{"id":1948,"date":"2016-02-15T01:47:42","date_gmt":"2016-02-15T01:47:42","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1948"},"modified":"2016-02-15T01:47:42","modified_gmt":"2016-02-15T01:47:42","slug":"a-malandragem-dita-o-ritmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/a-malandragem-dita-o-ritmo\/","title":{"rendered":"A \u2018Malandragem\u2019 dita o ritmo"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Marcelo Ribas<\/em><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o deixe o samba morrer, n\u00e3o deixe o samba acabar\u201d. O trecho da m\u00fasica, composta por Edson Concei\u00e7\u00e3o e Alo\u00edsio Silva, \u00e9 levado ao \u2018p\u00e9 da letra\u2019 pelos integrantes da banda Novos Malandros. O grupo \u00e9 o \u00fanico com repert\u00f3rio, do in\u00edcio ao fim, que interpreta cl\u00e1ssicos do samba e do choro nas noites em Ponta Grossa.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o atual conta com S\u00e9rgio Falc\u00e3o (vocal e viol\u00e3o), Arajam Cunha (percuss\u00e3o), seu irm\u00e3o Fabr\u00edcio Cunha (cavaquinho e vocal), e Nicolas Salazar (flauta transversal e pandeiro). O grupo j\u00e1 se apresentou em diversos locais da cidade e h\u00e1 um ano toca toda sexta-feira no bar Rei das Batidas.<\/p>\n<p>Vindos de fam\u00edlia de m\u00fasicos, os irm\u00e3os Cunha criaram os Novos Malandros em 2007, ap\u00f3s o desmanche de outra banda de choro e samba, a \u2018Cabide de Molambo\u2019. \u201cA gente criou os Novos Malandros para que a cultura do samba n\u00e3o se perdesse em Ponta Grossa\u201d, explica Fabr\u00edcio.<\/p>\n<p>Com um repert\u00f3rio de aproximadamente duas horas, o grupo traz ao p\u00fablico composi\u00e7\u00f5es de artistas consagrados, como Cartola, Pixinguinha, Adoniram Barbosa, Chico Buarque, Paulinho da Viola e Nelson cavaquinho.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um som que n\u00e3o estamos acostumados a ouvir nas r\u00e1dios ou na TV. Ent\u00e3o o pessoal que nos acompanha s\u00e3o aqueles que gostam de ouvir uma coisa diferente. E o legal \u00e9 que h\u00e1 interatividade com o p\u00fablico, pois sempre nos d\u00e3o dicas de m\u00fasicas para tocarmos em nossas apresenta\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 muito bacana\u201d, explica Nicolas.<\/p>\n<p>Em pesquisa feita sobre h\u00e1bitos culturais, o samba \u00e9 o terceiro g\u00eanero musical mais ouvido entre os ponta-grossenses, atr\u00e1s apenas do sertanejo e MPB. A qualidade das can\u00e7\u00f5es que os Novos Malandros apresentam \u00e9 exaltada pelos frequentadores dos bares.<\/p>\n<p>\u201cEu gosto de samba desde pequena por influ\u00eancia dos meus pais. Os meninos fazem m\u00fasica de qualidade como poucas bandas em PG. N\u00e3o tem como n\u00e3o gostar. Estou acompanhando desde que come\u00e7aram e a qualidade sempre foi essa, eles s\u00e3o incr\u00edveis\u201d, avalia a advogada Aline Soares Lopes.<\/p>\n<p>O ritmo contagia tamb\u00e9m as pessoas que n\u00e3o est\u00e3o acostumadas a ouvir. \u00c9 o caso da estudante Tais Hanneman, que mora em Carambe\u00ed e acompanhou uma das apresenta\u00e7\u00f5es do grupo. \u201c\u00c9 a primeira vez que tenho contato com essa banda. Normalmente n\u00e3o escuto samba, mas achei \u00f3tima a apresenta\u00e7\u00e3o deles\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\">\u2018<strong>N\u00e3o \u00e9 legal se fechar em um s\u00f3 estilo, o m\u00fasico escuta de tudo\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que os gostos musicais s\u00e3o t\u00e3o segmentados, havendo uma disputa ideol\u00f3gica comparando qual \u00e9 o melhor, o m\u00fasico Nicolas Salazar revela tranq\u00fcilidade pelo gosto musical em g\u00eaneros t\u00e3o diferentes, o samba e o rock\u2019n roll. \u201cPosso ir aos dois e n\u00e3o vou tocar de cara feia, \u00e9 algo que me d\u00e1 prazer\u201d.<\/p>\n<p>Incentivado pela m\u00e3e a aprender instrumentos, iniciou ainda crian\u00e7a no Conservat\u00f3rio Maestro Paulino com musicaliza\u00e7\u00e3o. \u201cQueria aprender saxofone, mas era crian\u00e7a e acabei me afastando por um tempo\u201d. Em 2002, quando estava com quinze anos, decidiu que aprenderia guitarra, mas somente aos dezessete decidiu ir fundo na m\u00fasica.