{"id":1942,"date":"2016-02-14T01:44:00","date_gmt":"2016-02-14T01:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1942"},"modified":"2016-02-14T01:44:00","modified_gmt":"2016-02-14T01:44:00","slug":"entre-na-danca-mas-jogue-o-jogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/entre-na-danca-mas-jogue-o-jogo\/","title":{"rendered":"Entre na dan\u00e7a, mas jogue o jogo"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"text-decoration: underline\">Por Matheus Dias\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p>Outubro de 2014, pela primeira vez os Jogos Inter Atl\u00e9ticas de Ponta Grossa (JOIA) tiveram apresenta\u00e7\u00f5es de times de cheerleaders. Sem competi\u00e7\u00e3o, sem valer nada, apenas para incentivar as meninas e os meninos praticantes dessa arte, e para mostrar ao p\u00fablico universit\u00e1rio que esses grupos existem. Os Bulleaders, o time de cheers da Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Acad\u00eamica das Engenharias UEPG \u2013 Los Bravos, se prepra no canto da quadra.<\/p>\n<div id=\":oh\" class=\"ii gt m152c29fec253863a adP adO\">\n<div id=\":ol\" class=\"a3s\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div class=\"gmail_quote\">\n<p dir=\"ltr\">O Gin\u00e1sio do SEST\/SENAT est\u00e1 completamente lotado. Depois da apresenta\u00e7\u00e3o dos mascotes e das tradicionais baterias, agora todos est\u00e3o de olho nos meninos e meninas vestidos de azul, branco e vermelho, sorrindo, mas nervosos pela aproxima\u00e7\u00e3o da estreia de seu time.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao som de um animado mix de m\u00fasicas, com batidas marcantes, piruetas, mortais, meninas levantadas a quase cinco metros de altura, muito \u00e2nimo, agito e algumas falhas na coreografia, os Bulleaders conquistam a multid\u00e3o no JOIA.<\/p>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Em 2015, foi pra valer: teve mostra competitiva. Em 15 de novembro, no gin\u00e1sio do Clube Princesa dos Campos, l\u00e1 est\u00e1 o time de l\u00edderes de torcida com as letras \u201cLB\u201d no uniforme, prontos para tomar a quadra. Come\u00e7a uma m\u00fasica espanhola, tema de touradas, que \u00e9 a marca da Atl\u00e9tica Los Bravos. As Bulleaders empolgam mais uma vez. Os desafios de cheerleaders se tornaram um esporte. E, como em todos os esportes, \u00e0s vezes se ganha, mas \u00e0s vezes se perde&#8230;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Parem de conversar!<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A recente Liga de Cheerleaders de Ponta Grossa, formada ainda em 2014, \u00e9 composta por quatro agremia\u00e7\u00f5es: Anjos em Chamas, da Atl\u00e9tica de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica da UEPG, Asas Negras, da Atl\u00e9tica XV de Outubro, das Engenharias da UTFPR, Pirateleaders, da Atl\u00e9tica de Medicina da UEPG, e pelos Bulleaders. Para todas elas, a prepara\u00e7\u00e3o para os jogos \u00e9 intensa, e o clima, apesar de divertido, \u00e9 pesado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os alunos das Engenharias da UEPG, de acordo com a grade universit\u00e1ria, t\u00eam aula das 8h15 \u00e0s 17h10. Alguns t\u00eam obriga\u00e7\u00f5es com empresas juniores, outros t\u00eam demandas de pesquisa ou extens\u00e3o, e o tempo livre costuma ser usado para fazer listas de exerc\u00edcios e outras atividades. Embora as v\u00e1rias engenharias tenham diverg\u00eancias, a rotina dos acad\u00eamicos \u00e9 parecida. Ainda assim, alunos das Engenharias Civil e de Alimentos trocam goza\u00e7\u00f5es: \u201cOlhe s\u00f3, voc\u00ea tem uma disciplina de frutas! &#8211; E voc\u00ea, que vai pegar DP em concreto\u201d, brincavam.