{"id":285,"date":"2011-08-24T22:11:27","date_gmt":"2011-08-24T22:11:27","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=285"},"modified":"2011-08-24T22:11:27","modified_gmt":"2011-08-24T22:11:27","slug":"o-guardiao-do-opera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-guardiao-do-opera\/","title":{"rendered":"O guardi\u00e3o do \u00d3pera"},"content":{"rendered":"<div class=\"stx\">\n<p align=\"JUSTIFY\">Com 49 anos e longos cabelos brancos encobertos por uma touca, Am\u00e9rico da Silva Nunes \u2013 ou Am\u00e9rico Nunnes, seu \u201cnovo nome art\u00edstico\u201d, como ele frisa \u2013 tem sua vida em liga\u00e7\u00e3o direta com a arte. O local da entrevista j\u00e1 demarca seu espa\u00e7o e traz fortes tra\u00e7os de significa\u00e7\u00e3o com o cen\u00e1rio cultural de Ponta Grossa: o Cine-Teatro \u00d3pera.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Passeando pela casa p\u00fablica de espet\u00e1culos mais tradicional da cidade como se fosse sua pr\u00f3pria moradia, Am\u00e9rico Nunnes \u2013 com 13 letras, ele nos diz \u2013 vai caminhando com a m\u00e3o no bolso da jaqueta enquanto seguimos atr\u00e1s. Entre uma parada e outra, seja na recep\u00e7\u00e3o ou na bilheteria, sempre acha algum amigo para brincar.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201cPor que voc\u00ea t\u00e1 nervoso, pi\u00e1? Fique gelo, fique gelo\u201d, \u00e9 a forma que ele achou de aproxima\u00e7\u00e3o com seus colegas, carregado de sotaque ponta-grossense e amplitude que ecoa pelo alto p\u00e9-direito do teatro.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Am\u00e9rico passeia livremente pelas artes. Na literatura, \u00e9 o \u2018pai\u2019 do <a class=\"internal-link\" title=\"Bando da Leitura: uma hist\u00f3ria a ser contada\" href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/especial\/bando-da-leitura-uma-historia-a-ser-contada\">Bando da Leitura<\/a>, idealizado pela sua esposa, <a class=\"internal-link\" title=\"A fada que comanda o Bando da Leitura\" href=\"http:\/\/www.culturaplural.com.br\/blocos\/a-fada-que-comanda-o-bando-da-leitura\">Luc\u00e9lia Clarindo<\/a>. Tem tr\u00eas filhos de sangue \u2013 \u201cdois concebidos, literalmente, dentro do Teatro Pax\u201d \u2013 e mais uma dezena que frequentam sua casa nas quartas-feiras para participarem das atividades do Bando. E por falar no Teatro Pax, Am\u00e9rico administrou durante oito anos o espa\u00e7o, em Vila Oficinas. Por seis anos, morou com a esposa e o filho mais velho, Luan, nos camarins do teatro. E justamente nesses camarins que foram gerados a filha Melu e o filho Ian. Por mais seis anos, residiu em uma casa nos fundo do Pax, como um verdadeiro c\u00e3o de guarda. S\u00f3 que, em vez de vigiar a casa de seu dono, como fazem os animais, o homem cuidava de um bem mais importante: a arte.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Hoje, \u00e9 agente cultural, pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Mas, voltando na hist\u00f3ria, vemos que Am\u00e9rico \u00e9, por forma\u00e7\u00e3o, marceneiro. Dos 12 aos 20 anos morou na capital paranaense para estudar no Centro de Forma\u00e7\u00e3o Profissional para Menores de Campo Comprido. De l\u00e1, viajou para Maring\u00e1, Londrina, Roraima e Rio Grande do Sul. Sempre sozinho. \u201cAntes s\u00f3 do que mal acompanhado\u201d, nos revela o forasteiro. Voltou com 24 anos pra sua cidade-m\u00e3e. Pela prefeitura, trabalhou por tr\u00eas anos no Parque de Exposi\u00e7\u00f5es Augusto Ribas \u2013 onde hoje \u00e9 o Campus Uvaranas da Universidade Estadual de Ponta Grossa.