{"id":3014,"date":"2018-06-21T12:00:48","date_gmt":"2018-06-21T12:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=3014"},"modified":"2018-06-21T12:00:48","modified_gmt":"2018-06-21T12:00:48","slug":"ameixas-ame-as-ou-deixe-as","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/ameixas-ame-as-ou-deixe-as\/","title":{"rendered":"Ameixas, ame-as ou deixe-as"},"content":{"rendered":"<p>Minha melhor amiga de inf\u00e2ncia foi uma ameixeira. Amiga enorme. Uns\u00a010 metros hoje, porque na \u00e9poca parecia ter 30. Ela era (ou \u00e9?) uma ameixeira\u00a0de \u201cameixa amarela\u201d, como tive o desprazer de ler esses dias. Como assim?\u00a0Ameixa \u00e9 a amarela, \u00e9 a outra que merece a distin\u00e7\u00e3o, a vermelha.<\/p>\n<p>No quintal-pomar da minha inf\u00e2ncia, ela ficava no centro. Tinha tamb\u00e9m\u00a0macieira, goiabeira, mangueira (mangueirinha), limoeiro, ara\u00e7azeiro, al\u00e9m do\u00a0galinheiro e do po\u00e7o. A ameixeira era uma mo\u00e7a, eu uma crian\u00e7a e ele um\u00a0senhor quintal.<\/p>\n<p>Conhecia cada palmo do terreno, e da ameixeira cada galho. Sabia de\u00a0cor em quais pisar e em poucos segundo j\u00e1 estava na copa. Trepar em \u00e1rvores\u00a0era uma habilidade muito prestigiada na inf\u00e2ncia de um menino e eu treinava\u00a0diariamente, por horas, na minha ameixeira.<\/p>\n<p>Tinha v\u00e1rios lugares em cima dela. Mas bem no centro da \u00e1rvore, um\u00a0prolongamento do tronco dividia- se em tr\u00eas outros galhos, era meu canto\u00a0preferido. Ali ficava o capit\u00e3o da nave, quando brinc\u00e1vamos de viajar pelo\u00a0espa\u00e7o ou o c\u00e9rebro do rob\u00f4 gigante que salvava a cidade. Esse lugar especial\u00a0era meu, menos por prest\u00edgio do que por ser na minha casa.<\/p>\n<p>Mas minha rela\u00e7\u00e3o com a ameixeira amadurecia (!) mesmo, quando\u00a0fic\u00e1vamos a s\u00f3s. Brincar sozinho sempre foi mais divertido, talvez no in\u00edcio por\u00a0falta de op\u00e7\u00e3o, mas depois de um tempo, eu preferi brincar s\u00f3. E l\u00e1 estava eu\u00a0brincando, com o rosto e m\u00e3os lambuzados de ameixa.<\/p>\n<p>Chor\u00e3o que sempre fui, derramei l\u00e1grimas e l\u00e1grimas na ameixeira,\u00a0sentado sob a sua sombra, em cima dela, em todos os cantos. Todo choro das\u00a0brigas com minha m\u00e3e acabava nela. Outros prantos tinham in\u00edcio nos seus\u00a0galhos, no ch\u00e3o, para ser mais preciso. Tombos e tombos decorrentes das\u00a0vezes que me desafiava a tocar suas folhas mais distantes.<\/p>\n<p>E longe ela foi ficando \u00e0 medida que cresci. A rua passou a ser mais\u00a0atrativa e a ameixeira se tornou mais uma \u00e1rvore, das \u00e1rvores que existiam\u00a0atr\u00e1s da minha casa. Meus pais mudaram-se. Nunca mais voltei l\u00e1.<\/p>\n<p>Mais tarde e at\u00e9 hoje, ao ler a vers\u00e3o Leminski do jarg\u00e3o da ditadura\u00a0militar e alheio a qualquer discuss\u00e3o pol\u00edtica, lembro da ameixeira em que\u00a0chorei, brinquei, que amei e deixei.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minha melhor amiga de inf\u00e2ncia foi uma ameixeira. Amiga enorme. Uns\u00a010 metros hoje, porque na \u00e9poca parecia ter 30. Ela era (ou \u00e9?) uma ameixeira\u00a0de \u201cameixa amarela\u201d, como tive o desprazer de ler esses dias. Como assim?\u00a0Ameixa \u00e9 a amarela, \u00e9 a outra que merece a distin\u00e7\u00e3o, a vermelha. No quintal-pomar da minha inf\u00e2ncia, ela&nbsp;&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":546,"featured_media":2906,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[34,67,12],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3014"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/users\/546"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3014\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}