{"id":3169,"date":"2018-09-12T19:17:06","date_gmt":"2018-09-12T19:17:06","guid":{"rendered":"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=3169"},"modified":"2018-09-12T19:17:06","modified_gmt":"2018-09-12T19:17:06","slug":"sarau-promove-discussoes-de-cultura-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/sarau-promove-discussoes-de-cultura-e-politica\/","title":{"rendered":"Sarau promove discuss\u00f5es de cultura e pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro Sarau Inverno organizado pela Companhia Di\u00e1logos Culturais aconteceu no domingo 2\/9, a partir das 18h, no bar e petiscaria Garden. Com foco na segunda fase do movimento modernista no Brasil, a fase regionalista, o evento homenageou a obra \u201cVidas Secas\u201d, de Graciliano Ramos (1892-1953). O sarau reuniu teatro, m\u00fasica, poesia com escritores locais, conversa sobre cultura, DJ e exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio* \u201cTocando a vida\u201d que trata da m\u00fasica sertaneja de raiz em Ponta Grossa. Al\u00e9m de apresenta\u00e7\u00f5es culturais, o evento proporcionou discuss\u00f5es sobre cultura, pol\u00edtica e acesso \u00e0 arte.<\/p>\n<p>A homenagem ao autor prop\u00f4s uma releitura sobre sua obra. \u201cSugeri que eles escrevessem uma nova narrativa, j\u00e1 que Graciliano trabalha com a n\u00e3o-linearidade\u201d, conta o diretor teatral Zek Ramos. \u201cTodos os textos s\u00e3o de Graciliano, frase por frase, palavra por palavra, mas a gente desconstruiu a narrativa dele e construiu uma nova a partir desses temas, aproveitando a proposta n\u00e3o-linear que ele fazia\u201d, explica.<\/p>\n<p>Cada mon\u00f3logo, escrito pelos pr\u00f3prios atores, intercalava-se com m\u00fasicas contempor\u00e2neas. \u201cMas a gente contextualizou [as m\u00fasicas] de outro jeito para que elas conversassem com a nossa hist\u00f3ria e isso tamb\u00e9m traz uma mem\u00f3ria mais pr\u00f3xima das pessoas\u201d, afirma o diretor teatral. \u201cPorque &#8216;Vidas Secas&#8217;, por mais que seja um livro conhecido, ele n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o lido hoje em dia pela massa\u201d justifica.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o de um personagem para outro era feita em cena, durante o intervalo entre os mon\u00f3logos. \u201cA prepara\u00e7\u00e3o [da pe\u00e7a] se deu mais na desconstru\u00e7\u00e3o do personagem, a gente debateu muito em cima disso, n\u00e3o tanto em fala, sotaque, essas coisas, porque a gente tinha que demorar mais para se transformar\u201d, comenta o ator e m\u00fasico Guilherme Lucas Bueno. Os figurinos dos atores eram simples e de cores quentes. O ambiente intimista, que caracteriza um sarau, possibilitou intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Em alguns momentos, os atores se deslocavam em meio \u00e0 plateia. Em outro, abra\u00e7os foram dados nos mais pr\u00f3ximos, durante uma cena que emocionou alguns que assistiam.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da m\u00fasica apresentada durante o teatro, houve tr\u00eas bandas que tocaram durante a noite, antes do encerramento com o DJ Vinicius Schultz. O cantor Geordani Castilho interpretou m\u00fasicas sertanejas com convidados. A banda Amutua, formada por Camila Oliveira, Let\u00edcia Carvalho Silva e Luiz Oliveira, foi lan\u00e7ada no sarau cantando m\u00fasicas autorais e covers. A banda MUM (Mais Uma Mulher) tamb\u00e9m se apresentou.