<\/p>\n<p>\u201cTive incentivo desde novo para tocar, n\u00e3o profissionalmente, mas pra aprender instrumentos. Retornei ao conservat\u00f3rio um pouco mais velho, com 17 anos, foi onde aprendi flauta transversal. Ali comecei a ler partitura e aprender m\u00fasica pra valer. At\u00e9 iniciei na faculdade de Hist\u00f3ria, mas decidi que era m\u00fasica que eu queria\u201d, explica Nicolas, que se formou em licenciatura em M\u00fasica pela UEPG.<\/p>\n<p>Atualmente membro de tr\u00eas bandas (Novos Malandros, Blues, com Alexandre Mello, e M\u00e1fia do Ska), est\u00e1 sempre disposto a \u201cdar uma canja\u201d onde surgir convite. O m\u00fasico conta que a rotina de tocar estilos diferentes \u00e9 algo que lhe d\u00e1 prazer.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 legal se fechar em um estilo s\u00f3. O m\u00fasico precisa escutar de tudo, desde jazz, cl\u00e1ssico, at\u00e9 moda de viola. Tem tanta coisa boa pra ouvir. Tocar em bandas de estilos diferentes \u00e9 algo muito bom, s\u00f3 o mesmo estilo enche o saco\u201d, ironiza.<\/p>\n<p>O lado fot\u00f3grafo de \u2018Balta\u2019, como \u00e9 chamado pelos amigos, surgiu h\u00e1 cerca de dez anos. Ele conta que aprendeu a tirar fotos informalmente, e h\u00e1 pouco tempo come\u00e7ou a se profissionalizar na \u00e1rea, trabalhando e dando aulas de fotografia. Entretanto, demonstra desejo de aprofundar-se nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tive oportunidade de fazer nenhum curso. Meu aprendizado em foto foi com dicas de fot\u00f3grafos amigos, no youtube e praticando bastante. Mas quero fazer alguns workshops, um curso de fotografia pra cinema. Tenho vontade de estudar um pouco disso\u201d.<\/p>\n<p>Questionado sobre muitas vezes tocarem sem ensaiar, ele ironiza dizendo que se torna brincadeira legal. \u201cNo blues \u00e9 bastante improviso, se entrosa na hora e sai um som diferente, n\u00e3o fica uma m\u00fasica quadrada. \u00c0s vezes d\u00e1 certo, \u00e0s vezes n\u00e3o. Nos Novos Malandros sinto falta, pois tem muitos \u2018choros\u2019 que n\u00e3o se aprende f\u00e1cil, mas de vez em quando nos reunimos com a metade do grupo\u201d, brinca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left\" align=\"center\"><strong>Samba do Trilho incentiva compositores da regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O samba do trilho, realizado mensalmente, \u00e9 um projeto idealizado pelo m\u00fasico Fabr\u00edcio Cunha e pelo jornalista Ben Hur Demeneck que incentiva a composi\u00e7\u00e3o de sambas autorais. Inspirado no samba da Vela (SP), o Samba do Trilho \u00e9 uma homenagem aos ferrovi\u00e1rios, que ajudaram a criar a cultura do samba em Ponta Grossa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s algumas viagens pelo Rio de janeiro, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1, Ben Hur e Fabr\u00edcio descobriram que o samba tem poucos representantes no Paran\u00e1. A iniciativa do Samba do Trilho surge como incentivo aos m\u00fasicos ao oportunizar um espa\u00e7o para divulgar can\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>\u201cA gente quer que esses compositores paranaenses, principalmente os ponta-grossenses, fa\u00e7am essas composi\u00e7\u00f5es de samba, pois tem muita gente boa. Ainda estamos come\u00e7ando, mas acredito que em um ano e meio esse projeto renda frutos, e saia umas coisas bem legais\u201d, explica Fabr\u00edcio.<\/p>\n<p>O samba do trilho surge como projeto que foge aos modelos tradicionais, que visam apenas interesses mercadol\u00f3gicos. \u201cA diferen\u00e7a \u00e9 que fazemos com amor, escrevemos sobre coisas que vivemos no nosso dia-a-dia. Assim que queremos ser reconhecidos, e n\u00e3o como algo comercial\u201d, argumenta Fabr\u00edcio.<\/p>\n<p>Para Nicolas Salazar, m\u00fasico que participa dos encontros, o projeto \u00e9 um \u00f3timo incentivador tanto para os iniciantes quanto para os m\u00fasicos que j\u00e1 est\u00e3o h\u00e1 anos na estrada.<\/p>\n<p>\u201cA galera participa e mostra suas composi\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes nem s\u00e3o profissionais, nunca tocaram na noite, mas gostam de compor. \u00c9 um grande incentivo para eles e pra n\u00f3s tamb\u00e9m se mexer e compor\u201d, explica Nicolas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcelo Ribas \u201cN\u00e3o deixe o samba morrer, n\u00e3o deixe o samba acabar\u201d. O trecho da m\u00fasica, composta por Edson Concei\u00e7\u00e3o e Alo\u00edsio Silva, \u00e9 levado ao \u2018p\u00e9 da letra\u2019 pelos integrantes da banda Novos Malandros. 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