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os ensaios, principalmente nas semanas que antecederam o JOIA, aconteceram todos os dias, \u00e0s vezes come\u00e7ando as 18h30 e sem um hor\u00e1rio definido para acabar. V\u00e3o at\u00e9 onde o corpo aguentar. Costumam ensaiar em um col\u00e9gio privado da cidade, que cede as intala\u00e7\u00f5es, e \u00e0s vezes no Pavilh\u00e3o Did\u00e1tico do Campus Uvaranas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas ensaiar no Pavilh\u00e3o nem sempre \u00e9 tranquilo. As instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o vinculadas ao Departamento de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica da UEPG, e os professores do curso nem sempre s\u00e3o generosos em ceder as instala\u00e7\u00f5es. \u201cEsse espa\u00e7o \u00e9 da Universidade, \u00e9 dos alunos! \u00c9 da gente tamb\u00e9m\u201d, afirma a presidente dos Bulleaders, Fernanda Brekailo. O curso que cede suas instala\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tem um time de cheerleaders. O atrito, conta Fernanda, \u00e9 inevit\u00e1vel. \u201cJ\u00e1 vieram reclamar que est\u00e1vamos sujando o tatame deles\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As equipes de cheerleaders, de forma geral, precisam de um solo almofadado para seus treinos iniciais, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Isso torna mais dif\u00edcil para as cheers conseguirem um lugar adequado para os ensaios.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Fernanda Brekailo, al\u00e9m de presidente, que lida com as quest\u00f5es administrativas e burocr\u00e1ticas referentes aos Bulleaders, tamb\u00e9m \u00e9 a coach, que coordena os treinos e \u00e9 uma das respons\u00e1veis pelas coreografias. \u00c9 muito respeitada dentro da equipe. \u201cMas eu n\u00e3o fa\u00e7o nada sozinha, minha vice \u00e9 muito presente. Temos tamb\u00e9m muitas pessoas dedicadas na equipe que s\u00e3o respons\u00e1veis por ter conquistado tudo o que o grupo tem hoje. \u00c9 muita press\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A coach, que cursa Engenharia Civil e tem 20 anos, acompanha com olhar s\u00e9rio e com o apito rosa de prontid\u00e3o para alguma corre\u00e7\u00e3o no movimento que o grupo treina em sua frente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na manobra, um menino e duas meninas levantam a flyer, a garota que fica em cima no movimento. O homem levanta a menina segurando por tr\u00e1s em suas costelas, enquanto cada uma das pernas \u00e9 sustentada por uma das integrantes. Tr\u00eas equipe fazem uma esp\u00e9cie de torre lado a lado, e ap\u00f3s alguns movimentos da garota de cima, enquanto sustentada pelos p\u00e9s, d\u00e3o as m\u00e3os fechando o exerc\u00edcio. Na primeira tentativa, umas das \u201cvoadoras\u201d, se desequilibra e cai, assustando a equipe. Mas foi s\u00f3 um susto, ela nada sofreu, e o grupo voltou a ensaiar a forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Depois de cada movimento ensaiado, o time se re\u00fane. A coach passa instru\u00e7\u00f5es e debate com os colegas sobre sugest\u00f5es de coreografias e a confirma\u00e7\u00e3o de novos ensaios. Um pequeno grupo, a direita de Fernanda, se dispersa e come\u00e7a a conversar paralelamente. A coach percebe, mas n\u00e3o repreende os colegas. A bronca veio de longe, de uma integrante que estava mais \u00e0 esquerda: \u201cParem de conversar, porra!\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cUma das nossas dificuldades \u00e9 o comprometimento. Somos em cinco engenharias, e \u00e9 dif\u00edcil montar um grupo onde todo mundo se esforce, se concentre e se comprometa com dedica\u00e7\u00e3o. Mas todos temos o mesmo objetivo, no final, isso far\u00e1 com que tudo d\u00ea certo, eu espero\u201d, afirma a coach Fernanda Brekailo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u00c9 como uma fam\u00edlia!<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os Bulleaders s\u00e3o compostos por 27 integrantes. 18 meninas e 9 meninos. Gente de todo tipo: altos, magros, robustos ou franzinos, cabelos curtos e longos, tipos atl\u00e9ticos e tipos sedent\u00e1rios, e por a\u00ed vai. \u201cTodos tem lugar e fun\u00e7\u00e3o na equipe. Precisamos de for\u00e7a, mas tamb\u00e9m de agilidade, de gra\u00e7a, de concentra\u00e7\u00e3o, express\u00e3o, sustenta\u00e7\u00e3o, enfim&#8230;\u201d, observa Fernanda.