<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias com leituras de poemas dos poetas Kleber Bordinh\u00e3o e Lucas Walker, assim como a exibi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio \u201cTocando a vida\u201d, ganhador de men\u00e7\u00e3o honrosa no 10\u00ba edital do Concurso Municipal de Videodocument\u00e1rios 2018, tamb\u00e9m fizeram parte da programa\u00e7\u00e3o do sarau. A tem\u00e1tica do audiovisual casa com o tema do sarau, pois trata do grupo m\u00fasica \u201csenhores da m\u00fasica\u201d que toca can\u00e7\u00f5es de raiz na Concha Ac\u00fastica da pra\u00e7a Bar\u00e3o do Rio Branco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_3170\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3170\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-3170\" src=\"https:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Sarau-DIAC-8-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><p id=\"caption-attachment-3170\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Yuri A.F. Marcinik<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Paulo Vitor Ferreira, ourives e participante do sarau, \u00e9 f\u00e3 de Graciliano Ramos e elogia a iniciativa do sarau por consider\u00e1-la mais acess\u00edvel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que n\u00e3o cobra a entrada para participa\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio de outros eventos que apresentam manifesta\u00e7\u00f5es culturais semelhantes. \u201cEu acho que a cultura em Ponta Grossa \u00e9 uma coisa que precisa ser trabalhada e dar aten\u00e7\u00e3o a essas pe\u00e7as, essas pessoas, esses artistas que est\u00e3o brotando na cidade \u00e9 muito importante\u201d, avalia. \u201cEu estou aqui porque ainda acredito que ainda podemos ser melhores, como sociedade, amanh\u00e3 do que somos hoje, atrav\u00e9s da cultura\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para o teatr\u00f3logo Zek Ramos, o sarau \u201c\u00e9 sobretudo um encontro filos\u00f3fico para discutir com artistas ou pessoas que entendem de um determinado assunto quest\u00f5es de pol\u00edtica, de sociedade, de arte e tem um car\u00e1ter festivo no sentido de que as pessoas podem, al\u00e9m de pensar e refletir, aproveitar uma comida, uma bebida, \u00e9 um pouco menos formal do que acontece dentro de um teatro, por exemplo\u201d, explica o diretor. Ele enfatiza o car\u00e1ter de troca desse tipo de evento. \u201cEsse ajuntamento cria parcerias, la\u00e7os e democraticamente d\u00e1 \u00e0s pessoas acesso \u00e0 arte. Apesar de este ser um privil\u00e9gio, n\u00e3o precisa ser algo distante, ela pode ser acess\u00edvel\u201d, considera.<\/p>\n<p>A doutoranda Carla Roggenkamp, uma das convidadas para o sarau, discute que a humanidade das pessoas est\u00e1 relacionada ao acesso e consumo de produ\u00e7\u00f5es de conhecimento humano, como a arte. \u201cTem muita gente que nunca vai vir aqui ou nunca vai num teatro, porque n\u00e3o sabe se portar, tem medo de ir l\u00e1 e ser rejeitado porque n\u00e3o t\u00e1 com a roupa certa\u201d, afirma a doutoranda durante sua fala no evento. \u201cN\u00e3o basta levar a arte para o povo, n\u00e3o \u00e9 isso, a gente tem que garantir que as pessoas tenham as condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia, que elas n\u00e3o precisem se preocupar se elas tem o que comer amanh\u00e3, se os filhos t\u00eam o que vestir, a\u00ed a gente pode pensar em arte\u201d, frisa Roggenkamp ao explicar porque arte \u00e9 um privil\u00e9gio.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo sarau ser\u00e1 sobre a Tropic\u00e1lia e est\u00e1 previsto para o primeiro semestre do ano que vem. A ideia, conta Zek Ramos, \u00e9 fazer dois saraus por ano. \u201cO nosso objetivo \u00e9 que cada sarau tenha uma tem\u00e1tica, apresente para as pessoas o que seria aquela fase [do movimento art\u00edstico], e que a gente discuta um pouco sobre isso\u201d, explica o diretor. A Cia. Di\u00e1logos Culturais existe desde novembro de 2017, mas foi lan\u00e7ada em maio deste ano. O grupo trabalha com teatro, teatro musical e oficinas pensando na arte como forma de educa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro Sarau Inverno organizado pela Companhia Di\u00e1logos Culturais aconteceu no domingo 2\/9, a partir das 18h, no bar e petiscaria Garden. Com foco na segunda fase do movimento modernista no Brasil, a fase regionalista, o evento homenageou a obra \u201cVidas Secas\u201d, de Graciliano Ramos (1892-1953). 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