{"id":1955,"date":"2016-05-19T01:51:06","date_gmt":"2016-05-19T01:51:06","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=1955"},"modified":"2016-05-19T01:51:06","modified_gmt":"2016-05-19T01:51:06","slug":"corpo-alma-e-percussao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/corpo-alma-e-percussao\/","title":{"rendered":"Corpo, alma e percuss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Nath\u00e1lia Oliveira<\/em><\/p>\n<p>Entre fam\u00edlia e amigos surgiu o primeiro grupo de percuss\u00e3o de Ponta Grossa, o UBAtuque. Em 2013, Ricardo Correa, junto com outros m\u00fasicos percussionistas, decidiu unir o interesse e a divers\u00e3o, e, a partir disso, expandir conhecimento sobre percuss\u00e3o. Num primeiro momento, o grupo se reunia na casa dos participantes. Nestes encontros, Correa passava um pouco da sua experi\u00eancia na m\u00fasica para os colegas. \u201cA gente se reunia na casa dos amigos para poder trabalhar aulas de percuss\u00e3o. Comecei a coordenar umas a pedido do grupo. As reuni\u00f5es aconteciam a cada 15 dias, porque na \u00e9poca eu morava em S\u00e3o Paulo\u201d, afirma o m\u00fasico, que fazia parte da banda Mandau.<\/p>\n<p>Depois de algum tempo, essas pessoas decidiram firmar o grupo e nome\u00e1-lo de UBAtuque, em homenagem a Ubaldo Pereira J\u00fanior, um dos primeiros e mais renomado percussionista de Ponta Grossa. \u201cCome\u00e7amos a fazer reuni\u00f5es com mais frequ\u00eancia e a\u00ed sim que demos um embasamento ao grupo, com mais participantes\u201d, explica Correa.<\/p>\n<p>O grupo UBAtuque se concretizou, principalmente, por causa da falta de visibilidade dada a trabalhos de percuss\u00e3o. \u201cO Paran\u00e1 n\u00e3o \u00e9 muito ligado a esse lado da percuss\u00e3o, como \u00e9 a regi\u00e3o do Nordeste\u201d, afirma Ricardo, que garante ter observado uma maior aprecia\u00e7\u00e3o do trabalho, durante os dois anos do projeto, por parte da popula\u00e7\u00e3o paranaense. Assessora jur\u00eddica da Defensoria P\u00fablica de Ponta Grossa e cantora do Ubatuque nas horas vagas, Fernanda Correa acredita na import\u00e2ncia de popularizar ritmos marginalizados, como afox\u00e9 (manifesta\u00e7\u00e3o do ritmo africano). \u201cNosso objetivo \u00e9 sempre crescer e atingir mais pessoas, tornar o grupo mais conhecido. O objetivo principal \u00e9 levar a cultura\u201d, diz Fernanda.<\/p>\n<p>Aproximadamente 30 pessoas participam do UBAtuque, mesmo que muitas vezes alguns n\u00e3o possam comparecer aos eventos. Os ensaios, atualmente, s\u00e3o quinzenais, no Espa\u00e7o Arte da Esta\u00e7\u00e3o Saudade, no centro da cidade. Nos encontros, que ocorrem no domingo das 17h \u00e0s 19h, \u00e9 passado o repert\u00f3rio j\u00e1 tocado e tamb\u00e9m se inicia o trabalho com novas m\u00fasicas. A percussionista do grupo desde o in\u00edcio, Nana Holz, conta que s\u00e3o constru\u00eddos novos ritmos, intervalos e viradas de forma coletiva. \u201cO mestre Ricardo passa para n\u00f3s mais algumas no\u00e7\u00f5es dos instrumentos, conversamos bastante e damos muita risada. \u00c9 renovador\u201d, afirma a artista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Universidade da m\u00fasica<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 27 anos, Ricardo Correa descobriu a sua paix\u00e3o pela m\u00fasica. Por influ\u00eancia dos pais, ambos m\u00fasicos, o atual mestre do UBAtuque come\u00e7ou a acompanhar a m\u00fasica desde muito cedo. Foi com 12 anos que o seu interesse cresceu e entrou para a Banda Lyra dos Campos. Com a mesma idade j\u00e1 tocava em alguns bares e em eventos de Ponta Grossa.