{"id":2850,"date":"2018-05-16T19:58:26","date_gmt":"2018-05-16T19:58:26","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=2850"},"modified":"2018-05-16T19:58:26","modified_gmt":"2018-05-16T19:58:26","slug":"o-duelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/o-duelo\/","title":{"rendered":"O duelo"},"content":{"rendered":"<p>Como eu fiz para chegar aqui? Olhando nos fundos dos olhos do meu advers\u00e1rio, observo o mal, o \u00f3dio, a vontade dele eliminar-me de uma vez por todas. N\u00e3o observo nele um pingo de compaix\u00e3o e quem teria? Uma pessoa que levou a vida que eu levei, n\u00e3o merece se quer piedade, mas se eu cair, eu caio lutando, ou melhor, atirando, nesse duelo de vida ou morte.<\/p>\n<p>Nesse momento, minha mente transcende o meu passado, lembro-me de toda a minha vida, minha inf\u00e2ncia que n\u00e3o foi t\u00e3o querida, mas que teve seus momentos bons, como o primeiro beijo na sa\u00edda da escola, mesmo sardento e baixo, tinha um encanto que foi perdendo-se atrav\u00e9s do tempo, dos v\u00edcios, sem virtudes, apenas v\u00edcios que me levaram onde estou hoje, frente \u00e0 frente com meu advers\u00e1rio.<br \/>\nObservo ele movimentando suavemente a m\u00e3o sobre o rev\u00f3lver, meus olhos fixos, prendo a respira\u00e7\u00e3o, minhas m\u00e3os est\u00e3o tr\u00eamulas, como da primeira vez que amei, o amor, eu tinha apenas dezessete anos quando conheci o amor, talvez se os pais da mais doce mulher que conheci n\u00e3o tivessem me julgado incapaz, feio e pobre, minha hist\u00f3ria teria sido outra.<br \/>\nFodam-se eles, foda-se o mundo eu pensei na \u00e9poca, como sempre eu sa\u00ed quase ileso, mas n\u00e3o, o cora\u00e7\u00e3o d\u00f3i, a alma entristece e isso acaba com a vida de qualquer homem, uma l\u00e1grima escorre em minha face, n\u00e3o \u00e9 medo. O mundo em que vivi depois dessa prova de sanidade, n\u00e3o permite-me tal luxo.<br \/>\nMeu cora\u00e7\u00e3o acelera, pego meu rev\u00f3lver e olho para ele, um pequeno sorriso estampa meu rosto, os pensamentos voam em minha mente perturbada e sombria, hoje no meu anivers\u00e1rio de vinte e sete anos, travo um duelo de vida ou morte comigo mesmo, olhando-me no espelho eu o vejo, meu advers\u00e1rio, meu eu querendo ser liberto deste mundo que nunca me entendeu.<br \/>\nTrancado neste quarto de apartamento, frio e sozinho, observo a garrafa de Whisky pelo fim, um copo vazio e um prato com que sobro de coca\u00edna, estou t\u00e3o louco que n\u00e3o sinto nada, medo ou remorso, apenas eu e eu mesmo, com o que sobrou da minha dignidade e sanidade, da minha vida, se \u00e9 que posso chamar isso de vida, vai ser um tiro, apenas um, tudo preparado, deixei tudo programado.<br \/>\nSaio dessa vida como entrei, sozinho e abandonado, triste e magoado, levo o rev\u00f3lver at\u00e9 a altura da boca, mas n\u00e3o, n\u00e3o se morre assim, abaixo novamente, choro, minha alma grita querendo sua liberdade, levanto a m\u00e3o, dessa vez decidido, levo o rev\u00f3lver at\u00e9 o ouvido, e penso, adeus, porque sei que<br \/>\njamais um homem como eu foi compreendido.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">Jackson Mattos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como eu fiz para chegar aqui? Olhando nos fundos dos olhos do meu advers\u00e1rio, observo o mal, o \u00f3dio, a vontade dele eliminar-me de uma vez por todas. N\u00e3o observo nele um pingo de compaix\u00e3o e quem teria? Uma pessoa que levou a vida que eu levei, n\u00e3o merece se quer piedade, mas se eu&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":524,"featured_media":2790,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[34,18,66],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2850"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/524"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2850"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2850\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}