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA gente virou quase uma fam\u00edlia\u201d, afirma a estudante de Engenharia de Alimentos J\u00e9ssica Delinski. \u201cTodo mundo se conhece, conversa, se diverte, puxa a orelha, aconselha, brinca\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">William da Silva, 22 anos, cursa Engenharia de Materiais, e tamb\u00e9m faz parte do grupo. \u201cEu me sinto bem confort\u00e1vel. \u00c9 um ambiente bem tranquilo.\u201d Segundo ele, algum pessoal at\u00e9 \u201ctira onda\u201d, mas segundo William, \u201cn\u00e3o sabem de nada\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ele diz ainda que no time das cheers for\u00e7a n\u00e3o \u00e9 tudo. \u201cNo final, o que \u00a0vale \u00e9 a t\u00e9cnica. Porque depois ensaiamos, acertamos, acaba se tornando tudo meio rob\u00f3tico, e d\u00e1 certo.\u201d Para o estudante, as Bulleaders tamb\u00e9m s\u00e3o uma fam\u00edlia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Cheer o que?<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Cheerleading \u00e9 um esporte criado nas universidades dos Estados Unidos, e significa basicamente \u201cl\u00edderes de torcida\u201d. Em seu princ\u00edpio, ainda no s\u00e9culo XIX, os l\u00edderes eram homens que tentavam incentivar o p\u00fablico das arquibancadas a cantar e apoiar os times de basquete e futebol americano. A primeira fraternidade de cheerleaders foi a Gamma Sigma, fundada em 1903, no estado do Minesota.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Com o tempo, mulheres passaram a fazer parte dos grupos, e tomar conta deles. Os cheers foram ganhando autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s equipes esportivas, formando novas fun\u00e7\u00f5es e coreografias, desenvolvendo acrobacias, at\u00e9 que os l\u00edderes de torcida tivessem uma identidade pr\u00f3pria, independente dos brutamontes do futebol.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nos EUA existe, desde 1948, competi\u00e7\u00f5es oficiais apenas para cheerleaders, onde avaliam acrobacias, coes\u00e3o do grupo, coreografias, expressividade e etc. Essas contendas com dan\u00e7a, cultura e esporte foram importadas por alguns universit\u00e1rios brasileiros, no come\u00e7o dos anos 2000 e ganharam espa\u00e7o em Ponta Grossa no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo a jornalista Nicoly Fran\u00e7a, a tend\u00eancia \u00e9 crescente na cidade, e o movimento de importa\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 forte: \u201cElas j\u00e1 est\u00e3o aparecendo nos jogos universit\u00e1rios, por exemplo. \u00c9 interessante, vemos que t\u00eam grupos que de fato se organizam, ensaiam, produzem, criam, porque se tratado de forma s\u00e9ria, \u00e9 um esporte, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma dan\u00e7a. Al\u00e9m disso, \u00e9 saud\u00e1vel, \u00e9 um esporte e ainda relembra esse esp\u00edrito de competi\u00e7\u00e3o muito presente nos jogos\u201d, afirma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A ideia de formar um time de cheerleaders na Los Bravos \u00e9 antiga, mas apenas em 2014 o esfor\u00e7o se concretizou. \u201cQuando eu soube que estavam organizando um time de cheers, eu tive que entrar. Nunca fui de praticar esportes, mas sempre achei muito legal. Come\u00e7amos a correr atr\u00e1s\u201d, conta Fernanda Brekailo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Liderar torcidas tamb\u00e9m faz bem para a sa\u00fade, como comenta a profissional de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Mislene Proen\u00e7a: \u201cEsse esporte, quando se fala em gasto cal\u00f3rico e energ\u00e9tico, n\u00e3o perde em nada para o futebol, ou outras atividades f\u00edsicas intensas. Faz muito bem para a sa\u00fade\u201d, destaca.