<\/p>\n<p>&#8211; Comecei a tocar instrumentos de percuss\u00e3o, como pandeiro, surdo, tamborim e reco-reco, com o grupo Revela\u00e7\u00e3o do Samba. \u2013 conta Correa.<\/p>\n<p>Jovem dedicado \u00e0 m\u00fasica, Ricardo diz que j\u00e1 revezava os hor\u00e1rios para tocar. H\u00e1 noite realizava trabalhos em restaurantes e bares, onde conseguia arrecadar algum dinheiro. Enquanto isso, de dia combinava os estudos escolares com a Banda Lyra dos Campos.<\/p>\n<p>&#8211; Com quinze anos entrei na banda Venda Proibida, que hoje em dia \u00e9 a banda New York. Foi l\u00e1 que comecei a tocar bateria. \u2013 diz Ricardo, que ainda hoje trabalha como baterista profissional.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia que Ricardo adquiriu foi garantida por meio das bandas de que fez parte. O aprendizado, que come\u00e7ou na Banda Lyra dos Campos, p\u00f4de ser complementado por muitos outros grupos pelos quais passou durante seus 39 anos.<\/p>\n<p>Iniciar a carreira de m\u00fasico, no entanto, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Como se interessou muito cedo e decidiu seguir carreira profissionalmente, Correa teve que enfrentar a preocupa\u00e7\u00e3o dos pais, muitas vezes. Estes queriam que o filho se garantisse em alguma profiss\u00e3o mais \u201csegura\u201d, mas o m\u00fasico persistiu e hoje se diz realizado com o trabalho que escolheu.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o fosse m\u00fasico, o mestre do Ubatuque admite que teria feito um curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, j\u00e1 que gosta muito de esportes. N\u00e3o \u00e9 raro perceber o quanto Ricardo \u00e9 conectado ao corpo. Seja no movimento dos bra\u00e7os, t\u00e3o utilizado na profiss\u00e3o de baterista, ou nas pr\u00f3prias escolhas de vida, ele sempre busca estar em equil\u00edbrio com seu corpo.<\/p>\n<p>&#8211; Nos \u00faltimos tempos fiz um curso de ioga e me tornei instrutor. Acho importante trabalhar a parte corporal e dar um pouco mais de vida musical. \u2013 afirma Ricardo.<\/p>\n<p>O m\u00fasico diz ter buscado na ioga o auto-conhecimento. \u00c9 uma forma, segundo ele, de entrar em contato com o pr\u00f3prio corpo. Al\u00e9m disso, Ricardo tamb\u00e9m pratica uma s\u00e9rie de atividades e tem uma rotina que o conecta com a m\u00fasica e melhora suas habilidades. Ele \u00e9 praticante do Budismo e relata ter aprendido muito com a religi\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; Acho bacana trabalhar a parte espiritual. Isso influencia na m\u00fasica, na calma, na paci\u00eancia e em enfrentar o p\u00fablico \u2013 observa Correa.<\/p>\n<p>\u00c9 percept\u00edvel na voz do m\u00fasico o quanto sua carreira \u00e9 importante. Ele faz quest\u00e3o de lembrar tudo que o trabalho com m\u00fasica j\u00e1 lhe proporcionou. Ele se diz um homem de sorte, j\u00e1 que muitos outros que tentam essa vida acabam interrompendo quando percebem que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ao som do tambor, \u00e0 voz da cultura<\/strong><\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica muito presente no UBAtuque \u00e9 o espa\u00e7o e import\u00e2ncia dada \u00e0 fam\u00edlia. O cl\u00e3 Corr\u00eaa \u00e9 representado em massa no grupo ao subirem juntos aos palcos nas apresenta\u00e7\u00f5es, sob o comando de Ricardo (filho), voz de Neuci e Fernanda (m\u00e3e e filha, respectivamente) e com o pai em um dos tambores.