{"id":2079,"date":"2015-01-05T14:39:18","date_gmt":"2015-01-05T14:39:18","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=2079"},"modified":"2015-01-05T14:39:18","modified_gmt":"2015-01-05T14:39:18","slug":"ciranda-cirandinha-alguem-ainda-sabe-cirandar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/ciranda-cirandinha-alguem-ainda-sabe-cirandar-2\/","title":{"rendered":"Ciranda, Cirandinha, algu\u00e9m ainda sabe cirandar?"},"content":{"rendered":"<p>As brincadeiras tradicionais infantis v\u00eam perdendo espa\u00e7o ao longo do tempo. Concorrendo com a tecnologia, os computadores e celulares, elas s\u00e3o esquecidas e ignoradas por muitas crian\u00e7as dos dias de hoje. Em um giro pelos bairros de Ponta Grossa, s\u00f3 nos locais mais afastados, geralmente nos finais de semana, algumas crian\u00e7as brincam nas ruas. Elas est\u00e3o quase sempre jogando futebol ou soltando pipa. Os parques da \u00e1rea central da cidade s\u00e3o muito frequentados pelas fam\u00edlias, e o playground \u00e9 o mais perto que muitas chegam da divers\u00e3o ao ar livre.<\/p>\n<p>Nas escolas, os professores da Educa\u00e7\u00e3o Infantil e do Ensino Fundamental, principalmente de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, procuram trabalhar as brincadeiras com as crian\u00e7as, colocando os pequenos em contato com a hist\u00f3ria e a cultura por tr\u00e1s das tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Moacir \u00c1vila de Matos Junior \u00e9 professor no curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e coordenador do Departamento de M\u00e9todos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Para ele, as brincadeiras v\u00e3o muito al\u00e9m de s\u00f3 proporcionar divers\u00e3o. \u201cAs brincadeiras t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de desenvolver n\u00e3o s\u00f3 a coordena\u00e7\u00e3o motora das crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m o sistema neuronal. Aumenta o n\u00famero de sinapses no c\u00e9rebro, o que d\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de ela guardar mais informa\u00e7\u00f5es\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Moacir fala sobre a exist\u00eancia de diretrizes curriculares nacionais que trabalham a import\u00e2ncia de brincadeiras para o desenvolvimento motor das crian\u00e7as, e sobre o planejamento dos professores para trabalh\u00e1-las com os alunos, principalmente no m\u00eas de agosto. Isso porque nesse m\u00eas se comemora o folclore nas escolas, ent\u00e3o os brinquedos e jogos s\u00e3o apresentados \u00e0s crian\u00e7as junto de como surgiram e por quais nomes s\u00e3o conhecidos pa\u00eds afora. \u201cMuitas crian\u00e7as hoje n\u00e3o conhecem (as brincadeiras) por n\u00e3o brincar mais na rua e n\u00e3o ter acesso aos brinquedos com que se brincava antigamente\u201d, completa o professor.<\/p>\n<p><strong>Brincadeiras miscigenadas<\/strong><\/p>\n<p>E de onde vieram essas tradi\u00e7\u00f5es? Alguns pesquisadores, como C\u00e2mara Cascudo, buscaram tra\u00e7ar as origens desses jogos infantis. Acredita-se que muitos deles tenham se originado de contos e rituais m\u00edsticos e religiosos que tiveram seu sentido original alterado. Como \u00e9 de se imaginar, muitos foram trazidos da Europa pelos colonizadores portugueses, outros fazem parte da tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e da africana, e alguns s\u00e3o originalmente orientais, mas se popularizaram no continente europeu e chegaram ao Brasil.<\/p>\n<p>Phillipe Ari\u00e8s, autor do livro \u201cHist\u00f3ria Social da Crian\u00e7a e da Fam\u00edlia\u201d, constatou que algumas das brincadeiras populares entre as crian\u00e7as eram compartilhadas com os adultos, como a cabra-cega ou cobra-cega e o esconde-esconde ou pique-esconde. Quadros dos s\u00e9culos XVI e XVII ilustram essas brincadeiras entre os mais velhos. Especialmente no \u00faltimo s\u00e9culo, a cabra-cega, assim como a boneca, acabou no gosto das meninas, enquanto no passado as diferen\u00e7as entre g\u00eaneros eram menos evidentes na hora de se divertir.<\/p>\n<p>Uma das brincadeiras mais comuns at\u00e9 os dias atuais \u00e9 talvez uma das mais antigas. A pipa (ou papagaio) foi inventada h\u00e1 aproximadamente dois s\u00e9culos antes de Cristo, de acordo com a Hist\u00f3ria Chinesa. Era um objeto estrat\u00e9gico para calcular dist\u00e2ncias e fazer comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em Ponta Grossa, cidade onde venta muito, \u00e9 de se esperar que a pipa atraia muitos praticantes. Crian\u00e7as de bairros pr\u00f3ximos ao centro, como Ronda e Oficinas, costumam empinar pipas aos fins de semana. A grande maioria s\u00e3o meninos, assim como era costume ver os meninos brincarem de bolinha de gude e pi\u00e3o, dois brinquedos praticamente extintos, que talvez existam nas zonas rurais.