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Mas, infelizmente, n\u00e3o foi dessa vez<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na t\u00e3o esperada apresenta\u00e7\u00e3o do JOIA 2015, as Bulleaders fizeram bonito. As flyers desempenharam bem o papel descrito em sua fun\u00e7\u00e3o &#8211; voar \u00a0&#8211; os meninos e meninas foram muito sorridentes durante toda a apresenta\u00e7\u00e3o, e os tr\u00eas cartazes com estrelas vermelhas, cada um representando um t\u00edtulo da Los Bravos nos jogos (2011, 2014 e 2015), mostraram a for\u00e7a do grupo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os outros tr\u00eas times participantes da Liga de Cheerleaders de Ponta Grossa tamb\u00e9m estavam l\u00e1. Primeiro, se apresentaram os estudantes de Medicina. Em seguida, UTFPR, os terceiros a se apresentar foram os Bulleaders, e por \u00faltimo, o grupo de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, em seu marcante uniforme vermelho.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As quatro apresenta\u00e7\u00f5es foram muito bem aplaudidas, e impressionaram alguns expectadores. Mas os jurados estavam \u00e0s mesas, com express\u00e3o s\u00e9ria e olhar atento. D\u00e9cimos de pontos poderiam decidir o vencedor, e como j\u00e1 dito, trata-se, antes de tudo, de um esporte.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cE, como em todo esporte, \u00e0s vezes se ganha, mas \u00e0s vezes se perde.\u201d Em 2015, n\u00e3o foi o ano das Bulleaders vencerem. O resultado veio dos alto-falantes dos apresentadores: A equipe tinha ficado em terceiro lugar. As rea\u00e7\u00f5es seguintes foram diversas, mas todas tinham em sua base um sentimento de tristeza. Para alguns integrantes, o choro foi inevit\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n<p>O mestre da bateria da Los Bravos, Diego Fernando \u201cBahia\u201d, que foi escolhido melhor mestre das baterias, e que liderou a bateria vencedora do Joia, consolou a coach e outros colegas. As Bulleaders v\u00e3o continuar, apesar das dificuldades, e em 2016 estar\u00e3o novamente na quadra para encher os olhos de todos que quiserem ver.<\/p>\n<p>Confira a mat\u00e9ria em v\u00eddeo clicando\u00a0<span class=\"link-https\"><a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/youtu.be\/oSvygXWduyU\">aqui<\/a><\/span>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Outubro de 2014, pela primeira vez os Jogos Inter Atl\u00e9ticas de Ponta Grossa (JOIA) tiveram apresenta\u00e7\u00f5es de times de cheerleaders. Sem competi\u00e7\u00e3o, sem valer nada, apenas para incentivar as meninas e os meninos praticantes dessa arte, e para mostrar ao p\u00fablico universit\u00e1rio que esses grupos existem. Os Bulleaders, o time de cheers da Associa\u00e7\u00e3o Atl\u00e9tica Acad\u00eamica das Engenharias UEPG \u2013 Los Bravos, se prepra no canto da quadra.<\/p>\n<div id=\":oh\" class=\"ii gt m152c29fec253863a adP adO\">\n<div id=\":ol\" class=\"a3s\">\n<div dir=\"ltr\">\n<div class=\"gmail_quote\">\n<p dir=\"ltr\">O Gin\u00e1sio do SEST\/SENAT est\u00e1 completamente lotado. Depois da apresenta\u00e7\u00e3o dos mascotes e das tradicionais baterias, agora todos est\u00e3o de olho nos meninos e meninas vestidos de azul, branco e vermelho, sorrindo, mas nervosos pela aproxima\u00e7\u00e3o da estreia de seu time.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ao som de um animado mix de m\u00fasicas, com batidas marcantes, piruetas, mortais, meninas levantadas a quase cinco metros de altura, muito \u00e2nimo, agito e algumas falhas na coreografia, os Bulleaders conquistam a multid\u00e3o no JOIA.<\/p>\n<div dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">Em 2015, foi pra valer: teve mostra competitiva. Em 15 de novembro, no gin\u00e1sio do Clube Princesa dos Campos, l\u00e1 est\u00e1 o time de l\u00edderes de torcida com as letras \u201cLB\u201d no uniforme, prontos para tomar a quadra. Come\u00e7a uma m\u00fasica espanhola, tema de touradas, que \u00e9 a marca da Atl\u00e9tica Los Bravos. As Bulleaders empolgam mais uma vez. Os desafios de cheerleaders se tornaram um esporte. E, como em todos os esportes, \u00e0s vezes se ganha, mas \u00e0s vezes se perde&#8230;<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Parem de conversar!