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do UBAtuque come\u00e7ou muito antes do surgimento em 2013. Se n\u00e3o fosse a influ\u00eancia dos pais, Ricardo jamais teria se tornado m\u00fasico e criado o grupo junto com os amigos. Professora e cantora do projeto, Neuci de Almeida Corr\u00eaa conta que conheceu o marido atrav\u00e9s da m\u00fasica. \u201cEu estudava em um col\u00e9gio em Jaguaria\u00edva, onde havia um grupo de m\u00fasica do qual meu marido fazia parte e tocava contrabaixo. Nos conhecemos quando entrei nesse conjunto\u201d, lembra Neuci.<\/p>\n<p>A ideia de reunir aqueles que gostam de m\u00fasica surgiu de Ricardo, mas toda a fam\u00edlia entrou na \u201cbrincadeira\u201d e acabou dando mais alegria ao grupo. A din\u00e2mica do UBAtuque \u00e9 eletrizante e contagiante \u00e0queles que assistem. A estudante Anne Andrade j\u00e1 p\u00f4de assistir a algumas apresenta\u00e7\u00f5es e diz ter ficado impressionada. \u201cAo falarem que era um grupo de percuss\u00e3o n\u00e3o dei tanta aten\u00e7\u00e3o. Quando come\u00e7aram a tocar foi uma felicidade s\u00f3. O barulho das batucadas transforma o ambiente e o deixa mais alegre\u201d, declara Anne.<\/p>\n<p>Por ser um grupo formado, em sua maioria, por amigos, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil o conv\u00edvio e conversa entre os membros. Segundo Neuci, isso foi essencial para a forma\u00e7\u00e3o do grupo. \u201cTodo mundo se d\u00e1 muito bem. O ambiente dentro do grupo \u00e9 muito bom e isso ajuda bastante, j\u00e1 que todo mundo participa com vontade do UBAtuque\u201d, diz a professora.<\/p>\n<p>Professora da rede estadual e respons\u00e1vel por dar ritmo ao instrumento surdo, Nana Holz, que est\u00e1 no grupo desde o in\u00edcio, avaliou os encontros do grupo: \u201cseja para ensaios ou apresenta\u00e7\u00f5es, as reuni\u00f5es s\u00e3o muito harmoniosas. Cada um procura respeitar o espa\u00e7o do outro, ajudar; \u00e9 uma cultura do bem. A sensa\u00e7\u00e3o que tenho \u00e9 que depois do encontro quinzenal do grupo, fico na expectativa do pr\u00f3ximo, de t\u00e3o bem que isto me faz\u201d.<\/p>\n<p>Entre os quase 30 membros, a maioria \u00e9 composta por mulheres, isso chama aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e dos pr\u00f3prios membros. Fernanda Correa afirma perceber uma maior procura e interesse das mulheres. \u201cAssim como em todas as \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o, as mulheres est\u00e3o buscando aprender mais. \u00c9 bacana porque elas assumem o controle, a partir de qualquer instrumento, sem diferen\u00e7as\u201d, observa a cantora.<\/p>\n<p>Seja com o p\u00fablico que for, durante tantas apresenta\u00e7\u00f5es que j\u00e1 foram realizadas de 2013 pra c\u00e1, fica a satisfa\u00e7\u00e3o dos membros em conseguir popularizar cada vez mais seu trabalho. \u201cAos poucos vai entrando na mente da pessoa essa quest\u00e3o cultural da percuss\u00e3o e dos afrodescendentes e ind\u00edgenas que trouxeram essa cultura pra n\u00f3s\u201d, finaliza Ricardo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Nath\u00e1lia Oliveira Entre fam\u00edlia e amigos surgiu o primeiro grupo de percuss\u00e3o de Ponta Grossa, o UBAtuque. 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