava hist\u00f3rias que tinha ouvido da minha av\u00f3 e bisav\u00f3. Contar hist\u00f3ria \u00e9 uma maneira de levar para a posteridade nossa tradi\u00e7\u00e3o, cultura e identidade.<\/p>\n<p><strong>Cultura Plural: Como a cultura oriental se manifesta e influencia a cultura brasileira?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irene:<\/strong>\u00a0Eu acho que de v\u00e1rias formas, n\u00e3o s\u00f3 atrav\u00e9s da culin\u00e1ria japonesa, mas tamb\u00e9m na forma de viver, pois muitos orientais s\u00e3o extremamente tranquilos e pac\u00edficos. Nossa cultura acaba se radiando na cultura brasileira \u00e0 medida que come\u00e7a interagir. Conheci muito brasileiros que dizem ter se identificado com a nossa forma de viver e decidiram entrar para comunidades e associa\u00e7\u00f5es orientais.<\/p>\n<p><strong>Cultura Plural: Qual a representatividade da cultura oriental no Paran\u00e1?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irene:<\/strong>\u00a0Eu sou de S\u00e3o Paulo, mas conhe\u00e7o muita gente de Curitiba, e sei que l\u00e1 tem muitos orientais por conta da coloniza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 fui para Londrina tamb\u00e9m, e \u00e9 a segunda cidade do pa\u00eds que tem mais japoneses. Essa coloniza\u00e7\u00e3o oriental foi entrando no Panar\u00e1 devido ao clima do estado, por ser mais ameno e fresquinho, que aproxima mais da temperatura do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Cultura Plural: Qual a import\u00e2ncia de contar hist\u00f3rias para manter a diversidade cultural ativa?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irene:<\/strong>\u00a0\u00c9 importante contar hist\u00f3rias porque deixamos um legado para posteridade, para as crian\u00e7as. \u00c9 uma forma de dizer que passei por esse mundo. \u00c9 engra\u00e7ado que, h\u00e1 pouco tempo, eu fiz uma oficina exatamente sobre isso, em que contei um conto chamado \u201cUm Conto M\u00ednimo\u201d, da jornalista Helo\u00edsa Seixas. O conto \u00e9 sobre um fato ver\u00eddico de um avi\u00e3o japon\u00eas que sofreu uma pane e parou de funcionar. Ao inv\u00e9s de o avi\u00e3o cair, come\u00e7ou a planar durante uns vinte minutos no ar. A morte dos passageiros era iminente, mas durante esse tempo os passageiros ficaram escrevendo em bilhetes, cadernetas e guardanapos. Quando as pessoas foram no lugar dos destro\u00e7os do avi\u00e3o, foram encontradas as mensagens que os passageiros haviam deixado. Essa era a forma que eles haviam encontrado de deixar um registro de sua passagem pela Terra. Ent\u00e3o, podemos dizer que quando a morte \u00e9 iminente, queremos deixar um recado para as pessoas. \u00c9 isso que os artistas e contadores de hist\u00f3ria querem fazer, deixar uma marca de sua presen\u00e7a para o futuro.<\/p>\n<p><strong>Cultura Plural: Como funciona a manifesta\u00e7\u00e3o da cultura oriental no seu cotidiano?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irene:\u00a0<\/strong>Tento levar a minha tranquilidade e meu jeito calmo de ser para as pessoas. Al\u00e9m disso, sempre procuro meditar e controlar minha ansiedade.<\/p>\n<p><strong>Cultura Plural: Como o poder de cria\u00e7\u00e3o do origami influencia na forma de contar hist\u00f3rias?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irene:<\/strong>\u00a0Eu j\u00e1 levo os origamis prontos e, na maioria das vezes, eles funcionam como um recurso imag\u00e9tico, ilustra\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria. Mas, somente alguns elementos eu acabo transformando em origami, n\u00e3o todos para n\u00e3o comprometer a imagina\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. J\u00e1 quando eu estou transformando os origamis \u00e9 diferente, porque a transforma\u00e7\u00e3o tem um poder incr\u00edvel nas pessoas por trabalhar a \u2018psique\u2019, ou seja, atrav\u00e9s da hist\u00f3ria o p\u00fablico compreende que a vida est\u00e1 em uma constante transforma\u00e7\u00e3o, em um movimento. Isso no inconsciente do ser humano \u00e9 importante, pois traz esperan\u00e7a e f\u00e9 de que as coisas podem mudar.<\/p>\n<p><strong>Cultura Plural: Como voc\u00ea avalia o espa\u00e7o de narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias no Brasil?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Irene:<\/strong>\u00a0O espa\u00e7o ampliou muito, h\u00e1 uns dez anos n\u00e3o havia tantos contadores de hist\u00f3rias como hoje. Contar hist\u00f3ria acabou virando uma febre, de certa forma \u00e9 bom, pois isso acaba mostrando o quanto a nossa raiz e nossa cultura precisam ser ouvidas pelas pessoas, pois, na maioria das vezes, os contadores escolhem hist\u00f3rias de tradi\u00e7\u00e3o oral.<\/p>\n<p>Informa\u00e7\u00f5es: Acompanhe o trabalho da contadora Irene Tanabe, pelo blog:\u00a0<span class=\"link-https\"><a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/origamii.wordpress.com\/\">https:\/\/origamii.wordpress.com\/<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ana Luisa Vaguetti Irene Mitsue Tanabe \u00e9 formada em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC) de Campinas, em 1999. Trabalhou durante doze anos em empresas de comunica\u00e7\u00e3o. Faz origamis desde os seis anos, e resolveu unir a narra\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias com a arte de dobrar papel. Irene conta hist\u00f3rias por todo pa\u00eds: livrarias,&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":536,"featured_media":1943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[36],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1941"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/536"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1941"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1941\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1941"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1941"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1941"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}