<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A recente Liga de Cheerleaders de Ponta Grossa, formada ainda em 2014, \u00e9 composta por quatro agremia\u00e7\u00f5es: Anjos em Chamas, da Atl\u00e9tica de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica da UEPG, Asas Negras, da Atl\u00e9tica XV de Outubro, das Engenharias da UTFPR, Pirateleaders, da Atl\u00e9tica de Medicina da UEPG, e pelos Bulleaders. Para todas elas, a prepara\u00e7\u00e3o para os jogos \u00e9 intensa, e o clima, apesar de divertido, \u00e9 pesado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os alunos das Engenharias da UEPG, de acordo com a grade universit\u00e1ria, t\u00eam aula das 8h15 \u00e0s 17h10. Alguns t\u00eam obriga\u00e7\u00f5es com empresas juniores, outros t\u00eam demandas de pesquisa ou extens\u00e3o, e o tempo livre costuma ser usado para fazer listas de exerc\u00edcios e outras atividades. Embora as v\u00e1rias engenharias tenham diverg\u00eancias, a rotina dos acad\u00eamicos \u00e9 parecida. Ainda assim, alunos das Engenharias Civil e de Alimentos trocam goza\u00e7\u00f5es: \u201cOlhe s\u00f3, voc\u00ea tem uma disciplina de frutas! &#8211; E voc\u00ea, que vai pegar DP em concreto\u201d, brincavam.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os ensaios, principalmente nas semanas que antecederam o JOIA, aconteceram todos os dias, \u00e0s vezes come\u00e7ando as 18h30 e sem um hor\u00e1rio definido para acabar. V\u00e3o at\u00e9 onde o corpo aguentar. Costumam ensaiar em um col\u00e9gio privado da cidade, que cede as intala\u00e7\u00f5es, e \u00e0s vezes no Pavilh\u00e3o Did\u00e1tico do Campus Uvaranas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas ensaiar no Pavilh\u00e3o nem sempre \u00e9 tranquilo. As instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o vinculadas ao Departamento de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica da UEPG, e os professores do curso nem sempre s\u00e3o generosos em ceder as instala\u00e7\u00f5es. \u201cEsse espa\u00e7o \u00e9 da Universidade, \u00e9 dos alunos! \u00c9 da gente tamb\u00e9m\u201d, afirma a presidente dos Bulleaders, Fernanda Brekailo. O curso que cede suas instala\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tem um time de cheerleaders. O atrito, conta Fernanda, \u00e9 inevit\u00e1vel. \u201cJ\u00e1 vieram reclamar que est\u00e1vamos sujando o tatame deles\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As equipes de cheerleaders, de forma geral, precisam de um solo almofadado para seus treinos iniciais, por quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Isso torna mais dif\u00edcil para as cheers conseguirem um lugar adequado para os ensaios.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Fernanda Brekailo, al\u00e9m de presidente, que lida com as quest\u00f5es administrativas e burocr\u00e1ticas referentes aos Bulleaders, tamb\u00e9m \u00e9 a coach, que coordena os treinos e \u00e9 uma das respons\u00e1veis pelas coreografias. \u00c9 muito respeitada dentro da equipe. \u201cMas eu n\u00e3o fa\u00e7o nada sozinha, minha vice \u00e9 muito presente. Temos tamb\u00e9m muitas pessoas dedicadas na equipe que s\u00e3o respons\u00e1veis por ter conquistado tudo o que o grupo tem hoje. \u00c9 muita press\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A coach, que cursa Engenharia Civil e tem 20 anos, acompanha com olhar s\u00e9rio e com o apito rosa de prontid\u00e3o para alguma corre\u00e7\u00e3o no movimento que o grupo treina em sua frente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na manobra, um menino e duas meninas levantam a flyer, a garota que fica em cima no movimento. O homem levanta a menina segurando por tr\u00e1s em suas costelas, enquanto cada uma das pernas \u00e9 sustentada por uma das integrantes. Tr\u00eas equipe fazem uma esp\u00e9cie de torre lado a lado, e ap\u00f3s alguns movimentos da garota de cima, enquanto sustentada pelos p\u00e9s, d\u00e3o as m\u00e3os fechando o exerc\u00edcio. Na primeira tentativa, umas das \u201cvoadoras\u201d, se desequilibra e cai, assustando a equipe. Mas foi s\u00f3 um susto, ela nada sofreu, e o grupo voltou a ensaiar a forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Depois de cada movimento ensaiado, o time se re\u00fane. A coach passa instru\u00e7\u00f5es e debate com os colegas sobre sugest\u00f5es de coreografias e a confirma\u00e7\u00e3o de novos ensaios. Um pequeno grupo, a direita de Fernanda, se dispersa e come\u00e7a a conversar paralelamente. A coach percebe, mas n\u00e3o repreende os colegas. A bronca veio de longe, de uma integrante que estava mais \u00e0 esquerda: \u201cParem de conversar, porra!