{"id":327,"date":"2011-10-04T22:24:04","date_gmt":"2011-10-04T22:24:04","guid":{"rendered":"http:\/\/culturaplural.sites.uepg.br\/?p=327"},"modified":"2011-10-04T22:24:04","modified_gmt":"2011-10-04T22:24:04","slug":"um-circo-teatro-ou-teatro-popular-no-circo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www2.uepg.br\/culturaplural\/um-circo-teatro-ou-teatro-popular-no-circo\/","title":{"rendered":"Um circo teatro ou teatro (popular) no circo?"},"content":{"rendered":"<p>A literatura \u2018cl\u00e1ssica\u2019 brasileira (me refiro \u00e0s \u2018leituras indispens\u00e1veis\u2019 t\u00e3o cobradas em vestibulares) tem muitas passagens que se tornam incompreens\u00edveis ao leitor por n\u00e3o fazer parte de seu cotidiano, pela linguagem rebuscada, pela singularidade enigm\u00e1tica das hist\u00f3rias, pela transcendentalidade do autor, ou in\u00fameros outros aspectos que dificultam a leitura. Um dos tradicionais exemplos \u00e9 o livro O Guarani, de Jos\u00e9 de Alencar em sua fase indianista.<\/p>\n<p>O amor do \u00edndio Peri por Ceci, a paix\u00e3o plat\u00f4nica de \u00c1lvaro por Ceci, as batalhas com os Aimor\u00e9s e o mito do in\u00edcio de uma civiliza\u00e7\u00e3o tipicamente brasileira d\u00e3o o tom \u00e0 obra, escrita em formato de folhetim entre janeiro e abril de 1857, no Correio Mercantil. Todo este complexo enredo, que se passa em terras tupiniquins, faz com que a hist\u00f3ria tenha dificuldades de impenetrar no cotidiano contempor\u00e2neo das leituras.<\/p>\n<p>Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio uma \u2018tradu\u00e7\u00e3o\u2019, que vem, obviamente, carregada da vis\u00e3o de quem adapta. \u00c9 a\u00ed que muitas pe\u00e7as teatrais pecam. Na adapta\u00e7\u00e3o, alguns roteiristas\/diretores tentam trazer o literal ou o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel do original. E n\u00e3o \u00e9 esse formato que o diretor Pedro Uch\u00f4a traz para o espet\u00e1culo \u201cO Guarani: O amor de Peri e Ceci\u201d, apresentado pelo Circo Teatro Sem Lona, de Maring\u00e1-PR, no SESC Ponta Grossa, na noite de hoje, 03.<\/p>\n<p>Com fortes marcas do Teatro Mambembe, a pe\u00e7a tem mais caracter\u00edsticas de teatro de rua, popular, do que circo (como anunciado como \u2018circo teatro\u2019 e encenado embaixo de uma lona). O cen\u00e1rio \u00e9 pr\u00f3prio\/pr\u00e1tico para interven\u00e7\u00e3o em rua, a sonoplastia n\u00e3o tem impedimentos de aparelhagem, o figurino \u00e9 chamativo\/convidativo e, principalmente, os quatro atores (clowns) t\u00eam facilidade para lidar com o p\u00fablico, com a interfer\u00eancia popular. Principalmente Mateus Moscheta, que interpreta \u2018Secura\u2019 e tem uma simpatia e aproxima\u00e7\u00e3o com os espectadores.<\/p>\n<p>O enredo traz a metalinguagem de uma constru\u00e7\u00e3o de pe\u00e7a teatral, com a figura do diretor sempre ali ao lado, regendo as interpreta\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da sonoplastia (feita ao vivo, com flauta, sanfona, percuss\u00e3o e outros instrumentos improvisados, o que traz uma sensa\u00e7\u00e3o mais emocional, presente e pr\u00f3xima ao espet\u00e1culo).<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o de Uch\u00f4a consegue captar a complexa narrativa e transforma-la em uma simples hist\u00f3ria de amor, sem deixar de engrandecer a obra de Jos\u00e9 de Alencar. Para tanto, utiliza altas doses de humor, caracter\u00edstico do teatro popular, cen\u00e1rios e figurinos bem vistos esteticamente, falas simples, por\u00e9m, impactantes, metalinguagem prazerosa, na medida certa, m\u00fasica popular brasileira e seu olhar. Um olhar singelo do humor e da brasilidade, para contar um cl\u00e1ssico da literatura que viaja no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>por Eduardo Godoy<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A literatura \u2018cl\u00e1ssica\u2019 brasileira (me refiro \u00e0s \u2018leituras indispens\u00e1veis\u2019 t\u00e3o cobradas em vestibulares) tem muitas passagens que se tornam incompreens\u00edveis ao leitor por n\u00e3o fazer parte de seu cotidiano, pela linguagem rebuscada, pela singularidade enigm\u00e1tica das hist\u00f3rias, pela transcendentalidade do autor, ou in\u00fameros outros aspectos que dificultam a leitura. 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