<\/p>\n<p>Outra brincadeira que \u00e0s vezes aparece nas ruas \u00e9 o taco (ou bets), que \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o popular do \u201ccricket\u201d brit\u00e2nico, que utiliza peda\u00e7os de madeira e bolas de t\u00eanis ou qualquer objeto que possa assumir essa fun\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a peteca \u00e9 dif\u00edcil de encontrar, mas tamb\u00e9m pode se assemelhar com um esporte, principalmente o voleibol, dependendo de como \u00e9 jogada. Sua origem \u00e9 ind\u00edgena, e costumava ser praticada somente por homens<\/p>\n<p>A cantiga de roda aparece com frequ\u00eancia dentro das fam\u00edlias e das escolas, principalmente na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Com tantas can\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es, algumas cantigas podem ter se perdido no tempo, enquanto outras ainda s\u00e3o trabalhadas com os pequenos. O dif\u00edcil \u00e9 estabelecer onde elas surgiram, por serem an\u00f4nimas, mas se sabe que algumas palavras t\u00eam origem no vocabul\u00e1rio dos escravos, como abrevia\u00e7\u00f5es, por isso se considera que existem cantigas que eram utilizadas por rodas entre negros, entre negros e brancos ou eram cantadas pelas amas \u00e0s sinhazinhas e aos sinhozinhos.<\/p>\n<p><strong>O presente e o passado<\/strong><\/p>\n<p>As filhas de S\u00edlvia Correia v\u00e3o brincar na Pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco em alguns finais de semana. Mas quando ficam em casa, costumam brincar entre elas de brincadeiras tradicionais e populares. \u201cA La\u00eds n\u00e3o fica muito no computador n\u00e3o, ela e a Milena brincam bastante\u201d, diz S\u00edlvia. La\u00eds, a mais velha, tem oito anos, e conta que brinca \u00e0s vezes no intervalo da escola e nas aulas de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, mas na maior parte s\u00e3o esportes.<\/p>\n<p>S\u00edlvia fala que tem medo de deixar as meninas brincarem na rua, coisa que ela fazia muito na inf\u00e2ncia, ao brincar de corda e amarelinha com as amigas. As brincadeiras preferidas de La\u00eds s\u00e3o Mam\u00e3e-Polenta e Maria-Do-Leite, al\u00e9m de brincar bastante de esconde-esconde, m\u00edmica e boneca.<\/p>\n<p>Eloir Machado e Janete Kluchak levam a pequena Gabriela ao Parque Ambiental de vez em quando. Os dois falam de forma saudosista sobre a sua inf\u00e2ncia. Eloir diz que brincava muito de pipa e bolinha de gude, mas que hoje em dia \u00e9 dif\u00edcil ver essas brincadeiras. \u201cHoje em dia tem muita tecnologia, os meninos ficam s\u00f3 no videogame. O futebol ainda \u00e9 bem comum, mas o resto \u00e9 raro\u201d, acredita.<\/p>\n<p>Janete diz que brincava muito de 31 \u00e9 meu, uma varia\u00e7\u00e3o de esconde-esconde, al\u00e9m de cobra-cega e casinha. Para ela, as crian\u00e7as n\u00e3o sabem o que \u00e9 brincar nos dias de hoje. Gabriela, diferente das outras duas meninas, brinca s\u00f3 de casinha e gosta de jogar v\u00f4lei.<\/p>\n<p>O professor Moacir \u00c1vila de Matos Junior acredita que as crian\u00e7as t\u00eam pouco espa\u00e7o para brincar hoje e s\u00e3o rodeadas de tecnologias que chamam a aten\u00e7\u00e3o. O trabalho da escola vem no sentido de suprir essa falta de intera\u00e7\u00e3o entre os mais novos, e tamb\u00e9m a falta de exerc\u00edcio f\u00edsico. Ele relata o choque inicial dos alunos com essa forma de divers\u00e3o. \u201cQuando as crian\u00e7as s\u00e3o apresentadas a essas brincadeiras elas acham engra\u00e7ado. Mas depois que elas v\u00e3o conhecendo elas v\u00e3o se envolvendo, elas veem que s\u00e3o brincadeiras prazeirosas e gostam de participar\u201d, completa.<\/p>\n<p>Reportagem de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/search?SearchableText=Ta%C3%ADs%20Borges%20de%20Macedo\">Ta\u00eds Borges de Macedo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As brincadeiras tradicionais infantis v\u00eam perdendo espa\u00e7o ao longo do tempo. Concorrendo com a tecnologia, os computadores e celulares, elas s\u00e3o esquecidas e ignoradas por muitas crian\u00e7as dos dias de hoje. Em um giro pelos bairros de Ponta Grossa, s\u00f3 nos locais mais afastados, geralmente nos finais de semana, algumas crian\u00e7as brincam nas ruas. 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