\u201d<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cUma das nossas dificuldades \u00e9 o comprometimento. Somos em cinco engenharias, e \u00e9 dif\u00edcil montar um grupo onde todo mundo se esforce, se concentre e se comprometa com dedica\u00e7\u00e3o. Mas todos temos o mesmo objetivo, no final, isso far\u00e1 com que tudo d\u00ea certo, eu espero\u201d, afirma a coach Fernanda Brekailo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>\u00c9 como uma fam\u00edlia!<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os Bulleaders s\u00e3o compostos por 27 integrantes. 18 meninas e 9 meninos. Gente de todo tipo: altos, magros, robustos ou franzinos, cabelos curtos e longos, tipos atl\u00e9ticos e tipos sedent\u00e1rios, e por a\u00ed vai. \u201cTodos tem lugar e fun\u00e7\u00e3o na equipe. Precisamos de for\u00e7a, mas tamb\u00e9m de agilidade, de gra\u00e7a, de concentra\u00e7\u00e3o, express\u00e3o, sustenta\u00e7\u00e3o, enfim&#8230;\u201d, observa Fernanda.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cA gente virou quase uma fam\u00edlia\u201d, afirma a estudante de Engenharia de Alimentos J\u00e9ssica Delinski. \u201cTodo mundo se conhece, conversa, se diverte, puxa a orelha, aconselha, brinca\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">William da Silva, 22 anos, cursa Engenharia de Materiais, e tamb\u00e9m faz parte do grupo. \u201cEu me sinto bem confort\u00e1vel. \u00c9 um ambiente bem tranquilo.\u201d Segundo ele, algum pessoal at\u00e9 \u201ctira onda\u201d, mas segundo William, \u201cn\u00e3o sabem de nada\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ele diz ainda que no time das cheers for\u00e7a n\u00e3o \u00e9 tudo. \u201cNo final, o que \u00a0vale \u00e9 a t\u00e9cnica. Porque depois ensaiamos, acertamos, acaba se tornando tudo meio rob\u00f3tico, e d\u00e1 certo.\u201d Para o estudante, as Bulleaders tamb\u00e9m s\u00e3o uma fam\u00edlia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Cheer o que?<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Cheerleading \u00e9 um esporte criado nas universidades dos Estados Unidos, e significa basicamente \u201cl\u00edderes de torcida\u201d. Em seu princ\u00edpio, ainda no s\u00e9culo XIX, os l\u00edderes eram homens que tentavam incentivar o p\u00fablico das arquibancadas a cantar e apoiar os times de basquete e futebol americano. A primeira fraternidade de cheerleaders foi a Gamma Sigma, fundada em 1903, no estado do Minesota.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Com o tempo, mulheres passaram a fazer parte dos grupos, e tomar conta deles. Os cheers foram ganhando autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s equipes esportivas, formando novas fun\u00e7\u00f5es e coreografias, desenvolvendo acrobacias, at\u00e9 que os l\u00edderes de torcida tivessem uma identidade pr\u00f3pria, independente dos brutamontes do futebol.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nos EUA existe, desde 1948, competi\u00e7\u00f5es oficiais apenas para cheerleaders, onde avaliam acrobacias, coes\u00e3o do grupo, coreografias, expressividade e etc. Essas contendas com dan\u00e7a, cultura e esporte foram importadas por alguns universit\u00e1rios brasileiros, no come\u00e7o dos anos 2000 e ganharam espa\u00e7o em Ponta Grossa no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo a jornalista Nicoly Fran\u00e7a, a tend\u00eancia \u00e9 crescente na cidade, e o movimento de importa\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 forte: \u201cElas j\u00e1 est\u00e3o aparecendo nos jogos universit\u00e1rios, por exemplo. \u00c9 interessante, vemos que t\u00eam grupos que de fato se organizam, ensaiam, produzem, criam, porque se tratado de forma s\u00e9ria, \u00e9 um esporte, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma dan\u00e7a. Al\u00e9m disso, \u00e9 saud\u00e1vel, \u00e9 um esporte e ainda relembra esse esp\u00edrito de competi\u00e7\u00e3o muito presente nos jogos\u201d, afirma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A ideia de formar um time de cheerleaders na Los Bravos \u00e9 antiga, mas apenas em 2014 o esfor\u00e7o se concretizou. \u201cQuando eu soube que estavam organizando um time de cheers, eu tive que entrar. Nunca fui de praticar esportes, mas sempre achei muito legal. Come\u00e7amos a correr atr\u00e1s\u201d, conta Fernanda Brekailo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Liderar torcidas tamb\u00e9m faz bem para a sa\u00fade, como comenta a profissional de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Mislene Proen\u00e7a: \u201cEsse esporte, quando se fala em gasto cal\u00f3rico e energ\u00e9tico, n\u00e3o perde em nada para o futebol, ou outras atividades f\u00edsicas intensas. Faz muito bem para a sa\u00fade\u201d, destaca.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Mas, infelizmente, n\u00e3o foi dessa vez<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na t\u00e3o esperada apresenta\u00e7\u00e3o do JOIA 2015, as Bulleaders fizeram bonito. As flyers desempenharam bem o papel descrito em sua fun\u00e7\u00e3o &#8211; voar \u00a0&#8211; os meninos e meninas foram muito sorridentes durante toda a apresenta\u00e7\u00e3o, e os tr\u00eas cartazes com estrelas vermelhas, cada um representando um t\u00edtulo da Los Bravos nos jogos (2011, 2014 e 2015), mostraram a for\u00e7a do grupo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os outros tr\u00eas times participantes da Liga de Cheerleaders de Ponta Grossa tamb\u00e9m estavam l\u00e1. Primeiro, se apresentaram os estudantes de Medicina. Em seguida, UTFPR, os terceiros a se apresentar foram os Bulleaders, e por \u00faltimo, o grupo de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, em seu marcante uniforme vermelho.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As quatro apresenta\u00e7\u00f5es foram muito bem aplaudidas, e impressionaram alguns expectadores. Mas os jurados estavam \u00e0s mesas, com express\u00e3o s\u00e9ria e olhar atento. D\u00e9cimos de pontos poderiam decidir o vencedor, e como j\u00e1 dito, trata-se, antes de tudo, de um esporte.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cE, como em todo esporte, \u00e0s vezes se ganha, mas \u00e0s vezes se perde.\u201d Em 2015, n\u00e3o foi o ano das Bulleaders vencerem. O resultado veio dos alto-falantes dos apresentadores: A equipe tinha ficado em terceiro lugar. As rea\u00e7\u00f5es seguintes foram diversas, mas todas tinham em sua base um sentimento de tristeza. Para alguns integrantes, o choro foi inevit\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n<p>O mestre da bateria da Los Bravos, Diego Fernando \u201cBahia\u201d, que foi escolhido melhor mestre das baterias, e que liderou a bateria vencedora do Joia, consolou a coach e outros colegas. As Bulleaders v\u00e3o continuar, apesar das dificuldades, e em 2016 estar\u00e3o novamente na quadra para encher os olhos de todos que quiserem ver.<\/p>\n<p>Confira a mat\u00e9ria em v\u00eddeo clicando\u00a0<span class=\"link-https\"><a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/youtu.be\/oSvygXWduyU\">aqui<\/a><\/span>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Matheus Dias\u00a0 Outubro de 2014, pela primeira vez os Jogos Inter Atl\u00e9ticas de Ponta Grossa (JOIA) tiveram apresenta\u00e7\u00f5es de times de cheerleaders. Sem competi\u00e7\u00e3o, sem valer nada, apenas para incentivar as meninas e os meninos praticantes dessa arte, e para mostrar ao p\u00fablico universit\u00e1rio que esses grupos existem. 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