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Nesta \u00e9poca, por volta de 1986, na gest\u00e3o do prefeito Otto Cunha, estava sendo montado o Departamento de Cultura. Como faltava verba para contrata\u00e7\u00e3o de pessoal, a prefeitura decidiu deslocar os funcion\u00e1rios que eram ligados ao campo cultural na cidade, entre eles, Am\u00e9rico da Silva Nunes.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">\u201cTemos uma Secretaria de Cultura hoje porque n\u00f3s brigamos muito naquela \u00e9poca\u201d, conta o agitador cultural. Depois de administrar o Teatro Pax, foi para o Centro de Cultura e, na \u00e9poca de reabertura do Cine Teatro \u00d3pera, mudou seu trabalho para l\u00e1. \u00c9 o respons\u00e1vel t\u00e9cnico do teatro, mas tamb\u00e9m \u00e9 professor, iluminador, porteiro, bilheteiro&#8230; de acordo com a necessidade. Mas o que mais agrada a Am\u00e9rico \u00e9 a \u2018opera\u00e7\u00e3o montagem\u2019: recebimento do mapa de luz, instru\u00e7\u00f5es do operador da equipe, montagem, reclama\u00e7\u00e3o do operador, separa\u00e7\u00e3o de fases, mais reclama\u00e7\u00e3o do operador e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Am\u00e9rico Nunes, ou melhor, Nunnes, sempre fez teatro, desde a \u00e9poca que morava em Curitiba. J\u00e1 em Ponta Grossa, foi um dos criadores do grupo Santo de Casa Tamb\u00e9m Faz Milagre, o qual est\u00e1 em \u201cestudo&#8230; na verdade, estamos parados mesmo, mas \u00e9 mais bonito falar que estamos em estudo\u201d, se diverte o ator. Mas o retorno do guardi\u00e3o do \u00d3pera ao teatro ser\u00e1 em breve, muito breve. Com exclusividade \u2013 \u201c\u00e9 furo que se diz, n\u00e9? &#8211; , ele nos revela que est\u00e1 dirigindo o mon\u00f3logo Valsa n\u00ba 6, do escritor brasileiro Nelson Rodrigues. Previsto para estrear em outubro deste ano, o diretor emociona-se ao falar sobre a pe\u00e7a: \u201cO texto \u00e9 enlouquecedor! J\u00e1 fizemos leitura de mesa e o texto; agora estamos na marca\u00e7\u00e3o de cena com a atriz\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Durante a entrevista, um objeto chama a aten\u00e7\u00e3o. Pendurada em um quadro rosa, em uma das paredes do cub\u00edculo \u201ccafofo\u201d, onde Am\u00e9rico guarda seus apetrejos el\u00e9tricos \u2013 uma verdadeira bagun\u00e7a, isso sim \u2013 uma calcinha preta. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma calcinha, \u00e9 uma obra de arte\u201d, interrompe o artista pl\u00e1stico. \u201cA pessoa v\u00ea o que ela quiser. Poderia ser outra coisa, mas por um acaso \u00e9 uma pe\u00e7a \u00edntima. \u00c9 uma cria\u00e7\u00e3o coletiva da equipe t\u00e9cnica. Est\u00e1vamos reunidos aqui e um dia surgiu essa calcinha no teatro, de algu\u00e9m que esqueceu ou sei l\u00e1. A\u00ed a gente n\u00e3o quis procurar o dono, e fizemos essa obra de arte\u201d, relata Am\u00e9rico, seguido de uma longa e alta risada.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para fechar a conversa, pergunto: qual a melhor coisa da vida? Em um estalo, sem eu nem perceber, Am\u00e9rico Nunnes j\u00e1 me responde. \u201cViver, somente viver.\u201d<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Por Eduardo Godoy<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 49 anos e longos cabelos brancos encobertos por uma touca, Am\u00e9rico da Silva Nunes \u2013 ou Am\u00e9rico Nunnes, seu \u201cnovo nome art\u00edstico\u201d, como ele frisa \u2013 tem sua vida em liga\u00e7\u00e3o direta com a arte. 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